DEUS É MISERICÓRDIA



Amigos, desde que criei este blog sempre tive vontade de falar um pouco acerca da misericórdia. Esta virtude de ser misericordioso, para com os irmãos é muito difícil de colocá-la em prática, como também de compreendê-la. Deus me deu a oportunidade de expressar tal virtude através de poucas palavras; tendo de modo especial a fonte de pesquisa o seu próprio EVANGELHO. Através dos evangelhos Jesus Cristo demonstrou para nós como devemos nos comportar diante do sofrimento das pessoas, que se encontram muitas vezes arrasadas devido as suas fraquezas, ou seja, as suas limitações humanas carregadas devido o pecado original.

Não é minha pretensão falar dar misericórdia em si, mas, especialmente da misericórdia de Deus para conosco. É lógico que faz parte do ser humano o comportamento de sempre ficar numa posição de acusação, de condenação, de apontar na maioria das vezes os erros do próximo (de um pecador, de um condenado, de um marginalizado). Ficar muitas vezes numa posição assim é mais fácil, é cômodo porque de certa forma escondemos também as nossas fraquezas (nossos erros). Pois, ninguém é tão perfeito que já não tenha realizado na vida um pecado.

Irmãos, a lógica de Cristo é diferente da nossa, porque não amamos ainda, como Ele nos amou. O Filho de Deus nos amou de tal forma que morreu por nós e morreu com morte de cruz. Morreu não só pelos justos, mas também pelos injustos. Nos amou de tal modo que não hesitou em dar a sua própria vida por nós para que pudéssemos alcançar a vida eterna. Ele soube amar Zaqueu (Lucas 19, 1-10)  que tinha ambição por dinheiro, amou a mulher (João 8, 1-11) que cometeu adultério, amou Judas que nunca o excluiu do grupo mesmo sabendo que este iria o trair, amou Paulo (Saulo de Tarso perseguidor dos cristãos), amou Pedro que o negou quando foi preso (mentindo dizendo que não conhecia o mestre).   

Porque nós temos tanta dificuldade de entender a lógica de Cristo sobre a misericórdia? Ele disse: “As pessoas que têm saúde não precisam de médico, mas só as que estão doentes. Eu não vim para chamar justos, e sim pecadores para o arrependimento” (Lc 5, 31). Jesus convida os pecadores à conversão "não vim para os justos, mas sim para os pecadores" (Mc 2, 17). Convida-os à conversão, sem a qual não se pode entrar no Reino, mas mostra-lhes, com palavras e atos, a misericórdia sem limites do Pai (Lc 15, 11- 32) por cada um deles e também a imensa "alegria no céu por um único pecador se arrepende" (Lc 15, 7). A prova suprema deste amor será o sacrifício de sua própria vida "em remissão dos pecados" (Mt 26, 28). Ora , porque Cristo foi capaz de auto convidar-se para entrar na casa de Zaqueu, um pecador chefe dos cobradores de impostos (Lc 19,5)? Porque Ele foi capaz também de convidar Mateus conhecido por Levi e cobrador também de impostos para ser seu discípulo (Lc 5, 27-28)?

Ora, o olhar de Jesus para com os pecadores era de misericórdia. Ele vivia a misericórdia, pregava a misericórdia, amava com misericórdia e não aceitava a posição dos fariseus de sempre ficar numa posição de julgamento, perseguindo os frágeis aqueles que não tinham vez, que não tinham nenhuma dignidade para viver já que eram tão oprimidos pelo governo romano e pelos próprios irmãos de nação. Os fariseus eram homens com grandes influências principalmente em Jerusalém onde ficava o templo. (muitos deles eram sacerdotes) faziam parte da religião judaica.  Os fariseus se consideravam homens  bastante religiosos e piedosos porque eram doutores da Lei (conhecedores da Palavra de Deus = Primeiro Testamento) e eram de fato, mas não conseguiam olhar para o pecador com amor, com misericórdia. Jesus chegou a chamá-los de hipócritas (alguém quem tem comportamento contrário aquilo que se diz acreditar) porque defendiam a vivencia da Lei, mas eles mesmos não sabiam ter um olhar de misericórdia para com os fracos, marginalizados e pecadores. 


Vejamos o que diz Bento XVI: "Deus é audacioso porque escolheu pecadores para testemunhar o seu amor, sua existência. Um Deus que é santo acredita no homem a tal ponto de não ter receio de seu nome ser manchado pelos pecados da humanidade".

Mediante isto, podemos lembrar a posição de Jesus diante de uma atitude errônea dos Fariseus (homens que se diziam praticantes da lei) estes que queriam pegá-lo em algum erro para colocar o povo contra Ele. Temos um fato no evangelho que é tão conhecido por todos nós, onde eles pegam uma mulher adulterando trecho este se encontra presente no evangelho de João (8, 1 – 11). Nesta perícope do Evangelho vemos mais uma vez que Jesus Cristo coloca a pessoa humana acima de qualquer Lei. Primeiro os homens não podem julgar e condenar, porque nenhum deles está isento de pecados. 

Por fim, infelizmente nós não amamos ainda o suficiente para se compadecer com a fraqueza do outro. Quem se compadece com a fraqueza do próximo de certa forma entende que também um dia pode passar por tal situação.  Ora, muitas vezes o rigor do nosso julgamento sobre o próximo, mostra que desconhecemos a nossa própria fragilidade e a nossa condição enquanto pecadores diante de Deus. “Não julguem, e vocês não serão julgados. De fato, vocês serão julgados com o mesmo julgamento com que vocês julgarem, e serão medidos com a mesma medida com que vocês medirem” (Mt 7, 1-2). Com o exemplo de Jesus Cristo somos chamados a sermos homens da misericórdia, pois aquele que não consegue perdoar, é porque ainda não sabe amar. Quem ama de verdade mostra o caminho para se alcançar tal virtude Jesus Cristo. Amém! Pois, santo não é aquele que não erra, mas aquele que ao errar ergue suas mãos aos céus para alcançar de Deus a sua misericórdia. ( BEATO JOÃO PAULO II).

FIQUEM NA PAZ DE DEUS! 
SEMINARISTA SEVERINO DA SILVA.


JESUS DE NAZARÉ



Certamente todo cristão que possui uma “prática de fé” acredita que Jesus realmente existiu e dados históricos como os que estão presentes nos Evangelhos comprovam isto. Para os cristãos Jesus foi um homem simples, sem deixar de ser Deus na sua essência (homem e Deus, possuidor de duas naturezas, em uma só pessoa). Vemos nos Evangelhos sinóticos que Ele nasceu de uma jovem chamada Maria, na cidade de Belém e teve um pai “adotivo” chamado José. Precisamente Lucas no seu Evangelho afirma que Jesus foi gerado no ventre de sua mãe por intermédio do Espírito Santo. Portanto a virgem o concebeu sem conhecer homem algum.


Bento XVI afirma: “quis tentar representar o Jesus dos Evangelhos como Jesus real, como o ‘Jesus histórico’ no sentido autêntico [...] penso que precisamente este Jesus – o dos Evangelhos – é uma figura racional e manifestamente histórica”.

Vemos o início do ministério de Jesus com o seu batismo no rio Jordão por João Batista. A partir desse fato, Ele começa a revelar sua ação transformadora na luta por um mundo melhor que começara já bem antes de forma oculta na encarnação. Na perícope que mostra as tentações de Jesus indica que Ele cheio do Espírito Santo foi levado ao deserto. Lá venceu as tentações do demônio por quarenta dias. Voltando a Galiléia e precisamente em Nazaré leu a passagem do livro de Isaías que diz: “O Espírito do Senhor está sobre mim, porque o Senhor me ungiu” (Lc 4, 18; Is 61, 1).

Ora, depois da tentação de Jesus no deserto os três Evangelhos sinóticos estão em comum acordo revelando que Jesus começou a exercer o seu ministério na Galiléia, podemos constatar em Lc 4, 14; Mc 1, 14 e Mt 4, 23. “Começou a percorrer toda a Galiléia [...] proclamando o Evangelho do Reino de Deus e curando entre o povo todas as doenças e enfermidades”.

A sua origem de Nazaré, da Galiléia – é, na realidade, a prova da sua missão divina. Jesus proferiu o Sermão da Montanha justamente num monte da Galiléia para uma multidão. O evangelista não cita o nome, por isso, podemos dizer que este monte é o “novo Sinai” enquanto Jesus é o “Novo Moisés”. O monte é o lugar da oração de Jesus, também é o lugar do seu ensinamento, porque brota do mais íntimo da sua relação com o Pai. Em Jesus, Deus se torna revelado e vemos que Ele não é um distante desconhecido, N’ele Deus mostra seu rosto, Sua vontade e Seu agir. Logo, conhecemos os pensamentos e as vontades de Deus em Jesus.

Ora, antes de escolher os doze discípulos aqueles que darão continuidade ao seu projeto (os Apóstolos) Jesus passa a noite em oração e precisamente num monte (Lc 6, 12). Ele sobe ao monte, que designa o lugar da sua comunhão com Deus – o lugar elevado, acima da ação e do fazer de todos os dias. A vocação dos discípulos é um acontecimento da oração; eles são gerados na oração, na intimidade com o Pai.

Enviados a missão os Apóstolos se tornaram homens da Palavra de Deus, anunciaram o Reino de Deus pregaram em nome de Jesus Cristo, reuniram assim homens formando uma nova família de Deus. Mas esta palavra profeticamente anunciada não é simples palavra e instrução. Ela, sobretudo é acontecimento, tal como Jesus mesmo é acontecimento, palavra de Deus em pessoa. No entanto, no convívio com os Apóstolos o Mestre também lhes falava em forma de Parábolas. As parábolas formam, sem dúvida, o núcleo essencial da pregação de Jesus.

Ora, “em verdade, em verdade vos digo: se o grão de trigo não cair na terra e não morrer, permanece sozinho; mas, se morre, dá muito fruto” (Jo 12, 24). Nas parábolas, Jesus não é apenas o semeador, que espalha a semente da palavra de Deus, mas também é a semente, que cai na terra para morrer e assim produzir muitos frutos. Na realidade Ele quer nos conduzir para o “mistério de Deus”, para a luz que os nossos olhos não suportam e da qual fugimos, ou seja, aceitar o sentido das parábolas é ter a certeza de adquirir conhecimento que se identifica com a vida, conhecimento que não podemos entender sem “conversão”.

Como vimos acima, a constatação de “Jesus histórico” através dos Evangelhos sinóticos nos revela que o mistério de sua unidade com o Pai está sempre presente e tudo determina, mas Ele permanece, no entanto escondido sob a sua humanidade, porém no evangelho de São João no qual não ouvimos parábolas a divindade de Jesus aparece claramente, vejamos: “ninguém jamais viu a Deus. O único, que é Deus e que repousa no coração do Pai é que O deu a conhecer” (Jo 1, 18).

Mediante isto, fica claro que, no Evangelho Joanino Jesus é o Filho que repousa no coração do Pai, possui por excelência comunhão com Ele – conhecendo assim todo seu mistério. No entanto, assim como Jesus o evangelista São João, também foi capaz de adquirir tamanho conhecimento acerca do Mestre porque se reclinou sobre o seu peito (Jo 13, 25), pondo-se a escutar o seu coração. Segundo o exegeta católico Ingo Broer: “o evangelho de João está assim diante de nossos olhos como uma obra ‘literária’ que dá testemunho da fé e que quer fortalecer a fé, e não como um relato histórico” (p. 197).

Diferentemente não encontramos no Evangelho de João dois fatos importantes acerca da vida de Jesus Cristo, a confissão de Pedro e a transfiguração. Acerca da confissão de Pedro nos três sinóticos ele responde em nome dos doze discípulos: “Tu és Cristo, Filho do Deus vivo!” (Mt 16, 16). Podemos ver aqui já uma clara e evidente primazia de Pedro diante do grupo escolhido por Jesus (Mt 16, 13-20; Mc 8, 27-30; Lc 9, 18-21). Porém na transfiguração de Jesus e precisamente nos três sinóticos explica e aprofunda esta confissão de Pedro e ao mesmo tempo faz sua ligação com a morte e ressurreição de Jesus (Mt 17, 1-13; Mc 9, 2-13; Lc 9, 28-36).

Nos dias atuais a pessoa de Jesus Cristo ainda continua sendo estudada por muitos cientistas como teólogos, sociólogos, psicólogos, filósofos, mas já no seu tempo procuraram algumas pessoas interpretar a Sua figura misteriosa. Ele era visto como profeta, como Elias ou Jeremias ressuscitados ou como João Batista (Mc 8, 28). No entanto, como vimos no parágrafo acima São Pedro é quem emprega títulos mais elevados: Cristo e Filho de Deus.

Certamente a pessoa de Jesus e o mistério que o envolve continuam ainda hoje a aguçar a curiosidade de muitos estudiosos. A expressão Filho do homem é o título que Jesus usou com mais freqüência ao falar de si mesmo: “Eis que eu vejo o céu aberto e o Filho do homem de pé à direita de Deus” (At 7, 56). A expressão Filho do homem significa, no uso lingüístico, tanto em hebraico como em aramaico, muito simplesmente “homem”. Jesus usou este termo porque de certa maneira está este título intrínseco na sua vida e na sua ação no meio da humanidade.

Por fim, Deus escolheu fazer parte de um povo simples, humilde e sofredor. Quis nascer numa família pobre, onde seu pai adotivo foi um carpinteiro e sua mãe uma simples judia, desta maneira Deus Pai revelou sua face ao mundo na pessoa do Verbo encarnado Seu Filho Jesus Cristo, trazendo, portanto a salvação para todo aquele que aceitar o seu projeto e conseqüentemente quem n’Ele crer.

REFERÊNCIA:

Joseph Ratzinger – Bento XVI – Jesus de Nazaré – Primeira Parte: Do Batismo no Jordão à Transfiguração – tradução: José Jacinto Ferreira de Farias, SCJ – 3ª Edição – São Paulo – Editora Planeta do Brasil – 2007.




A VIDA É ÚNICA. DEFENDE-A


Lembrando ainda da Campanha da Fraternidade com o lema: “Escolhe, pois, a vida” (Dt 30, 19) afirmamos que ela veio em hora boa. A Pastoral Familiar recolheu 600 mil assinaturas para que se realizasse uma Campanha em favor da vida humana. Por, isso os temas éticos como aborto, eutanásia, sexualidade, família, bioética, estão bem contemplados no Texto Base.
A vida é dom de Deus, maravilha e compromisso. Não nascemos por acaso, mas por amor e desígnio de Deus. Existimos porque somos amados. Cada vida humana é um desejo, um pensamento eterno de Deus que se fez carne. O primeiro útero que nos gerou foi o útero da Santíssima Trindade. A vida é, pois, um bem primordial e, por isso, é o fundamento das instituições humanas.
Não se pretende com esta Campanha realizar um “mutirão contra o aborto”, mas não podemos silenciar diante da gravidade do tema e de projetos abortistas. A Conferência de Aparecida enfocou o tema da vida de uma maneira profética, dizendo: “A Igreja fez uma opção pela vida” defendendo-a desde a concepção no ventre materno até seu fim natural. Por outro lado, o clamor pela vida requer uma evangelização com promoção humana, libertação, inserção social. A vida humana supõe as condições mínimas de vida, entre elas, a consciência ecológica e a superação da fome.
O interesse pela vida leva-nos a priorizar os caminhos de vida para superar os caminhos de morte. Como profetas da vida, lutamos pela vida no seu sentido integral: vida humana plena, vida cristã no Espírito e a esperança na vida eterna.
A vida de cada pessoa é única, original, irrepetível. Cada pessoa é um pensamento, um desejo, uma obra de Deus, o Senhor da vida. Ele nos manda escolher a vida e ainda diz: “Convertei-vos e vivereis” (Ez 33, 11). Seus mandamentos são defesa da vida e caminhos de vida. Daí o mandamento: “Não matarás!” (Ex 20, 13).
Jesus veio trazer-nos vida plena e digna. Ele torna a vida bela, livre e grande. Ensino-nos a doar a vida para que nossa vida tenha sentido. Ele mesmo é a vida de nossas vidas. A vida em Cristo é um processo de cristificação de nossa existência desde o batismo até a eternidade. “A vida do homem é a visão de Deus” (S. Irineu).
A vida é preciosa e frágil. Desde a fecundação até seu fim natural ela deve ser acolhida, amada, respeitada. O útero materno é ninho de vida, jamais cemitério pela prática do aborto. Nada justifica a eliminação da vida inocente, fraca e indefesa. Quem pratica ou elabora com o aborto cai na ex-comunhão e quem o facilita, como é o caso dos legisladores, políticos, etç., não deve receber a Eucaristia, por causa da “coerência eucarística” (DA 436).
O Documento de Aparecida é um verdadeiro monumento em favor da vida. Ali se diz: as pastorais e a missão estão a serviço da vida; precisamos ser profetas da vida e defender a cultura da vida, os caminhos da vida; o reino de Deus é reino da vida. A luta pela vida abrange a ecologia, a vida no ventre materno, a vida da pessoa, a vida social, a vida em Cristo e a vida eterna. A dignidade e promoção humana, a libertação, a família, são todos temas ligados à vida.
As agressões contra a vida são cada vez mais facilitadas, justificadas, fabricadas como é o caso da fome, da violência, da degradação do meio ambiente, da legalização do aborto, das drogas, das estruturas de morte. A vida foi banalizada e a morte facilitada. Eis a cultura de morte.
Avolumam-se Projetos de Leis favoráveis ao aborto, eutanásia, divórcio, prostituição, homofobia, nova conceituação de família, uniões homossexuais, manipulação de células embrionárias, mudanças de sexo. Diante de tudo isso, só temos uma opção: defender a vida. A pessoa humana sem Deus acaba sendo perigosa, opta por caminhos de morte e constrói uma civilização desumana.

Vale aqui recordar as reflexões de Madre Tereza de Calcutá sobre a vida:

“A vida é uma oportunidade, viva-a;
A vida é beleza, admira-a;
A vida é uma bem-aventurança, saboreia-a;
A vida é um sonho, torne-o realidade;
A vida é um desafio, enfrente-o;
A vida é um dever, cumpra-o;
A vida é alegria, divirta-se;
A vida é preciosa, zele-a;
A vida é uma riqueza, conserve-a;
A vida é amor, doe-se;
A vida é um mistério, descubra-a;
A vida é promessa, cumpra-a;
A vida é tristeza, supere-a;
A vida é um hino, cante-o;
A vida é uma luta, aceite-a;
A vida é uma aventura, arrisque-a;
A vida é felicidade, mereça-a;
A vida é única, defende-a!”

Dom Orlando Brandes

Arcebispo de Londrina
Presidente da Comissão Episcopal
Pastoral para a vida e a Família - CNBB     


A MAIOR CATÁSTROFE DO BRASIL




Janeiro de 2011
Amigos, só o que se vê nos últimos dias em todos os veículos de comunicação, como na internet, televisão, rádios e etc. é o assunto sobre o desastre que ocorreu na região serrana do Rio de Janeiro. Alguns dizem que foi uma catástrofe, outros dizem que é o fim do mundo, outros falam que é castigo de Deus. Afinal, o que aconteceu realmente neste mês de Janeiro na Região Sudeste.
O que escutamos na realidade são muitos discursos acerca dos desastres que vem ocorrendo a cada ano no Brasil tanto no meio político como nos meios de comunicação, mas são meros e longos discursos e nada mais. O que fica disto tudo é pouca ação e mais tragédias como tem ocorrido principalmente no Rio de Janeiro, São Paulo e Minas Gerais, nos últimos dias.
         A cada verão, brasileiros morrem vitimados por enchentes na região sudeste. O detalhe é que este fenômeno não escolhe vítimas, entre elas estão uma boa parte de pessoas pertencentes a todas as camadas de classes sociais como: ricos, pobres, brancos, negros, crianças, idosos, adultos etc.
Neste mês de Janeiro de 2011, aconteceu infelizmente no Rio de Janeiro a maior catástrofe já ocorrida em toda a história do nosso país, mais de 900 pessoas morreram na região Serrana. Chuvas bastante intensas nesta região fizeram com que barreiras de encostas descessem sem controle em direção as casas, destruindo tudo que encontrou pela frente.
Muitas pessoas foram pegas de surpresa, algumas não tiveram nem tempo de sair de suas casas, foram arrastadas com elas. Muitos perderam quase tudo, pois o que lhe restou foi a vida. Estes ficaram sem empregos, sem casas, sem familiares, sem carros, nada, só o que lhe restou no corpo foi a roupa.
Como analisar esta catástrofe? É culpa de Deus ou é culpa dos governantes daquela região? E o Governo Federal, o que tem a nos dizer sobre isto? A Nasa (Administração Nacional do Espaço e da Aeronáutica) dias antes do desastre já havia informado que ocorreria na região sudeste fortes chuvas, pois um fenômeno que acontece todos os anos iria chegar de novo.
O fenômeno é uma camada maciça de chuvas acumuladas vindas da região do Amazonas. Elas formam como que um corredor extenso que cai de forma bastante agressiva na região sudeste. Estas chuvas intensas acontecem todos os anos nesta. Porque será que as autoridades não tomaram uma providência? Porque não avisaram as pessoas para que se prevenissem, como aconteceu na Austrália, que só morreram 24 pessoas numa região alagada e habitada muito maior que a nossa.
Ora, parece que podemos absorver Deus de tamanhos destroços. Como já vimos na televisão, as imagens são nítidas, as casas foram feitas em lugares de grandes riscos. Os homens na verdade tomaram o espaço da natureza. Construíram casas perto dos rios, de córregos, de encostas. Quando chove a água precisa do espaço para passar, ou seja, com fortes chuvas os rios precisam do espaço para se expandir. O homem jamais pode ocupar um espaço que só deve pertencer a natureza, pois ela não pensa. Ela simplesmente age.
Por fim, todos os anos nós vemos a mesma coisa a natureza age mais rápido que os nossos governantes. Onde fica a nossa dignidade, os nossos direitos de termos uma moradia fixa. Será, que nós vamos ter que mudar de residência a cada ano por causa de um temporal? A verdade é que muitos perderam a vida. Perderam tudo. Para os que ficaram vivos, estes perderam o maior tesouro que o um ser humano pode ter: uma família. Certamente estas pessoas ficarão com traumas pro resto da vida. Para os que estão vivos que Deus os console! Para os que morreram que descansem na paz de Deus! 


Fiquem na Paz de Deus! Seminarista Severino da Silva. 








LER A BÍBLIA COM PROVEITO

Não é coisa simples responder a essa questão, pois cada pessoa acha que pode ler a Bíblia do seu jeito. Olhando a caminhada das comunidades nestes últimos anos, é possível criar critérios para uma leitura da Bíblia que traga proveito para as pessoas. Eis algumas orientações:

1)    Ler sempre a Bíblia à luz da vida. O primeiro livro que Deus escreveu com a humanidade é o livro da vida. A vida é o ponto de encontro de Deus com a humanidade, e é aí de Deus fala. Jesus, quando leu e interpretou a Palavra de Deus para o seu povo, disse: “Hoje se cumpriu essa passagem a Escritura, que vocês acabam de ouvir” (Lucas 4, 21). É ele quem ensina a puxar a Bíblia para o “hoje”, para a nossa vida. O contrário disso seria ler a Bíblia sem ligação com a vida.

2)    Ler a Bíblia tendo presente sua grande e central mensagem de libertação. A primeira e a mais importante experiência dos hebreus no Antigo Testamento é a experiência do Deus que liberta. O livro do Êxodo é o coração dessa experiência. E a prática de Jesus foi totalmente voltada para a libertação. A Bíblia é, portanto, a Boa Notícia para os pobres, exatamente como Jesus anunciou no seu programa de vida (Lucas 4, 18). O contrário disso é ler a Bíblia com o olhar dos dominadores, dos imperialistas de hoje, como se tivesse sido escrita para estar a serviço deles.

3)    Ler a Bíblia a partir dos pobres, com olhos e coração de pobres. Se não nos colocamos ao lado dos pobres, sentindo com eles, nada compreenderemos da mensagem central da Palavra de Deus. O contrário disso seria lê-la a partir dos grandes e poderosos, como se a Palavra de Deus fosse anestesia para tranqüilizar as consciências.

4)    Ler a Bíblia em comunidade, como livro da comunidade. A Bíblia é o livro de um povo, não de uma pessoa. Às vezes ficamos imaginando que a Bíblia tenha surgido como surgem os livros hoje em dia, ou seja, das mãos de uma pessoa. Não. Ela nasceu em forma de mutirão, fruto do esforço de homens e mulheres que trabalhavam e lutavam juntos. Se ela nasceu assim, como memória das lutas do povo, o melhor lugar para ler a Bíblia é a comunidade. De fato, a Palavra de Deus leva a criar comunidade. É claro que alguém pode ler a Bíblia sozinho. Mas ela se torna muito mais viva quando a lemos partilhando com outros. O posto disso é ler a Sagrada Escritura isolado, como terapia, para consolo pessoal ou para encontrar nela justificativas para nossas idéias.

5)    Ler a Bíblia em vista de transformação social (Reino de Deus), isto é, crendo que nos leva ao compromisso para mudar as relações sociais em nível comunitário, nacional e internacional. Se a Bíblia não leva ao compromisso, acaba perdendo seu valor. E passamos a acreditar em Deus “milagroso”, que faz tudo sozinho, que não nossa contribuição para a construção do Reino.

6)    Ler a Bíblia como fonte de valores humanos e sociais, e os valores mais importantes na Bíblia são a liberdade, a fraternidade, a justiça e o amor. Tem gente que vai buscar na Bíblia uma série de proibições, condenações e maldições (e isso muitas vezes vale só para os outros). Quem faz isso está agindo de modo fundamentalista, sublinhando proibições, normas, com o objetivo de amansar ou diminuir as pessoas em nome de Deus.

7)    Ler a Bíblia como inspiração para os grandes desafios do nosso tempo. Quais são esses desafios? A preocupação com o meio ambiente (ecologia), as ameaças de uma guerra nuclear, a questão da pluralidade de culturas, a situação social, política e econômica dos países empobrecidos, o pluralismo religioso, a tomada de consciência dos grupos marginalizados, o ecumenismo etc. A Bíblia não fala diretamente da maioria dessas coisas. Por isso é preciso buscar o “espírito” da Palavra de Deus, e não a sua “letra”. Se ficarmos na “letra”, acabaremos transformando a Bíblia num livro de receitas, e muitas delas impróprias para o nosso hoje.

8)    Ler a Bíblia colocando no centro a pessoa de Jesus, que mostra o autêntico rosto de Deus. Jesus foi profundamente humano, e por ser plenamente humano mostrou claramente quem é Deus. Há pessoas que colocam no centro o livro da vida. Ora,o livro sem Jesus para nada serve. O evangelista Lucas nos diz que Jesus abriu o livro e proclamou que veio ao mundo para realizar o projeto de Deus. Ele, portanto, é o centro de toda a Bíblia.

Essas são apenas algumas orientações importantes para ler a Bíblia com proveito em comunhão. Os grupos que fazem dela a fonte para seu agir certamente encontrarão outras.   

Fonte: Bortolini, José – tires sua dúvidas sobre Bíblia 159 respostas esclarecedoras -Editora Paulus – 6ª Edição, 2003 – São Paulo – Brasil.

Fiquem na paz de Deus! Seminarista Severino da Silva.

O PAPA DIZ: DEUS É O AUTOR DO UNIVERSO




Bento XVI afirmou: O universo é fruto da criação de Deus!
PARTE I


O Papa Bento XVI, afirmou que o universo não surgiu por acaso e que os cristãos não podem aceitar tal teoria. Para Bento XVI, o universo é fruto da obra de Deus. Portanto, se o universo não surgiu por acaso, logo tudo que está contido no mesmo faz parte também desta ação criadora de Deus.
Os cientistas estudam o universo há anos e a cada dia a Nasa (sigla em inglês de National Aeronautics and Space Administration que quer dizer Administração Nacional do Espaço e da Aeronáutica) descobre novas galáxias, novos planetas, novos astros, conseqüentemente novas estrelas solares as vezes bem maiores que o sol, como temos vistos.
Sabemos que poucos anos atrás o homem afirmava apenas o sol como a maior estrela do universo. Mas, agora constatamos que isto não é verdade, existem sim outras bem maiores. Isto faz parte de um longo processo de estudos acerca do universo. A ciência sempre usará como meio principal de seus experimentos o uso da razão e como bem sabemos descartará a existência de Deus.
Os cientistas já chegaram a afirmar que o universo está em expansão. E o que é isto para nós? Eles querem dizer que ele não para de crescer. É como uma criança que está sempre crescendo. Se o universo não para de se expandir, logo não terá jamais um fim? É claro que eles não querem afirmar o que sempre nós escutamos e aprendemos como verdade, que o universo é infinito.
Um filósofo chamado Pascal disse uma vez ao contemplar a obra de Deus presente no universo: “os espaços deste universo infinito me apavora”. Ora, se o universo é infinito, o homem jamais poderá conceber toda a sua plenitude, porque o mesmo é possuidor de uma razão limitada.  
Para Bento XVI, ‘algumas teorias científicas são limitadoras’. E aqui, podemos incluir o Big Bang. Teoria esta que tenta explicar a criação do universo. Tal “teoria é sustentada por explicações mais completas e precisas a partir de evidências científicas disponíveis e da observação. De acordo com as melhores medições disponíveis em 2010, as condições iniciais ocorreram por volta de 13,3 a 13,9 bilhões de anos atrás”.
Mediante isto, somos convidados a acreditar em meras suposições. É certo que podem ser verdade, mas que algumas teorias científicas são “mentalmente limitadoras” porque “chegam apenas até certo ponto... e não conseguem explicar a realidade última...” afirmou Bento XVI.
Fiquem na paz de Deus! Seminarista Severino da Silva.








O PAPA CRITICA TEORIA SOBRE O UNIVERSO



Bento XVI afirmou: O universo é fruto da criação de Deus!
PARTE II


Para Pascal o homem deve aceitar que é um ser finito e miserável se quiser ter acesso ao eu verdadeiro, ou seja, a Deus. Esse acesso também se dá numa relação com um outro (ser infinito = Deus). Porém, essa relação se dá com um outro enquanto ser verdadeiro e absolutamente perfeito. Este ser é Deus.
Podemos chegar à conclusão que é justamente isto que eles não querem afirmar e porque não dizer; aceitar a existência deste ser Criador, Deus. Para Bento XVI, “nós somos convidados a enxergar algo profundo no universo: a sabedoria do criador, a criatividade inesgotável de Deus', disse o papa em sermão para 10 mil fiéis na Basílica de São Pedro, durante sermão no vaticano na missa da Epifania; que quer dizer manifestação da presença do Senhor.
Os cientistas descartam a fé e conseqüentemente se esquecem de Deus, não aceitam colocar Deus como fonte criadora de tudo. Na verdade o homem quer ser o centro de tudo o que existe. Mas, em suas pesquisas científicas nós bem sabemos que eles se deparam com a limitação da razão. O possui uma natureza limitada finito, logo não poderá explicar aquilo que ele não consegue abarcar, ou seja, o infinito.
Vejamos o que Pascal chegou a afirmar mesmo sem possuir o conhecimento científico que nós temos hoje:

É preciso “que o homem voltado para si próprio, considere o que é diante do que existe” (PASCAL, 1984, p. 51). Nada em relação ao infinito; tudo em relação ao nada; um ponto intermediário entre tudo e nada. Infinitamente incapaz de compreender os extremos, tanto o fim das coisas como o seu princípio permanecem ocultos num segredo impenetrável, e é-lhe igualmente impossível de ver o nada de onde saiu e o infinito que o envolve. (PASCAL, 1984, p. 52).
               
Os cientistas são envolvidos em tais mistérios ocultos e impenetráveis e apenas com o uso da razão não conseguirão compreender na sua totalidade o infinito que o envolve.  Segundo Bento XVI, “as teorias científicas sobre a origem e o desenvolvimento do universo e dos humanos, embora não entrem em conflito com a fé, deixam muitas perguntas sem respostas”.
Diante de tais teorias aplicadas nos últimos anos a sua santidade o Papa Bento XVI, (Sumo Pontífice representante maior da presença de cristo aqui na terra para nós católicos) disse: "Na beleza do mundo, em seu mistério, sua grandeza e sua racionalidade... só podemos nos deixar ser guiados em direção a Deus, criador do céu e da terra".
FIQUEM NA PAZ DE DEUS! SEMINARISTA SEVERINO DA SILVA.









A COMUNIDADE CRISTÃ



A Igreja não é só templo de pedra. Verdadeiramente, Cristo é o nosso templo em que reluz a glória de Deus. Nós somos as pedras vivas que formam esse templo (cf. 1 Pedro 2, 4-5). Assim, quando nos referimos à Igreja, muitos imaginam logo o edifício, e não a comunidade de batizados que se reúne para fazer a memória do Senhor e viver a vida nova no Reino de Cristo. Pelo Batismo, o Espírito Santo habita em nosso peito. Por isso somos casa de Deus, e as boas obras que realizamos são o verdadeiro culto que prestamos a Deus no altar de nosso coração.
O batismo nos torna membros do corpo de Cristo. Ele é a cabeça, nós somos seus membros, formamos sua Igreja. “Como o corpo é um, embora tenha muitos membros, e como todos os membros do corpo, embora sejam muitos, formam um só corpo, assim acontece com Cristo. De fato, todos nós, judeus ou gregos, escravos ou livres, fomos batizados num só Espírito, para formarmos um só corpo” (1 Coríntios 12, 12-13).
Formamos o Povo de Deus, a Igreja (reunião dos que crêem), e caminhamos para a casa do Pai. Não somos um povo errante, mas peregrino, amado e conduzido pelo Pai. Por isso, nós nos reunimos como comunidade de fé, unidos pelo vínculo do Batismo que produz uma só fé, um só Espírito.
É comum os pais solicitarem o Batismo motivados apenas pela tradição familiar, pelo costume de batizar a criança com medo de alguma força maléfica. Vivemos em tempos nos quais esses argumentos não se sustentam se não estiverem acompanhados de uma real educação da fé tanto da criança quanto de toda a família, a começar dos pais. Hoje, temos o triste quadro de milhões de cristãos que, embora batizados, não foram evangelizados, não conhecem a fé recebida no Batismo, e por isso muitos deixam a Igreja sem conhecê-la.
Atualmente, constatamos o fenômeno de troca de Igrejas. Há, minimamente, que averiguar a origem da comunidade a qual se vai aderir. Como ela foi fundada? Trata-se apenas de uma inspiração humana particular, de alguma pessoa que começou a congregar? Esse argumento deve ser questionado, porque livremente poderíamos abrir um sem-fim de comunidades com denominações diferentes.
Às vezes, busca-se aquela que mais me agrada, ou aquela na qual me sinto bem, ou aquela em que fui mais bem acolhido, ou então onde consegui exatamente a graça desejada. Tais motivações são válidas, porém insuficientes para definir uma Igreja na qual viver a fé. Se assim fosse, caberia eleger aquela que melhor executasse o plano de propaganda e atendimento de seus clientes.
A Igreja é casa e família para todos, especialmente para os que estão cansados e sobrecarregados, como nos diz Jesus em Mateus 11,28: “Vinde a mim todos vós que estais cansados sob o peso do fardo, e eu vos darei descanso”. Porém, esclarecemos que temos fé não para que Deus satisfaça nossas vontades, ou porque somos capazes de insistir tanto na oração de intercessão que alcançamos tudo o que queremos. Diz-nos o evangelho: “Pedi e vos será dado! Procurai e encontrareis! Batei e a porta vos será aberta!” (Mateus 7,7). Essa palavra deve ser lida, antes de tudo, no contexto em que estamos neste mundo para cumprir a vontade de Deus. Como Jesus Cristo, que não veio fazer sua própria vontade mas sim a do Pai (cf. João 6, 38), assim, como dizemos no Pai-nosso, “seja feita a vossa vontade assim na terra como no céu”. E entender que as coisas acontecem no transcorrer da vida humana, com seus desafios, dificuldades e vitórias, sem diminuir a força do pecado e suas conseqüências sobre nós.
Alcançar essa ou aquela graça, ou ter sucesso, não basta. Nossa maior alegria, enquanto pessoas de fé, é acolher a vitória da ressurreição em nossas vidas. Essa é a maior graça que alcançamos como filhos de Deus. Fomos salvos, libertos de toda escravidão e em Cristo alcançamos a plenitude da vida eterna. Por isso, todos os pedidos que fazemos a Deus devem ser relativizados dentro da misericórdia do Pai, o qual nos quer salvar com o sacrifício de seu Filho Jesus. Nada se compra a essa grandeza.
Alertamos também para a leitura fundamentalista que se faz da Bíblia em muitas dessas novas comunidades. Um versículo da Bíblia isolado do contexto em que foi escrito ou da intenção do autor bíblico constitui uma palavra fácil de ser manipulada pelo pregador segundo sua intenção de mostrar isto ou aquilo. Cada passagem deve ser lida em comparação com textos de outros livros bíblicos, a fim de que seu sentido seja matizado e completado no conjunto da revelação.

Fonte: Batismo de crianças – livro dos pais e padrinhos – núcleo de catequese Paulinas – Nucap – Editora Paulinas – 2ª edição – São Paulo – Brasil (Coleção água e espírito). 

A IGREJA-COMUNIDADE

A Igreja-comunidade é um lugar especial em nosso bairro. Ela pode ser simples, mas tem uma história de luta, de testemunho de muitos cristãos que levaram sua fé a sério. Como a igreja do bairro foi se transformando pouco a pouco em seu tamanho e aparência externa de edifício com torres, pinturas e bancos, assim a fé e o testemunho dos cristãos da comunidade também foram crescendo como o fermento na massa.
É muito interessante a gente se dar conta de que a Igreja somos nós. A Igreja é casa que acolhe, onde encontramos um lugar de oração e encontro com Deus. Ela é muito mais do que aparece externamente. Ali a graça de Deus se manifesta em plenitude. O que enxergamos com nossos olhos indica a grandeza do que nos é comunicado em nosso coração. Não estamos ali unicamente por obrigação ou dever; muito mais que isso. A comunidade reunida já é sacramento da presença do Senhor que se manifesta: “Onde dois ou três estiverem reunidos em meu nome, eu estou ali, no meio deles” (Mateus 18, 20).
A comunidade é o lugar que nos reunimos como família de Deus na casa do Pai. É verdade que humanamente nossa Igreja tem muitas deficiências. Vivemos na terra, somos pessoas cheias de acertos e erros. Igualmente, a estrutura paroquial pouco favorece a organização do povo na cidade.
“A Igreja, reunindo em seu próprio seio os pecadores, ao mesmo tempo santa e sempre necessitada de purificar-se, busca sem cessar a penitência e a renovação. Todos os membros da Igreja, inclusive seus ministros, devem reconhecer-se pecadores. Em todos eles o joio do pecado continua ainda mesclado ao trigo do Evangelho até o fim dos tempos. A Igreja reúne, portanto, pecadores alcançados pela salvação de Cristo, mas ainda em via de santificação.
O que deve ficar bem claro para os batizados é que nos reunimos em comunidade por vocação. Deus nos chama e nos convoca para uma assembléia de aliança. Qualquer outro motivo fora desse não fica bem, até se inconscientemente quisermos nos servir da comunidade para nos projetar socialmente. Apesar de precisarmos crescer como comunidade que acolhe e valoriza seus membros, não vamos até ali, necessariamente, em razão desta ou daquela pessoa. Anterior a todos os elementos externos, mantém-se o chamado primeiro do Senhor que nos convoca para sua casa.
Todos os que trabalham na comunidade o fazem por uma consciência de fé, voluntariamente, sem recompensas financeiras. Sentem o chamado do Senhor e evangelizam porque é grande a alegria de viver segundo o Evangelho (por exemplo, os/as catequistas que se dedicam ao anúncio explícito da Palavra). Neles, encontramos muita generosidade e entrega, pois dedicam seu tempo e saber para o crescimento da comunidade. Igualmente, os ministros, os legionários, os vicentinos etc.

Fonte: Batismo de crianças – livro dos pais e padrinhos – núcleo de catequese Paulinas – Nucap – Editora Paulinas – 2ª edição – São Paulo – Brasil (Coleção água e espírito).

PARTICIPAÇÃO DA COMUNIDADE

Muitos cristãos encontram sentido de sua fé participando das pastorais da comunidade paroquial ou praticando o voluntariado em alguma ONG. Há atividades mais tradicionais e não menos necessárias, como os vicentinos e o grupo da Legião de Maria, que prestam serviços aos doentes e pobres. Há também grupos com maior participação social e política, como as pastorais sociais (da mulher marginalizada, do menor, da criança etc.) e os conselhos de direitos, associações de moradores etc. Atendem à necessidade de muitos cristãos que passam por graves dificuldades. Elas colaboram para conscientizar a comunidade de fé e a sociedade sobre a situação de injustiça e de pecado a que diariamente são submetidos nossos irmãos.
Mesmo não sendo fácil de se organizar numa sociedade urbana com horários e necessidades tão diferentes, a Igreja propõe a associação de famílias para rezar juntas, formar grupos de reflexão e partilha da Palavra confrontada com a vida, com o objetivo do intercâmbio mútuo de presença e ajuda entre as famílias. Esses grupos acabam promovendo uma abertura para outras famílias, para a Igreja e para a sociedade.
Todos somos convidados a assumir uma postura madura, consciente e responsável diante da fé. Não podemos ignorar que nossa colaboração é básica e fundamental para irmos ao encontro da comunidade que sonhamos. A Boa-Nova nos leva ao testemunho e ao anúncio de tudo o que Deus realizou por nós. Pedro e João nos alertam de que “é certo que não podemos calar o que vimos e ouvimos” (Atos 4, 20). Ser Igreja hoje significa que temos fé e procuramos viver em conformidade a ela. Nesse caso, a Igreja não é somente o padre ou a hierarquia, e menos ainda seus templos de pedra. Por isso, os batizados deverão atuar com valentia na edificação da comunidade e na caridade social: “Vós, como pedras vivas, formai um edifício espiritual, um sacerdócio santo, a fim de oferecerdes sacrifícios espirituais, agradáveis a Deus, por Jesus Cristo” (1 Pedro 2, 5).
Deus fez brilhar a glória de sua divindade no meio de seu povo. Mais do que nos escandalizarmos com nossos pecados como de fé, fiquemos atentos ao mistério de graça, de reconciliação e de amor que o Pai derrama  por seu Espírito, que ultrapassa grandemente os limites de toda comunidade.

Fonte: Batismo de crianças – livro dos pais e padrinhos – núcleo de catequese Paulinas – Nucap – Editora Paulinas – 2ª edição – São Paulo – Brasil (Coleção água e espírito).

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