COMO DAR RAZÃO A FÉ?



Para responder esse questionamento é necessário antes entender o que é fé, o que é razão e a relação que uma tem com a outra, uma vez que temos ambas como os instrumentos pelos quais se chega à verdade. Entendemos por razão aquela faculdade que tem o ser humano de avaliar, julgar e ponderar idéias. Ela nos impele a um questionamento profundo de tudo aquilo que nos cerca e diz respeito, fazendo com que estabeleçamos razões lógicas sobre coisas que nos parecem obscuras. A fé, por sua vez, no contexto cristão, é uma adesão e anuência pessoal e voluntária aos desígnios que Deus nos revela ou, noutras palavras, uma crença religiosa.
Mediante isto, sabemos que Deus é a verdade e a felicidade e que elas estão unicamente Nele. Chegar à verdade sobre Deus significa chegar à verdade também sobre nós mesmos, uma vez que é no conhecimento de Deus que está contida e se esclarece a verdade sobre o ser humano. As respostas para os grandes questionamentos que desde o princípio perseguem a humanidade estão precisamente nesta necessidade de conhecer a Deus.
Mas voltemos à afirmação do início deste último parágrafo: a verdade e a felicidade estão em Deus. Que certeza se tem disso? Que razões lógicas se tem para afirmar que Deus é a verdade? A resposta está nos questionamentos que o homem faz desde que o mundo é mundo: Quem sou eu? De onde eu venho? Para onde vou? O que existe além dos céus? Todas as grandes interrogações filosóficas, o porquê da morte, os questionamentos sobre o que vem depois dela, se há ou não uma alma imortal, giram em torno de uma questão fundamental: Deus existe?
Afirmar a existência ou não de Deus tem sido, desde sempre, o grande impasse entre a fé e a razão (entre a Igreja e a ciência). Por um lado, não se pode ignorar que as antigas civilizações acreditavam na existência de uma divindade que, não raro, se revelava aos homens. Isso era central em suas sociedades e se manifestava em suas práticas religiosas afetando até mesmo suas políticas, economia e relações externas com outras civilizações.
Também parece ser incontestável a presença do sobrenatural no psic da humanidade dado que é absolutamente natural uma busca e um questionamento acerca de coisas que perpassam o entendimento. Por outro lado, a ciência, por não reconhecer provas dessa existência divina, refuta a idéia de que haja um ser transcendental e eterno que interaja na vida da humanidade. Para a ciência, que lida exclusivamente com os sentidos e o intelecto, Deus não pode existir porque não pode ser visto, tocado, cheirado, degustado, ouvido, noutras palavras: Deus não se mostra ao homem de forma que o homem o possa perceber e conhecer de fato que Ele existe.
Eis outra afirmativa perigosa: Deus não se mostra ao homem. Usando um pensamento um tanto relativista, podemos dizer que Deus não se mostrar ao homem é uma coisa, outra bem diferente é o fato de o homem não estar aberto a perceber essa revelação de Deus. Se alguém, por vontade própria, fecha os olhos diante de um espetáculo, como pode apreciar as cores, as formas e as luzes? Como pode alguém no meio dos barulhos de carros, ônibus, choro de criança duma avenida movimentada perceber o som de um pássaro que canta tibiamente no alto da árvore sem para isso parar, abrir bem os ouvidos e concentrar-se naquele som melodioso?
Da mesma forma, aquele que não quer perceber a presença de Deus – mesmo que apenas como experiência – e acolher o dom revelado por Ele, esconde-se por detrás de suas auto-afirmações, aceitando apenas aquilo que o seu intelecto (que ele mesmo admite ser falho e limitado) consegue assimilar sem o auxílio da fé.
O impasse entre fé e razão parece orbitar em torno da questão sobre a verdade. Pode-se reconhecer a verdade? Ou essa pergunta é simplesmente inapropriada no âmbito da fé? Se este é o caso, que significado tem então a fé se não pode ser ligada à verdade? A Igreja ensina que foi Deus que colocou no coração do homem o desejo de conhecê-Lo, mas também é desejo Dele que o homem chegue ao conhecimento da verdade também por suas próprias conclusões, isto é, pela razão. A fé não anula a razão, entretanto, muitas vezes utiliza-se dela para esclarecer pontos de sua doutrina.
Diante disso, podemos dizer que dar razão à fé é uma experiência particular e única, de forma que a minha não é igual à dos demais. Dizer-se preparado para dar razão à fé pressupõe um nível elevado de conhecimento doutrinário, moral e humanístico e, sem dúvida, muita oração. A tais coisas não se chega da noite para o dia, mas levam bastante tempo para serem adquiridas, isto é, para que se alcance uma fé madura e inabalável.
Entretanto, esta fé madura, autentica não vem unicamente de conhecimentos acadêmicos (mesmo que estes sejam necessários), mas se dilata a partir de uma experiência pessoal de encontro com o Cristo crucificado; não um Cristo revolucionário como muitos o concebem, mas com o Cristo que nos legou uma mensagem de amor e fidelidade no Santo Evangelho. Dar razão à fé é, portanto, alcançar a maturidade em Cristo e ser capaz de transmiti-la aos demais (nossos irmãos).

FIQUEM NA PAZ DE DEUS! POSTADO POR SEVERINO DA SILVA.








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