MARIA A VIRGEM E IMACULADA

Maria: A Virgem e Imaculada


Introdução
           
            A Imaculada Conceição de Nossa Senhora é uma verdade de fé, que consiste na graça que Deus a concedeu para ser a mãe do Salvador. Deus, no momento da conceição da Virgem Maria, isto é, no momento em que a alma inocente se une ao corpo escravo do pecado, preservou em Maria esta mancha do pecado original. Nosso Senhor concedeu a Maira Santíssima este favor, não por seu merecimento, mas pelos privilégios de Nosso Senhor Jesus Cristo, dando então a ela uma Imaculada Conceição.

Provas da Sagrada Escritura

           
            “Ave cheia de graça o Senhor estar contigo” cf. (Lc 1, 28) a saudação Angélica mostra muito bem a graça que Deus concedeu a Maria Santíssima. A expressão “cheia de graça” em grego “Kecharitoméneê”, é empregada para designar a graça em seu sentido pleno. A tradução em latim (Gratia plena), isto é “graça plena” é mais perfeita do que a portuguesa “cheia de graça”. O arcanjo falando á Maria que ela achara graça diante de Deus diz: “Maria, sois imaculada, e por isto serás a mãe do salvador”.
           
            “O Senhor é convosco” (Lc 1,28) estas palavras angélicas, foram ditas antes da concepção pelo Espírito Santo, o que mostra que Deus está com Nossa Senhora antes da encarnação do Verbo. E, onde Deus habita não pode existir pecado, ou seja, ou seja, Maia não participou do pecado original. Sendo assim preservada por vontade de Deus. “Mas, vindo Cristo, o Sumo Sacerdote dos bens futuros. Por um maior e mais perfeito Tabernáculo, não feito por mãos, isto é, não desta criação” (Hb. 9,11) aqui São Paulo se expressa sobre o ventre que concebeu o menino Deus, e compara com um tabernáculo perfeito. Logo onde Deus habita não pode existir imperfeição, ou seja, onde Deus está não pode existir pecado.
           
            O pecado original é transmitido do corpo dos pais aos filhos (em termos modernos poderíamos dizer que, geneticamente, com óvulo e espermatozóide sendo portadores), e infecta a alma no instante de sua infusão no corpo (ou seja, no instante da concepção). Assim, a Imaculada Conceição foi um ato divino em que Ele impediu que houvesse esta contaminação; São Joaquim e Santa Ana tinham o pecado original, e normalmente o teriam transmitido à sua filha. Deus, no entanto, impediu que a alma que Ele criou fosse contaminada pelo pecado original que, normalmente a contaminaria. Este ato divino ocorreu no instante da concepção de Maria.
           
            Há assim, duas respostas que se completam a pergunta: Deus preservou a Nossa Senhora do Pecado Original para que ela pudesse ser aquela que concedeu seu material genético, e este deveria estar imaculado, ou teríamos o pior caso de incompatibilidade da história da criação! Sua preservação, que teve o fim exposto, foi feita de maneira sumamente diferente do que ocorreu em seu ventre quando da Encarnação do Verbo. Ela não é Deus; ela é simplesmente alguém que não foi contaminada (por interferência divina direta), como por exemplo, o filho não-aidético de uma grávida aidética. Não há uma contraposição, uma inimizade completa, mas apenas um corpo sadio abrigado em um corpo doente.


·        A virgindade de Maria

                       
            Leiamos Mateus cf. (1, 18-20): “A origem de Jesus Cristo foi assim: Maria, sua mãe, comprometida em casamento com José, antes de coabitarem, ela concebeu por obra do Espírito Santo. José, seu esposo, sendo justo e não querendo denunciá-la publicamente, resolveu repudiá-la em segredo. Enquanto assim decidiu, eis que o anjo do Senhor manifestou-se a ele em sonho, dizendo: José, filho de Davi, não temas receber Maria, pois o que nela foi gerado vem do Espírito Santo”.     
      

·        Maria Virgem antes do parto


“Maria, porém, disse ao anjo: Como é que vai acontecer isso, se eu não conheço homem algum”? Cf. (Lc 1,34) Conforme as palavras de Maria, até aquele momento, ela era virgem e, ao que parece, não tinha planos em vista de mudar aquela sua realidade.

·        Maria virgem no parto


1.     “Sim, fostes vós que me tirastes das entranhas da minha mãe. E, seguro me fez repousar em seu seio”. (Cf. Sl. 21 = (22) 10)
           
2.     “Mas a todos que o receberam deu o poder de se tornarem filhos de Deus: aos que crêem em seu nome, Ele, que não foi gerado nem do sangue, nem de uma vontade da carne, nem de uma vontade de homem, mas de Deus”.  (Jo 1,12-13)

3.     “À tarde desse mesmo dia, o primeiro da semana, estando fechadas as portas onde se achavam os discípulos, por meio dos judeus, Jesus veio e, pondo-se no meio deles, lhes disse: a paz esteja convosco”! (Jo 20,19)
     
      Assim como Jesus transpôs as portas, ou paredes, do local onde os apóstolos estavam reunidos, assim também, Jesus, pelo poder do Espírito Santo, transpôs o seio da virgem Maria nascendo homem no meio de homens. 



·        Maria virgem depois do parto: (Jesus Filho único de Maria)


            Há alguns textos no Novo Testamento que mencionam “os irmãos de Jesus”, no entanto o mais expressivo é o de (Marcos 6,3): “Não é este o carpinteiro, o filho de Maria, irmão de Tiago, José, Judas e Simão? E as suas irmãs não estão aqui entre nós?”
            A expressão “irmãos de Jesus” foi concebida originalmente não em ambiente grego, mas no mundo semita. Os habitantes de Nazaré, por exemplo, não falava grego, mas aramaico. É preciso, portanto, que procuremos avaliar o sentido da palavra “irmão” em aramaico.
           
            Ora, em aramaico, assim como em hebraico (línguas afins entre si), a palavra “irmãos”, (Ah, em hebraico) e (Aha, em aramaico), designava não somente os filhos dos mesmos genitores, mas também, os primos ou até parentes mais remotos, pois estas línguas eram pobres em vocabulário.
           
            Vale esclarecer que na tradução grega foi usado o termo “Adelphós”, irmãos, apesar de a língua grega obter a palavra primo, em virtude da língua de pregação de Jesus ser o hebraico e o aramaico, que não tinha palavra própria para indicar primo. Com base nesta verificação, não teremos dificuldade de compreender que os “irmãos de Jesus” eram na verdade, parentes próximos de Jesus.
           
            “E ela deu à luz o seu Filho primogênito, envolveu-o com faixas e reclinou-o numa manjedoura... O termo primogênito não significa que a mãe de Jesus tenha tido outros filhos após Ele. Em hebraico “Bekor”, que quer dizer primogênito podia significar simplesmente o bem-amado, pois primogênito é certamente aquele dos filhos no qual durante certo tempo se concentra todo amor dos pais; além disso, o primogênito era considerado pelos Hebreus, como de especial amor da parte de Deus, pois devia ser consagrado ao Senhor dede os seus primeiros dias, cf. (Lc 2, 22; Ex 34, 19) e ele devia cumprir, logo no primeiro mês, a lei do resgate, (Num 18, 16). Essa lei não esperava pelo segundo filho para que o primeiro fosse tido e tratado por toda a vida como primogênito”             
           

           
Objeção Protestante

            Embora Martim Lutero, o Pai da reforma protestante, não tenha negado a Imaculada Conceição da Virgem Maria, conforme suas próprias palavras: “Era justo e conveniente, diz ele, fosse à pessoa de Maria preservada do pecado original, visto o filho de Deus tomar dela a carne que devia vencer todo o pecado”. (hut in postil. maj.)
            Mesmo assim, os protestantes negam esta verdade de fé professada desde o início pelo cristianismo. Geralmente costumam citar a lei geral “todos pecaram” (cf. Rm 5,12), como argumento contra a Imaculada Conceição. Tal lei é certa, e a ela está subordinada toda a humanidade. Mas não será Deus capaz de, antes que alma e o corpo se unam suspender um de seus efeitos, que é neste caso justamente a mácula da alma, a transmissão do pecado original?
           
            Um dos vários exemplos que temos das intervenções Divinas ás leis gerais foi quando Nosso Senhor Jesus Cristo ressuscitou Lázaro, estando seu cadáver já em putrefação cf. (Jô 11,41-43), visto que todos os mortos devem aguardar a ressurreição geral.

Os reformadores protestantes sobre a virgindade de Maria

            Martinho Lutero (1483-1546) foi formado na tradição Católica que lhe ensinou a veneração a Maria. Veneração que ele guardou até o fim da vida. Eis alguns comentários:

·        “O Filho de Deus fez-se homem, de modo a ser concebido do Espírito Santo sem o auxilio de varão e a nascer da virgem Maria pura e Santa”. Cf. (Artigo s de doutrina cristã).

·        “Ele Cristo, Nosso Salvador, era o fruto real e natural do ventre virginal de Maria... Isto aconteceu sem a participação de qualquer homem a ela permaneceu virgem mesmo depois disso”. Cf. (Martinho Lutero, sermões sobre João, cap. 1 a 4, 1537-39 d.C.).

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MARIA, A VIRGEM ESCOLHIDA POR DEUS

MARIA, A VIRGEM ESCOLHIDA POR DEUS.

           
Meditando algumas perícopes existentes na Bíblia que tratam acerca da Virgem Maria, fica fácil de perceber algumas qualidades que norteiam sua vida, entre as quais destaco aqui algumas: serviçal, caritativa, franca, sincera, leal e fiel. Se debruçar em alguns trechos bíblicos que relatam a pessoa de Maria é assim, quase sempre, nos deparamos na consideração de suas virtudes humanas e espirituais. 

Amados quem de nós nunca refletiu a pessoa de Maria como a Virgem que sabe ouvir: “Eis aqui a escrava do Senhor faça-se em mim segundo a tua palavra” (Lc 1, 38). Quem de nós nunca a viu como a Virgem que sabe ser alegre e humilde: “Meu espírito se alegra em Deus meu Salvador, porque olhou para a humildade de sua serva” (Lc 1, 47-48). Quem de nós nunca escutou que ela é capaz de silenciar quando não entende. De modo especial podemos lembrar aqui a pergunta que Jesus fez aos seus pais, quando estes voltam a Jerusalém para procurá-lo, e o encontram no Templo: “Não sabiam que eu devo estar na casa do meu Pai?” (Lc 2, 49b). O Evangelista Lucas é preciso quando afirma: “E sua mãe conservava no coração todas essas coisas” (Lc 2, 51b) ao escutar o seu Filho

Ora, Maria silencia quando não entende, mas também fala quando é necessário. Quando o anjo lhe anunciara que ela iria dar a luz ao Salvador Maria vai as pressas visitar sua prima Isabel, com esta disposição ela se torna assim a primeira discípula e porque não dizer a primeira crente a anunciar da Boa Notícia. De fato, ela é a escolhida entre todas as mulheres, ela é a cheia da graça: “Não temas, Maria! Encontraste graça junto de Deus” (Lc 1, 30). Sem dúvida é a predileta do Pai: “Alegra-te cheia de graça o Senhor está contigo” (Lc 1, 28). 

Maria a Virgem que é escolhida por Deus, está no coração da história da salvação. Vemos isto na anunciação (Lc 1, 26-37), por tornar-se a mãe de Deus no nascimento de seu filho Jesus (Lc 2, 1-19) e depois ela aparece de modo significativo no início da vida pública de seu Filho, precisamente nas bodas de Caná na Galiléia, em que movida de compaixão, obtém, por sua intercessão, o primeiro dos milagres do Messias, Jesus (Jo. 2, 1-11) Não podemos também aqui nos esquecer de que num momento de sua vida de muita dor Maria contempla ao pé da cruz a agonia e a morte de seu filho (Jo. 19, 25-27). 

Tudo o que a Igreja ensina acerca de Maria é coerente com a imagem de Maria que nós formamos ao ler o Evangelho, com humildade e com Espírito de fé. A Igreja Católica instruída pelo Espírito Santo e cheia de piedade filial, a saúda e a recebe como a mãe amantíssima, considerando seu lugar de membro eminente e especialíssimo da Igreja, assim como seu exemplo magnífico e modelar de fé e de amor (Constituição Dogmática Lumem Gentium – Cap. VIII). 

Diante de tais qualidades bem como as virtudes humanas e espirituais que abarcam a vida da virgem podemos dizer que: sua segurança não está nas qualidades que ela mesma possuía, mas na capacidade que ela tinha de poder perceber a presença de Deus em sua vida e de colocar em prática, doando-se sem reservas o projeto que Ele mesmo lhe confiou quando o anjo lhe visitou. Contudo, a vida de Maria como um testemunho vivo da presença de Deus encarnado na história é algo que não pode esgotar-se em um livro, em um quadro, nem em uma escultura por geniais que sejam seus autores, ou em até mesmo um texto simples como este. 

Maria é um modelo de beleza que excede o pincel ou cinzel mais dedicado de qualquer artista. Não é obra humana, mas diretamente divina, por que o “Senhor está com ela” (Lc 1, 28). Nas lindas palavras de São Luiz de Montfort ele diz: “Maria é o paraíso de Deus, seu mundo inefável... Deus criou um mundo para si mesmo e o chamou Maria”.

FIQUEM NA PAZ DE DEUS!

MARIA É TODA BELA

Maria é toda bela

“Maria inigualável beleza sem mancha, porque é toda bela”
(Santo Ambrósio)

“Já bem antes da aurora o Senhor veio ajudá-la e preparou, em santidade, uma morada para si”. (Ant. Liturgia das Horas). Tudo o que de formoso e belo se pode dizer de uma criatura, cantamos hoje à nossa Mãe do céu. Quase sempre, ao refletir sobre a beleza de Maria, nos deparamos na consideração de suas virtudes humanas e espirituais. Poucas vezes pensamos em sua beleza física. 

Podemos tentar imaginar a pessoa de Maria nos seguintes termos: Como a veriam seus parentes e vizinhos? Uma jovem judia, mas ligada à vontade de Deus, mas não muito diferente das outras da sua idade, e certamente não parecia capaz de obras que mudassem o curso da humanidade. Certamente é verdade que Deus quando pensou e criou Maria, o fez adornada das mais excelsas virtudes no humano e no espiritual, também o não se pode duvidar de por nela as mais apropriadas qualidades das belezas do corpo. 

Nós sabemos que Deus quis preparar como Mãe a mais bela das filhas de Israel. Maria a toda bela, a inteiramente bela. Nada feio habita nela. Nada! Nem em sua alma nem em seu corpo. Pelo menos aos olhos de Deus. O arcanjo Gabriel o disse claramente: “Encontraste graça diante de Deus”, quer dizer tu encantaste a Deus, o cativaste com a tua beleza. Uma mulher humilde, silenciosa, pura, alegre, crente, preparada para a dor e feita transbordante de amor pela misericórdia do Deus. 

Pequenas pinceladas, mas que já de per si deixam entrever, como em esboço, uma esplendida obra de arte; “todas as gerações me proclamarão bem aventurada!” A beleza de Maria não pode esgotar-se em um livro, em um quadro, nem em uma escultura por geniais que sejam seus autores. É um modelo de beleza que excede o pincel ou cinzel mais dedicado de qualquer artista. Não é obra humana, mas diretamente divina, por que o “Senhor está com ela”. Nas palavras de São Luiz de Montfort: “Maria é o paraíso de Deus, seu mundo inefável... Deus criou um mundo para si mesmo e o chamou Maria”. 

Só Deus pode encher uma alma de graça com expressões de Paulo VI, “o espelho nítido e sagrado da infinita beleza, o rosto divino no rosto humano, a beleza invisível em figura corpórea” Podemos presumir, e com toda razão da Mãe que temos no céu. Não é para menos. Temos de nos sentir orgulhosos de sermos de uma mãe. Não deveríamos de nos cansar de contemplá-la e admirá-la, sua beleza é inigualável. Não deveríamos cessar de cantar suas glórias. Temos de proclamá-la sempre ditosa, feliz, alegrando-nos com ela pelas maravilhas que Deus operou em seu favor. 

Com uma mãe assim, não é pouca a nossa responsabilidade de sermos seus bons filhos. Parecermos com ela, imitando-a e procurando obter as suas virtudes que ornamentaram a sua vida. Seria estupendo se pudéssemos dizer com cada um de nós: Este saiu igual à Maria... Porque é humilde, sensível, discreto, puro, alegre, crente e transbordante de amor como o foi Maria. No seu plano de salvação da humanidade, Deus determinou que Maria fosse escolhida como Mãe do seu Filho feito homem. Mais ainda: Deus quis que Maria se unisse não só ao nascimento humano do verbo, mas também a toda a obra da redenção que Ele faria acontecer. No plano salvífico de Deus, Maria está sempre unida a Jesus. Por esta escolha admirável, Maria, desde o primeiro instante de sua existência, ficou associada ao seu Filho na redenção da humanidade. Apesar de todo pecado que impede este mundo de ser um paraíso, diz Deus, o mal não vai ter a última palavra na vida humana. 

A serpente, representante do mal, vai nos ferir o calcanhar, mas a mulher, representante da humanidade, acabará lhe esmagando a cabeça. Maria é como a nova Eva, nome que parece significar vida, vitalidade, daí a expressão “mãe dos viventes” de quem nascerá uma nova descendência, que é a igreja. A proposta do anjo quer que Maria aceite, sem tudo entender que os caminhos misteriosos da força de Deus passem através dela. Maria sabia que o que Deus lhe pediu só poderia ser bom. “Para Deus, nada é impossível”. 

Crer no impossível de Deus é acreditar que a vida humana tem sentido porque o Espírito Santo age na história. Maria acreditou, colocou-se a serviço, e na simplicidade da sua oferta contribuiu para mudar a história. Por tudo isso, a maternidade de Maria ocupa na igreja, o lugar mais alto e mais próximo de nós; é o modelo perfeito da igreja, do discípulo de Jesus e de todas as virtudes, aquela a quem devemos contemplar em sua beleza inigualável no nosso esforço de seguirmos a Jesus.

FIQUEM NA PAZ DE DEUS!

MARIA E SUA ASSUNÇÃO GLORIOSA


MARIA E SUA Assunção Gloriosa

AVE MARIA CHEIA DE GRAÇA, O SENHOR É CONVOSCO E BENDITO É O  FRUTO DO VOSSO VENTRE JESUS! SANTA MARIA MÃE DE DEUS, ROGAI POR NÓS PECADORES, AGORA E NA HORA DE NOSSA MORTE. AMÉM!

A Assunção de Nossa Senhora foi transmitida pela tradição escrita e oral da Igreja. Ela não se encontra explicitamente na Sagrada Escritura, mas está implícita. Os protestantes acreditam que a Mãe de Deus, apesar de ter sido o Tabernáculo vivo da divindade, devia conhecer a podridão do túmulo, a voracidade dos vermos, o esquecimento da morte, o aniquilamento de sua pessoa. Vamos analisar o fato histórico, segundo é contato pelos primeiros cristãos e transmitido pelos séculos de forma inconteste.

Na ocasião de Pentecostes, Maria Santíssima tinha mais ou menos 47 anos de idade. Depois desse fato, permaneceu Ela ainda 25 anos na terra, para educar e formar, por assim dizer, a Igreja nascente, como outrora ela educara, protegera, e dirigira a infância do Filho de Deus. Ela terminou sua "carreira mortal" na idade de 72 anos, conforme a opinião mais comum. A morte de Nossa Senhor foi suave, chamada de "dormição". Quis Nosso Senhor dar esta suprema consolação à sua Mãe Santíssima e aos seus apóstolos e discípulos que assistiram a "dormição" de Nossa Senhora, entre os quais se sobressai S. Dionísio Aeropagita, discípulo de São Paulo e primeiro Bispo de Paris, o qual nos conservou a narração desse fato.

Diversos Santos Padres da Igreja contam que os Apóstolos foram milagrosamente levados para Jerusalém na noite que precedera o desenlace da Bem-aventurada Virgem Maria. S. João Damasceno, um dos mais ilustres doutores da Igreja Oriental, refere que os fiéis de Jerusalém, ao terem notícia do falecimento de sua Mãe querida, como a chamavam, vieram em multidão prestar-lhe as últimas homenagens e que logo se multiplicaram os milagres em redor da relíquia sagrada de seu corpo. Três dias depois chegou o Apóstolo S. Tomé, que a Providência divina parecia ter afastado, para melhor manifestar a glória de Nossa Senhora, como dele já se servira para manifestar o fato da ressurreição de Nosso Senhor. S. Tomé pediu para ver o corpo de Nossa Senhora.
Quando retiraram a pedra, o corpo já não mais se encontrava. Do túmulo se exalava um perfume de suavidade celestial!

Como o seu Filho e pela virtude de seu Filho, a Virgem Santa ressuscitara ao terceiro dia. Os anjos retiraram o seu corpo imaculado e o transportaram ao céu, onde ele goza de uma glória inefável. Nada é mais autêntico do que estas antigas tradições da Igreja sobre o mistério da Assunção da Mãe de Deus, encontradas nos escritos dos Santos Padres e Doutores da Igreja, dos primeiros séculos, e relatadas no Concílio geral de Calcedônia, em 451.

Como Nossa Senhora era isenta do 'pecado original', ela estava imune à sentença de morte (conseqüência da expulsão do paraíso terrestre). Todavia, por não ter acesso à "árvore da vida" (que ficava no paraíso terrestre), Maria Santíssima teria que passar por uma "morte suave" ou uma "dormição". Por um privilégio especial de Deus, acredita-se que Nossa Senhora não precisaria morrer se assim o desejasse, ainda que não tivesse acesso à "árvore da vida". Tudo isso, é claro, ainda poderá ser melhor explicado com o tempo, quando a Igreja for explicitando certos mistérios relativos à Santíssima Virgem Maria que até hoje permanecem.

Muito pouco ainda descobrimos sobre a grandeza de Nossa Senhora, como bem disse S. Luiz Maria G. de Montfort em seu livro "Tratado da Verdadeira Devoção à Santíssima Virgem". É certo que Nossa Senhora escolheu passar pela morte, mesmo não tendo necessidade. Quais foram, então, as razões da escolha da morte por Nossa Senhora?

Pode-se levantar várias hipóteses. O Pe. Júlio Maria (da década de 40) assinala quatro:

1) Para refutar, de antemão, a heresia dos que mais tarde pretenderiam que Maria Santíssima não tivesse sido uma simples criatura como nós, mas pertencesse à natureza angélica;

2) Para em tudo se assemelhar ao seu divino Filho;

3) Para não perder os merecimentos de aceitação resignada da morte;

4) Para nos servir de modelo e ensinar a bem morrer.

Podemos, pois, resumir esta doutrina dizendo que Deus criou o homem mortal. Deus deu a Maria Santíssima não o direito (por não ter acesso à "Árvore da vida"), mas o privilégio, de ser imortal. Ela preferiu ser semelhante ao seu Filho, escolhendo voluntariamente a morte, e não a padecendo como castigo do pecado original que nunca tivera. Analisemos, agora, a Ressurreição de Maria Santíssima. Os Apóstolos, ao abrirem o túmulo da Mãe de Deus para satisfazer a piedade de São Tomé e ao desejo deles todos, não encontrando mais ali o corpo de Nossa Senhora, deduziram e perceberam que Ela havia ressuscitado!

Não era preciso ver à ressurreição para crer no fato, era uma dedução lógica decorrente das circunstâncias celestiais de sua morte, de sua santidade, da dignidade de Mãe de Deus, da sua Imaculada Conceição, da sua união com o Redentor, tudo isso constituía uma prova irrefutável da Assunção de Nossa Senhora.

A Assunção difere da ascensão de Nosso Senhor no fato de que, no segundo caso, Nosso Senhor subiu por seu próprio poder, enquanto sua Mãe foi assunta ao Céu pelo poder de Deus. Ora, há vários argumentos racionais em favor da Assunção de Nossa Senhora. Primeiramente, havendo entrado de modo sobrenatural nesta vida, seria normal que saísse de forma sobrenatural, esse é um princípio de harmonia nos atos de Deus. Se Deus a quis privilegiar com a Imaculada Conceição, tanto mais normal seria completar o ato na morte gloriosa.

Depois, a morte, como diz o ditado latino: "Talis vita, finis ita", é um eco da vida. Se Deus guardou vários santos da podridão do túmulo, tornando os seus corpos incorruptos, muito mais deveria ter feito pelo corpo que o guardou durante nove meses, pela pele que o revestiu em sua natureza humana, etc. Nosso Senhor tomou a humanidade do corpo de sua Mãe. Sua carne era a carne de sua Mãe, seu sangue era o sangue de sua Mãe, etc. Como permitir que sua carne, presente na carne de sua santíssima Mãe, fosse corrompida pelos vermes e tragada pela terra? Ele que nasceu das entranhas amorosíssimas de Maria Santíssima permitiria que essas mesmas entranhas sofressem a podridão do túmulo e o esquecimento da morte? Seria tentar contra o amor filial mais perfeito que a terra já conheceu. Seria romper com o quarto mandamento da Lei de Deus, que estabelece "Honrar Pai e Mãe".

Qual filho, podendo, não preservaria sua Mãe da morte? A dignidade de Filho de Deus feito homem exigia que não deixasse no túmulo Aquela de quem recebera o seu Corpo sagrado. Nosso Senhor Jesus Cristo, por assim dizer, preservando o corpo de Maria Santíssima, preservava a sua própria carne. Ainda podemos levantar o argumento da relação imediata da paixão do Filho de Deus e da compaixão da Mãe de Deus, promulgada, de modo enérgico, no Evangelho, pela profecia de S. Simeão falando à própria Mãe: "Eis que este menino está posto para a ressurreição de muitos em Israel, e para ser alvo de contradição. E uma espada transpassará a tua alma" (Luc. 2, 34, 45).

Esta tradução em vernáculo (português, no caso) é larga. O texto latino (em latim) tem uma variante que parece ir além do texto em português. "Et tuam ipsius animam pertransibit glaudius" - o que quer dizer literalmente: o mesmo gládio transpassará a alma dele e a vossa. Como seria possível que o Filho, tendo sido unido à sua Mãe em toda a sua vida, na sua infância e na sua dor, não se unisse à Ela na sua glória? Tudo isso se levanta dos Evangelhos. A Assunção de Maria Santíssima foi sempre ensinada em todas as escolas de teologia e não há voz discordante entre os Doutores. A Assunção é como uma conseqüência da encarnação do Verbo.

Se a Virgem Imaculada recebeu outrora o Salvador Jesus Cristo, é justo que o Salvador, por sua vez, a receba. Não tendo Nosso Senhor desdenhado descer ao seu seio puríssimo, deve elevá-la agora, para partilhar com Ela a sua glória. Cristo recebeu sua vida terrena das mãos de Maria Santíssima. Natural é que Ela receba a Vida Eterna das mãos de seu divino Filho. Além de conservar a harmonia em sua própria obra, Deus devia continuar favorecendo a Virgem Imaculada, como Ele o fez, desde a predestinação até a hora de sua morte. Ora, podendo preservar da corrupção do túmulo a sua santa Mãe, tendo poder para fazê-la ressuscitar e para levá-la ao céu em corpo e alma, Deus devia fazê-lo, pois Ele devia coroar na glória aquela que já coroara na terra... Dessa forma, a Santíssima Mãe de Deus continuava a ser, na glória eterna, o que já fora na terra: "a mãe de Deus e a mãe dos homens".
Tal se nos mostra Maria na glória celestial, como cantava o Rei de sua Mãe, assim canta Deus de Nossa Senhora: "Sentada à direita de seu Filho querido" (3 Reis, 2, 19), "revestida do sol" (Apoc. 12, 1), cercada de glória "como a glória do Filho único de Deus" (Jo. 1, 14), pois é a mesma glória que envolve o Filho e a Mãe! Ele nos aparece tão belo! E ela como se nos apresenta suave e terna em seu sorriso de Mãe, estendendo-nos os braços, num convite amoroso, para que vamos a Ela e possamos um dia partilhar de sua bem-aventurança!
FIQUEM NA PAZ DE DEUS!

MARIA MÃE DE DEUS


MARIA Mãe de Deus

AVE MARIA CHEIA DE GRAÇA, O SENHOR É CONVOSCO E BENDITO É O  FRUTO DO VOSSO VENTRE JESUS! SANTA MARIA MÃE DE DEUS, ROGAI POR NÓS PECADORES, AGORA E NA HORA DE NOSSA MORTE. AMÉM!

Resumidamente, podemos dizer que Nossa Senhora é Mãe de Deus e não da divindade. Ou seja, Ela é Mãe de Deus por ser Mãe de Nosso Senhor, pois as duas naturezas (a divina e a humana) estão unidas em Nosso Senhor Jesus Cristo. A heresia de negar a maternidade divina de Nossa Senhora é muito anterior aos protestantes. Ela nasceu com Nestório, então bispo de Constantinopla. Os protestantes retomaram a heresia que havia sido sepultada pela Igreja de Cristo.
Mas, afinal, por que Nossa Senhora é Mãe de Deus? Vamos provar pela razão, pela Sagrada Escritura e pela Tradição que Nossa Senhora é Mãe de Deus.

A pessoa de Nosso Senhor Jesus Cristo

Se perguntarmos a alguém se ele é filho de sua mãe, se esta verdadeiramente for a mãe dele, de certo nos lançará um olhar de espanto. E teria razão. O homem, como sabemos, é composto de corpo e alma, sendo esta a parte principal do seu ser, pois comunica ao corpo a vida e o movimento. A nossa mãe terrena, todavia, não nos comunica a alma, mas apenas o nosso corpo. A alma é criada diretamente por Deus. A mãe gera apenas a parte material deste composto, que é o seu ser. E como é que alguém pode, então, afirmar que a pessoa que nos dá à luz é nossa mãe? Se fizéssemos essa pergunta a um protestante sincero e instruído, ele mesmo responderia com tranqüilidade: "é certo, a minha mãe gera apenas o meu corpo e não a minha alma, mas a união da alma e do corpo forma este todo que é a minha pessoa; e a minha mãe é mãe de minha pessoa. Sendo ela mãe de minha pessoa, composta de corpo e alma, é realmente a minha mãe." Apliquemos, agora, estas noções de bom senso ao caso da Maternidade divina de Maria Santíssima.

Há em Jesus Cristo "duas naturezas": a natureza divina e a natureza humana. Reunida, constituem elas uma única pessoa, a pessoa de Jesus Cristo. Nossa Senhora é Mãe deste única pessoa que possui ao mesmo tempo a natureza divina e a natureza humana, como a nossa mãe é a mãe de nossa pessoa. Ela deu a Jesus Cristo a natureza humana; não lhe deu, porém, a natureza divina, que vem unicamente do Padre Eterno. Maria deu, pois, à Pessoa de Jesus Cristo a parte inferior - a natureza humana, como a nossa mãe nos deu a parte inferior de nossa pessoa, o corpo. Apesar disso, nossa mãe é, certamente, a mãe da nossa pessoa, e Maria é a Mãe da pessoa de Jesus Cristo.

Notemos que em Jesus Cristo há uma só pessoa, a pessoa divina, infinita, eterna, a pessoa do Verbo, do Filho de Deus, em tudo igual ao Padre Eterno e ao Espírito Santo. E Maria Santíssima é a Mãe desta pessoa divina. Logo, ela é a Mãe de Jesus, a Mãe do Verbo Eterno, a Mãe do Filho de Deus, a Mãe da Segunda Pessoa da Santíssima Trindade, a Mãe de Deus, pois tudo é a mesma e única pessoa, nascida do seu seio virginal.

A alma de Jesus Cristo, criada por Deus, é realmente a alma da pessoa do Filho de Deus. A humanidade de Jesus Cristo, composta de corpo e alma, é realmente a humanidade do Filho de Deus. E a Virgem Maria é verdadeiramente a Mãe deste Deus, revestido desta humanidade; é a Mãe de Deus feito homem. Ela é a Mãe de Deus - "Maria de qua natus est Jesus": "Maria de quem nasceu Jesus" (Mt 1, 16).
Note-se que Ela não é a Mãe da divindade, como nossa mãe não é mãe de nossa alma; mas é a Mãe da pessoa de Jesus Cristo, como a nossa mãe é mãe de nossa pessoa. A pessoa de Nosso Senhor é divina, é a pessoa do Filho de Deus. Logo, por uma lógica irretorquível, Ela é a Mãe de Deus.

A conseqüência da negação da maternidade divina é a negação da Redenção

Agora, qual é o fundo do problema dessa heresia? Analisemos alguns pormenores e algumas conseqüências de se negar a maternidade divina de Nossa Senhora. Não foram os protestantes os primeiros a rejeitar o título de "Mãe de Deus" à Nossa Senhora. Foi Nestório, o indigno sucessor de S. João Crisóstomo, na sede de Constantinopla, o inventor da absurda negação. A subtilidade grega havia suscitado vários erros a respeito da pessoa de Jesus Cristo! Sabélio pretendeu aniquilar a personalidade do Verbo. Ario procurou arrebatar a esta personalidade a áureola divinal; negaram os docetas a realidade do corpo de Jesus Cristo e os Apolinaristas, a alma humana de Cristo.

Tudo fora atacado pela heresia, na pessoa de Nosso Senhor; mas a cada heresia que surgia a Igreja infalível, sob a direção do Papa de Roma, saia em defesa da única e imperecível verdade: da pessoa do Verbo divino contra Sabélio; da divindade desta pessoa, contra Ário; da realidade do corpo humano de Jesus, contra os Apolinaristas. Bastava apenas um ponto central para suportar o ataque da parte dos hereges: era a união das duas naturezas, divina e humana, em Jesus Cristo. Caberia a Nestório levantar esta heresia, e aos filhos de Lutero continuarem a defender este erro grotesco.

Foi em 428 que o indigno Patriarca Nestório começou a pregar que havia em Jesus Cristo duas pessoas: uma divina, como filho de Deus; outra humana, como filho de Maria. Por isso conclui o heresiarca, Maria não pode ser chamada Mãe de Deus, mas simplesmente Mãe de Cristo ou do homem. Concebe-se o alcance de uma tal negação. Se as duas naturezas, a divina e a humana, não são hipostaticamente unidas em Nosso Senhor Jesus Cristo, de modo a formar uma única pessoa, desaparece a Encarnação e a Redenção, porquanto o Filho de Deus, não se tendo revestido de nossa natureza, não pode ser o nosso Redentor. Somente o homem Jesus sofreu. Ora, o homem, como ser finito, só pode fazer obras finitas. Logo, a Redenção não é mais de um valor infinito; Jesus Cristo não pode mais ser adorado, pois é apenas um homem; o Salvador não é mais o Homem-Deus. Tal é o erro grotesco que Nestório, predecessor de Lutero, não temeu lançar ao mundo.

Ora, os protestantes não querem levar às últimas conseqüências a negação da maternidade divina de Nossa Senhora. Admitem em Jesus Cristo duas naturezas e uma pessoa, mas lhes repugna a união pessoal (hipostática) das duas naturezas na única pessoa de Jesus Cristo.

Basta um pequeno raciocínio para reconhecer como necessária a maternidade Divina da Santíssima Virgem: Nosso Senhor morreu como homem na Cruz (pois Deus não morre), mas nos redimiu como Deus, pelos seus méritos infinitos. Ora, a natureza humana de Nosso Senhor e a natureza divina não podem ser separadas, pois a Redenção não existiria se Nosso Senhor tivesse morrido apenas como homem. Logo, Nossa Senhora, Mãe de Nosso Senhor, mesmo não sendo mãe da divindade, é Mãe de Deus, pois Nosso Senhor é Deus. Se negarmos a maternidade de Nossa Senhora, negaremos a redenção do gênero humano ou cairíamos no absurdo de dizer que Deus é mortal!

Os protestantes, admitindo que Jesus Cristo nasceu de Maria - e não podem negá-lo, pois está no Evangelho (Mt 1, 16) -, devem admitir: que a pessoa deste Jesus é divina; que Nossa Senhora é a Mãe desta pessoa; que ela é, portanto, Mãe de Deus! É um dilema sem saída do ponto de vista racional.

O Concílio de Éfeso:

Quando o heresiarca Ário divulgou o seu erro, negando a divindade da pessoa de Jesus Cristo, a Providência Divina fez aparecer o intrépido Santo Atanásio para confundi-lo, assim como fez surgir Santo Agostinho a suplantar o herege Pelágio, e S. Cirilo de Alexandria para refutar os erros de Nestório, que haviam semeado a perturbação e a indignação no Oriente. Em 430, o Papa São Celestino I, num concílio de Roma, examinou a doutrina de Nestório que lhe fora apresentada por S. Cirílo e condenou-a como errônea, anti-católica, herética. S. Cirilo formulou a condenação em doze proposições, chamadas os doze anátemas, em que resumia toda a doutrina católica a este respeito.

Pode-se resumi-las em três pontos:

1) Em Jesus Cristo, o Filho do homem não é pessoalmente distinto do Filho de Deus;
2) A Virgem Santíssima é verdadeiramente a Mãe de Deus, por ser a Mãe de Jesus Cristo, que é Deus;
3) Em virtude da união hipostática, há comunicações de idiomas, isto é: denominações, propriedades e ações das duas naturezas em Jesus Cristo, que podem ser atribuídas à sua pessoa, de modo que se pode dizer: Deus morreu por nós, Deus salvou o mundo, Deus ressuscitou.

Para exterminar completamente o erro, e restringir a unidade de doutrina ao mundo, o Papa resolveu reunir o concílio de Éfeso (na Ásia Menor), em 431, convidando todos os bispos do mundo. Perto de 200 bispos, vindos de todas as partes do orbe, reuniram-se em Éfeso. S. Cirilo presidiu a assembléia em nome do Papa. Nestório recusou comparecer perante os bispos reunidos.

Desde a primeira sessão a heresia foi condenada. Sobre um trono, no centro da assembléia, os bispos colocaram o santo Evangelho, para representar a assistência de Jesus Cristo, que prometera estar com a sua Igreja até a consumação dos séculos, espetáculo santo e imponente que desde então foi adotado em todos os concílios.

Os bispos cercando o Evangelho e o representante do Papa, pronunciaram unânime e simultaneamente a definição proclamando que Maria é verdadeiramente Mãe de Deus. Nestório deixou de ser, desde então, bispo de Constantinopla.

Quando a multidão ansiosa que rodeava a Igreja de Santa Maria Maior, onde se reunia o concílio, soube da definição que proclamava Maria "Mãe de Deus", num imenso brado ecoou a exclamação: "Viva Maria, Mãe de Deus! Foi vencido o inimigo da Virgem! Viva a grande, a augusta, a gloriosa Mãe de Deus!Em memória desta solene definição, o concílio juntou à saudação angélica estas palavras simples e expressivas: "Santa Maria, Mãe de Deus, rogai por nós pecadores, agora e na hora de nossa morte".

Provas da Santa Escritura

Para iluminar com um raio divino esta verdade tão bela e fundamental, recorramos à Sagrada Escritura, mostrando como ali tudo proclama este título da Virgem Imaculada. Maria é verdadeiramente Mãe de Deus. Ela gerou um homem hipostaticamente unido à divindade; Deus nasceu verdadeiramente dela, revestido de um corpo mortal, formado do seu virginal e puríssimo sangue.
Embora, no Evangelho, Ela não seja chamada expressamente "Mãe de Cristo" ou "Mãe de Deus", esta dignidade deduz-se, com todo o rigor, do texto sagrado. O Arcanjo Gabriel, dizendo à Maria: "O santo que há de nascer de ti será chamado Filho de Deus" (Lc 1, 35), exprime claramente que ela será Mãe de Deus. O Arcanjo diz que o Santo que nascerá de Maria será chamado o Filho de Deus. Se o Filho de Maria é o Filho de Deus, é absolutamente certo que Maria é a Mãe de Deus.

Repleta do Espírito Santo, Santa Isabel exclama: "Donde me vem a dita que a Mãe de meu Senhor venha visitar-me?" (Lc 1, 43). Que quer dizer isso senão que Maria é a Mãe de Deus? Mãe do Senhor ou "Mãe de Deus" são expressões idênticas. S. Paulo diz que Deus enviou seu Filho, feito da mulher, feito sob a lei (Galat. 4, 4).

O profeta Isaías predisse que a Virgem conceberia e daria à luz um Filho que seria chamado Emanuel ou Deus conosco (Is 7, 14). Qual é este Deus? É necessariamente Aquele que, segundo o testemunho de S. Pedro, não é nem Jeremias, nem Elias, nem qualquer outro profeta, mas, sim, o Cristo, o Filho de Deus vivo. É aquele que, conforme a confissão dos demônios, é: o Santo de Deus.
Tal é o Cristo que Maria deu à luz. Ela gerou, pois, um Deus-homem. Logo, é Mãe de Deus por ser Mãe de um homem que é Deus e que, sendo Deus, Redimiu o gênero humano.

A Doutrina dos Santos Padres, a Tradição:

Tal é a doutrina claramente expressa no Evangelho, e sempre seguida na Igreja Católica. Os Santos Padres, desde os tempos Apostólicos até hoje, foram sempre unânimes a respeito desta questão; seria uma página sublime se pudéssemos reproduzir as numerosas sentenças que eles nos legaram. Citemos pelo menos uns textos dos principais Apóstolos, tirados de suas "liturgias" e transmitidas por escritores dos primeiros séculos. Santo André diz: "Maria é Mãe de Deus, resplandecente de tanta pureza, e radiante de tanta beleza, que, abaixo de Deus, é impossível imaginar maior, na terra ou no céu." (Sto Andreas Apost. in transitu B. V., apud Amad.). São João diz: "Maria é verdadeiramente Mãe de Deus, pois concebeu e gerou um verdadeiro Deus, deu à luz, não um simples homem como as outras mães, mas Deus unido à carne humana." (S. João Apost. Ibid). S. Tiago: "Maria é a Santíssima, a Imaculada, a gloriosíssima Mãe de Deus" (S. Jac. in Liturgia). S. Dionísio Areopagita: "Maria é feita Mãe de Deus, para a salvação dos infelizes." (S. Dion. in revel. S. Brigit.) Orígenes (Sec. II) escreve: "Maria é Mãe de Deus, unigênito do Rei e criador de tudo o que existe" (Orig. Hom. I, in divers.)
Santo Atanásio diz: "Maria é Mãe de Deus, completamente intacta e impoluta." (Sto. Ath. Or. in pur. B.V.). Santo Efrém: "Maria é Mãe de Deus sem culpa" (S. Ephre. in Thren. B.V.). S. Jerônimo: "Maria é verdadeiramente Mãe de Deus". (S. Jerôn. in Serm. Ass. B. V.). Santo Agostinho: "Maria é Mãe de Deus, feita pela mão de Deus". (S. Agost. in orat. ad heres.).

E assim por diante.

Todos os Santos Padres rivalizaram em amor e veneração, proclamando Maria: Santa e Imaculada Mãe de Deus. Terminemos estas citações, que podíamos prolongar por páginas afora, pela citação do argumento com que S. Cirilo refutou Nestório: "Maria Santíssima, diz o grande polemista, é Mãe de Cristo e Mãe de Deus. A carne de Cristo não foi primeiro concebida, depois animada, e enfim assumida pelo Verbo; mas no mesmo momento foi concebida e unida à alma do Verbo. Não houve, pois, intervalo de tempo entre o instante da Conceição da carne, que permitiria chamar Maria "Mãe de um homem", e a vinda da majestade divina. No mesmo instante a carne de Cristo foi concebida e unida à alma e ao Verbo".

Vê-se, através destas citações, que nenhuma dúvida, nenhuma hesitação existe sobre este ponto no espírito dos Santos Padres. É uma verdade Evangélica, tradicional, universal, que todos aceitam e professam.

Conclusão: Dever de culto à Mãe de Deus

Maria é Mãe de Deus... é absolutamente certo. Esta dignidade supera todas as demais dignidades, pois representa o grau último a que pode ser elevada uma criatura. Oro, toda dignidade supõe um direito; e não há direito numa pessoa, sem que haja dever noutra. Se Deus elevou tão alto a sua Mãe, é porque Ele quer que ela seja por nós honrada e exaltada.

Não estamos bastante convencidos desta verdade, porque, comparando Maria Santíssima com as outras mães, representamo-nos a qualidade de Mãe de Deus sob seu aspecto exterior e acidental, enquanto na realidade a base de sua excelência ela a possui em seu "próprio ser moral", que influi em seu "ser físico".
Maria concebeu o Verbo divino em seu seio, porém esta Conceição foi efeito de uma plenitude de graças e de uma operação do Espírito Santo em sua alma.

Pode-se dizer que a mãe não se torna mais recomendável por ter dado à luz um grande homem, pois isto não lhe traz nenhum aumento de virtude ou de perfeição; mas a dignidade de Mãe de Deus, em Maria Santíssima, é a obra de sua santificação, da graça que a eleva acima dos próprios anjos, da graça a que ela foi predestinada, e na qual foi concebida, para alcançar este fim sublime de ser "Mãe de Deus": é a sua própria pessoa. Diante de tal maravilha, única no mundo e no céu, eu pergunto aos pobres protestantes: não é lógico, não é necessário, não é imperioso que os homens louvem e exaltem àquela que Deus louvou e exaltou acima de todas as criaturas?

Se fosse proibido cultuar à Santíssima Virgem, como querem os protestantes, o primeiro violador foi o próprio Deus, que mandou saudar à Virgem Maria, pelo arcanjo S. Gabriel: "Ave, cheia de graça!" (Lc 1, 28). Santa Isabel: "Bendita sois vós entre as mulheres" (Lc 1, 42). Igualmente, a própria Nossa Senhora nos diz: "Doravante, todas as gerações me chamarão bem-aventurada..." (Lc 1, 48). Todos esses atos indicam o culto à Nossa Senhora, a honra que lhe é devida. O Arcanjo é culpado, Santa Isabel é culpada, os evangelistas são culpados, os santos são culpados e 19 séculos de cristianismo também... Só os protestantes não... Desde os primórdios do Cristianismo, como já vimos, era comum o culto à Maria Santíssima.

Em 340, S. Atanásio, resumindo  os dizeres de seus antecessores nos primeiros séculos, S. Justino, S. Irineu, Tertuliano, e Orígenes, exclama: "Todas as hierarquias do céu vos exaltam, ó Maria, e nós, que somos vossos filhos da terra, ousamos invocar-vos e dizer-vos: Ó vós, que sois cheia de graça, ó Maria, rogai por nós!Nas catacumbas encontram-se, em toda parte, imagens e estátuas da Virgem Maria. O culto de Nossa Senhora não é um adorno da religião, mas uma peça constitutiva, parte integral, e indissoluvelmente ligada a todas as verdades e mistérios evangélicos. Querer isolá-lo do conjunto da doutrina de Jesus Cristo é vibrar golpe mortal na religião inteira, fazê-la cair, e nada mais compreender da grandeza em que Deus vem unir-se às criaturas.

Nossa Senhora é Mãe de Deus: "Maria de qua natus est Jesus!Tudo está compendiado nesta frase. Maria, simples criatura; Jesus, Deus eterno; e a encarnação "de qua natus est"; afinal, a união indissolúvel que produz o nascimento, entre o Filho e a Mãe, a grande e incomparável obra-prima de Deus.
Ele pode fazer mundos mais vastos, um céu mais esplêndido, mas não pode fazer uma Mãe maior que a Mãe de Deus! (S. Bernardo Spec. B.V. c 10). Aqui Ele se esgotou. É a última palavra de seu poder e de seu amor!

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