VIDA E OBRA DE SANTO ATANÁSIO

SANTO ATANÁSIO
 Vida
Santo Atanásio foi, simultaneamente, o Bispo mais amado e o mais odiado e perseguido do seu tempo. Nasceu provavelmente no ano 295 e faleceu por volta de 373. Para os seus defensores, Atanásio era a garantia da ortodoxia católica, o salvador da Fé, um autêntico sucessor dos Apóstolos; para os seus adversários, Atanásio era um orgulhoso, teimoso, intransigente, rebelde, insolente inimigo da paz e da concórdia entre os cristãos.
Para salvar a fé na divindade de Cristo, Santo Atanásio sofreu calúnias, juízos iníquos, perigo de morte, cinco desterros durante 17 anos, ódios de muitos bispos e dos imperadores filiados à heresia, e finalmente a “excomunhão” pelo Papa Libério. Contudo a Igreja proclamou-o santo, Padre da Igreja, Doutor e salvador da fé católica. A história reconhece que, sem a resistência e os sofrimentos heróicos de Santo Atanásio e dos seus companheiros bispos e sacerdotes, assim como do povo fiel, a fé católica teria naufragado no século IV.
Este autêntico protagonista da tradição cristã, poucos anos depois da sua morte, foi celebrado como "a coluna da Igreja" pelo grande teólogo e Bispo de Constantinopla Gregório Nazianzeno (Discursos 21, 26), e foi sempre considerado como um modelo de ortodoxia, tanto no Oriente como no Ocidente. Portanto, não foi por acaso que Gian Lorenzo Bernini colocou uma sua estátua entre a dos quatro santos Doutores da Igreja oriental e ocidental juntamente com Ambrósio, João Crisóstomo e Agostinho que na maravilhosa abside da Basílica vaticana circundam a Cátedra de São Pedro.  
Obras
A obra doutrinal mais famosa do santo Bispo alexandrino é o tratado Sobre a encarnação do Verbo, o Logos divino que se fez carne tornando-se como nós para a nossa salvação. Atanásio diz nesta obra, com uma afirmação que se tornou justamente célebre, que o Verbo de Deus "se fez homem para que nos tornássemos Deus; ele fez-se visível no corpo para que tivéssemos uma idéia do Pai invisível, e ele próprio suportou a violência dos homens para que nós herdássemos a incorruptibilidade" (54, 3). De fato, com a sua ressurreição o Senhor fez desaparecer a morte como se fosse "palha no fogo" (8, 4). A idéia fundamental de toda a luta teológica de Santo Atanásio era precisamente a de que Deus é acessível. Não é um Deus secundário, é o Deus verdadeiro, e através da nossa comunhão com Cristo podemos unir-nos realmente a Deus. Ele tornou-se realmente "Deus conosco".  
Entre as obras deste grande Padre da Igreja que em boa parte permanecem ligadas às vicissitudes da crise ariana recordamos depois as quatro cartas que ele enviou ao amigo Serapião, Bispo de Thmuis, sobre a divindade do Espírito Santo, que foi afirmada com determinação, e cerca de trinta cartas "festivas", dirigidas no início de cada ano às Igrejas e aos mosteiros do Egito para indicar a data da festa de Páscoa, mas sobretudo para garantir os vínculos entre os fiéis, fortalecendo a sua fé e preparando-os para essa grande solenidade.  
Por fim Atanásio é também autor de textos meditativos sobre os Salmos, depois muito difundidos e sobretudo de uma obra que constitui o best seller da antiga literatura cristã: a Vida de Antão, isto é, a biografia do abade Santo Antão, escrita pouco depois da morte deste santo, precisamente enquanto o Bispo de Alexandria, exilado, vivia com os monges do deserto egípcio. Atanásio foi amigo do grande eremita, a ponto que recebeu uma das duas peles de ovelha deixadas por Antão como sua herança, juntamente com a capa que o próprio Bispo de Alexandria lhe tinha oferecido. Tendo-se tornado depressa muito popular, traduzida quase imediatamente em latim por duas vezes e depois em diversas línguas orientais, a biografia exemplar desta figura querida à tradição contribuiu muito para a difusão do monaquismo, no Oriente e no Ocidente.  
Defensor da Fé, pai da Ortodoxia
Atanásio foi sem dúvida um dos Padres da Igreja antiga mais importantes e venerados. Mas sobretudo este grande santo é o apaixonado teólogo da encarnação do Logos, o Verbo de Deus, que como diz o prólogo do quarto Evangelho "se fez carne e veio habitar entre nós" (Jo 1, 14). 
Precisamente por este motivo Atanásio foi também o mais importante e tenaz adversário da heresia ariana, que então ameaçava a fé em Cristo, reduzido a uma criatura "intermediária" entre Deus e o homem, segundo uma tendência recorrente na história e que vemos concretizada de diversas formas também hoje. Nascido provavelmente em Alexandria, no Egito, por volta do ano 300, Atanásio recebeu uma boa educação antes de se tornar diácono e secretário do Bispo da metrópole egípcia, Alexandre. Estreito colaborador do seu Bispo, o jovem eclesiástico participou com ele no Concílio de Nicéia, o primeiro de caráter ecumênico, convocado pelo imperador Constantino em Maio de 325 para garantir a unidade da Igreja. Os Padres nicenos puderam assim enfrentar várias questões, e principalmente o grave problema causado alguns anos antes pela pregação do presbítero alexandrino Ário.  

Ario e o Concílio de Nicéia

Ario (260-336), influente pároco de Alexandria, no Egito, dizia que Cristo era a primeira das criaturas de Deus e, como todas as demais, tirada do nada. Por ser a primeira criatura, chamava-se-Lhe Filho de Deus, mas não Deus verdadeiro, igual ao Pai. Era uma criatura divinizada, mediante a qual Deus criou as demais coisas, inclusive o Espírito Santo. Desse modo, por meio da defesa e da divulgação desta doutrina, a fé católica estava ameaçada. Atacava a verdadeira natureza do Cristianismo, ao atribuir a Redenção a um deus que não era verdadeiro Deus e que, por isso mesmo, era incapaz de redimir a humanidade. Assim, a fé era despojada de seu caráter essencial, posto que o Logos não seria verdadeiro Deus, mas um Deus criado, um ser "intermediário" entre Deus e o homem e assim o verdadeiro Deus permanecia sempre inacessível para nós.
Os Bispos reunidos em Nicéia responderam preparando e fixando o "Símbolo de fé" que, completado mais tarde pelo primeiro Concílio de Constantinopla, permaneceu na tradição das diversas confissões cristãs e na liturgia como o Credo niceno-constantinopolitano. Neste texto fundamental que expressa a fé da Igreja indivisa, e que recitamos também hoje, todos os domingos, na Celebração eucarística encontra-se a palavra grega homooúsios, em latim consubstantialis: ele pretende indicar que o Filho, o logos, é "da mesma substância do Pai, é Deus de Deus, é a sua substância, e assim é posta em realce a plena divindade do Filho, que tinha sido negada pelos arianos.  
Tendo falecido o Bispo Alexandre, Atanásio tornou-se, em 328, seu sucessor como Bispo de Alexandria, e logo depois demonstrou-se decidido a recusar qualquer compromisso em relação às teorias arianas condenadas pelo Concílio niceno. A sua intransigência, tenaz e por vezes muito dura, mesmo se necessária, contra quantos se tinham oposto à sua eleição episcopal e sobretudo contra os adversários do Símbolo niceno, atraiu a implacável hostilidade dos arianos e dos filo-arianos. Apesar do inequívoco êxito do Concílio, que tinha afirmado com clareza que o Filho é da mesma substância do Pai, pouco depois destas idéias erradas voltaram a prevalecer nesta situação até Ário foi reabilitado e foram defendidas por motivos políticos pelo próprio imperador Constantino e depois pelo seu filho Constâncio II. Ele, aliás, que não se interessava tanto pela verdade teológica como pela unidade do Império e dos seus problemas políticos, pretendia politizar a fé, tornando-a mais acessível segundo a sua opinião a todos os seus súbditos no Império.  
A crise ariana, que se pensava estar resolvida em Nicéia, continuou por decênios, com vicissitudes difíceis e divisões dolorosas na Igreja. E por cinco vezes durante um trintênio, entre 336 e 366 Atanásio foi obrigado a abandonar a sua cidade, transcorrendo 17 anos no exílio e sofrendo pela fé. Mas durante as suas forçadas ausências de Alexandria, o Bispo teve a oportunidade de defender e difundir no Ocidente, primeiro em Trier e depois em Roma, a fé nicena e também os ideais do monaquismo, abraçados no Egito pelo grande eremita Antão com uma opção de vida à qual Atanásio sempre esteve próximo. Santo Antão, com a sua força espiritual, era a pessoa mais importante na defesa da fé de Santo Atanásio. Insediado de novo e definitivamente na sua sede, o Bispo de Alexandria pôde dedicar-se à pacificação religiosa e à reorganização das comunidades cristãs. Faleceu a 2 de Maio de 373, dia em que celebramos a sua memória litúrgica.  
FIQUEM NA PAZ DE DEUS!
SEMINARISTA SEVERINO DA SILVA.

MARIA; VIRGEM E IMACULADA?

Maria: Virgem e Imaculada?

 Introdução
           
            A Imaculada Conceição de Nossa Senhora é uma verdade de fé, que consiste na graça que Deus a concedeu para ser a mãe do Salvador. Deus, no momento da conceição da Virgem Maria, isto é, no momento em que a alma inocente se une ao corpo escravo do pecado, preservou em Maria esta mancha do pecado original. Nosso Senhor concedeu a Maira Santíssima este favor, não por seu merecimento, mas pelos privilégios de Nosso Senhor Jesus Cristo, dando então a ela uma Imaculada Conceição.

Provas da Sagrada Escritura

           
            “Ave cheia de graça o Senhor estar contigo” cf. (Lc 1, 28) a saudação Angélica mostra muito bem a graça que Deus concedeu a Maria Santíssima. A expressão “cheia de graça” em grego “Kecharitoméneê”, é empregada para designar a graça em seu sentido pleno. A tradução em latim (Gratia plena), isto é “graça plena” é mais perfeita do que a portuguesa “cheia de graça”. O arcanjo falando á Maria que ela achara graça diante de Deus diz: “Maria, sois imaculada, e por isto serás a mãe do salvador”.
           
            O Senhor é convosco” (Lc 1,28) estas palavras angélicas, foram ditas antes da concepção pelo Espírito Santo, o que mostra que Deus está com Nossa Senhora antes da encarnação do Verbo. E, onde Deus habita não pode existir pecado, ou seja, ou seja, Maia não participou do pecado original. Sendo assim preservada por vontade de Deus. “Mas, vindo Cristo, o Sumo Sacerdote dos bens futuros. Por um maior e mais perfeito Tabernáculo, não feito por mãos, isto é, não desta criação” (Hb. 9,11) aqui São Paulo se expressa sobre o ventre que concebeu o menino Deus, e compara com um tabernáculo perfeito. Logo onde Deus habita não pode existir imperfeição, ou seja, onde Deus está não pode existir pecado.
           
            O pecado original é transmitido do corpo dos pais aos filhos (em termos modernos poderíamos dizer que, geneticamente, com óvulo e espermatozóide sendo portadores), e infecta a alma no instante de sua infusão no corpo (ou seja, no instante da concepção). Assim, a Imaculada Conceição foi um ato divino em que Ele impediu que houvesse esta contaminação; São Joaquim e Santa Ana tinham o pecado original, e normalmente o teriam transmitido à sua filha. Deus, no entanto, impediu que a alma que Ele criou fosse contaminada pelo pecado original que, normalmente a contaminaria. Este ato divino ocorreu no instante da concepção de Maria.
           
            Há assim, duas respostas que se completam a pergunta: Deus preservou a Nossa Senhora do Pecado Original para que ela pudesse ser aquela que concedeu seu material genético, e este deveria estar imaculado, ou teríamos o pior caso de incompatibilidade da história da criação! Sua preservação, que teve o fim exposto, foi feita de maneira sumamente diferente do que ocorreu em seu ventre quando da Encarnação do Verbo. Ela não é Deus; ela é simplesmente alguém que não foi contaminada (por interferência divina direta), como por exemplo, o filho não-aidético de uma grávida aidética. Não há uma contraposição, uma inimizade completa, mas apenas um corpo sadio abrigado em um corpo doente.


·        A virgindade de Maria

                       
            Leiamos Mateus cf. (1, 18-20): “A origem de Jesus Cristo foi assim: Maria, sua mãe, comprometida em casamento com José, antes de coabitarem, ela concebeu por obra do Espírito Santo. José, seu esposo, sendo justo e não querendo denunciá-la publicamente, resolveu repudiá-la em segredo. Enquanto assim decidiu, eis que o anjo do Senhor manifestou-se a ele em sonho, dizendo: José, filho de Davi, não temas receber Maria, pois o que nela foi gerado vem do Espírito Santo”.     
      

·        Maria Virgem antes do parto


“Maria, porém, disse ao anjo: Como é que vai acontecer isso, se eu não conheço homem algum”? Cf. (Lc 1,34) Conforme as palavras de Maria, até aquele momento, ela era virgem e, ao que parece, não tinha planos em vista de mudar aquela sua realidade.

·        Maria virgem no parto


1.     “Sim, fostes vós que me tirastes das entranhas da minha mãe. E, seguro me fez repousar em seu seio”. (Cf. Sl. 21 = (22) 10)
           
2.     “Mas a todos que o receberam deu o poder de se tornarem filhos de Deus: aos que crêem em seu nome, Ele, que não foi gerado nem do sangue, nem de uma vontade da carne, nem de uma vontade de homem, mas de Deus”.  (Jo 1,12-13)

3.     “À tarde desse mesmo dia, o primeiro da semana, estando fechadas as portas onde se achavam os discípulos, por meio dos judeus, Jesus veio e, pondo-se no meio deles, lhes disse: a paz esteja convosco”! (Jo 20,19)
     
      Assim como Jesus transpôs as portas, ou paredes, do local onde os apóstolos estavam reunidos, assim também, Jesus, pelo poder do Espírito Santo, transpôs o seio da virgem Maria nascendo homem no meio de homens.  



·        Maria virgem depois do parto: (Jesus Filho único de Maria)


            Há alguns textos no Novo Testamento que mencionam “os irmãos de Jesus”, no entanto o mais expressivo é o de (Marcos 6,3): “Não é este o carpinteiro, o filho de Maria, irmão de Tiago, José, Judas e Simão? E as suas irmãs não estão aqui entre nós?”
            A expressão “irmãos de Jesus” foi concebida originalmente não em ambiente grego, mas no mundo semita. Os habitantes de Nazaré, por exemplo, não falava grego, mas aramaico. É preciso, portanto, que procuremos avaliar o sentido da palavra “irmão” em aramaico.
           
            Ora, em aramaico, assim como em hebraico (línguas afins entre si), a palavra “irmãos”, (Ah, em hebraico) e (Aha, em aramaico), designava não somente os filhos dos mesmos genitores, mas também, os primos ou até parentes mais remotos, pois estas línguas eram pobres em vocabulário.
           
            Vale esclarecer que na tradução grega foi usado o termo “Adelphós”, irmãos, apesar de a língua grega obter a palavra primo, em virtude da língua de pregação de Jesus ser o hebraico e o aramaico, que não tinha palavra própria para indicar primo. Com base nesta verificação, não teremos dificuldade de compreender que os “irmãos de Jesus” eram na verdade, parentes próximos de Jesus.
           
            “E ela deu à luz o seu Filho primogênito, envolveu-o com faixas e reclinou-o numa manjedoura... O termo primogênito não significa que a mãe de Jesus tenha tido outros filhos após Ele. Em hebraico “Bekor”, que quer dizer primogênito podia significar simplesmente o bem-amado, pois primogênito é certamente aquele dos filhos no qual durante certo tempo se concentra todo amor dos pais; além disso, o primogênito era considerado pelos Hebreus, como de especial amor da parte de Deus, pois devia ser consagrado ao Senhor dede os seus primeiros dias, cf. (Lc 2, 22; Ex 34, 19) e ele devia cumprir, logo no primeiro mês, a lei do resgate, (Num 18, 16). Essa lei não esperava pelo segundo filho para que o primeiro fosse tido e tratado por toda a vida como primogênito”             
           

           
Objeção Protestante

            Embora Martim Lutero, o Pai da reforma protestante, não tenha negado a Imaculada Conceição da Virgem Maria, conforme suas próprias palavras: “Era justo e conveniente, diz ele, fosse à pessoa de Maria preservada do pecado original, visto o filho de Deus tomar dela a carne que devia vencer todo o pecado”. (hut in postil. maj.)
            Mesmo assim, os protestantes negam esta verdade de fé professada desde o início pelo cristianismo. Geralmente costumam citar a lei geral “todos pecaram” (cf. Rm 5,12), como argumento contra a Imaculada Conceição. Tal lei é certa, e a ela está subordinada toda a humanidade. Mas não será Deus capaz de, antes que alma e o corpo se unam suspender um de seus efeitos, que é neste caso justamente a mácula da alma, a transmissão do pecado original?
           
            Um dos vários exemplos que temos das intervenções Divinas ás leis gerais foi quando Nosso Senhor Jesus Cristo ressuscitou Lázaro, estando seu cadáver já em putrefação cf. (Jô 11,41-43), visto que todos os mortos devem aguardar a ressurreição geral.

Os reformadores protestantes sobre a virgindade de Maria

            Martinho Lutero (1483-1546) foi formado na tradição Católica que lhe ensinou a veneração a Maria. Veneração que ele guardou até o fim da vida. Eis alguns comentários:

·        “O Filho de Deus fez-se homem, de modo a ser concebido do Espírito Santo sem o auxilio de varão e a nascer da virgem Maria pura e Santa”. Cf. (Artigo s de doutrina cristã).

·        “Ele Cristo, Nosso Salvador, era o fruto real e natural do ventre virginal de Maria... Isto aconteceu sem a participação de qualquer homem a ela permaneceu virgem mesmo depois disso”. Cf. (Martinho Lutero, sermões sobre João, cap. 1 a 4, 1537-39 d.C.).

FIQUEM NA PAZ DE DEUS!
SEMINARISTA SEVERINO DA SILVA. 

A VIRGEM MARIA INIGUALÁVEL BELEZA SEM MANCHA...

“Maria inigualável beleza sem mancha, porque é toda bela”
(Santo Ambrósio)

“Já bem antes da aurora o Senhor veio ajudá-la e preparou, em santidade, uma morada para si”. (Ant. Liturgia das Horas).

Tudo o que de formoso e belo se pode dizer de uma criatura, cantamos hoje à nossa Mãe do céu. Quase sempre, ao refletir sobre a beleza de Maria, nos deparamos na consideração de suas virtudes humanas e espirituais. Poucas vezes pensamos em sua beleza física. Podemos tentar imaginar a pessoa de Maria nos seguintes termos: Como a veriam seus parentes e vizinhos? Uma jovem judia, mas ligada à vontade de Deus, mas não muito diferente das outras da sua idade, e certamente não parecia capaz de obras que mudassem o curso da humanidade.

Certamente é verdade que Deus quando pensou e criou Maria, o fez adornada das mais excelsas virtudes no humano e no espiritual, também o não se pode duvidar de por nela as mais apropriadas qualidades das belezas do corpo. Nós sabemos que Deus quis preparar como Mãe a mais bela das filhas de Israel. Maria a toda bela, a inteiramente bela. Nada feio habita nela. Nada! Nem em sua alma nem em seu corpo. Pelo menos aos olhos de Deus. O arcanjo Gabriel o disse claramente: “Encontraste graça diante de Deus”, quer dizer tu encantaste a Deus, o cativaste com a tua beleza. Uma mulher humilde, silenciosa, pura, alegre, crente, preparada para a dor e feita transbordante de amor pela misericórdia do Deus. Pequenas pinceladas, mas que já de per si deixam entrever, como em esboço, uma esplendida obra de arte; “todas as gerações me proclamarão bem aventurada!”

A beleza de Maria não pode esgotar-se em um livro, em um quadro, nem em uma escultura por geniais que sejam seus autores. É um modelo de beleza que excede o pincel ou cinzel mais dedicado de qualquer artista. Não é obra humana, mas diretamente divina, por que o “Senhor está com ela”. Nas palavras de São Luiz de Montfort: “Maria é o paraíso de Deus, seu mundo inefável... Deus criou um mundo para si mesmo e o chamou Maria” Só Deus pode encher uma alma de graça com expressões de Paulo VI, “o espelho nítido e sagrado da infinita beleza, o rosto divino no rosto humano, a beleza invisível em figura corpórea” Podemos presumir, e com toda razão da Mãe que temos no céu. Não é para menos. Temos de nos sentir orgulhosos de sermos de uma mãe. Não deveríamos de nos cansar de contemplá-la e admirá-la, sua beleza é inigualável. Não deveríamos cessar de cantar suas glórias. Temos de proclamá-la sempre ditosa, feliz, alegrando-nos com ela pelas maravilhas que Deus operou em seu favor.

Com uma mãe assim, não é pouca a nossa responsabilidade de sermos seus bons filhos. Parecermos com ela, imitando-a e procurando obter as suas virtudes que ornamentaram a sua vida. Seria estupendo se pudéssemos dizer com cada um de nós: Este saiu igual à Maria... Porque é humilde, sensível, discreto, puro, alegre, crente e transbordante de amor como o foi Maria. No seu plano de salvação da humanidade, Deus determinou que Maria fosse escolhida como Mãe do seu Filho feito homem. Mais ainda: Deus quis que Maria se unisse não só ao nascimento humano do verbo, mas também a toda a obra da redenção que Ele faria acontecer. No plano salvifico de Deus, Maria está sempre unida a Jesus. Por esta escolha admirável, Maria, desde o primeiro instante de sua existência, ficou associada ao seu Filho na redenção da humanidade. Apesar de todo pecado que impede este mundo de ser um paraíso, diz Deus, o mal não vai ter a última palavra na vida humana.
           
A serpente, representante do mal, vai nos ferir o calcanhar, mas a mulher, representante da humanidade, acabará lhe esmagando a cabeça. Maria é como a nova Eva, nome que parece significar vida, vitalidade, daí a expressão “mãe dos viventes” de quem nascerá uma nova descendência, que é a igreja. A proposta do anjo quer que Maria aceite, sem tudo entender que os caminhos misteriosos da força de Deus passem através dela. Maria sabia que o que Deus lhe pediu só poderia ser bom. “Para Deus, nada é impossível”. Crer no impossível de Deus é acreditar que a vida humana tem sentido porque o Espírito Santo age na história. Maria acreditou, colocou-se a serviço, e na simplicidade da sua oferta contribuiu para mudar a história. Por tudo isso, a maternidade de Maria ocupa na igreja, o lugar mais alto e mais próximo de nós; é o modelo perfeito da igreja, do discípulo de Jesus e de todas as virtudes, aquela a quem devemos contemplar em sua beleza inigualável no nosso esforço de seguirmos a Jesus.                               
           
FIQUEM NA PAZ DE DEUS!
SEMINARISTA SEVERINO DA SILVA.

MOVIMENTO SACERDOTAL MARIANO

MOVIMENTO SACERDOTAL MARIANO


Apóstolos de Amor


Devemos amar e comunicar a todos: um grande amor a Jesus realmente presente na Eucaristia, com seu corpo, seu sangue, sua alma e divindade.

“Na Eucaristia está realmente presente Jesus Cristo, o Filho de Deus, aquele Deus que, nele, Eu vi em todos os momentos de sua vida terrena, ainda que escondido sob o véu da natureza frágil e fraca, que se desenvolvia através do ritmo do tempo e do seu crescimento humano. Com um ato contínuo de fé, Eu sempre via no meu Filho Jesus o meu Deus e O adorava com profundo amor”. (Aos sacerdotes, filhos prediletos de Maria Nossa Senhora, 21 de Agosto de 1987).

“Todas estas dimensões da Eucaristia se reassumem em um aspecto que mais do que tudo põe á prova a nossa fé: é o mistério da presença real. Com toda a tradição da Igreja, nós cremos que, sob as espécies eucarísticas, está realmente presente Jesus.” (João Paulo II, Mane Nobiscum Domine, 16).

“O Verbo Eterno do Pai, Deus criador, onipotente e onisciente, que quis revestir-se de fraqueza, impor-se ás limitações do tempo, assumir a fragilidade da natureza humana e nasceu de Mim; assim como toda criança, experimentou todas as necessidades. Quantas vezes, enquanto O beijava com ternura de Mãe, dizia-Lhe: Tu és o beijo eterno do Pai; enquanto O acariciava pensava comigo: Tu és a carícia divina que torna benditas as almas; quando Lhe punha as pequeninas vestes, sussurrava: Tu és quem reveste a Terra com as flores, e o imenso universo com os astros; e enquanto Lhe dava e comer, cantava: Tu és quem providencia os alimentos a todo ser vivo. Quando Lhe dizia com amor materno: ‘Meu Filho! ’ Adorando-O com a alma, rezava: Tu és o Filho do Pai, o seu Unigênito eterno, a sua Palavra viva”. (2 de fevereiro de 1983).

“A presença real de Jesus no Tabernáculo deve constituir como um pólo de atração para um número sempre maior de almas enamoradas dEle, capazes de estar longamente a escutar-Lhe  a voz e quase sertir-Lhe as batidas do coração: saboreai e vede quanto o Senhor é bom” (João Paulo II, Mane nobiscum Domine, 18).

Ide diante do Tabernáculo, para estabelecer com Jesus uma relação de vida simples e cotidiana; fazei de Jesus o Amigo mais querido, a Pessoa da vossa maior confiança, mais desejada e mais amada.
Falai a Jesus do vosso amor; repeti-o com freqüência, porque é somente isto que O faz imensamente feliz, que O consola de todas as ingratidões, recompensa-O de todas as traições; “Jesus Tu és o nosso amor; Jesus, Tu és o nosso único grande amigo; Jesus nós te amamos; Jesus, nós estamos apaixonados por Ti”.
“A presença de Jesus na Eucaristia tem sobre tudo a função de vos fazer crescer numa experiência de verdadeira comunhão de amor com Ele”. (21 de 08 de 1987).



Apóstolos de Adoração


“A adoração Eucarística fora da missa torne-se, durante este ano, um compromisso especial para as comunidades paroquiais e religiosas. Fiquemos prostados longamente diante de Jesus presente na Eucaristia. Aprofundemos na oração a nossa contemplação pessoal e comunitária, servindo-nos também dos subsídios da oração, baseados sempre na palavra de Deus e na experiência de tantos místicos antigos e recentes” (João Paulo II, Mane nobiscum Domine, 18).

“No meu Filho Jesus Eu sempre via o meu Deus e O adorava com profundo amor. Adorava-O quando ainda permanecia no meu seio virginal, como pequeno rebento, e amava-O, nutria-O, fazia-O crescer dando-Lhe meu próprio sangue e minha própria carne. Adorava-O depois de seu nascimento, contemplando-O na manjedoura de uma gruta pobre e singela. Adorava o meu Deus no menino Jesus que crescia, no adolescente que se desenvolvia, no jovem inclinado sobre o trabalho de cada dia, no Messias que desempenhava sua missão pública. Adorava-O quando era rejeitado e afastado, quando era traído, abandonado pelos seus e renegado. Adorava-O quando era condenado e vilipendiado, quando flagelado e coroado de espinhos, quando conduzido ao patíbulo e crucificado. Adorava-O aos pés da Cruz, numa atitude de inefável padecimento e enquanto era conduzido ao sepulcro e colocado no túmulo. Adorava-O depois da ressurreição quando, em primeiro lugar, Me apareceu no esplendor do seu Corpo glorioso e na luz de sua divindade” (21 de 08 de 1987).

“Peço que se volte a fazer em toda parte, as horas de adoração diante de Jesus exposto no Santíssimo Sacramento”. Desejo que se aumente a homenagem de amor para com a Eucaristia e se torne manifesta também através de sinais sensíveis e tão indicativos da vossa piedade.
Circundai Jesus Eucarístico de flores e de luz; cercai-O de delicada atenção; aproximai-vos dEle com gestos profundos de genuflexão e de adoração. Se soubésseis quanto Jesus Eucarístico vos ama, com o pequeno gesto de vosso amor O enche de alegria e de consolação! (21 de 08 de 1987)

“Compete aos pastores encorajar, também com o testemunho pessoal, o culto Eucarístico, particularmente as exposições do Santíssimo Sacramento, assim como a pausa adorante diante de Cristo presente no sob as espécies Eucarísticas”. É belo entreter-se com Ele e inclinandos sobre seu peito como o discípulo predileto, ser tocados pelo o amor infinito do seu coração.
Como não sentir uma renovada necessidade de ficar longamente, em conversação espiritual, em adoração silenciosa, em atitude de amor, diante de Cristo presente no Santíssimo Sacramento? “Quantas vezes, meus caros irmãos e irmãs, eu fiz esta experiência e nela encontrei a força, consolação e sustento” (João Paulo II, Ecclesia de Eucharistia, 25).


Apóstolos de Reparação

“Permaneçamos prostrados longamente diante de Jesus presente na Eucaristia, reparando, com a nossa fé e o nosso amor, as negligências, os esquecimentos, e até os ultrajes que o nosso Salvador deve suportar em tantas partes do mundo” (João Paulo II Mane nosbicum Domine, 18).
“Jesus no Tabernáculo é circuncidado por tanto vazio, por tanto abandono, por tanta ingratidão”.
Hoje é cercado pelo vazio, formado especialmente por vós, Sacerdotes, que na vossa ação apostólica, percorreis com freqüência inutilmente e muito a periferia, indo através de coisas menos importantes e mais secundárias esquecendo-vos de que o centro da vida sacerdotal deve está aqui, na presença do Tabernáculo, onde Jesus está presente e é custodiado principalmente por vós.
Jesus Eucarístico é rodeado também pela indiferença de muitos dos meus filhos que vivem como se Ele não estivesse presente e, quando entram na igreja para as funções litúrgicas não se dão conta de sua divina presença entre vós.
Mas, acima de tudo, são os sacrilégios que formam hoje uma dolorosa coroa de espinhos ao redor do meu Coração Imaculado. Quão grande, nestes tempos, é o número de comunhões, mas também quantos sacrilégios se cometem. Pode-se dizer que já não celebração eucarística alguma em que não se façam comunhões sacrílegas. Se vísseis com os meus olhos como é grande esta chaga que contaminou toda a igreja... “Se vísseis com os meus olhos, vós também derramaríeis comigo lágrimas copiosas” (08-08-1986).
“Então meus prediletos e filhos consagrados ao meu Coração Imaculado, sede hoje um poderoso apelo ao pleno retorno de toda a igreja militante para Jesus presente na Eucaristia. Por que só ali está a fonte de água viva, que há de purificar a sua aridez e transformar o deserto a que foi reduzida; só ali está o segredo da Vida, que fará chegar para ela um segundo Pentecostes de graça e de luz; só ali está a fonte de sua santidade de vida renovada: Jesus na Eucaristia” (08-08-1986).
“Quero por vosso intermédio, que culto eucarístico volte a resplandecer cada vez mais intensamente. Agora deve terminar esta profunda crise de piedade para com a Eucaristia, que contaminou a igreja, e que foi causa de tanta infidelidade e da difusão de uma vasta apostasia... A Mãe do céu quer agora conduzir a Jesus, presente na Eucaristia, um número sempre maior de seus filhos, porque estes são os tempos em que Jesus Eucarístico deve ser adorado, amado, agradecido e glorificado por todos” (21-08-1987).
 Por isso proponho que, nos Cenáculos do Movimento Sarcedotal Mariano, que serão feitos durante este ano, o Santo Terço seja rezado diante do Santíssimo Sacramento solenemente exposto sobre o altar, também para seguir o que nos indicou o Papa: “O próprio Rosário que recomendei na carta apostólica Rosarium Virginis Mariae, poderá ser um caminho particularmente apto à contemplação eucarística, feita em companhia e na escola de Maria” (João Paulo II, Mane nobiscum Domine, 15).


Apóstolos do reino Eucarístico de Jesus

“Ao mesmo tempo atualiza o passado, a Eucaristia projeta-nos para o futuro da última vinda de Cristo, no final da história. Este aspecto escatológico dá ao sacramento eucarístico um dinamismo cativante que imprime ao caminho Cristão o passo da esperança”. (João Paulo II, Mane nobiscum Domine, 15).
“O meu Coração Imaculado triunfará no maior triunfo de Jesus, que trará para o mundo o seu glorioso reino de amor, de justiça e de paz e fará novas todas as coisas. Abri os corações à esperança. Escancarai as portas a Cristo que vem a vós na glória. Vivei a trepida hora deste segundo advento”  (31-12-1987).
“N a Eucaristia Jesus está realmente presente, permanece sempre convosco e esta sua presença se tornará sempre mais forte, resplandecerá no mundo como um sol e marcará o início da nova era. A vinda do Reino glorioso de Cristo coincidirá com maior esplendor da Eucaristia. Cristo instaurará seu reino glorioso com o triunfo universal do seu Reino Eucarístico, que se desenvolverá em toda sua potência e terá a capacidade de mudar os corações, as almas, as pessoas, as famílias, a sociedade, a própria estrutura do mundo. Quando estiver estruturado o Reino Eucarístico, Jesus vos conduzirá a gozar desta sua real presença, que vós percebereis de maneira nova e extraordinária, e vos conduzirá a fazer a experiência de um segundo, renovado e mais belo paraíso terrestre.”
(21 de agosto de 1987).
“Volvendo o olhar para o futuro, esperamos confiante a aurora de um novo Dia... Os que operam nos postos avançado da igreja são como as sentinelas sobre os muros da cidade de Deus, a quem perguntamos: “Sentinela, quanto resta da noite”?” Recebendo a resposta: “Ouves? As tuas sentinelas levantam a voz, juntas gritam de alegria, porque vêem com os seus olhos o retorno do Senhor em Sião”... “Maria, a Estrela da Manhã, ajude-nos a repetir, com ardor sempre novo, o Fiat ao desígnio da salvação de Deus, para que todos os povos e todas as línguas possam ver a sua glória” (João Paulo II, 23 de maio de 1999).
No Coração Imaculado de Maria digamos com ardor o nosso SIM ao desígnio da salvação de Deus, que se realiza no seu Filho Unigênito, encarnado, morto na cruz e Ressuscitado, porque Ele é o Vivente, é o Deus conosco, só Ele é o nosso Redentor, só Ele é o nosso Salvador.
Diante da ínsidia perigosa de um globalismo, que tende a igualar todas as religiões, nestes tempos a igreja deve proclamar a todo o mundo, com a coragem e a força do seu testemunho até o derramamento de sangue, o que a são Pedro anunciava diante do Sinédrio: “Em nenhum outro a salvação, porque debaixo do céu nenhum outro Nome foi dado aos homens, pelo qual devamos ser salvos senão JESUS CRISTO” (Atos, 4,12).
Jesus é o Primeiro e Último e o Fim, o Alfa e o Ômega, a Estrela Luminosa da Manhã, que nos conduz a viver o novo Dia, esperado e preparado com tanto sofrimento.
“Sede Apóstolos dos últimos tempos, porque deveis anunciar o retorno próximo de Jesus na glória, que introduzirá a humanidade nos tempos novos em que, finalmente, serão vistos o novo céu e a nova terra. Proclamai a todos, o seu retorno próximo: maranathá: Vem Senhor Jesus!” ( 08 de Dezembro de 1994).
“Coloquemo-nos, sobretudo na escuta de Maria Santíssima, na qual o Mistério Eucarístico aparece, mais que qualquer outro, como mistério de luz. Olhando para Ela conhecemos a força transformante que a Eucaristia possui. Nela vemos o mundo renovado no amor. Contemplando-A assunta ao céu em corpo e alma, vemos um fragmento dos novos céus e nova terra que se abrem aos nossos olhos com a segunda vinda de Cristo. Desses a Eucaristia constitui aqui na terra o penhor, e, de certa forma, a  antecipação: VEM SENHOR JESUS!” (João Paulo II, Ecclesia de Eucharistia, 62).
Confio a vós, que sois os responsáveis, a missão de transmitir esta carta a todos os membros do Movimento Sacerdotal Mariano, para que chegue até eles a minha afetuosa saudação, com a minha bênção sacerdotal. Espero uma resposta que me traga notícias vossas.

No Coração Imaculado de Maria,
Vosso pequeno irmão
Padre Stefano Gobbi.

ADMINISTRADOR INCOPETENTE (LC 16, 1-13)

ADMINISTRADOR INCOMPETENTE
(Lc 16, 1-13)

INTRODUÇÃO: Mais do que a infidelidade a palavra grega diaskorpizo dignifica espalhar ou dispersar; O administrador não era um ladrão, em cujo caso seria levado aos tribunais e não despedido, sem mais. Não se aproveitou do seu cargo para se enriquecer, ou seja não foi infiel, mas um incompetente, que, irresponsável ou por negligência, não administrou de forma plausível os bens a ele encomendados. Esperava-se dele um lucro que foi inferior ao obtido. Lembra a parábola dos talentos em Mt 25, 11 ou das minas em Lc 19, 13. Traduzir por infiel predispõe a uma interpretação errônea da parábola. Mais: temos que estudar os costumes da época para saber quem eram os administradores e qual o seu ofício, e, então, entenderemos melhor o sentido da parábola e, portanto, a conclusão da mesma, que é o mais importante em todo exemplo bíblico. A conclusão da parábola é que devemos ser inteligentes para uma inversão sábia do dinheiro, mediante o uso altruísta do mesmo. A segunda parte do evangelho situa o acento na fidelidade cotidiana ao serviço de Deus e não do dinheiro. Como muitos se tornam avisados e inteligentes com os bens materiais, assim devemos optar pela mesma sabedoria, quando se trata da administração dos bens paras fins espirituais.

ADMINISTRADOR: Disse, pois, também para seus discípulos: Certo homem era rico, o qual tinha um administrador; e este foi a ele acusado como dilapidando os seus bens (1). Dicebat autem et ad discipulos suos homo quidam erat dives qui habebat vilicum et hic diffamatus est apud illum quasi dissipasset bona ipsius. A terra era, nos tempos de Jesus, a base da riqueza, de modo que os soldados romanos recebiam como prêmio após sua aposentadoria (25 anos) terras para cultivar, ou recebiam 12 anos de paga como compensação. A mão de obra era barata, constituída pelos escravos de guerra; e a maioria dos novos amos, que nada ou pouco sabiam de agricultura, deixavam suas propriedades nas mãos de administradores. Como exemplo, temos, nos tempos do Imperador Trajano, após as guerras da Dácia [Romênia ocidental], teve em suas mãos 500 mil escravos que podiam servir nos novos assentamentos dos soldados e somas consideráveis de ouro e prata. Para comemorar a conquista mandou esculpir a coluna trajana com 200m de esculturas nas quais ele mesmo saia 70 vezes. Por essa vitória, o Imperador recebeu o nome de Dácio  e os romanos tiveram 123 dias de espetáculos no anfiteatro ou coliseu. A palavra oikonomos significa um administrador-superintendente de modo que todos os problemas da casa e dos bens estivessem dirigidos a uma economia tanto de mercado como de supervisão de alimentos e criados dentro da casa. A tradução latina de villicus significa a pessoa que estava na frente de uma fazenda ou granja rural. Geralmente os administradores eram escravos de confiança ou libertos, já que um romano considerava o ofício indigno de um cidadão do império. Esperava-se dos administradores um bom rendimento dos bens a eles confiados. O pago dado ao administrador era um tanto por cento dos bens envolvidos nos negócios. Como não era permitida a usura, existia um método para burlar a lei e os fiscais. O produto vendido era quantificado com um valor superior ao real. Exatamente como hoje se acostuma fazer com os orçamentos públicos para engordar os funcionários desonestos. Em nosso caso, a competência do administrador era deficiente. O dono não estava contente e decidiu substituí-lo. Temos o exemplo de S. Calisto, Papa, que foi um escravo a quem seu dono Carpóforo, alto funcionário do palácio imperial, colocou à frente de uma banca. Calisto perdeu o dinheiro do amo e o que os cristãos lhe confiaram. Foge; mas, encontrado, é encerrado no xadrez de onde seu amo o tira reconhecendo a probidade do escravo. Calisto recobra os bens que os judeus, enganando-o, tinham maldosamente se apropriado. Os judeus se vingam denunciando-o como cristão e o Imperador Cômodo o manda para as minas da Cerdanha. Daí saiu por um edito de liberdade que Márcia, a favorita do imperador, conseguiu. De volta a Roma foi para Anzio para evitar a vingança dos judeus. O Papa Zeferino em 198 o torna seu secretário, conselheiro e administrador dos bens da Igreja, que defendeu através do artifício das catacumbas [daí a de S. Calisto] pois o novo imperador, Séptímo Severo, reconhecia as funerárias como corporações legítimas, independentemente de sua religião. Calisto foi considerado como um gênio administrador e organizador. Precisamente por ser um ex-escravo os fiéis o escolheram como Papa em lugar de Hipólito, escritor e grande de Roma;  por este último ele se rebelou, formando um partido cismático. Hipólito é por isso considerado o primeiro anti-papa. Ambos se distanciavam na doutrina, pois o rigorismo de Hipólito não perdoava os apóstatas, os adúlteros e os homicidas, e Calisto se inclinava por perdoar o pecado mas impor uma severa penitência. Calisto, assim como Hipólito, terminaram suas vidas como mártires. Calisto foi atirado de coma de uma janela e lançado ao poço da casa. É possível que este exemplo seja um bom paradigma do que aconteceu com o administrador da parábola.

PRESTAÇÃO DE CONTAS: E tendo-o chamado lhe disse: Isto ouço de ti, apresenta a conta de tua tua administração, pois não podes mais administrar(2). Et vocavit illum et ait illi quid hoc audio de te redde rationem vilicationis tuae iam enim non poteris vilicare. O dono acredita nas maledicências e pede uma prestação de contas para ver que falhas houve e como foi defraudado pelo administrador que desde esse momento está despedido.

A REFLEXÃO: Disse então para si mesmo o administrador: Que farei porque meu senhor tira a administração de mim? Cavar, não tenho força; mendigar, me envergonha(3). Ait autem vilicus intra se quid faciam quia dominus meus aufert a me vilicationem fodere non valeo mendicare erubesco. O administrador demitido pensou nas duas coisas que na época existiam como meio de sobreviver: um emprego no campo como simples camponês ou recorrer à esmola como faziam muitos cidadãos em Roma. Desde a República existia a anona ou distribuição de trigo aos necessitados. Era uma prática considerada como dever do Estado que não só protegia os setores mais desfavorecidos economicamente, mas também prevenia as revoltas sociais. Os ediles realizavam o aprovisionamento e até se encarregavam de importar o trigo suficiente para a distribuição que era vigiada pelos curatores frumenti [cuidadores do grão] de modo a corrigir os abusos. A instituição se conservou até o final do império Romano. Não sabemos se existia alguma coisa parecida na Palestina, mas parece que houve situações em que o governo distribuiu alimentos em tempo de fome, pois Herodes o Grande até vendeu seus talheres de prata para comprar trigo. O Nosso administrador ao ser revogado de seu ofício se transformava em pedinte comum.

UMA IDÉIA RADIANTE: Sei o que fazer para que quando tenha sido afastado da administração me recebam em suas casas (5). Scio quid faciam ut cum amotus fuero a vilicatione recipiant me in domos suas. Mas ele bolou um plano inteligente: tornar-se-ia cliente de seus ricos devedores. Os clientes eram as pessoas que após a salutatio de manhã recebiam o pão e a cebola para o dia ou uma cesta de comida no lugar do mesmo. Ou talvez pretendesse o cargo de administrador dos novos amigos assim ganhos à sua causa.

A REDUÇÃO DAS DÍVIDAS: Então tendo chamado um por um, cada um dos devedores de seu senhor, dizia ao primeiro: Quanto deves a meu senhor? (5). Ele então disse: Cem bats (barris) de azeite. E lhe disse: toma tu recibo e, sentado, rapidamente escreve cinquenta(6). Depois, disse a um outro: Tu, pois, quanto deves? Ele então disse: cem coros (sacos) de trigo. E lhe diz : toma tua conta e  escreve oitenta(7). At ille dixit centum cados olei dixitque illi accipe cautionem tuam et sede cito scribe quinquaginta. Deinde alio dixit tu vero quantum debes qui ait centum choros tritici ait illi accipe litteras tuas et scribe octoginta. Para isso mandou vir os que eram devedores do seu dono e da dívida retirou suas ganâncias que ele já não podia receber por ter perdido o emprego. O salário era próprio dos trabalhadores manuais. Este não era o caso dos administradores; mas existia  uma retribuição que compensasse as horas dedicadas. Um exemplo era o que sucedia com os professores ou pedagogos. Sem salário fixo, eles recebiam uma compensação porque poderiam ter trabalhado em outros ministérios e receber um salário apropriado. Eram as perdas que eram pagas e não o trabalho. O modo de proceder do administrador não era pois, um roubo, mas um estratagema bem bolado. Por isso podia ser admirado pelo seu dono, sem que pudesse ser acusado de ladrão.

AS QUANTIDADES PERDOADAS: Parece que perdoa mais ao que deve 100 bats de azeite, aproximadamente 4 mil litros; pois o bat era uma medida  de capacidade de líquidos que equivalia a 40 litros, igual a metreta latina. A medida de sólidos era o coro equivalente a 400 l de modo que os cem coros de dívida equivaliam a 40 mil litros. O perdão do azeite era de 2000l e o de trigo de 8000 l, quatro vezes mais em quantidade; mas considerando que os preços eram diferentes, temos que os 8000 l de trigo equivaliam aos 2000 l de azeite. Era provavelmente o dinheiro correspondente que o administrador deveria ganhar. Por isso o comentário do dono é só de louvor ante a perspicácia do seu antigo empregado, sem taxá-lo de ladrão. Aliás a palavra latro latina era como se designava os soldados de suas legiões pelos saques e tropelias por eles cometidos, que teve depois um significado, restrito aos que se apropriavam dos bens alheios.

O ELOGIO: E elogiou o amo o administrador da maldade, porque sagazmente atuou; já que os filhos deste século são mais sagazes que os filhos da luz dentro da linhagem dos mesmos(8). Et laudavit dominus vilicum iniquitatis quia prudenter fecisset quia filii huius saeculi prudentiores filiis lucis in generatione sua sunt. O antigo empregador comentou, elogiando, a conduta que apontou como prudente [fronimos], ou sagaz, por previdente. E nos dá a primeira conclusão da parábola, ao contemplar a sagacidade do administrador.  1a) Os filhos deste século [aion] são mais sábios que os filhos da luz em seus negócios. A palavra aion designa tempo, duração de vida, século, idade, geração. As diversas traduções como a latina dizem: os filhos deste século são mais prudentes que os filhos da luz nesta geração. A tradução da bíblia de Jerusalém: os filhos deste século são mais prudentes com sua geração do que os filhos da luz. A espanhola: Os filhos do mundo são mais sagaces em sus relaciones que los hijos da luz. Que se entende por filhos deste século, ou mundo?  A frase filhos deste século [aion] sai duas vezes em Lucas. Uma aqui e outra em Lc 20, 34. Segundo Lc 18, 30 o século [aion] é oposto ao tempo presente [kairós]. Podemos afirmar que aion significa uma etapa, uma era, um período, uma época. Os filhos desta época são os que mais tarde são descritos como os que escolheram a maimona (13). Os outros são os filhos da luz, que tem uma conotação parecida com os que descrevem os essênios como opostos aos filhos das trevas. A frase sobre a luz, como corresponde aos que estão unidos a Cristo, sai em Jo 8, 12  quando Jesus afirma que ele é a luz e quem o segue não andará nas trevas pelo contrário terá a luz da vida. Paulo fará uma distinção entre o homem psychikós [natural] e o homem pneumatikós [espiritual] que é a mesma distinção que Lucas faz neste evangelho. Com seus negócios: eiv thn genean thn eautwn [eis tën genean tën eautön ] para a geração, a de si mesmos, seria a tradução literal. A melhor das traduções é a espanhola que nos oferece um sentido inteligível e correspondente ao que Jesus queria transmitir. Temos modificado um pouco a mesma transformando relações em negócios e portanto a tradução seria: os filhos deste mundo são mais sagazes em seus negócios do que os filhos da luz (nos seus). Vemos, nesse trecho, como o administrador prepara seu futuro, fazendo amigos de modo a ter uma aposentadoria, por assim dizer, garantida. Nisto consiste sua sagacidade e previdência. Como prepara seu futuro o seguidor de Cristo? A isso dá resposta a segunda conclusão.

2a) CONCLUSÃO: Fazer amigos. E, por isso, vos digo: Fazei-vos amigos por meio da Mamona (riqueza) da iniquidade para que, quando vos eclipseis, vos recebam dentro das eternas tendas(9). Et ego vobis dico facite vobis amicos de mamona iniquitatis ut cum defeceritis recipiant vos in aeterna tabernacula Do modo como o administrador fez amigos para um futuro tranquilo, devem também os filhos da luz, seguidores de Cristo, fazer amigos para que seu futuro seja o mais seguro e ditoso possível. Devem procurar fazer amigos da riqueza [Mamona] da iniquidade [tes adikias]. A palavra mamona não é grega mas sua origem é semita. É usada no grego em singular e aparentemente indeclinável. A vulgata não traduz a palavra, a usa também em singular e a declina como da 1a declinação. As traduções das diversas línguas traduzem por riquezas  em plural ou dinheiro em singular. A mais fiel é a inglesa, que conserva o mammon. Mammon ou mamona é uma palavra de origem aramaico. Seu significado primitivo seria objeto ou pessoa em que se pode confiar. Daí que Lucas diga confiar [pistoi] em objeto de adikias [injusto ou não digno de confiança](11). Em Eclo 42, 9 significa riqueza. E no Targum se traduz por fazenda, ganância. S. Agostinho dirá que também era usado em fenício como o dinheiro de resgate de um escravo. O apelativo de iníquo é devido ao influxo contrário com que disputa o coração do homem para afastá-lo de Deus. A palavra tenda no AT é WH£‚A [ohel], que aparece já em Gn 4,20 é traduzido ao grego por skhnh <skënë e ao português por tenda. Podia também ser usada twko <[sikkuth e em plural sukkoth de onde a festa das tendas]. O ohel, skene não só tinha um significado de tenda de beduíno, mas também de palácio real como o de Davi (Is 16, 5) ou de uma tenda nupcial (2 Sm 16, 22). No NT skene sai somente 4 vezes, das quais 3 para descrever as choças que Pedro queria construir para Jesus e seus dois acompanhantes ( Mc 17, 4, Mt 9,54 e Lc 9, 33) e uma outra vez neste evangelho de hoje. João fala de monh < monë, morada, mansão ou estância] em 14, 2  e diz que há muitas delas na casa de seu Pai. O importante é que na outra vida há lugares fixos ou moradias porque as habitam os escolhidos. A moradia mais importante é o próprio corpo que ressuscitará e que será a morada da alma para sempre.

AS RIQUEZAS: Em Coélet 5, 8 lemos: A riqueza [traduzido por abundância] da terra, pertence a todos . Marcos vê nas riquezas uma sedução, um engano quase impossível de evitar (4, 18). O Coélet diz em 27, 2 Muitos pecam por amor ao lucro. Aquele que procura enriquecer-se mostra-se implacável. A expressão riquezas injustas é de Sirac 5, 8: Não confies nas riquezas injustas, porque não te servirão para nada no dia da desgraça. O grego dos setenta diz  epi chremasin adikois [Posses de iniquidade]. A palavra chremata, pois, em plural indicava riquezas. Daí provém a palavra castelhana crematística que pode ser traduzida ao português por pecuniário. A palavra adikiais [maldosas] é traduzida por mal adquiridas ou  injustas como se a causa da obtenção fosse uma injustiça social, quando, na realidade, se trata mais de riquezas enganosas, pois não podem salvar o homem na hora mais angustiosa como é a da morte. Em que sentido elas são descritas como mammona tes adikias [bens da iniquidade] por Jesus, pois aparentemente a frase é uma autêntica palavra do Mestre? São riquezas mentirosas que iludem os homens e portanto iníquas, maldosas. Basta esta mentira, que em si encerram, para titular as mesmas como riquezas iníquas. Em Marcos 4, 19 são chamadas enganosas [apate]. É delas que se servem os prudentes do reino para adquirir amigos que à semelhança dos agradecidos pela ação do administrador incompetente, receberão os seus benfeitores nas suas tendas que são as eternas.    
 
3a) DO POUCO PARA O MUITO: O fiel em mínimo, em muito é fiel; e em mínimo desonesto,  em muito é desonesto(10). Se, pois, na enganosa riqueza não fosses fiéis, no verdadeiro, quem confiará em vós? (11). E se no alheio não fosses fiéis, quem vos dará o próprio vosso?(12). Qui fidelis est in minimo et in maiori fidelis est, et qui in modico iniquus est et in maiori iniquus est. Si ergo in iniquo mamona fideles non fuistis quod verum est quis credet vobis. Et si in alieno fideles non fuistis quod vestrum est quis dabit vobis. Parece que esta sentença de quem é fiel no mínimo será fiel no muito etc. é uma frase que foi acrescentada e tomada da parábola das minas (19, 17). É uma tese para deduzir a conclusão imediata: Se não fostes fiéis quanto ao mamona iníquo quem vos dará o verdadeiro [como administradores](11)? Como vemos, existe uma oposição entre o falso e verdadeiro dinheiro; por isso a nossa tradução de enganoso da palavra adikias tem uma base real. O relativo Quem indica muito provavelmente Deus. Deus olha o comportamento atual para dar uma recompensa futura e total.  Se não fostes fiéis no alheio, quem vos dará o próprio(12)? É uma frase difícil de se interpretar. À vista do administrador da parábola que gerencia bens alheios, podemos dizer que a frase é uma reflexão sobre como a gerência de bens temporais da frase anterior determina a gerência última de bens que são inatos e acompanham sempre a pessoa, como a pele do corpo. Estes bens são evidentemente a fé e a pertença ao Reino. Somente os verdadeiros ricos, que não se deixam envolver pela sedução das riquezas, serão dignos de entrar no Reino.

MORAL DA HISTÓRIA: Nenhum criado pode servir a dois amos; ou pois um (deles) odiará e o outro amará; ou aderirá a  um e desprezará o outro: não podeis servir a Deus e a mamona(13). Nemo servus potest duobus dominis servire aut enim unum odiet et alterum diliget aut uni adherebit et alterum contemnet non potestis Deo servire et mamonae. Nenhum criado pode servir a dois senhores.(13). Jesus explica quem são esses senhores: Deus e Mamona. Todo o anterior serve para esta conclusão que é definitiva. Também Mateus nos apresenta a mesma declaração em 6, 24. O grego em ambas passagens só se diferencia porque Lucas fala de nenhum empregado devido a que é uma conclusão de uma parábola, enquanto Mateus generaliza a afirmação com o absoluto ninguém. De uma situação puramente humana e racionalmente lógica, Lucas tira uma conclusão que é absoluta em termos de contradição. Deus e as riquezas, estas sem distinção de procedência, são termos opostos. Ou servimos a Deus ou servimos às riquezas; mas as duas coisas ao mesmo tempo não são possíveis. O jesuíta alemão Alfed Delp, condenado à morte pelos nazistas, dizia: O pão é importante, a liberdade é mais importante, mas o mais importante de todo é a adoração. Se esta ordem não for respeitada- comenta Bento XVI – mas invertida, não haverá nenhuma justiça.

PISTAS PARA REFLEXÃO: 1) Dizia um padre num de seus sermões: Ou abraçamos a pobreza ou abraçamos os pobres. Para a grande maioria a pobreza é o caldo de cultivo de suas vidas. Entendemos por pobres aqueles que devem trabalhar para poder viver. Os que não querem trabalhar não comam, dirá Paulo em 2 Ts 3,10. Então teremos que dizer: Bem-aventurados vós os pobres porque vosso é o reino. A eles devemos pregar para que não se deixem iludir pela sedução das riquezas (Mc 4, 19).
2) Os ricos têm no evangelho de hoje, um exemplo para, quando a aposentadoria da vida chegar ao termo, encontrar amigos que os recebam nas moradas eternas: fazer bom uso das riquezas. Elas não formam parte íntima do homem. Devem ser abandonadas e os ricos são meros administradores das mesmas. Um dia teremos que dar conta da administração. Assim como o administrador deu parte ou todo do que era seu para adquirir amigos, da mesma forma devemos também fazer amigos com essas riquezas que não nos pertencem, mas que administramos.
3) O que não é necessário para uma vida digna segundo nossa classe social da qual fazemos parte, pertence aos pobres. O luxo é uma afronta e um pecado. Porque esse luxo precisamente como supérfluo pertence aos necessitados e estamos roubando o que estamos esbanjando. E estamos dando um péssimo exemplo que causa inveja, esta como um vício, e não como admiração, que seria uma virtude.

EXEMPLO: Um velho avaro judeu orava deste modo: Se o Todo-poderoso, cujo santo nome seja sempre bendito, me concedesse cem mil dólares, eu daria dez mil aos pobres. Prometo que o daria. E se o Todo-poderoso –louvado seja eternamente- não confiar em mim, que deduza os dez mil e me envie os 90 mil restantes. Qual é nossa oração?


Padre Ignácio, dos padres escolápios
Buscando o bem de nossos semelhantes encontraremos o nosso. (Platão)

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