AMIGO AINDA EXISTE?



Como encontrar um amigo? Será que existe? Se existir será que se encontra fácil? Afinal o que é ser realmente um amigo? O que é que nos faz sentir esta necessidade de nos relacionarmos com outras pessoas? Ora, o ser humano é intrinsecamente um ser de relação. Contudo, isto está inato no próprio homem. Ele necessita de outrem para viver, para crescer, para falar, para andar, para estudar. Por isso, na sua realidade o homem necessita de família, de namorar, de casar, de ter filhos e de ter amigos, pois a vida sem amigos é como um céu sem estrelas são eles que a iluminam.
Quando encontramos uma pessoa que confiamos e que de repente com ela criamos laços com grandes afinidades e que ao mesmo tempo se vai construindo um relacionamento sadio onde um compreende o outro nas suas fraquezas descobrindo seus limites, a isto, dar-se o nome de amizade.
O amigo é aquele que partilha com o outro a sua própria vida, ou seja, os momentos mais importantes do seu dia-a-dia tantos os alegres como os tristes. O verdadeiro amigo não se esconde do outro, mas mostra-se logo realmente como ele é. Ele se revela de modo geral, sem máscaras mostrando seu caráter, sua índole e sua conduta. O amigo verdadeiro não sente a necessidade de dominar o outro, não o humilha, o compreende, às vezes repreende o outro quando tem a certeza de que está certo. Ele nunca se exalta em relação ao outro, não mente, não enrola, mas sempre busca meios de falar a verdade, mesmo que o outro não goste. O outro por sua vez, mesmo que as vezes se sinta magoado, sabe que de certa forma o conselho lhe edificará.
Porque, hoje no mundo em que vivemos as pessoas falam que é tão difícil encontrar um amigo? Porque muitos se aproximam por um interesse, às vezes por interesses materiais, por status, por preocupação tendo como objetivo uma segurança que o outro possa lhe proporcionar. A desconfiança também faz parte deste problema que surge muitas vezes por causa da violência que cresce de forma assustadora, de um mau comportamento que o outro dentro de uma dimensão moral ou dos maus costumes muitas vezes vivenciados desde a infância. Se deve também isto as vezes por causa do uso de drogas ou a pertença da pessoa a determinado tipo de criminalidade.
Mediante isto, outro fato também muito interessante, é o surgimento de determinados comportamentos por parte de uma minoria que hoje quer propagar entre as pessoas que é o usar e descartar, fazendo do ser humano um objeto. Para algumas pessoas, hoje tudo pode ser descartado. Algumas por ignorância se deixam influenciar por essas más companhias. Terminam trazendo este costume também para o relacionamento tanto familiar como para com as amizades, implantando o novo método de descartar o outro (a pessoa).  Descarta-se o outro como se ele fosse um copo, um prato, um talher, ou seja, um objeto qualquer, onde o ser humano perde seu valor enquanto pessoa, não tendo a dignidade de ser respeitado como tal.
Mediante isto, percebemos que muitos perderam o sentido dos valores evangélicos. Parece que os valores foram invertidos. Onde fica a promoção da dignidade da pessoa humana? Hoje, muitas pessoas da nossa sociedade não querem mais vivenciar relacionamentos duradouros, e isto não só acontece entre os casais, entre os namorados, mas também se estende para as amizades. Muitos não querem mais criar vínculos de amizades fraternas, sadias, duradouras.
Muitas pessoas ficam que meios fechadas em suas casas, criam um mundinho (irreal) totalmente particular (exclusivo) só seu, onde na maioria das vezes nem conhecem os seus vizinhos. Porque será que isto acontece? Creio que seja devido à falta de confiança que se dar por conta da violência como citei a acima que se encontra nas cidades e conseqüentemente nos bairros. É falta de Deus ou as pessoas estão ficando insensíveis? É, parece que está em alta, aquele velho pensamento nosso que é tão conhecido por cada um de nós, "Cada um por si e Deus por todos".
Não! Eu não quero ser pessimista, pois eu acredito em Deus. Acredito que Ele tudo pode. Eu quero acreditar ainda na pessoa humana. Quero acreditar que ela é capaz de Deus. Quero acreditar que as pessoas ainda podem amar e partilhar o que tem de melhor como o dom da vida. Quero acreditar que ainda podemos sim, fazer amizades, que podemos encontrar não só um amigo, mas vários.
Quero acreditar que o ser humano é capaz de se relacionar revelando suas virtudes ao o próximo  fazendo-o crescer enquanto pessoa. Quero acreditar que podemos criar laços de amizades fraternas onde a caridade pode fluir como se fosse uma rosa que se abre numa roseira. Quero acreditar que algumas pessoas não buscam se aproximar do outro por interesse próprio, sem maquinação, mas, sobretudo por caridade que é afeto e amor ao próximo.



FIQUEM NA PAZ DE DEUS! 
SEMINARISTA SEVERINO DA SILVA.

ENTÃO É NATAL!




A palavra 'natal' do português já foi 'nātālis' no latim, que tem sentido de nascer. Liturgicamente estamos no tempo do Advento que significa aquele que vem, parece que nascer e aquele que vem tem algo comum, é isto mesmo, pois o propósito tanto do natal como do tempo do advento é esperar Aquele que está pra vir, Jesus Cristo Filho de Maria e de José o carpinteiro.


Particularmente nesta época do ano é fácil perceber que as pessoas ficam mais sensíveis as outras. Creio que seja devido o clima que é proporcionado tanto pela Igreja que apresenta aos cristãos através da liturgia do Advento o nascimento do menino Deus convidando-os todos a vivenciar esta expectativa de criar um mundo a partir de Deus mais fraterno, austero onde todos possam viver num clima de amor.

Outros aspectos também estão envolvidos neste clima natalino, aqui podemos lembrar  algumas dimensões que estão intrínsecas nos costumes de cada povo, como por exemplo o meio econômico, cultural e religioso. lembramos o cristianismo que dentro do âmbito da religião comove e convoca todos os cristãos espalhados pelo mundo afora a vivenciar o nascimento do menino DEUS. Até os não-cristãos vivem ou acabam deixando se envolver por este clima que o natal proporciona. É algo fenomenal. Temos por exemplo países como o Japão e a China onde o cristianismo é pouco conhecido em relação a alguns países como o nosso por exemplo. o Natal em grande parte do ocidente é celebrado no dia 25 de dezembro, na Rússia é no dia 7 de janeiro e no Japão dia 22 de novembro.

O comércio neste tempo fica meio agitado, pois se tem o costume de celebrar o Natal em casa ao redor de uma árvore enfeitada (cheia de presentes) onde as famílias se confraternizam na entrega de presentes. Para os cristãos há um sentido muito maior, pois lembra o nascimento de Jesus Cristo, o Filho de Deus que Nasceu da Virgem Maria, feito homem sem deixar de ser Deus encarnado no meio da humanidade.

Este é sem dúvida o sentido maior, lembrar Aquele que veio nos mostrar, isto é, revelar de forma plena, concreta o amor. Só Ele poderia nos mostrar o verdadeiro Amor que nasce do coração de DEUS e transborda até nós, dando a cada um de nós um sentido de viver. Só Ele poderia revelar o rosto do Pai. Só Ele poderia de forma autentica, anunciar um “Mundo Novo” definitivo, totalmente diferente deste, que nós estamos, habituados a ver.


Tempo de Natal é tempo de anunciar AQUELE QUE ESTÁ PARA NASCER, QUE ESTAR PRA VIR. É o Cristo que nasce e vem ao nosso socorro ensinando a cada um de nós a nos amarmos mais, a sermos mais amigos, mais fraternos e solidários com todos os nossos irmãos espalhados pelo o mundo afora.

Enfim, Ele nos mostrou e continua ainda a nos mostrar novos horizontes, uma perspectiva de nova vida. Então irmãos e irmãs deixemos que continue se fazendo presente dentro do nosso coração com o seu olhar fraterno, com o seu testemunho, tendo como modelo maior sua vida que foi totalmente doada (como oferenda ao Pai) por cada um de nós. Amém!

Fiquem na paz de Deus! Seminarista Severino da Silva.

O QUE É O ADVENTO?

A palavra "advento" quer dizer "que está para vir". O tempo do Advento é para toda a Igreja, a vivência do mistério de espera e preparação da vinda de Cristo. Neste tempo celebramos nas primeiras semanas a espiritualidade de espera da segunda vinda, e nas semanas mais próximas a seu fim a preparação para as solenidades de sua primeira vinda, seu nascimento. 

É Momento de forte mergulho na liturgia e na mística cristã. É tempo de espera e esperança, de estarmos atentos e vigilantes, preparando-nos alegremente para a vinda do Senhor, como uma noiva que se enfeita, se prepara para a chegada de seu noivo, seu amado. O Advento começa às vésperas do Domingo mais próximo do dia 30 de Novembro e vai até as primeiras vésperas do Natal de Jesus contando quatro domingos. 

Esse Tempo possui as duas características já citadas: As duas últimas semanas, dos dias 17 a 24 de dezembro, visam em especial, a preparação para a celebração do Natal, a primeira vinda de Jesus entre nós. Nas duas primeiras semanas, a nossa expectativa se volta para a segunda vinda definitiva e gloriosa de Jesus Cristo, Salvador e Senhor da história, no final dos tempos. Por isto, o Tempo do Advento é um tempo de piedosa e alegre expectativa. 

Origem

Há relatos de que o Advento começou a ser vivido entre os séculos IV e VII em vários lugares do mundo, como preparação para a festa do Natal. No final do século IV na Gália (atual França) e na Espanha tinha caráter ascético com jejum abstinência e duração de 6 semanas como na Quaresma (quaresma de S. Martinho). Este caráter ascético para a preparação do Natal se devia à preparação dos catecúmenos para o batismo na festa da Epifania. Somente no final do século VII, em Roma, é acrescentado o aspecto escatológico do Advento, recordando a segunda vinda do Senhor e passou a ser celebrado durante 5 domingos.

Só após a reforma litúrgica é que o Advento passou a ser celebrado nos seus dois aspectos: a vinda definitiva do Senhor e a preparação para o Natal, mantendo a tradição das 4 semanas. A Igreja entendeu que não podia celebrar a liturgia, sem levar em consideração a sua essencial dimensão escatológica. 

Teologia do Advento 

O Advento recorda a dimensão histórica da salvação, evidencia a dimensão escatológica do mistério cristão e nos insere no caráter missionário da vinda de Cristo. Ao serem aprofundados os textos litúrgicos desse tempo, constata-se na história da humanidade o mistério da vinda do Senhor. Jesus que de fato se encarna e se torna presença salvífica na história, confirmando a promessa e a aliança feita ao povo de Israel. Deus que, ao se fazer carne, plenifica o tempo (Gl 4,4) e torna próximo o Reino (Mc 1,15) . O Advento recorda também o Deus da revelação, Aquele que é, que era e que vem (Ap 1, 4-8), que está sempre realizando a salvação mas cuja consumação se cumprirá no "dia do Senhor", no final dos tempos. O caráter missionário do Advento se manifesta na Igreja pelo anúncio do Reino e a sua acolhida pelo coração do homem até a manifestação gloriosa de Cristo. As figuras de João Batista e Maria são exemplos concretos da missionariedade de cada cristão, quer preparando o caminho do Senhor, quer levando o Cristo ao irmão para o santificar. Não se pode esquecer que toda a humanidade e a criação vivem em clima de advento, de ansiosa espera da manifestação cada vez mais visível do Reino de Deus. 

A celebração do Advento é, portanto, um meio precioso e indispensável para nos ensinar sobre o mistério da salvação e assim termos a Jesus como referencia e fundamento, dispondo-nos a "perder" a vida em favor do anúncio e instalação do Reino.

Espiritualidade do advento 

A liturgia do Advento nos impulsiona a reviver alguns dos valores essenciais cristãos, como a alegria expectante e vigilante, a esperança, a pobreza, a conversão.

Deus é fiel a suas promessas: o Salvador virá; daí a alegre expectativa, que deve nesse tempo, não só ser lembrada, mas vivida, pois aquilo que se espera acontecerá com certeza. Portanto, não se está diante de algo irreal, fictício, passado, mas diante de uma realidade concreta e atual. A esperança da Igreja é a esperança de Israel já realizada em Cristo mas que só se consumará definitivamente na parusia do Senhor. Por isso, o brado da Igreja característico nesse tempo é "Marana tha"! Vem Senhor Jesus! 

O tempo do Advento é tempo de esperança porque Cristo é a nossa esperança (I Tm 1, 1); esperança na renovação de todas as coisas, na libertação das nossas misérias, pecados, fraquezas, na vida eterna, esperança que nos forma na paciência diante das dificuldades e tribulações da vida, diante das perseguições, etc. 

O Advento também é tempo propício à conversão. Sem um retorno de todo o ser a Cristo não há como viver a alegria e a esperança na expectativa da Sua vinda. É necessário que "preparemos o caminho do Senhor" nas nossas próprias vidas, "lutando até o sangue" contra o pecado, através de uma maior disposição para a oração e mergulho na Palavra. 

No Advento, precisamos nos questionar e aprofundar a vivência da pobreza. Não pobreza econômica, mas principalmente aquela que leva a confiar, se abandonar e depender inteiramente de Deus (e não dos bens terrenos), que tem n'Ele a única riqueza, a única esperança e que conduz à verdadeira humildade, mansidão e posse do Reino. 

As Figuras do Advento: 

ISAÍAS 

É o profeta que, durante os tempos difíceis do exílio do povo eleito, levava a consolação e a esperança. Na segunda parte do seu livro, dos capítulos 40 - 55 (Livro da Consolação), anuncia a libertação, fala de um novo e glorioso êxodo e da criação de uma nova Jerusalém, reanimando assim, os exilados.  As principais passagens deste livro são proclamadas durante o tempo do Advento num anúncio perene de esperança para os homens de todos os tempos. 

JOÃO BATISTA 

É o último dos profetas e segundo o próprio Jesus, "mais que um profeta", "o maior entre os que nasceram de mulher", o mensageiro que veio diante d'Ele a fim de lhe preparar o caminho, anunciando a sua vinda (conf. Lc 7, 26 - 28), pregando aos povos a conversão, pelo conhecimento da salvação e perdão dos pecados (Lc 1, 76s). 

A figura de João Batista ao ser o precursor do Senhor e aponta-lO como presença já estabelecida no meio do povo, encarna todo o espírito do Advento; por isso ele ocupa um grande espaço na liturgia desse tempo, em especial no segundo e no terceiro domingo. 

João Batista é o modelo dos que são consagrados a Deus e que, no mundo de hoje, são chamados a também ser profetas e profecias do reino, vozes no deserto e caminho que sinaliza para o Senhor, permitindo, na própria vida, o crescimento de Jesus e a diminuição de si mesmo, levando, por sua vez os homens a despertar do torpor do pecado. 

MARIA 

Não há melhor maneira de se viver o Advento que unindo-se a Maria como mãe, grávida de Jesus, esperando o seu nascimento. Assim como Deus precisou do sim de Maria, hoje, Ele também precisa do nosso sim para poder nascer e se manifestar no mundo; assim como Maria se "preparou" para o nascimento de Jesus, a começar pele renúncia e mudança de seus planos pessoais para sua vida inteira, nós precisamos nos preparar para vivenciar o Seu nascimento em nós mesmos e no mundo, também numa disposição de "Faça-se em mim segundo a sua Palavra" (Lc 1, 38), permitindo uma conversão do nosso modo de pensar, da nossa mentalidade, do nosso modo de viver, agir etc.  Em Maria encontramos se realizando, a expectativa messiânica de todo o Antigo Testamento. 

JOSÉ 

Nos textos bíblicos do Advento, se destaca José, esposo de Maria, o homem justo e humilde que aceita a missão de ser o pai adotivo de Jesus. Ao ser da descendência de Davi e pai legal de Jesus, José tem um lugar especial na encarnação, permitindo que se cumpra em Jesus o título messiânico de "Filho de Davi".  José é justo por causa de sua fé, modelo de fé dos que querem entrar em diálogo e comunhão com Deus. 


A Celebração do Advento 

O Advento deve ser celebrado com sobriedade e com discreta alegria. Não se canta o Glória, para que na festa do Natal, nos unamos aos anjos e entoemos este hino como algo novo, dando glória a Deus pela salvação que realiza no meio de nós. Pelo mesmo motivo, o diretório litúrgico da CNBB orienta que flores e instrumentos sejam usados com moderação, para que não seja antecipada a plena alegria do Natal de Jesus. 

As vestes litúrgicas (casula, estola etc) são de cor roxa, bem como o pano que recobre o ambão, como sinal de conversão em preparação para a festa do Natal com exceção do terceiro domingo do Advento, Domingo da Alegria ou Domingo Gaudete, cuja cor tradicionalmente usada é a rósea, em substituição ao roxo, para revelar a alegria da vinda do libertador que está bem próxima e se refere a segunda leitura que diz: Alegrai-vos sempre no Senhor. Repito, alegrai-vos, pois o Senhor está perto.(Fl 4, 4). 

Vários símbolos do Advento nos ajudam a mergulhar no mistério da encarnação e a vivenciar melhor este tempo. Entre eles há a coroa ou grinalda do Advento. Ela é feita de galhos sempre verdes entrelaçados, formando um círculo, no qual são colocadas 4 grandes velas representando as 4 semanas do Advento. A coroa pode ser pendurada no prebistério, colocada no canto do altar ou em qualquer outro lugar visível. A cada domingo uma vela é acesa; no 1° domingo uma, no segundo duas e assim por diante até serem acesas as 4 velas no 4° domingo.

A luz nascente indica a proximidade do Natal, quando Cristo salvador e luz do mundo brilhará para toda a humanidade, e representa também, nossa fé e nossa alegria pelo Deus que vem. O círculo sem começo e sem fim simboliza a eternidade; os ramos sempre verdes são sinais de esperança e da vida nova que Cristo trará e que não passa. A fita vermelha que enfeita a coroa representa o amor de Deus que nos envolve e a manifestação do nosso amor que espera ansioso o nascimento do Filho de Deus.

A cor roxa das velas nos convida a purificar nossos corações em preparação para acolher o Cristo que vem. A vela de cor rosa, nos chama a alegria, pois o Senhor está próximo. Os detalhes dourados prefiguram a glória do Reino que virá.  Podemos também, em nossas casas, com as nossas famílias, mergulhar no espírito do Advento celebrando-o com a ajuda da coroa do Advento ou com a Escada do Advento que pode ser colocada ao lado da mesa de refeição. 

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Assessoria Litúrgica Shalom

O QUE SÃO AS CORES LITÚRGICAS?

CORES LITÚRGICAS


Quando vamos à Igreja, notamos que o altar, o tabernáculo, o ambão e até mesmo a estola usada pelo sacerdote combinam todos com uma mesma cor. Percebemos também que, a cada semana que passa, essa cor pode variar ou permanecer a mesma. Se acontecer de, no mesmo dia, irmos a duas igrejas diferentes comprovaremos que ambas utilizam as mesmíssimas coisas. Dessa forma, concluímos que as cores possuem algum significado para a Igreja. Na verdade, a cor usada em um certo dia é válida para toda a Igreja, que obedece um mesmo calendário litúrgico. Conforme a missa do dia - indicada pelo calendário - fica estabelecida determinada cor. Mas o que simbolizam essas cores?
  1. VERDE
    Simboliza a esperança que todo cristão deve professar. Usada nas missas do Tempo Comum.
  2. BRANCO
    Simboliza a alegria cristã e o Cristo vivo. Usada nas missas de Natal, Páscoa, etc... Nas grandes solenidades, pode ser substituída pelo amarelo ou, mais especificamente, o dourado.
  3. VERMELHO
    Simboliza o fogo purificador, o sangue e o martírio. Usada nas missas de Pentecostes e santos mártires.
  4. ROXO
    Simboliza a preparação, penitência ou conversão. Usada nas missas da Quaresma e do Advento.
  5. ROSA
    Raramente usada nos dias de hoje, simboliza uma breve "pausa" na tristeza da Quaresma e na preparação do Advento.
  6. PRETO
    Também em desuso, simboliza a morte. Usada em funerais, vem sendo substituída pela cor Roxa.

ANO LITÚRGICO
A Estrutura do Ano Litúrgico

Ciclo do Natal
O Ciclo do Natal começa com o Advento, inclui o Natal propriamente dito, passa pela Epifania  e termina no dia 13/1/2002, na festa do Batismo de Jesus, após o que será iniciado a primeira semana do tempo comum.
Advento
É o ponto de partida e de chegada do Ano Litúrgico. É o tempo de expectativa diante do Cristo que irá nascer. A espiritualidade está focalizada na Esperança e Purificação da Vida. O ensinamento da Igreja Católica está direcionado para o anúncio da vinda do Messias e lembra a espera da humanidade, escrava do pecado, pelo libertador. Por isso é tempo de penitência e conversão. A cor predominante é o Roxo mas recomenda-se a  rósea no III domingo do advento. A cor rosada no altar, na mesa da palavra e nas vestes litúrgicas lembra-nos uma espera alegre, enche nossos corações de esperança e nos ajuda a distinguir  do tempo quaresmal, marcado pelo roxo de penitência. São as quatro semanas que antecedem o Natal. O advento começou no dia 2/12/01, onde foi celebrado o primeiro Domingo do Advento, seguindo-se por quatro semanas até o dia 24/12/01, à tarde, a Vigília do Natal.
Natal
Lembra o nascimento de Jesus em Belém, em que celebramos a humanidade do nosso Deus e festejamos a Salvação que entra definitivamente em nossa história. Nascimento de Nosso Senhor Jesus Cristo é comemorado no dia 25/12/00. A cor utilizada é a branca ou amarela. A festa do Natal começa com a vigília do Natal, no dia 24 de dezembro, e se prolonga até o dia 6 de janeiro de 2001.
Epifania
Celebrada no dia 06/01/02. É uma festa que lembra a manifestação de Jesus como Filho de Deus. Aqui aparecem os reis magos para mostrar que esta manifestação é a todas as nações da Terra. Além da solenidade da Epifania existem outras manifestações do Senhor celebradas no Ciclo de Natal, como, por exemplo, a festa da Apresentação do Senhor , no dia 2/2/02. É conhecida também como Festa de Nossa Senhora das Candeias . A cor predominante é também a branca.
Tempo Comum
(1ª Parte)
O início do tempo comum acontecerá na segunda-feira, 14/01/02 após o Batismo de Jesus e o término da comemoração ocorrerá na véspera da quarta-feira de cinzas, ou seja, em 12/02/02. A espiritualidade visa a esperança e escuta da palavra e o ensinamento baseia-se no anúncio do Reino de Deus. A cor usual é verde.  Lembre-se que, no período da Quaresma e da Semana Santa de 2002 a CNBB promove a tradicional Campanha da Fraternidade, cujo tema será A FRATERNIDADE E OS POVOS INDÍGENAS e o lema: POR UMA TERRA SEM MALES.
Ciclo da Páscoa
A primeira parte do Ciclo da Páscoa começará pela Quaresma, cujo  espiritualidade tem como foco a Penitência e Conversão . O ensinamento estará voltado para a Misericórdia de Deus. A segunda parte diz respeito à Páscoa propriamente dita. A Alegria de Cristo Ressuscitado constitui a espiritualidade da Páscoa. Tem-se como ensinamento a Ressurreição e vida eterna e a cor usada é a branca.
Quaresma
Começa com a quarta-feira  de cinzas, 13/02/02, e se estende até o Domingo de Ramos e da Paixão do Senhor, 24/03/01. Sendo tempo de penitência e conversão, a Igreja se exercita de maneira especial no jejum, esmola e oração; nesse período omite-se o canto do glória na eucaristia. É a preparação para a Páscoa do Senhor. Os quarenta dias da quaresma lembram a caminhada de quarenta anos do povo de Deus no deserto.  A cor usada é o Roxo; como no tempo do Natal, a cor rósea pode ser usada no quarto domingo da quaresma, representando tristeza. O ponto alto desse tempo é a Semana Santa.
Páscoa
Começa com a Ceia do Senhor na Quinta-feira Santa, 28/03/02. Neste dia é celebrada a instituição da Eucaristia e do sacerdócio. A cor utilizada é a branca, que representa a ressurreição, vitória, pureza e alegria; é a cor dos batizados. Pela manhã, acontece a missa do crisma, que reúne todos os padres da (arqui)diocese em torno do bispo. Na sexta-feira, 29/03/02, celebra-se a paixão e a morte de Jesus sendo que a cor utilizada é a vermelha. É o único dia do ano que não tem missa em nossas igrejas. Acontece apenas uma Celebração da Palavra. No sábado acontece a solene Vigília Pascal. Este é o tríduo  pascal que prepara o ponto máximo da páscoa: o domingo da ressurreição. A palavra páscoa significa passagem. Para nós, cristãos, é a passagem do pecado e da morte para a graça e para a vida. A Festa da Páscoa não se restringe ao Domingo da Ressurreição. Ela se estende até a Festa de Pentecostes, 19/05/02.
Pentecostes
É celebrado no dia 19/05/02,  50 dias após a Páscoa. Jesus ressuscitado volta ao Pai e nos envia o Paráclito. É o Espírito Santo que anima a Igreja na caminhada em direção à casa do Pai. A cor utilizada é a vermelha que lembra o fogo do Espírito Santo. Ele nos dá força para testemunhar a verdade e nos socorre com seus dons.
Tempo Comum
(2ª Parte)
Na segunda-feira, 20/05/02, após o Pentecostes, será iniciada segunda parte do Tempo Comum, cujo término só ocorrerá na véspera do primeiro domingo do Advento, 01/12/02. A vivência do Reino de Deus é o tema da espiritualidade e o ensinamento esta voltado para a assertiva de que os cristãos são o sinal do Reino de Deus. A cor a ser utilizada será a verde.

FIQUEM NA PAZ DE DEUS! SEMINARISTA SEVERINO DA SILVA SOUZA.








BREVE COMENTÁRIO ACERCA DA PRESENÇA DE DEUS NO MEIO DE SEU POVO


            Nós bem sabemos que Deus sempre chamou seu povo eleito (ISRAEL) à conversão. Isso, de fato é provado na bíblia já que a mesma relata toda a história da salvação do povo de Deus. Vemos na bíblia que Deus sempre está ao lado de seu povo: nas provações, nas crises, nas guerras, nos exílios, ou seja, nos momentos mais difíceis.
            Dentro desta economia da salvação Deus escolheu sempre homens (profetas) para guiar o seu povo. Estes homens eram que conduzidos pelo Espírito de Deus para que de forma sábia pudesse atender as necessitados do povo. Aqui podemos lembrar alguns mais conhecidos presentes no Primeiro Testamento como: Moisés, Josué, Jeremias, Ezequiel, Isaías, Samuel e tantos outros.
            Já no Segundo Testamento vemos a encarnação do Verbo de Deus (Jesus Cristo a segunda Pessoa da Santíssima Trindade) nascido de uma mulher submetido a lei (Gl. 4, 4). Jesus Cristo é apresentado principalmente pelos os evangelistas; Mateus, Marcos, Lucas e João como o Filho de Deus, aquele que era tão esperado pelo povo de Israel (Messias) como o grande libertador que viria salvar a todos de seus pecados.
            De fato, Jesus realizou vários prodígios no meio do povo, curando a muitos. Chamou para o seu convívio doze discípulos que receberam o nome de Apóstolos. Só Mateus (10, 1-4), Marcos (3, 13-19) e Lucas (6, 12-16) relatam a escolha dos doze. Jesus “subiu a montanha e chamou os que Ele quis” diz o evangelista Marcos (3, 13). Entre eles foram: Simão = mais que mais tarde se chamaria Pedro, Tiago e João = filhos de Zebedeu, André, Filipe, Bartolomeu, Mateus, Tomé, Tiago = filho de Alfeu, Tadeu, Simão = o zelador e Judas Iscariotes = o traidor.
            Jesus apresentou um projeto do qual muitos não esperavam. Um projeto diferente do qual o povo como também os sacerdotes da época como alguns Fariseus e escribas (Doutores da Lei) não estavam habituados a escutar. Ora, Jesus curou no dia de sábado isso para eles era uma agressão a lei, se aproximou de pecadores e até comia com eles na mesma mesa, curou leprosos, curou paralíticos, perdoou a mulher adultera, onde segundo os costumes religiosos de Israel só Deus tinha poder de perdoar pecados.
            Mediante isto, vemos que Jesus ultrapassa certas ideologias tendo em vista sempre o bem estar do próximo. Ele não exclui e não abandona não deixando a mercê os seus irmãos que sofrem, mas se compadece com seus sofrimentos. Ele se torna uma pessoa influente em todo Israel e principalmente na cidade de Jerusalém. As autoridades começam a vê-lo como um subversivo (agitador do povo) e planejam pegá-lo em algum erro. As mesmas autoridades religiosas o perseguem e planeja a sua morte. Segundo eles Jesus Cristo é uma ameaça aos princípios doutrinários da religião judaica. 
            Ora, analisando bem os evangelistas que mencionamos acima, nós podemos perceber que a morte de Jesus Cristo não só se dar por questões religiosas, mas políticas e econômicas também. Eles o mataram de morte de cruz. Os seus discípulos fugiram (abandonaram o mestre) com medo também da morte. Ora, eles ainda não tinham o reconhecido verdadeiramente como o Messias (o Filho de Deus). Na verdade esta grande experiência com Jesus se dará de fato é na sua ressurreição. É na ressurreição que se inicia de forma autentica o processo de conversão dos principais seguidores de Jesus (os Apóstolos).
            Entre os Apóstolos Pedro é o que se destaca tornando-se o grande protagonista principalmente depois da ressurreição de Jesus. Vale apena salientar que antes da ressurreição de Jesus Pedro é apresentado por João (18, 13-27) como aquele que negou conhecer Jesus Cristo. Mas, tanto no evangelho de Mateus como no de João vemos fortes indícios de sua liderança no grupo dos Apóstolos. Em Mateus, vemos que é Jesus que o escolhe para edificar a Igreja (16, 16). Enquanto, em João (6, 67-69) vemos Pedro tomando postura de líder, quando o mesmo Cristo pergunta ao grupo que quem entre eles estar decidido a deixar o grupo. A resposta de Pedro é concisa. Ele diz: “Senhor, a quem iremos? Tens palavras de vida eterna e nós cremos e reconhecemos que és o Santo de Deus”.
            A culminação (o ponto mais forte) da liderança de Pedro se dar depois de Pentecostes (Atos dos Apóstolos 2, 14): “Homens da Judéia e todos vós, habitantes de Jerusalém, tomai conhecimento disto e prestai ouvidos às minhas palavras”. Entre os doze, Pedro toma a iniciativa de pregar pela primeira o nome de Jesus, ou seja, o evangelho da salvação aos homens da Judéia e muitos que habitavam em Jerusalém. “Arrependei-vos, e cada um de vós seja batizado em nome de Jesus Cristo para a remissão dos vossos pecados” (Atos 2, 38a).
            A experiência que os Apóstolos têm com a pessoa de Jesus Cristo é profundamente marcante, porque o Cristo se apresenta como o Senhor, eles não o viram, Ele que se fez ver. A aparição em si não tem conteúdo ela toma sentido a partir daqueles que acreditam na Ressurreição do mestre. Podemos entender que a aparição de Jesus é um processo de conversão dos Apóstolos e as mulheres que com eles estavam como um acolhimento mais profundo a tudo que Jesus Cristo lhes ensinou.
            A conversão consiste em ver. Ver Jesus significa vê-lo com um olhar Cristológico. Ele é Deus, Filho do Pai, o Messias tão esperado. Todo o Jesus histórico na realidade é um processo de conversão. Páscoa é uma conversão plena começou quando Jesus disse: “vem e segue-me”. Para João os discípulos começaram a acreditar na ressurreição de Jesus desde o capítulo 2. Enquanto que para Marcos ninguém acredita, nem homem ou mulher. No entanto, seja em Mateus ou João ambos nos ajudam a entender o processo das aparições.
            O fato da ressurreição de Jesus e sua aparição são apresentados melhor por João (20,1-18). Vemos que é a uma mulher chamada Maria Madalena que descobre por primeiro que seu corpo não está no sepulcro onde também mais tarde é a ela que Jesus Cristo aparece por primeiro. Ora, na cultura hebraica a palavra da mulher não tinha valor, logo se todos acreditaram numa mulher é porque ela tinha razão na sua afirmação. A partir do sepulcro vazio as comunidades começaram a fazer catequese. A morte não rompe mais a comunicação com o Ressuscitado.
            Por fim, quando Jesus aparece em João Ele diz: “a paz esteja convosco” (20, 21).  A paz de Jesus é diferente da paz que existe no mundo. A vida cristã consiste sempre em converter-se ao evangelho (palavra de Deus). Logo, Deus sempre esperará de nós uma conversão.

POSTADO POR SEVERINO DA SILVA.

O PATRIOTA: FILME PROTAGONIZADO POR MEL GBISON


            Certamente é um filme que impressiona pela estrutura que foi montada para dar um vista de perfeição ao telespectador. O tema abordado era a guerra entre os Estados Unidos e o exército dos Ingleses que era muito superior, porém não tão desejosos de liberdade como os americanos. Não devemos nos esquecer dos nossos posicionamentos críticos, logo podemos afirmar com clareza que no desenrolar do filme acontece é claro bastantes senas de ficção, mas uma coisa é certa o tema que foi abordado no filme é o que nos interessa.
            A causa da guerra é a busca pela liberdade norte-americana e neste caso vemos o sonho tão almejado por parte dos americanos tornar-se realidade. O desejo de liberdade é algo que está intrínseco no coração do homem. O homem anseia por liberdade e este quando não consegue vivenciá-la se sente o pior dos homens, se sente humilhado (escravizado). O desejo dos americanos de alcançar dias melhores, ou seja, de libertar-se da coroa britânica parecia distante.
            Os estados naquela época chamados de colônias passavam por grandes tribulações, conflitos e guerras. Eles não queriam mais se sentir subordinados e escravizados pelos ingleses, no filme fica claro esta realidade. Nisto encontramos a personagem principal, Benjamin Martin (Mel Gbson) é um herói do violento conflito entre Estados Unidos da América e Inglaterra. Ex-herói de guerra, viúvo e com sete filhos, desde o término da guerra ele renunciou a luta e resolveu viver em paz numa fazenda com sua família.
            Em 1775 se inicia a guerra que pode dar à independência política aos Estados Unidos da América e ele é chamado para combater, porém se recusa. Entretanto, quando o exército britânico invade sua fazenda e mata um de seus filhos, Martin muda de atitude e se apresenta para o combate em busca da vingança pela sua morte. No decorrer dos combates a guerra se torna mais do que uma vingança para ele, torna-se um dever patriótico.
            Benjamin Martin (Mel Gibson) mesmo sendo um herói de um violento conflito no passado se recusa a lutar e busca viver em paz com sua família. Mas quando os ingleses levam a guerra da independência americana para dentro de sua casa, Benjamin não vê outra saída a não ser pegar nas armas novamente, desta vez acompanhado por seu filho idealista (Heath Ledger) e lidera uma brava rebelião em uma batalha contra o implacável e equipado exército britânico. Neste processo ele descobre que o único meio de proteger sua família é lutando pela liberdade da jovem nação.
            Os colonos tinham força de vontade, mas interesses divergentes e falta de organização. Das colônias do sul, só a Virgínia agia com decisão. Os britânicos do Canadá permaneceram fiéis ao Reino Unido da Grã-Bretanha e Irlanda. Os voluntários do exército, alistados por um ano, volta e meia abandonavam a luta para cuidar de seus afazeres. Os oficiais, geralmente estrangeiros, não estavam ou não queriam envolver-se diretamente no conflito.
            Os ingleses, lutando a 5.500 km de casa, enfrentaram problemas de carência de provisões, comando desunido, comunicação lenta, população hostil e falta de experiência em combater táticas de guerrilha. A Aliança Francesa com os Estados unidos (1778) mudou a natureza da guerra, apesar de ter dado uma ajuda apenas modesta; a Inglaterra, a partir de então, passou a se concentrar nas disputas por territórios na Europa e nas Índias Ocidentais e Orientais. Apesar das frequentes vitórias, os ingleses não conseguiam destruir por completo os exércitos de Washington ou de Green e não conseguiram quebrar a resistência norte-americana.         
            O filme se desenrola no período dessa guerra iniciada pelas treze colônias estadunidenses insatisfeitas com as imposições econômicas da metrópole inglesa. Tal insatisfação partia da burguesia colonial que se via pressionada após a Guerra dos sete anos. Dessa forma, era verossímil que um fazendeiro como Benjamim Martin se recusasse, a princípio, a participar de uma guerra que não lhe atingia diretamente.
            Por fim, o filme é repleto de detalhes históricos envoltos por uma história fictícia como disse no início para dar corpo a fatos importantes da história estadunidense dos Estados Unidos da América. Ao fim dessa guerra vitoriosa, os Estados Unidos se tornaram a primeira nação das Américas a ser independente política e economicamente e a terem uma constituição própria. Mais tarde, em 1812 e 1815, ocorreu uma nova guerra entre os Estados Unidos e a Inglaterra. Essa guerra consolidou de um vez por toda a Independência Norte-americana.

POSTADO POR SEVERINO DA SILVA.

O QUE É ESPIRITUALIDADE CRISTÃ?

         Quando uma pessoa nasce de novo, ela recebe o Espírito Santo, o qual sela o crente para o dia da redenção (Efésios 1:13; 4:30). Jesus prometeu que o Espírito Santo nos guiaria “a toda verdade” (João 16:13). Parte da verdade a qual o Espírito nos guia é aprender as coisas de Deus e aplicá-las em nossas vidas. O crente então faz a escolha de deixar com que o Espírito o controle ou não. Espiritualidade Cristã é baseada em quanto aquele que é nascido de novo permite que o Espírito Santo lidere e controle sua vida.
O Apóstolo Paulo diz aos crentes para serem “cheios” do Espírito Santo. “E não vos embriagueis com vinho, no qual há dissolução, mas enchei-vos do Espírito” (Efésios 5:18). O tempo verbal nessa passagem é continuo e significa, portanto, “continue sendo cheio do Espírito Santo”. Ser cheio do Espírito significa deixar o Espírito Santo nos controlar, ao invés de ceder aos desejos da nossa natureza carnal. Na passagem acima, uma comparação está sendo feita. Quando alguém é controlado pelo vinho, eles estão bêbados e exibem certas características, tais como mudança no falar, andar instável, falta de capacidade para fazer decisões.
Assim como você pode ver quando alguém está bêbado por causa das características que demonstra, assim também você pode ver quando aquele que é nascido de novo está sendo controlado pelo Espírito, porque ele assim demonstra pelas suas características. Achamos a lista dessas características em Gálatas 5:22-23, onde são chamadas de “fruto do Espírito”. Isso é o caráter Cristão, produzido pelo Espírito quando Ele trabalha no e através do crente. Esse caráter não é produzido por esforço próprio. Aquele que é nascido de novo e controlado pelo Espírito Santo vai exibir um falar sadio, uma caminhada espiritual consistente e uma capacidade de fazer decisões baseada na Palavra de Deus.
Portanto, espiritualidade Cristã é uma escolha que fazemos para “conhecer e crescer” no nosso relacionamento diário com o senhor Jesus Cristo ao submeter-nos ao ministério do Espírito Santo em nossas vidas. Isso significa que, como Cristãos, fazemos a escolha de manter uma comunicação com o Espírito que é aberta e limpa através de confissão (1 João 1:9). Quando entristecemos o Espírito através de pecado (Efésios 4:30; 1 João 1:5-8), nós levantamos uma barreira entre nós e Deus.
Quando nos submetemos ao ministério do Espírito, nosso relacionamento não é apagado (1 Tessalonicenses 5:19). Espiritualidade Cristã é ter uma consciência da comunhão com o Espírito de Cristo que não é interrompida por carnalidade ou pelo pecado. Portanto, um Cristão espiritual é aquele que nasceu de novo e faz uma escolha contínua e consistente de se entregar ao ministério do Espírito Santo.

O DOGMA DA VIRGINDADE DE MARIA

Rodrigo Assis Rosa, OMV

1. INTRODUÇÃO
Todos nós estamos habituados a falar da mãe de Jesus como “A Virgem Maria”. Ela é invocada com esse nome em ambientes cristão-católicos e, pelo menos aqui no Brasil, por boa parte da população, ainda que inconscientemente. Alguns estudos da língua portuguesa mostram a influência da invocação à “Virgem Maria” em expressões comuns da linguagem, por exemplo, o popular “Víxi Maria”1. Contudo, falar da virgindade perpétua de Maria não é uma tarefa muito simples aos ouvidos modernos.
O teólogo C. I. Gonzáles nos lembra que “o fato de Maria ter concebido virginalmente em seu seio o Filho de Deus e ter permanecido virgem até o fim de sua vida em total entrega ao serviço da obra messiânica de seu Filho é uma verdade que pertence à integridade da confissão de nossa fé cristã”2 . E por “integridade” considera: 1) que essa verdade não é fundamental, mas está a serviço de outra mais alta: a encarnação do Filho de Deus; 2) que essa verdade não pode ser prescindida da confissão de fé sem o risco de não sermos fiéis à totalidade do mistério salvífico de Deus para com a humanidade.
Contudo, se já é difícil para nossa cultura confessar integralmente o conteúdo da fé cristã, quanto mais difícil será a aceitação desse dogma mariano em particular. Vejamos algumas razões para as dificuldades em explicar a virgindade de Maria:

a) A supervalorização das ciências impede pensar qualquer intervenção gratuita e livre de Deus na história real. Essa dificuldade não é estritamente mariológica, mas afeta todo o campo da história da salvação. Com o avanço das pesquisas científicas, o ser humano parece ter a pretensão de ter alcançado as chaves de explicação dos mistérios do universo e da própria salvação.
b) Com a afirmação desse dogma, a Igreja é acusada de menosprezar a dignidade do matrimônio.
c) Não só o matrimonio é colocado em questão. Para outros, que consideram a sexualidade uma dimensão importante da existência, “soa como se a Igreja tivesse criado o dogma para manter a repressão sexual3.
d) Há ainda a desvalorização da castidade e da virgindade numa cultura que considera o sexo como valor indiscutível e produto do mercado.
e) O movimento influenciado pela teologia liberal do século passado também contribuiu para essa desconfiança, uma vez que procurou reduzir a mensagem bíblica aos mitos e expressões literárias dos povos antigos, como os gregos, os egípcios e as religiões médio-orientais. Para esse movimento “a verdade” está, sobretudo na mensagem que os escritores bíblicos tentaram transmitir, e não no fato narrado em si.
f) Há ainda aqueles que viram na concepção virginal de Jesus a “expressão simbólica de uma verdade transcendente”4 . A historicidade da afirmação de fé não é negada, mas considerada secundária.
Diante desse quadro de desconfiança, que vai desde a cultura moderna que valoriza o sexo como produto do mercado, passando pela crítica científica e chegando inclusive a alguns ambientes da teologia e da pastoral, não é sem importância perguntar: o dogma da virgindade de Maria tem alguma coisa a dizer aos homens e mulheres de hoje? Se conseguirmos apontar alguns caminhos para responder afirmativamente a essa questão, então teremos alcançado o objetivo deste trabalho.

2. A VIRGINDADE DE MARIA NA ESCRITURA
A conceição virginal de Jesus não é um fato tranqüilamente aceito pelos biblistas. “Os textos do NT que falam diretamente de Maria são escassos e controvertidos do ponto de vista exegético”5. O texto de Paulo que se refere ao nascimento de Jesus (“nascido de mulher” - Gl 4,4) não contêm uma referência explicita ao tema da virgindade. Marcos refere-se a Jesus como “o filho de Maria” (Mc 6,3). O Evangelho segundo João traz em 1,13 uma expressão complicada: “eles, que não foram gerados nem do sangue, nem de uma vontade da carne, nem de uma vontade do homem, mas de Deus”. A leitura no singular nos leva a pensar em Jesus, nascido segundo Deus. Contudo a Bíblia de Jerusalém nos mostra em nota que “a leitura no plural é atestada pela maioria dos manuscritos gregos”6.
As afirmações diretas sobre a virgindade de Maria cabem a Mateus e Lucas. Mt 1,18 diz que Maria, antes de coabitar com José, “achou-se grávida pelo Espírito Santo”. No versículo 25 afirma ainda que José “não a conheceu até o dia em que ela deu à Luz um filho”7. Também em Lucas a concepção virginal é envolta no mistério do Espírito Santo. À Maria, que não conhece homem algum (cf 1,34) é anunciado: “O Espírito Santo virá sobre ti e o poder do Altíssimo vai te cobrir com a sua sombra; por isso o Santo que nascer será chamado Filho de Deus” (1,35).
O que podemos afirmar dessas narrações evangélicas? Segundo A. Murad, “embora tenham muitos elementos simbólicos, os evangelhos da infância de Jesus (Mt 1-2 e Lc 1-2) não são lendas ou mitos, mas uma reflexão que parte de acontecimentos verdadeiros. A concepção virginal não seria uma invenção piedosa, mas algo real em que a comunidade cristã crê”8.
Da mesma forma argumenta L. Boff, segundo o qual tanto Mateus como Lucas partem da fé da comunidade. Sua intenção com relação às narrativas evangélicas é preponderantemente teológica, ou melhor, cristológicas: “querem enfatizar uma relação única de Jesus (sua existência e seu destino) para com Deus e visam enfatizar o novo começo da humanidade iniciado com Ele”9. Mas seria esse o único objetivo dos autores sagrados? Segundo o teólogo, a resposta é não.
“Tanto Lucas como Mateus não fazem especulações sobre a virgindade de Maria. Tomam-na como um pressuposto, um fato aceito sem discussão, servindo de ocasião para fazerem uma reflexão cristológica. Os texto de Mt 1,18 e Lc 1,35 que se referem à conceição virginal de Jesus, diretamente, apontam para Jesus, mas, indiretamente, apontam também para Maria”10.
Por fim, a contribuição de das teólogas I. Gebara e M. C. Bingemer sobre os dados do NT:
“Com toda a certeza os Evangelhos não querem nos dar uma detalhada descrição para saciar nossa curiosidade malsã, sobre as particularidades genéticas e biológicas que cercaram a concepção e o nascimento de Jesus. Querem, sim, em consonância com todo o conjunto de seus relatos, nos pôr diante dos olhos um sinal que interpela nossa fé, escapando à nossa compreensão. Sinal esse que, assim como os milagres que Jesus realizava quando andava pelo mundo, não têm sua medida em si mesmo, mas aponta para algo maior, para as maravilhas que Deus opera em favor daqueles e daquelas que ama”11.
Assim os testemunhos da fé em favor da virgindade de Maria no NT ganham clareza, a não ser rebaixando-os ao plano do mito, como o fazem os “desmitologizadores” modernizantes12. É com tal clareza que a Tradição eclesial do período pós-apostólico toma o dado bíblico para proclamar a sua doutrina sobre a virgindade de Maria.

3. A VIRGINDADE DE MARIA NA TRADIÇÃO DA IGREJA E A FORMULAÇÃO DO DOGMA
É confissão de fé de toda a Igreja, testemunhada pelos Padres sem exceção, a doutrina revelada pela Palavra de Deus segundo a qual Jesus foi concebido pelo Espírito Santo no seio da virgem Maria, e por isso mesmo pertence ao depósito da fé13. Contudo, é preciso uma observação prévia. O Vaticano segundo nos fala de uma “hierarquia das verdades” (UR 11). Assim, é preciso primeiro perguntar, no que concerne à doutrina da virgindade de Maria,
“pelos diferentes graus de comprometimento de uma reflexão teológica que, em termos formais, deveria ser medida em sua fundamentação nos escritos bíblicos e na expressividade de seu testemunho nos documentos da tradição doutrinária da Igreja, e, sob a perspectiva de seu conteúdo, em sua importância para a confissão das centrais convicções de fé”14.
Tendo em vista esse contexto, é importante perceber que nem a pergunta pela virgindade de Maria antes do parto, nem a pergunta pela virgindade no parto ou depois do parto foi objeto de uma definição magisterial direta por parte de um concílio ecumênico de toda a Igreja. “Manifestações nesse sentido aparecem, muito antes, de modo acidental, em texto conciliares ou sinodais, ou são – como se deveria constatar sobretudo com vistas à pergunta por um nascimento extraordinário de Jesus, no qual a virgindade de Maria foi preservada intacta – (apenas) doutrina de um concílio particular”15, a saber, o sínodo de Latrão, de 64916. Esse fato atesta que os teólogos da Igreja antiga, em seu empenho pela formação da confissão de fé da Igreja nascente, se referiram à linguagem e a enunciados bíblicos, nos quais a maternidade virginal de Maria está claramente testemunhada, como vimos acima.
A elaboração teológica dos primeiros séculos avança gradualmente no sentido de consolidar a aquisição teológica da virgindade de Maria. Enquanto o Símbolo de Nicéia (325) ainda confessa, sem especificação a “encarnação e humanação do Filho de Deus”, já o Credo de Constantinopla (381) amplia o enunciado e formula que o Logos “encarnou-se, pelo Espírito Santo, na Virgem Maria”17. O concílio de Éfeso decreta que Maria deve ser chamada de “progenitora (theotokos) de Deus”, visto que “a santa virgem” teria “gerado segundo a carne a Palavra que vem de Deus e se fez carne”18. Em Calcedônia (451) temos a seguinte afirmação:
“Ensinamos todos unanimemente que nosso Senhor Jesus Cristo, perfeito na divindade, perfeito na humanidade, Deus verdadeiro e homem verdadeiro; (...) gerado pelo Pai segundo a divindade antes de todos os séculos, nos últimos dias por nós, os homens, e por nossa salvação (foi gerado) da Virgem Maria, Mãe de Deus, no que diz respeito a sua humanidade”19.
Já o Concílio Constantinopolitano II (553) introduz a referência explícita à virgindade perpétua: “Encarnou-se da gloriosa Theotókos e sempre virgem Maria”20. Com maior clareza ainda formula depois um cânone do Sínodo de Latrão, de 649, citado acima:
“Quem não confessa, de acordo com os santos padres, no sentido genuíno e verdadeiro, a santa, permanente virgem e imaculada Maria como progenitora de Deus, visto que concebeu e deu à luz, de modo incólume, nos últimos tempos, sem sêmen, do Espírito Santo, no sentido genuíno e verdadeiro, ao próprio Deus, a Palavra, nascida, antes de todos os tempos, de Deus, o Pai, sendo que sua virgindade também permaneceu incólume depois de seu nascimento, seja anátema” 21.
Por fim, a Constituição Cum quorumdam hominum, de Paulo IV, em que condena a heresia dos unitários (antitrinitários) e socinianos (7 de agosto de 1555):
“Nós, com a autoridade apostólica e de parte de Deus onipotente, Pai, Filho e Espírito Santo, requeremos e admoestamos aqueles que afirmaram (...) que nosso Senhor não é o verdadeiro Deus e da mesma substância em tudo igual ao Pai e ao Espírito Santo; ou que não fosse concebido segundo a carne no útero da beatíssima e sempre virgem Maria, pelo Espírito Santo, mas que nasceu do sêmem de José como todo ser humano; (...) ou que a mesma beatíssima Virgem Maria não permaneceu sempre na integridade virginal, antes, durante e depois do parto”22 .
Pelo que vimos, o desenvolvimento teológico da mariologia patrística percorre uma trajetória incialmente determinada mais por motivos cristológico-histórico-salvíficos, até um interesse expresso na pessoa e no destino da própria Maria. Por uma voz mais autorizada, concluímos essa seção:
“Influenciado pela veneração de mártires e santos, que assumia paulatinamente formas litúrgicas definidas, e sob a influência de tendências ascéticas, o artigo de fé “nascido da Virgem Maria”, que, originariamente, tematizou sobretudo a conceição do Filho de Deus do Espírito Santo, se transformou, em termos de conteúdo, em discurso da virgindade de Maria antes, durante e depois do nascimento de Jesus (virginitas ante partum, in partu, post partum). Enquanto o título theotokos (progenitora de Deus) ainda se encontra no contexto da discussão cristológica, a designação de Maria como a aeiparthenos (sempre virgem) reflete a situação modificada” 23.

4. SENTIDO TEOLÓGICO E ANTROPOLÓGICO DA VIRGINDADE
Ao tentarmos encontrar um sentido teológico e antropológico da virgindade é preciso sempre tentar recuperar o seu “sentido originário”, ou seja, o sentido dado pela “Maria dos Evangelhos”, uma vez que – vimos – há grandes dificuldades para se compreender e aceitar a virgindade como valor nos dias hodiernos.
A primeira distinção a ser feita aqui é entre a “virgindade fecunda” de Maria, ou seja, o fato de Ela, permanecendo virgem, conceber e dar à luz, e o carisma-opção da virgindade, entendida como estado de vida24. O dogma mariano naturalmente se encontra na primeira afirmação, ainda que essa experiência de Maria tenha inspirado um grande número de discípulos a seguir seu exemplo, assumindo a virgindade como estado de vida.
Ligada a isso está a diferenciação de uma virgindade vivida como “virtude moral”. Para o estoicismo, a virgindade era o meio para o homem alcançar um controle perfeito das próprias emoções e desejos da alma sobre o corpo. Assim, livre das paixões carnais, elevar-se até a divindade. Esse modo de viver a virgindade “pode articular um grande ideal bem como ocultar uma soberba que rebaixa as raízes corporais do homem”25.
Há ainda a virgindade entendida a partir do culto. As vestais da tradição greco-romana “deviam servir à sua deusa Vesta pelo menos 30 anos após a sua consagração, em perfeita virgindade”26. Essa virgens tinham, ademais, um status dos mais prestigiosos: “Elas prestavam ao Estado o serviço considerado como o mais elevado: manter sempre aceso o fogo sagrado, símbolo vivo da grande família pátria, renovando-o em todo 1º. de março, início do novo ano”27.

4.1 Virgindade como dom de si a Deus
A virgindade de Maria diferencia-se radicalmente dessas três concepções acima enumeradas: a virgindade entendida como estado de vida, virtude moral e serviço cúltico. Para entendê-la, há que situar sua virgindade no ambiente do judaísmo do AT, do qual Maria é filha dileta. Nesse mundo cultural, a virgindade é vista como maldição para toda mulher. A esterilidade provocava o desprezo da comunidade e era sinal de que Deus não estava com aquela mulher (cf. Jz 11,37-40). É impensável a algum judeu (ou judaíta) de verdade, seja mulher ou homem, que viva nesse mundo cultural assumir um voto celibatário. Os que assim, como Jeremias, o fizeram, foi como sinal profético de denúncia e desolação para o povo (cf. Jr 16,1-4).
Por isso a virgindade de Maria se faz empobrecimento desprezado pelos seus contemporâneos. Maria não canta sua virgindade, mas as grandes coisas que o Senhor fez nela (cf. Lc 1,59). “A virgindade biológica de Maria pertence à estrutura da kénose (humilhação) da qual participou também seu Filho. Não supõe nenhum valor proclamado pela sociedade e pela religião. Maria fez desta sua situação de “baixeza” caminho de humildade, de serena entrega e de confiança ilimitada em Deus. Na pretende nada. Apenas coloca-se na total disponibilidade. Foi esta atitude que permitiu Deus nascer em Maria, primeiro em seu coração, depois em seu seio puríssimo”28. Do que foi dito percebemos que a virgindade de Maria não possuía nenhum valor em si. Era meio para que a vontade de Deus se pudesse realizar em sua vida e na vida de seu povo.

4.2 Virgindade como Nova Criação
À pergunta sobre a necessidade de Deus escolher nascer de uma virgem para realizar o seu plano salvífico, algumas respostas são evocadas e precisam de uma consideração clara.
A primeira consideração é que não há nenhuma necessidade a priori para Jesus não ter nascido de pai biológico. Essa posição é defendida, por exemplo, por Joseph Ratzinger, segundo o qual “a condição de Jesus como Filho de Deus (...) não (se baseia), de acordo com a fé da Igreja, no fato de Jesus não ter conhecido pai biológico; a doutrina da divindade de Jesus não seria atingida, se Jesus tivesse nascido de um matrimônio humano normal. Pois a condição de Filho de Deus, da qual fala a fé, não é um fato biológico, e, sim, ontológico”29. Assim sendo, o nascimento virginal em termos fisiológico-biológicos (no sentido da ausência do esperma masculino) não é nenhuma necessidade indispensável para a confissão de fé em Jesus como verdadeiro Filho de Deus.
Também não há nenhuma visão negativa para com o sexo. Antes, a procriação era sinal de benção para o judaísmo, ao contrário da virgindade, vista como esterilidade maldita.
Uma terceira razão sobre o qual nos alerta L. Boff é a de que “devemos abandonar definitivamente a concepção de muitos santos Padres que achavam ser o nascimento virginal de Jesus uma condição necessária para não ser contaminado pelo pecado original”30. Com o avanço da crítica literária e histórica o fator biológico do pecado original não mais se sustenta hoje.
Assim, as razões para a concepção virginal devem ser buscadas na cristologia além da mariologia: com essa criança, com Jesus de Nazaré, o próprio Deus estabelece um novo início salvífico na história da humanidade. Um novo começo da graça salvífica, que independe da ação humana, mas se deve somente à iniciativa de Deus, a seu Espírito criador. E nas palavras de L. Boff: “A virgindade biológica de Maria está a serviço da realização deste desígnio divino que, somente após a sua realização, se torna de certa forma compreensível na fé (...). O biológico é suporte, expressão e sinal de outra realidade: a eclosão de uma nova humanidade. A virgindade, como transparece, não está a serviço de sua própria exaltação, mas totalmente a serviço de Cristo e de seu significado universal”31.

4.3 Virgindade de Maria como modelo de sociedade integrada
Clodovis Boff faz alguma considerações valiosas a respeito da virgindade de Maria para o campo social, especialmente num mundo marcado pelo individualismo que gera exclusão e morte. Nesse mundo, a virgindade de Maria aparece como paradigma de vida e liberdade para todos.
4.3.1 A virgindade e autonomia
Analisando os textos bíblicos, C. Boff reconhece uma Maria que viveu a corajosa experiência de assumir “a seus riscos e perigos” o desafio que a conceição “sob o Espírito Santo” se lhe colocava à frente. Sob essa luz
“podemos dizer que virgindade é a afirmação da autonomia da liberdade e da autodisciposição. Virgem é quem se move a partir de dentro e não a partir de fora. (...) É definir-se a partir do próprio eu, e não pelas reações do outro ou pelas relações com o outro. Virgem é a figura de quem se possui, é dono de si e se contém. Donde o sentido originário de ‘continência’” .
Autonomia é, contudo, o primeiro momento do ser-virgem. A etapa posterior é a abertura e livre auto-entrega. “Eis aqui a serva do Senhor”, diz Maria. “Por isso mesmo virgindade não é renuncia ao amor, mas tão-somente ao amor narcisista, dependente e possessivo. É antes expressão do amor que é senhor de si e que se dá, não por carência, mas por generosidade e plenitude”33.
4.3.2 A virgindade e fecundidade
Virgindade não é só autonomia e abertura. É essencialmente geração de vida, fecundidade. Por isso é sempre materna:
“Isso aparece claro nessa forma particular de virgindade que é o celibato presbiteral, potencialmente rico de fecundidade apostólica. Também do ponto de vista estritamente social, a virgindade possui sua potencialidade. É capacidade de produzir frutos nos mais diversos campos: filosófico, científico, social, político e religioso”34.
Há ainda um outro exemplo de fecundidade que podemos contemplar na Mãe de Jesus e que é modelo para a sociedade de hoje, tão marcada pela auto-suficiência. A virgindade no AT e mesmo no tempo de Maria é expressão da pobreza do povo. E Maria é, biblicamente, o tipo do povo pobre, impotente e sem futuro35. E é justamente nessa pobreza que Deus age para gerar o seu Filho, aquele que veio para que “todos tenham vida e a tenham em abundância” (Jo 10,10). Assim, a virgindade “mariana” aparece como uma fecundidade capaz de gerar vida nova, para si e para o seu povo. É Deus agindo para tirar da impotência a Vida, pois para Ele “nada é impossível” (Lc 1,37).
Concluímos essa seção com as palavras do próprio Clodovis:
“A essa altura calha bem uma aplicação social. Semelhantemente à Virgem, também o povo pobre e fraco pode ser fecundado pelo Espírito de Deus e gerar vida e libertação. O santo Pneuma, que faz o deserto florescer (cf. Is 32,15), que tira água do rochedo (cf. Sl 105,41; 114,8), que faz os mortos ressurgirem (cf. Rm 4,17; Hb 11,19), é o mesmo que faz a Virgem conceber e dar á luz. Ele pode igualmente fecundar o povo pobre e fraco a fim de gerar libertação e paz”36.

5. CONCLUSÃO
Cabe reconhecer que as propostas de compreensão do dogma da virgindade perpétua de Maria apresentadas pelo Magistério e pela teologia aqui sintetizada não são simples nem óbvias. Os questionamentos apresentados na introdução continuam válidos depois de percorrido esse breve trajeto. É fato também que a teologia e a pregação nem sempre souberam apresentar os valores da castidade e da virgindade em seu aspecto positivo, mas demasiadas vezes apenas do pondo de vista do pecado37.
Contudo, muita coisa positiva tem sido feita “dentro” e “fora” da Igreja, no que diz respeito a uma experiência radical de vivência do Evangelho, o que nos dá motivos de esperança. Como dissemos ao longo desse trabalho, é o Deus que consegue fazer brotar vida de onde só existe miséria. E é por isso que o dogma da virgindade perpétua de Maria tem muito a ensinar aos homens e mulheres de hoje.
Oxalá todos nós, ao contemplarmos a Virgem Maria, coloquemos nossos dons a serviço da geração da vida e da liberdade do mundo, na humildade, na doação de si e na solicitude pelo outro. Sempre sabendo, porém, que onde nossas possibilidades humanas parecem perder a força e a vitalidade, ali a graça transformadora de Deus pode gerar vida nova e libertação.
Terminamos com a bela imagem do Ir. Afonso Murad:
“A virgindade de Maria nos diz quem é o ser humano diante do Senhor. Somos como a terra virgem e inexplorada, cheia de viço e com potencial imenso para sermos fecundados pelas sementes do amor de Deus. Tudo pode acontecer quando a gente se entrega a ele. Uns se tornam fecundos cultivando o amor com seu companheiro ou companheira, gerando e educando filhos. E também dando frutos bons na Igreja, no lugar de trabalho, no local de moradia, na sociedade. Outros se tornam fecundos entregando-se a Deus, em comunidade, através da consagração religiosa e da dedicação exclusiva à evangelização”38 .

6. BIBLIOGRAFIA
Bíblia de Jerusalém. Nova edição, revista e ampliada. Paulus, 2003.
BOFF, Clodovis. Mariologia social, Paulus, 2006.
BOFF, Leonardo. O Rosto Materno de Deus, Vozes, 1995.
GEBARA, Ivone, BINGEMER, Maria C.. Maria Mãe de Deus e Mãe dos Pobres, Vozes, 1987.
GONZÁLES, Carlos I.. Maria Evangelizada e Evangelizadora, Loyola, 1990
http://ciberduvidas.sapo.pt/diversidades/index.html
MEO, Salvatore, DE FIORES, Stefano. Dicionário de mariologia. Trad.: Álvaro A. Cunha et al. São Paulo, Paulus, 1995.
MURAD, Afonso. Maria, Toda de Deus e tão humana. São Paulo, Paulinas, 2004.
SCHNEIDER, Theodor (Org). Manual de Dogmática, Vol. II, 2ª. Ed. Petrópolis, Vozes, 2002.

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