ADMINISTRADOR INCOPETENTE (LC 16, 1-13)

ADMINISTRADOR INCOMPETENTE
(Lc 16, 1-13)

INTRODUÇÃO: Mais do que a infidelidade a palavra grega diaskorpizo dignifica espalhar ou dispersar; O administrador não era um ladrão, em cujo caso seria levado aos tribunais e não despedido, sem mais. Não se aproveitou do seu cargo para se enriquecer, ou seja não foi infiel, mas um incompetente, que, irresponsável ou por negligência, não administrou de forma plausível os bens a ele encomendados. Esperava-se dele um lucro que foi inferior ao obtido. Lembra a parábola dos talentos em Mt 25, 11 ou das minas em Lc 19, 13. Traduzir por infiel predispõe a uma interpretação errônea da parábola. Mais: temos que estudar os costumes da época para saber quem eram os administradores e qual o seu ofício, e, então, entenderemos melhor o sentido da parábola e, portanto, a conclusão da mesma, que é o mais importante em todo exemplo bíblico. A conclusão da parábola é que devemos ser inteligentes para uma inversão sábia do dinheiro, mediante o uso altruísta do mesmo. A segunda parte do evangelho situa o acento na fidelidade cotidiana ao serviço de Deus e não do dinheiro. Como muitos se tornam avisados e inteligentes com os bens materiais, assim devemos optar pela mesma sabedoria, quando se trata da administração dos bens paras fins espirituais.

ADMINISTRADOR: Disse, pois, também para seus discípulos: Certo homem era rico, o qual tinha um administrador; e este foi a ele acusado como dilapidando os seus bens (1). Dicebat autem et ad discipulos suos homo quidam erat dives qui habebat vilicum et hic diffamatus est apud illum quasi dissipasset bona ipsius. A terra era, nos tempos de Jesus, a base da riqueza, de modo que os soldados romanos recebiam como prêmio após sua aposentadoria (25 anos) terras para cultivar, ou recebiam 12 anos de paga como compensação. A mão de obra era barata, constituída pelos escravos de guerra; e a maioria dos novos amos, que nada ou pouco sabiam de agricultura, deixavam suas propriedades nas mãos de administradores. Como exemplo, temos, nos tempos do Imperador Trajano, após as guerras da Dácia [Romênia ocidental], teve em suas mãos 500 mil escravos que podiam servir nos novos assentamentos dos soldados e somas consideráveis de ouro e prata. Para comemorar a conquista mandou esculpir a coluna trajana com 200m de esculturas nas quais ele mesmo saia 70 vezes. Por essa vitória, o Imperador recebeu o nome de Dácio  e os romanos tiveram 123 dias de espetáculos no anfiteatro ou coliseu. A palavra oikonomos significa um administrador-superintendente de modo que todos os problemas da casa e dos bens estivessem dirigidos a uma economia tanto de mercado como de supervisão de alimentos e criados dentro da casa. A tradução latina de villicus significa a pessoa que estava na frente de uma fazenda ou granja rural. Geralmente os administradores eram escravos de confiança ou libertos, já que um romano considerava o ofício indigno de um cidadão do império. Esperava-se dos administradores um bom rendimento dos bens a eles confiados. O pago dado ao administrador era um tanto por cento dos bens envolvidos nos negócios. Como não era permitida a usura, existia um método para burlar a lei e os fiscais. O produto vendido era quantificado com um valor superior ao real. Exatamente como hoje se acostuma fazer com os orçamentos públicos para engordar os funcionários desonestos. Em nosso caso, a competência do administrador era deficiente. O dono não estava contente e decidiu substituí-lo. Temos o exemplo de S. Calisto, Papa, que foi um escravo a quem seu dono Carpóforo, alto funcionário do palácio imperial, colocou à frente de uma banca. Calisto perdeu o dinheiro do amo e o que os cristãos lhe confiaram. Foge; mas, encontrado, é encerrado no xadrez de onde seu amo o tira reconhecendo a probidade do escravo. Calisto recobra os bens que os judeus, enganando-o, tinham maldosamente se apropriado. Os judeus se vingam denunciando-o como cristão e o Imperador Cômodo o manda para as minas da Cerdanha. Daí saiu por um edito de liberdade que Márcia, a favorita do imperador, conseguiu. De volta a Roma foi para Anzio para evitar a vingança dos judeus. O Papa Zeferino em 198 o torna seu secretário, conselheiro e administrador dos bens da Igreja, que defendeu através do artifício das catacumbas [daí a de S. Calisto] pois o novo imperador, Séptímo Severo, reconhecia as funerárias como corporações legítimas, independentemente de sua religião. Calisto foi considerado como um gênio administrador e organizador. Precisamente por ser um ex-escravo os fiéis o escolheram como Papa em lugar de Hipólito, escritor e grande de Roma;  por este último ele se rebelou, formando um partido cismático. Hipólito é por isso considerado o primeiro anti-papa. Ambos se distanciavam na doutrina, pois o rigorismo de Hipólito não perdoava os apóstatas, os adúlteros e os homicidas, e Calisto se inclinava por perdoar o pecado mas impor uma severa penitência. Calisto, assim como Hipólito, terminaram suas vidas como mártires. Calisto foi atirado de coma de uma janela e lançado ao poço da casa. É possível que este exemplo seja um bom paradigma do que aconteceu com o administrador da parábola.

PRESTAÇÃO DE CONTAS: E tendo-o chamado lhe disse: Isto ouço de ti, apresenta a conta de tua tua administração, pois não podes mais administrar(2). Et vocavit illum et ait illi quid hoc audio de te redde rationem vilicationis tuae iam enim non poteris vilicare. O dono acredita nas maledicências e pede uma prestação de contas para ver que falhas houve e como foi defraudado pelo administrador que desde esse momento está despedido.

A REFLEXÃO: Disse então para si mesmo o administrador: Que farei porque meu senhor tira a administração de mim? Cavar, não tenho força; mendigar, me envergonha(3). Ait autem vilicus intra se quid faciam quia dominus meus aufert a me vilicationem fodere non valeo mendicare erubesco. O administrador demitido pensou nas duas coisas que na época existiam como meio de sobreviver: um emprego no campo como simples camponês ou recorrer à esmola como faziam muitos cidadãos em Roma. Desde a República existia a anona ou distribuição de trigo aos necessitados. Era uma prática considerada como dever do Estado que não só protegia os setores mais desfavorecidos economicamente, mas também prevenia as revoltas sociais. Os ediles realizavam o aprovisionamento e até se encarregavam de importar o trigo suficiente para a distribuição que era vigiada pelos curatores frumenti [cuidadores do grão] de modo a corrigir os abusos. A instituição se conservou até o final do império Romano. Não sabemos se existia alguma coisa parecida na Palestina, mas parece que houve situações em que o governo distribuiu alimentos em tempo de fome, pois Herodes o Grande até vendeu seus talheres de prata para comprar trigo. O Nosso administrador ao ser revogado de seu ofício se transformava em pedinte comum.

UMA IDÉIA RADIANTE: Sei o que fazer para que quando tenha sido afastado da administração me recebam em suas casas (5). Scio quid faciam ut cum amotus fuero a vilicatione recipiant me in domos suas. Mas ele bolou um plano inteligente: tornar-se-ia cliente de seus ricos devedores. Os clientes eram as pessoas que após a salutatio de manhã recebiam o pão e a cebola para o dia ou uma cesta de comida no lugar do mesmo. Ou talvez pretendesse o cargo de administrador dos novos amigos assim ganhos à sua causa.

A REDUÇÃO DAS DÍVIDAS: Então tendo chamado um por um, cada um dos devedores de seu senhor, dizia ao primeiro: Quanto deves a meu senhor? (5). Ele então disse: Cem bats (barris) de azeite. E lhe disse: toma tu recibo e, sentado, rapidamente escreve cinquenta(6). Depois, disse a um outro: Tu, pois, quanto deves? Ele então disse: cem coros (sacos) de trigo. E lhe diz : toma tua conta e  escreve oitenta(7). At ille dixit centum cados olei dixitque illi accipe cautionem tuam et sede cito scribe quinquaginta. Deinde alio dixit tu vero quantum debes qui ait centum choros tritici ait illi accipe litteras tuas et scribe octoginta. Para isso mandou vir os que eram devedores do seu dono e da dívida retirou suas ganâncias que ele já não podia receber por ter perdido o emprego. O salário era próprio dos trabalhadores manuais. Este não era o caso dos administradores; mas existia  uma retribuição que compensasse as horas dedicadas. Um exemplo era o que sucedia com os professores ou pedagogos. Sem salário fixo, eles recebiam uma compensação porque poderiam ter trabalhado em outros ministérios e receber um salário apropriado. Eram as perdas que eram pagas e não o trabalho. O modo de proceder do administrador não era pois, um roubo, mas um estratagema bem bolado. Por isso podia ser admirado pelo seu dono, sem que pudesse ser acusado de ladrão.

AS QUANTIDADES PERDOADAS: Parece que perdoa mais ao que deve 100 bats de azeite, aproximadamente 4 mil litros; pois o bat era uma medida  de capacidade de líquidos que equivalia a 40 litros, igual a metreta latina. A medida de sólidos era o coro equivalente a 400 l de modo que os cem coros de dívida equivaliam a 40 mil litros. O perdão do azeite era de 2000l e o de trigo de 8000 l, quatro vezes mais em quantidade; mas considerando que os preços eram diferentes, temos que os 8000 l de trigo equivaliam aos 2000 l de azeite. Era provavelmente o dinheiro correspondente que o administrador deveria ganhar. Por isso o comentário do dono é só de louvor ante a perspicácia do seu antigo empregado, sem taxá-lo de ladrão. Aliás a palavra latro latina era como se designava os soldados de suas legiões pelos saques e tropelias por eles cometidos, que teve depois um significado, restrito aos que se apropriavam dos bens alheios.

O ELOGIO: E elogiou o amo o administrador da maldade, porque sagazmente atuou; já que os filhos deste século são mais sagazes que os filhos da luz dentro da linhagem dos mesmos(8). Et laudavit dominus vilicum iniquitatis quia prudenter fecisset quia filii huius saeculi prudentiores filiis lucis in generatione sua sunt. O antigo empregador comentou, elogiando, a conduta que apontou como prudente [fronimos], ou sagaz, por previdente. E nos dá a primeira conclusão da parábola, ao contemplar a sagacidade do administrador.  1a) Os filhos deste século [aion] são mais sábios que os filhos da luz em seus negócios. A palavra aion designa tempo, duração de vida, século, idade, geração. As diversas traduções como a latina dizem: os filhos deste século são mais prudentes que os filhos da luz nesta geração. A tradução da bíblia de Jerusalém: os filhos deste século são mais prudentes com sua geração do que os filhos da luz. A espanhola: Os filhos do mundo são mais sagaces em sus relaciones que los hijos da luz. Que se entende por filhos deste século, ou mundo?  A frase filhos deste século [aion] sai duas vezes em Lucas. Uma aqui e outra em Lc 20, 34. Segundo Lc 18, 30 o século [aion] é oposto ao tempo presente [kairós]. Podemos afirmar que aion significa uma etapa, uma era, um período, uma época. Os filhos desta época são os que mais tarde são descritos como os que escolheram a maimona (13). Os outros são os filhos da luz, que tem uma conotação parecida com os que descrevem os essênios como opostos aos filhos das trevas. A frase sobre a luz, como corresponde aos que estão unidos a Cristo, sai em Jo 8, 12  quando Jesus afirma que ele é a luz e quem o segue não andará nas trevas pelo contrário terá a luz da vida. Paulo fará uma distinção entre o homem psychikós [natural] e o homem pneumatikós [espiritual] que é a mesma distinção que Lucas faz neste evangelho. Com seus negócios: eiv thn genean thn eautwn [eis tën genean tën eautön ] para a geração, a de si mesmos, seria a tradução literal. A melhor das traduções é a espanhola que nos oferece um sentido inteligível e correspondente ao que Jesus queria transmitir. Temos modificado um pouco a mesma transformando relações em negócios e portanto a tradução seria: os filhos deste mundo são mais sagazes em seus negócios do que os filhos da luz (nos seus). Vemos, nesse trecho, como o administrador prepara seu futuro, fazendo amigos de modo a ter uma aposentadoria, por assim dizer, garantida. Nisto consiste sua sagacidade e previdência. Como prepara seu futuro o seguidor de Cristo? A isso dá resposta a segunda conclusão.

2a) CONCLUSÃO: Fazer amigos. E, por isso, vos digo: Fazei-vos amigos por meio da Mamona (riqueza) da iniquidade para que, quando vos eclipseis, vos recebam dentro das eternas tendas(9). Et ego vobis dico facite vobis amicos de mamona iniquitatis ut cum defeceritis recipiant vos in aeterna tabernacula Do modo como o administrador fez amigos para um futuro tranquilo, devem também os filhos da luz, seguidores de Cristo, fazer amigos para que seu futuro seja o mais seguro e ditoso possível. Devem procurar fazer amigos da riqueza [Mamona] da iniquidade [tes adikias]. A palavra mamona não é grega mas sua origem é semita. É usada no grego em singular e aparentemente indeclinável. A vulgata não traduz a palavra, a usa também em singular e a declina como da 1a declinação. As traduções das diversas línguas traduzem por riquezas  em plural ou dinheiro em singular. A mais fiel é a inglesa, que conserva o mammon. Mammon ou mamona é uma palavra de origem aramaico. Seu significado primitivo seria objeto ou pessoa em que se pode confiar. Daí que Lucas diga confiar [pistoi] em objeto de adikias [injusto ou não digno de confiança](11). Em Eclo 42, 9 significa riqueza. E no Targum se traduz por fazenda, ganância. S. Agostinho dirá que também era usado em fenício como o dinheiro de resgate de um escravo. O apelativo de iníquo é devido ao influxo contrário com que disputa o coração do homem para afastá-lo de Deus. A palavra tenda no AT é WH£‚A [ohel], que aparece já em Gn 4,20 é traduzido ao grego por skhnh <skënë e ao português por tenda. Podia também ser usada twko <[sikkuth e em plural sukkoth de onde a festa das tendas]. O ohel, skene não só tinha um significado de tenda de beduíno, mas também de palácio real como o de Davi (Is 16, 5) ou de uma tenda nupcial (2 Sm 16, 22). No NT skene sai somente 4 vezes, das quais 3 para descrever as choças que Pedro queria construir para Jesus e seus dois acompanhantes ( Mc 17, 4, Mt 9,54 e Lc 9, 33) e uma outra vez neste evangelho de hoje. João fala de monh < monë, morada, mansão ou estância] em 14, 2  e diz que há muitas delas na casa de seu Pai. O importante é que na outra vida há lugares fixos ou moradias porque as habitam os escolhidos. A moradia mais importante é o próprio corpo que ressuscitará e que será a morada da alma para sempre.

AS RIQUEZAS: Em Coélet 5, 8 lemos: A riqueza [traduzido por abundância] da terra, pertence a todos . Marcos vê nas riquezas uma sedução, um engano quase impossível de evitar (4, 18). O Coélet diz em 27, 2 Muitos pecam por amor ao lucro. Aquele que procura enriquecer-se mostra-se implacável. A expressão riquezas injustas é de Sirac 5, 8: Não confies nas riquezas injustas, porque não te servirão para nada no dia da desgraça. O grego dos setenta diz  epi chremasin adikois [Posses de iniquidade]. A palavra chremata, pois, em plural indicava riquezas. Daí provém a palavra castelhana crematística que pode ser traduzida ao português por pecuniário. A palavra adikiais [maldosas] é traduzida por mal adquiridas ou  injustas como se a causa da obtenção fosse uma injustiça social, quando, na realidade, se trata mais de riquezas enganosas, pois não podem salvar o homem na hora mais angustiosa como é a da morte. Em que sentido elas são descritas como mammona tes adikias [bens da iniquidade] por Jesus, pois aparentemente a frase é uma autêntica palavra do Mestre? São riquezas mentirosas que iludem os homens e portanto iníquas, maldosas. Basta esta mentira, que em si encerram, para titular as mesmas como riquezas iníquas. Em Marcos 4, 19 são chamadas enganosas [apate]. É delas que se servem os prudentes do reino para adquirir amigos que à semelhança dos agradecidos pela ação do administrador incompetente, receberão os seus benfeitores nas suas tendas que são as eternas.    
 
3a) DO POUCO PARA O MUITO: O fiel em mínimo, em muito é fiel; e em mínimo desonesto,  em muito é desonesto(10). Se, pois, na enganosa riqueza não fosses fiéis, no verdadeiro, quem confiará em vós? (11). E se no alheio não fosses fiéis, quem vos dará o próprio vosso?(12). Qui fidelis est in minimo et in maiori fidelis est, et qui in modico iniquus est et in maiori iniquus est. Si ergo in iniquo mamona fideles non fuistis quod verum est quis credet vobis. Et si in alieno fideles non fuistis quod vestrum est quis dabit vobis. Parece que esta sentença de quem é fiel no mínimo será fiel no muito etc. é uma frase que foi acrescentada e tomada da parábola das minas (19, 17). É uma tese para deduzir a conclusão imediata: Se não fostes fiéis quanto ao mamona iníquo quem vos dará o verdadeiro [como administradores](11)? Como vemos, existe uma oposição entre o falso e verdadeiro dinheiro; por isso a nossa tradução de enganoso da palavra adikias tem uma base real. O relativo Quem indica muito provavelmente Deus. Deus olha o comportamento atual para dar uma recompensa futura e total.  Se não fostes fiéis no alheio, quem vos dará o próprio(12)? É uma frase difícil de se interpretar. À vista do administrador da parábola que gerencia bens alheios, podemos dizer que a frase é uma reflexão sobre como a gerência de bens temporais da frase anterior determina a gerência última de bens que são inatos e acompanham sempre a pessoa, como a pele do corpo. Estes bens são evidentemente a fé e a pertença ao Reino. Somente os verdadeiros ricos, que não se deixam envolver pela sedução das riquezas, serão dignos de entrar no Reino.

MORAL DA HISTÓRIA: Nenhum criado pode servir a dois amos; ou pois um (deles) odiará e o outro amará; ou aderirá a  um e desprezará o outro: não podeis servir a Deus e a mamona(13). Nemo servus potest duobus dominis servire aut enim unum odiet et alterum diliget aut uni adherebit et alterum contemnet non potestis Deo servire et mamonae. Nenhum criado pode servir a dois senhores.(13). Jesus explica quem são esses senhores: Deus e Mamona. Todo o anterior serve para esta conclusão que é definitiva. Também Mateus nos apresenta a mesma declaração em 6, 24. O grego em ambas passagens só se diferencia porque Lucas fala de nenhum empregado devido a que é uma conclusão de uma parábola, enquanto Mateus generaliza a afirmação com o absoluto ninguém. De uma situação puramente humana e racionalmente lógica, Lucas tira uma conclusão que é absoluta em termos de contradição. Deus e as riquezas, estas sem distinção de procedência, são termos opostos. Ou servimos a Deus ou servimos às riquezas; mas as duas coisas ao mesmo tempo não são possíveis. O jesuíta alemão Alfed Delp, condenado à morte pelos nazistas, dizia: O pão é importante, a liberdade é mais importante, mas o mais importante de todo é a adoração. Se esta ordem não for respeitada- comenta Bento XVI – mas invertida, não haverá nenhuma justiça.

PISTAS PARA REFLEXÃO: 1) Dizia um padre num de seus sermões: Ou abraçamos a pobreza ou abraçamos os pobres. Para a grande maioria a pobreza é o caldo de cultivo de suas vidas. Entendemos por pobres aqueles que devem trabalhar para poder viver. Os que não querem trabalhar não comam, dirá Paulo em 2 Ts 3,10. Então teremos que dizer: Bem-aventurados vós os pobres porque vosso é o reino. A eles devemos pregar para que não se deixem iludir pela sedução das riquezas (Mc 4, 19).
2) Os ricos têm no evangelho de hoje, um exemplo para, quando a aposentadoria da vida chegar ao termo, encontrar amigos que os recebam nas moradas eternas: fazer bom uso das riquezas. Elas não formam parte íntima do homem. Devem ser abandonadas e os ricos são meros administradores das mesmas. Um dia teremos que dar conta da administração. Assim como o administrador deu parte ou todo do que era seu para adquirir amigos, da mesma forma devemos também fazer amigos com essas riquezas que não nos pertencem, mas que administramos.
3) O que não é necessário para uma vida digna segundo nossa classe social da qual fazemos parte, pertence aos pobres. O luxo é uma afronta e um pecado. Porque esse luxo precisamente como supérfluo pertence aos necessitados e estamos roubando o que estamos esbanjando. E estamos dando um péssimo exemplo que causa inveja, esta como um vício, e não como admiração, que seria uma virtude.

EXEMPLO: Um velho avaro judeu orava deste modo: Se o Todo-poderoso, cujo santo nome seja sempre bendito, me concedesse cem mil dólares, eu daria dez mil aos pobres. Prometo que o daria. E se o Todo-poderoso –louvado seja eternamente- não confiar em mim, que deduza os dez mil e me envie os 90 mil restantes. Qual é nossa oração?


Padre Ignácio, dos padres escolápios
Buscando o bem de nossos semelhantes encontraremos o nosso. (Platão)

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