O QUE É O TEMPO QUARESMAL


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Vale a pena lembrar de novo...

O que é O TEMPO QuaresmaL?

            “A Quaresma é um tempo ‘forte’ de oração, jejum e atenção aos necessitados, oferece a todo cristão a possibilidade de se preparar para a Páscoa fazendo um sério discernimento da própria vida, confrontando-se de maneira especial com a Palavra de Deus, que ilumina o itinerário cotidiano dos fiéis”. A Quaresma dura 40 dias; começa na Quarta-feira de Cinzas e termina no Domingo de Ramos. A duração da Quaresma está baseada no símbolo do número quarenta encontrado na Bíblia várias vezes. Nesta, é falada dos 40 dias do dilúvio, dos 40 dias de Jesus Cristo que passou no deserto antes de começar sua vida pública, dos 400 anos que durou o exílio dos judeus no Egito.
            A prática da Quaresma data do século IV, quando se dá a tendência a constituí-la em tempo de penitência e de renovação para toda a igreja, com a prática do jejum e da abstinência. A cor litúrgica deste tempo é o roxo, que significa luto e penitência. É um tempo de reflexão, de penitência, de conversão espiritual; tempo e preparação para o Mistério Pascal. A Quaresma é um tempo litúrgico que nos convida a conversão; configurado pela teologia eclesial como grande preparação para a internalização da Páscoa. Trata-se de um período privilegiado, onde o coração do crente é levado, à luz dos textos bíblicos, a viver um processo de santificação e mudança interior.
            É tempo de arrependimento que conduz ao esvaziamento de si mesmo à luz do mistério da pessoa de Jesus de Nazaré que, por sua vez, vértice de mudanças fontais, ressignifica a vida humana, dando um sentido profundo à nossa existência enquanto “soma” de Cristo presente na história. A Quaresma dura 40 dias (09 de março a 17 de abril de 2011) começa na quarta-feira de cinzas e termina no domingo de Ramos. Ao longo deste período, sobretudo na liturgia do domingo, fazemos um esforço para resgatar valores fundamentais que exprimem a vida cristã em sua autenticidade profunda. Também é convite ao silêncio, ao escondimento, a internalização de conceitos que dão identidade, corpo, alma e sangue as atitudes que plastificam a nossa história do dia a dia.
          Na quaresma, o cristão mergulha no deserto de si mesmo, percebendo-se como sujeito, misto de beleza e fragilidade. Aqui o ser humano encontra-se com suas limitações, contradições, ambigüidades, que fazem-lho perceber que as estruturas mais profundas da vida humana resvalam a mera realidade factual de um vaso de argila que, por sua vez, esconde um mistério santo: a presença do Espírito de Jesus. O Espírito que nos envia a colocar a mão no pulso da história e o ouvido interno no coração de Deus.
            A cor litúrgica deste tempo é o roxo, que significa penitência. É um tempo de reflexão, expiação, conversão radical; tempo e preparação para o mistério pascal, realidade profunda que dilata o coração humano fazendo-se semelhante ao coração do Transpassado. Logo, somos levados a encarnar a espiritualidade da cruz que convida ao compromisso radical com Deus e com o próximo. Tal convite pressupõe consciência das exigências e conseqüências fontais de um Reino que implica ousadia e intrepidez, identificação com a causa do Pai que se revela no rosto dos pobres e marginalizados. Logo, na quaresma, o Espírito de Jesus nos conduz a encarnar um rosto eclesial samaritano e acolhedor.
         Todavia, toda teologia que pervade o espírito quaresmal desemboca na certeza da ressurreição. Pois, o lugar teológico e existencial do cristão não coincide com a morte em absoluto, mas assumindo a realidade da morte enquanto tal faz da mesma uma condição de possibilidade que conduz à grande experiência pascal que é vida, vida em abundância.
           
A Quaresma, preparação á celebração anual da Páscoa.

            O Tempo da Quaresma tem por finalidade preparar a Páscoa: a liturgia quaresmal conduz à celebração do mistério pascal sejam os catecúmenos, através dos diversos graus da iniciação cristã, sejam os fiéis, mediante a lembrança do batismo e da penitência. O Tempo da Quaresma decorre da Quarta-feira de Cinzas até a missa na Ceia do Senhor, exclusive. Do início da Quaresma até a Vigília pascal não se canta o aleluia. Na quarta-feira, com a qual se inicia a Quaresma e que em todo lugar é dia de jejum, são impostas as cinzas. Os domingos deste tempo são chamados de I, II, III, IV e V domingos da Quaresma. O sexto domingo, no qual se inicia a Semana Santa, chama-se “Domingo de Ramos ou da Paixão do Senhor”. A Semana Santa tem como finalidade a veneração da Paixão de cristo, desde a sua entrada messiânica em Jerusalém. Na quinta-feira Santa, pela manhã, o bispo, concelebrando a missa com o seu presbitério, benze os óleos santos e consagra o crisma.

Duração da Quaresma

            Na determinação da duração de quarenta dias, a fim de que os cristãos se preparem para celebrar a solenidade pascal, é mais do que certo que teve grande peso a tipologia bíblica dos quarenta dias, isto é, o jejum de quarenta dias de nosso Senhor Jesus Cristo: os quarenta anos transcorridos pelo povo de Deus no deserto; os quarenta dias em que Moiséis esteve no Monte Sinai; os quarenta dias em que Golias, o gigante filisteu, desafiou Israel, até que Davi avançou contra ele, abateu-o e o matou; os quarenta dias durante os quais Elias, fortificado pelo pão cozido sob cinzas e pela água, chegou ao monte de Deus, o Horeb; os quarenta dias nos quais Jonas pregou a penitencia aos habitantes de Nínive.

Origem e história da Quaresma

            A Celebração da Páscoa, nos três primeiros séculos da Igreja, não tinha um período de preparação. Limitava-se a um jejum realizado nos dois dias anteriores. A comunidade cristã vivia tão intensamente o empenho cristão, até o testemunho do martírio, que não sentia a necessidade de um período de tempo para renovar a conversão já acontecida com o batismo. Ela prolongava, porém, a alegria da celebração pascal por cinqüenta dias (Pentecostes).
            Após a Paz de Constantino, quando a tensão diminuiu no empenho da vida cristã, começou-se a perceber a necessidade de um côngruo período de tempo para admoestar os fiéis sobre uma maior coerência com o batismo. Nascem assim as prescrições sobre um período de preparação à Páscoa. Não sabemos com certeza onde, por meio de quem e como surgiu a Quaresma, sobretudo em Roma; apenas sabemos que ela foi se formando progressivamente. Ela tem uma pré-história, ligada a uma praxe penitencial preparatória à Páscoa, que começou a firma-se desde a metade do século II.
            Até o século IV, a única semana de jejum era aquela que precedia a Páscoa. Na metade do século IV, já vemos acrescentadas a esta semana outras três, compreendendo assim quatro semanas. A partir do fim do século IV, a estrutura da Quaresma é aquela dos “quarenta dias”, considerados à luz do simbolismo bíblico, que dá a este tempo um valor salvífico-redentor, cujo sinal é a determinação “sacramentum”. Podemos concluir, portanto, que, para o desenvolvimento da Quaresma, contribuiu antes de tudo a prática do jejum, como preparação à Páscoa; depois, a disciplina penitencial, à qual, desde 306, a Epístola canônica de São Pedro Alexandrino faz aceno; enfim, as exigências sempre mais crescentes do catecumenato para a preparação imediata ao batismo, celebrando na noite de Páscoa.

A quaresma nos textos do lecionário e do missal


            O rico conteúdo da Quaresma é determinado pela sua finalidade: a celebração da Páscoa. De fato, este tempo já faz parte do “paschale sacramentum” e só será corretamente entendido à luz do momento culminante do seu ponto de chegada: a Vigília pascal. Isso ficará mais claro através dos textos bíblicos do atual Lecionário e dos textos eucológicos do Missal. O trabalho mais precioso da reforma está presente nos textos litúrgicos, bíblicos, eucológicos. Consideremo-los por partes.

As leituras bíblicas quaresmais

            O novo lecionário dominical dos dias de semana exerce grande importância na orientação pastoral e na incidência espiritual. Nos cinco domingos que precedem a Semana Santa, no ciclo trienal, são proclamados quarenta e cinco textos bíblicos.
           
As leituras do Antigo Testamento podem ser reduzidas a três grupos:
1)    Textos que apresentam a história da salvação (a aliança original; a vocação de Abraão; o êxodo; o deserto e a história de Israel);
2)    Textos que proclamam a lei, portanto, os deveres morais impostos pela aliança;
3)    Os apelos dos profetas à conversão e ao arrependimento.

As epístolas foram escolhidas tanto para prolongar a mensagem contida nas leituras do Antigo Testamento e mostrar a profundidade das essas, como para preparar a escuta do Evangelho. Os evangelhos dos dois primeiros domingos, nos três anos, estão sempre centrados em Cristo tentado e transfigurado; os outros três domingos preparam mais diretamente para o batismo ou à renovação das promessas na noite de Páscoa.

O ano A = tem um caráter mais batismal.
O ano B = propõe uma série de textos centrados no mistério da cruz gloriosa de Cristo segundo João.
O ano C = nos textos de Lucas, ele coloca em relevo a misericórdia de Deus e o convite para acolhê-la.

Neste rico Lecionário dominical podemos entrever três itinerários:

1)      Uma Quaresma batismal (ano A);
2)      Uma Quaresma cristocêntrica (ano B);
3)      Uma Quaresma penitencial (ano C)

Partindo dos textos do Antigo Testamento pode ser apresentada a história da aliança de Deus com a humanidade e suas relativas exigências atuais para a vida da comunidade cristã. Uma síntese da mensagem contida na liturgia da palavra de cada domingo pó ser encontrada nas coletas acrescentadas na segunda edição italiana do Missal Romano.
O lecionário ferial é bastante variado na escolha das perícopes. Nas primeiras três semanas, sem especial ordem sistemática, são apresentados os grandes temas quaresmais: a caridade, a oração, o jejum, o perdão, o serviço, a humildade etc. Os textos do Antigo Testamento estão sempre em relação com o evangelho.
Nas duas últimas semanas, com a leitura descontínua do evangelho de João (capítulos 4 – 11), a temática está centrada na pessoa de cristo, nas suas palavras e obras (os milagres) que manifestam a sua divindade. As discussões com os judeus e a crescente oposição e incredulidade deles conduzem à morte de Jesus e à morte de cruz. A escolha destes textos do quarto evangelho, combinados com os do Antigo Testamento que apresentam a figura do justo perseguido, orientam os fiéis a celebrar a paixão do Senhor.

Os textos eucológicos do tempo quaresmal


      Encontramos também um rico conteúdo teológico e ascético nos textos eucólogicos. Na reforma do Missal foi eliminada das orações a insistência no jejum e na mortificação corporal que, nas transformadas condições de tempo e de disciplina, constituía estridante anacronismo, com o risco até de reduzir a ascese quaresmal à exclusiva frulalidade nos alimentos. Foram sublinhados, então, também aspectos positivos, como a oração e o exercício da caridade. Analisando os diversos textos eucológico, emergem alguns temas: a conversão, o caminho para a Páscoa, o exercício da caridade, do perdão aos irmãos, da oração e do jejum do pecado. Desde o primeiro dia da Quaresma, a Igreja pede ao Senhor para “começar com este jejum um caminho de verdadeira conversa, a fim de enfrentar vitoriosamente, com as armas da penitência, o combate contra o espírito do mal. Devemos dar também particular atenção aos prefácios, com os quais foi enriquecido o Missal romano, com a reforma do tempo da Quaresma, da semana Da Paixão e Semana Santa.  Temos, depois, os cinco prefácios dominicais, um para cada domingo da Quaresma, que desenvolvem, em seus simbolismos, os temas das leituras evangélicas.

A quaresma “sacramento”

A Igreja vive este tempo de quarenta dias como ação estruturada em gestos e palavras, cujo significado é dado pela palavra de Deus e pela presença operante de Cristo. Todo ato sagrado realizado pela comunidade cristã, reunida em assembléia litúrgica, é “sacramento”, isto é, sinal expressivo daquela realidade sagrada realizada por Deus e em continuidade como os eventos salvíficos culminados em Cristo. A Quaresma no seu conjunto de palavras que anunciam os eventos da salvação, ritos e práticas ascéticas, é um grande sinal sacram3ental, mediante o qual a Igreja participa, na fé-conversão, do mistério de cristo que faz para nós a experiência do deserto, jejum e vence a tentação, escolhendo o caminho do messianismo do servo humilde e sofredor até a cruz. Conseqüentemente, a Quaresma tem um caráter crístico-sacramental-eclesial, porque é celebração litúrgica e, como tal, é ato de Cristo e da sua esposa, a Igreja. Quando a liturgia fala de “sacramento pascal” inclui aí não só a morte-ressurreição do Senhor como o dom do Espírito, mas também a Quaresma, como sinal da primeira vertente do mistério pascal.
  
Fiquem na paz de Deus!
Seminarista Severino da Silva.

CATEQUESE DE PREPARAÇÃO PARA O BATISMO - 2


FALAR DO BATISMO A PARTIR DA PRÓPRIA
CELEBRAÇÃO BATISMAL

            Catequistas e bispos dos primeiros séculos nos deixaram anotações de suas catequeses mistagógicas, exatamente essa tentativa de falar do batismo a partir da própria celebração. A intenção era aprofundar o sentido do batismo, a ação de Deus e suas conseqüências na vida.
            As equipes de pastoral poderiam fazer o mesmo: tentar uma preparação pré-batismal baseada nos ritos batismais. Cabe lembrar que a preparação para ao batismo deve ser sempre uma catequese litúrgica. Ele quer levar as famílias a uma participação no batismo ativa, externa, interior, consciente, plena, inclusive frutuosa, tão desejada pelo Concílio Vaticano II.

RITOS DA CELEBRAÇÃO DO BATISMO

RITOS INICIAIS

            Chegada: O acolhimento – Muito importante é a acolhida que o celebrante faz aos pais, padrinhos e convidados logo à porta da Igreja. Como primeiro ato, o celebrante, os pais e padrinhos traçam o sinal da cruz sobre a fronte de cada criança. Recebendo as crianças na porta da Igreja, já se dá a entender que é pelo batismo que se entra a fazer parte da comunidade eclesial. É a partir do batismo que se podem receber os demais sacramentos.

            Saudação: O cumprimento que o celebrante faz à família de Deus presente é uma saudação em nome do Pai que nos criou e nos predestinou a sermos “conformes à imagem de seu Filho, para que ele seja o primogênito entre muitos irmãos”.

            Presença da comunidade: A presença da comunidade tem um significado muito teológico, porque quer dizer que o batizando que vai ser recebido na Igreja vai crescer participando da mesma vida do Povo de Deus. Também ele será membro ativo na vida desta comunidade que agora o recebe como irmão.

            Diálogo: Começa agora um diálogo muito rico de significado se se compreendem o valor e o alcance do nome na Bíblia. O nome exprime uma identidade pessoal, a ser reconhecida pelos outros, chamada também a colocar-se a serviço de toda a comunidade.
            Na Sagrada Escritura o nome indica a existência (Ef 3,13), a natureza de cada ser e dos mesmos animais (Gn 2,19). O nome, aliás, se identifica com a mesma pessoa (At 1,15: no texto original temos, em vez de pessoas, a expressão “número de nomes”. Conhecer o nome  é não só identificar a pessoa, mas no sentido bíblico é também amar (Jo 10,14). Não ter um nome é sinônimo de ser desprezível (Jo 30,8). Receber um nome, na Bíblia, é também receber uma missão, principalmente quando o nome é trocado por um novo (Mt 16,18 ; Mc 3, 16-17 ; At 4,36). Jesus significa Salvador ou Javé Salva (Mt1,21). Desta forma, o nome vem a significar a missão que se recebe na história da salvação.

            Pedido do batismo: Este pedido é feito pelos pais, pois a criança ainda não é capaz deste ato. Ela vive na dependência dos adultos. As crianças que não estão em grau de ter nem de professar pessoalmente a fé... São batizadas na fé da Igreja, professada pelos pais, pelos padrinhos e pelos presentes ao rito.

            O sinal da cruz: Concluem-se os ritos iniciais marcando a fronte de cada criança com o sinal da cruz. Que significa isso? O sinal próprio do cristão é a cruz: este é o sinal de sua pertença a Cristo e à sua Igreja. Isto lhe recorda que não será escravo de nenhum ídolo, paixão ou pecado. Portanto, os interesses de Deus, da Igreja, da sua consciência iluminada pela fé, estão acima de tudo, como fizeram os mártires de todos os tempos, antigos e modernos que viveram um testemunho de fé selado pelo sangue.

            Procissão de entrada: Muito oportunamente é este o momento para se atender ao apelo do salmista quando diz: “Eu me alegrei, porque me disseram: iremos à casa do Senhor” (Sl 121,1). Com estas ou outras palavras entoa-se ou reza-se um canto de entrada apropriado.

LITURGIA DA PALAVRA

            Leituras bíblicas e homilia: Como se trata de apresentar leituras do Antigo e Novo Testamento, julgamos que o ideal é estabelecer certa unidade de conteúdo entre as várias passagens bíblicas.

1º exemplo: A leitura de Êxodo 17,3-7 é bem apropriada para o tema do batismo, pois aí se fala da água que, após a oração de Moisés e o toque prodigioso do bastão, Deus intervém no Êxodo que é um tipo de batismo. Como Salmo de meditação pode-se cantar o Salmo 22 tão expressivo e imagem da bondade de Deus que, Bom Pastor, não deixa faltar ás suas ovelhas a água que brota prodigiosamente do rochedo que é Cristo, como nos ensina São Paulo em Cor 10,1s.4 aplicando a Cristo o que o texto do Êxodo se diz de Javé.
            Pode-se escolher como Evangelho Mateus 28,18-21: Jesus quer agora que todos sejam agregados ao seu Reino e entrem a fazer parte da sua Igreja (Mt 16,18) administrando o batismo em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo. Vê-se aqui a oportunidade da leitura de 1Cor 12, 12-13 para se compreender o caráter universal da Igreja sem barreiras entre todos os povos de línguas e cores diversas, pois todos somos, em força do batismo, um só em Cristo.

2º exemplo: Ezequiel 36,24-28 é um trecho do profeta Ezequiel onde se fala de um banho purificador com uma água pura e da doação de um coração novo e um espírito novo que Deus concederá para a preparação do novo Êxodo do Exílio. Em sintonia com esta leitura do Antigo Testamento se acorda perfeitamente o Evangelho de São João 3,1-6 em que Jesus fala de um novo nascimento do alto. Condição necessária para entrar no Reino que Cristo veio inaugurar. E como comentário, deste Evangelho temos o trecho da carta de São Paulo aos Romanos 6,3-5 a nos ensinar que é justamente com a imersão nas águas lustrais do batismo que se realiza a participação no mistério salvífico da morte de Cristo para uma nova ressurreição nascendo verdadeiramente para uma vida nova em união com Cristo Ressuscitado.

Outras leituras:
Gn 17,1-8= Estabelecerei minha aliança entre mim e te e teus descendentes para sempre; uma aliança eterna.
Is 44,1-3= Infundirei meu espírito em tua descendência.
Gl 3,26-28= Vós todos que fostes batizados em Cristo, vos revestistes de Cristo.
Ef 4,1-6= Há um só Senhor. Uma só fé, um só batismo.
1Pd 2,4-5.9-10= Mas vós sois a raça escolhida, o sacerdócio do Reino.
Tt 3,4-7= Ele nos salvou pelo batismo e pelo Espírito Santo.
Sl 41,2-3; Sl 42,3.4; Sl 125 (126)
Mc 1,9-11= Foi batizado por João no rio Jordão.
Mc 10 13-16= Deixai vir a mim as crianças.
Jo 4,5-14= Uma fonte de água que jorra para a vida eterna.
Jo 7,37b-39ª= Rios de água viva jorrarão do seu interior.
Lc. 10,17-24= Ficai alegres porque vossos nomes estão escritos no céu.

Oração dos fiéis

            Invocação dos santos: Este é o momento em que se vive a comunhão dos cristãos da terra com os cristãos já glorificados da Igreja triunfante, quando à invocação à Santíssima Trindade se acrescenta a intercessão dos santos. A Igreja vê em todos os santos não só os nossos intercessores, mas também modelos de vida evangélica, de perfeita caridade e de um testemunho de vida cristã até o heroísmo.

            Oração: Esta oração dirigida ao Pai de quem nos tornamos filhos adotivos graças à redenção do Filho Jesus Cristo operada pela morte e ressurreição, da qual nos apropriamos mediante a fé  e pelo  batismo, participamos na morte e ressurreição que se realiza no Espírito.

            Unção pré-batismal: A vida cristã se assemelha aos exercícios agnósticos dos lutadores, segundo muitas passagens das escrituras, principalmente em São Paulo. É assim que se compreende o alcance desta Unção pré-batismal. Então o batizando poderá dizer na realidade: “tudo posso naquele que me torna forte” (Fl 4,15). A vida cristã é uma “corrida, é uma luta” (1Cor 9,24-27). Daí o simbolismo desta unção: o óleo enrobustecia os músculos e tornava o lutador menos atingível. Por isso o celebrante pede a Deus: “O Cristo Salvador te dê sua força. Que ela penetre em tua vida como este óleo em teu peito”. Amém

A LITURGIA SACRAMENTAL

            Esta parte, que culmina na cerimônia central do Batismo, é precedida de alguns ritos preparatórios e seguida de ritos pós-batismais.

            Oração sobre a água: Junto à fonte batismal louva-se a Deus relembrando o simbolismo da água na história da salvação. É oportuno dizer que na Bíblia bendizer a Deus ou louva-lo significa também agradecer. Pelo simbolismo que carrega em si o termo água no plano da salvação, ela foi o elemento material que Deus escolheu para unir à palavra, chamada forma, do sacramento do Batismo.
Da Escritura vamos ressaltar os seguintes fatos: o dilúvio foi um merecido castigo pelos pecados da humanidade; mas se transformou nos desígnios de Deus em tipo ou figura do Batismo, como nos ensina a primeira carta de São Pedro 3,21, pois as mesmas águas do dilúvio sustentaram a Arca de Noé, e nela encontraram oito pessoas, Gn 7,7. 13.
No grande êxodo, que foi a libertação do cativeiro do Egito, as águas do Mar Vermelho se retiram prodigiosamente (Ex 14,15.21-22). Esta travessia foi considerada pelo apóstolo São Paulo (1Cor 10, 3-5) como uma figura do batismo. Não nos esqueçamos também que o batismo de Jesus se deu nas águas do rio Jordão que foram por ele santificadas para o futuro batismo cristão (Mt 3,13-17). Depois devemos nos lembrar das profecias de Ezequiel, quando vê uma fonte jorrar debaixo do templo de Jerusalém para anunciar os novos tempos da volta do Exílio (Ez 47). Este texto é para colocar em paralelo com João 2,19. E sua compreensão mais profunda vem mais adiante com João 7,37 que encontra o seu cumprimento completo em João 9,33-37.
Como anúncio do Novo Êxodo, da Nova Aliança, dos tempos novos, em que Deus dará ao povo um coração e um espírito novo, estão as águas a simbolizar esta transformação radical: Ezequiel 36,25. Tudo isto se tornará realidade com o advento do messias, o Cristo, Filho de Deus. A água por fim vai ser o símbolo do Espírito Santo: Apocalipse 22,1.

            Promessas do Batismo: Os adultos que as (crianças) apresentam para o batismo, ao renovarem as promessas do seu Batismo, assumem o compromisso de educá-las na fé, a fim de que a vida nova do batismo possa desenvolver-se e, um dia, ser consciente e livremente assumida pelos próprios batizados.
As promessas do batismo compreendem, além de uma advertência aos pais e padrinhos que é conveniente que seja lida pelo orientador do encontro de preparação, consta de uma fórmula para as renúncias que pode ser escolhida e também adaptada pelas Conferências Episcopais, principalmente quando “pais e padrinhos” devem renunciar a práticas supersticiosas. Parece que em certos ambientes do Brasil seria recomendável uma declaração explicita contra práticas e doutrina do espiritismo que invade sub-repticiamente vários setores do catolicismo deturpando a pureza da nossa fé. 

            Batismo: O batismo etimologicamente é um banho, se pode fazer por imersão, infusão ou aspersão. Parece ser a melhor forma que obedece ao simbolismo que supõe São Paulo em Romanos 6,3-4: imersão símbolo da morte e sepultamento, como participação na morte de Cristo; emersão, símbolo da participação na ressurreição para a vida nova em Cristo.
Sobre o modo de administrar o batismo no fim do século primeiro há um testemunho de grande valor: “quando ao batismo, batizai assim: depois de ter ensinado tudo o que precede, batizai em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo, em água corrente. Se não existe água corrente, que se batize em outra água. Se não puder ser em água fria, faze-o em água quente. Se não tens bastante, nem uma nem outra, derrame água três vezes sobre a cabeça, em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo” (Didaqué).

RITOS COMPLEMENTARES

            Unção com o Crisma: Sendo o batizado membro de Cristo, que quer dizer Ungido com o Crisma a relembrar-lhe a tríplice missão que Cristo confia aos batizados: a missão sacerdotal, profética e real-pastoral. Uma vez recebido o batismo, o fiel entra a fazer parte do Povo de Deus com a tríplice missão sacerdotal, profética e real-pastoral.
            Os leigos participando, em força do batismo, do tríplice poder de Cristo, sacerdotal, profético e real-pastoral, são, portanto, obrigados a darem testemunho de Cristo, como membros de um povo de sacerdotes e reis. Biblicamente, só depois do Exílio eram ungidos os sacerdotes, sendo inicialmente a unção reservada ao Sumo Sacerdote. No caso dos profetas a unção é entendida no sentido metafórico de investidura, já os reis eram sagrados no templo e ungidos por um sacerdote.

            Veste branca: O significado desta cerimônia deve ser procurado nas epístolas de São Paulo aos Gálatas 3,27 e aos Efésios 4,24, porque o cristão, nascendo em Cristo como nova criatura (2Cor 5,17), se revestiu de Cristo. O simbolismo da cor branca, de muitas passagens bíblicas, resulta como sinônimo de inocência, de alegria, de nobreza, de pureza da veste de Cristo glorificado (Mt 17,2; Ap 3,4).

            A vela acesa: A entrega da vela acesa relembra todo o simbolismo do Círio Pascal na liturgia da Vigília Pascal quando o sacerdote abençoa o fogo: “Ó Deus, que pelo vosso Filho trouxestes àqueles que crêem o clarão da vossa luz, santificai (+) este novo fogo. Concedei que a festa da páscoa acenda em nós tal desejo do céu, que possamos chegar purificados à festa da páscoa acenda em nós tal desejo do céu, que possamos chegar purificados à festa da luz da eterna”. É por isso que “os pais ou na ausência, os padrinhos, acendem no Círio Pascal à vela de cada criança”. Na bíblia, Cristo é chamado “luz para iluminar os povos” (Lc 2,32). O próprio Cristo diz de si mesmo: “Eu sou a luz do mundo” (Jo 8,12). E todo discípulo de Cristo, como os recém-batizados, se deve recordar das palavras de Jesus em Mt 5,14-16: “Vós sois a luz do mundo... brilhe a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras”.

            “Éfeta”: Esta palavra está relacionada com o milagre que Jesus fez ao curar o surdo-mudo (Mc 7,34): “Levantando os olhos para o céu, gemeu e disse ‘Ephphtha’, que quer dizer: ‘abre-te!’”. É por isto que a oração que acompanha o gesto do celebrante ao tocar os ouvidos e a boca de cada criança, se for oportuno, diz: “O Senhor Jesus que fez os surdos ouvir e os mudos falar, te conceda que possas logo ouvir a sua palavra e professar a fé para louvor e glória de Deus Pai”. No original aramaico pronuncia-se effatá.
            RITOS FINAIS: Se o batismo se realiza longe do presbitério, faz-se uma procissão até o altar levando-se acesas as velas dos neobatizados e, se possível, com um cântico batismal.
            Oração do Senhor: Com uma motivação teológica, por exemplo, com o batismo nos tornamos filhos de Deus Pai, irmão de Cristo, templo do Espírito Santo - da nova situação em que se encontram os neobatizados, antes da Bênção final, se diz muito oportunamente à oração própria dos filhos de Deus: o Pai Nosso.
            Benção: Essencialmente se nomeiam as pessoas da Santíssima Trindade como fontes de bênçãos para os neobatizados, pois, a partir do batismo, há uma consagração particular á Trindade Santíssima.
            Consagração a Nossa Senhora: A verdadeira consagração a Deus e a Cristo é o Batismo; une se uma fórmula apropriada, em que Maria aparece com o modelo de perfeita consagrada a Deus; seja ela feita depois de toda a cerimônia do batismo e não logo depois do Pai Nosso; respeitar os costumes da piedade popular, deixando, por exemplo, que levem a criança batizada até o altar de Nossa Senhora, ou, antes da despedida rezando juntos a Ave Maria.

CATEQUESE DE PREPARAÇÃO PARA O BATISMO - 1


A idéia e mesmo ignorância a cerca do sacramento do batismo favorecem, muitas vezes, a desvios do verdadeiro sentido do sacramento. Muitos batizam seus filhos por ser tradição da família. Outros por medo e supertição. Outros ainda nem sabem por que. A riqueza e a importância do batismo na vida do cristão, e conseqüentemente na vida da igreja, não podem contemporizar com esse estado de coisas. E hoje mais que nunca o homem exige consciência e participação nos atos sociais da comunidade em que vive. E por isso ele se informa e se prepara adequadamente para a vida, em todos os seus setores. Eis porque a Igreja deseja que seus filhos estejam bem preparados para assumir sua vida cristã.

REFLEXÃO


O batismo é o caminho de volta do homem para uma reconciliação com Deus e com o próximo. Jesus Cristo deixou-nos o batismo como o primeiro passo que leva o homem a compreender que ele deve morrer para o pecado: para o egoísmo, para o fechamento de si mesmo e ressuscitar para uma vida nova com Cristo, vivendo de amor, de doação, de abertura e de amizade.

O batismo é um nascimento para o indivíduo, um renascer no Espírito Santo. Não se batiza porque é costume ou porque evita doenças, mas porque se quer proporcionar à criança a alegria de ser filha de Deus, renascida para uma vida de união com Deus e com os homens. Nas águas do   batismo, o homem se purifica, renova-se, libertando-se da mancha do pecado original. Pelo batismo o homem faz a sua primeira opção: viver no amor e renunciar a todo o mal. Isto significa que ele aderiu, aceitou em sua vida a pessoa de Jesus Cristo, como Caminho, Verdade e Vida. Pelo batismo fica o homem unido ao Mistério da Vida morte e ressurreição de Jesus Cristo. Sua vida é a vida de Cristo. É vida para a ressurreição e não para a morte. Vida que tem sentido no amor que dedica aos irmãos, na comunhão que vive com o Pai. Vida que significa participar das alegrias da vitória de Cristo na ressurreição, quando a morte com sua fatalidade e tragicidade foi vencida.

            Os cristãos ao serem batizados assumem uma missão no mundo: ser testemunhas de Cristo. Testemunho de viver com o fermento no mundo, e de ser como o sal da terra e a luz do mundo. Mas o seu grande testemunho será a sua vida de unidade na Igreja. A vida de comunidade, no amor mútuo, na comunhão da palavra e da Eucaristia, será sempre o grande sinal e sacramento da Igreja. O batismo implica imediatamente em vida e em testemunho. Implica na Eucaristia o grande sacramento da vida da Igreja. Todos os batizados formam, pois, essa comunidade de filhos de Deus e irmãos dos outros, à qual chamamos de Igreja. Não existe cristão sem igreja. Agindo como Cristo, os cristãos fazem da Igreja uma comunidade que seja fermento, sal e luz para o mundo.

 Mostram assim em suas vidas e em suas comunidades, que vale a pena ter seguido a Cristo e que do encontro com ele valeu-lhe um sentido novo para a existência humana. Será ainda vivendo em Igreja, isto é, em comunidade de fé e de amor, que os cristãos encontrarão a Palavra de Deus, Que orienta e dá vida, e os sacramentos, gestos de Cristo, que nos ajudam a ter uma vida feliz, de comunhão com Deus e com todos os homens, em Jesus Cristo.

Se a vida do Cristão é vida em comunhão, podemos dizer agora, com muito mais razão, que a família é a primeira comunidade de amor que encontramos na vida. Toda criança deve nascer do amor de seus pais e encontrar um ambiente de proteção e de segurança. Há sempre a esperança de um futuro bonito para o recém-nascido. E o maior bem, que se pode garantir para o seu filho, oferecem os pais quando desejam que em vida e em seu mundo esteja Deus presente. E por isso batizam os seus filhos ainda crianças, para que os envolvam com o amor e a bondade de Deus.
Pais que batizam seus filhos porque é a tradição ou para que, de maneira mágica, seus filhos se transformem em homens de bem, estão desconhecendo toda a realidade da vida cristã. Certos dessas verdades, nem precisaríamos aqui realçar a importância da presença dos pais e toda a família como presença do amor cristão para o recém nascido. Seria uma contradição muito grande: pais pedirem o batismo para os seus filhos e eles mesmos descuidarem de sua vida cristã. A presença dos pais e dos familiares é bastante significativa na educação da fé. A vivência do amor a Deus, como Pai e a convivência com os outros, como fraternidade, dependem, em grande parte, da experiência do amor, da compreensão e ajuda mútua vivida em família.
Semelhantes responsabilidades, no testemunho da fé, têm os padrinhos. Os pais não devem fazer da escolha dos padrinhos uma maneira interesseira ou honrosa simplesmente de prestigia algum amigo ou parente. Devem antes cuidar de escolher pessoas cristãs, de vida coerente com a sua fé e que possam de fato ser uma presença cristã educativa. Pais e padrinhos devem saber, que juntos têm um compromisso frente a alguém. Serão eles também que, paulatinamente, irão entrosar seu filho e afilhado na grande comunidade eclesial, seja na paróquia ou a sua pequena comunidade. E dessa maneira poderá a criança ser encaminhada mais tarde para os outros sacramentos da Igreja.

OS SÍMBOLOS E RITOS DO BATISMO


A celebração do batismo apresenta-nos uma riqueza muito grande de gesto e símbolos, que nos prestam o serviço de uma melhor compreensão do sacramento. O principal gesto humano do batismo é a água derramada sobre a cabeça (ou imersão também) da criança, significando a sua purificação e santificação em Jesus Cristo. Um Destaque especial, porém, merece a proclamação da palavra de Deus. Antes da ação do mistério que se celebra a Palavra visa despertar a fé dos pais, padrinhos e pessoas presentes, a fim de que todos possam participar ativa e conscientemente da celebração comunitária do batismo.

O esquema do Novo Ritual do Batismo
apresenta-se dessa maneira:

Acolhimento com diálogo inicial entre celebrante e os pais e padrinhos. O celebrante e os pais traçam o sinal da cruz na fronte do batizando, para que nos lembremos que foi pela cruz que Jesus Cristo nos salvou.
Liturgia da Palavra: leituras bíblicas, homilia, oração dos fiéis com oração do exorcismo e unção com o óleo dos catecúmenos.
Liturgia sacramental: bênção da água, exortação, renuncia, profissão de fé, o batismo, unção com o óleo do crisma, veste branca, vela acesa.
Oração do Senhor: benção do ministro, benção dos pais e despedida.
Unção pré-batismal: o óleo é um símbolo da realeza e meio de defesa dos atletas nos combates. No batismo, nós nos tornamos ungidos como o Cristo. A palavra Cristo quer dizer “ungido”, o escolhido por Deus para ser sua testemunha, aquele que vai travar o combate do bem. E os cristãos participam desta missão da mesma luta de Jesus Cristo.
A água: é um símbolo universal. Ela purifica e limpa. É fonte de vida. Os desertos e os sertões não possuem vida por falta de água. Na bíblia, a água é sinal de vida. O batismo será, pois uma nova vida para quem o recebe.
A renovação das promessas do batismo: é feita para os pais e padrinhos, para lembrar-lhes o compromisso que, um dia, assumiram. A profissão de fé deve ser feita com toda a convicção por parte dos pais e padrinhos, refletindo com seriedade nas verdades de nossa fé.
A unção com o crisma: recorda o óleo que ungiu o Cristo depois de sua morte e antes de sua ressurreição. Significa que o batizado participa do mistério da morte e ressurreição do Senhor Jesus.
A veste branca: é símbolo de integridade e de beleza. O batizado deve ser todo inteiro possuído pelo Cristo. Neste momento, todos rezam para que o neo-batizado seja fiel ao seu novo estado de vida em Cristo.
A vela acesa: lembra o símbolo da luz. Cada cristão deve ser luz nas trevas. Cristo é a luz do Mundo. Em toda a sua vida o cristão deve ser uma vela acesa, portadora de luz e de esperança para os irmãos.
O Pai-Nosso: é a oração dos cristãos. É, sobretudo a oração daqueles que têm a Deus como Pai e os outros como seus irmãos.
FIQUEM NA PAZ DE DEUS!
SEMINARISTA SEVERINO DA SILVA.

PREPARANDO PARA O BATISMO


A idéia e mesmo ignorância a cerca do sacramento do batismo favorecem, muitas vezes, a desvios do verdadeiro sentido do sacramento. Muitos batizam seus filhos por ser tradição da família. Outros por medo e supertição. Outros ainda nem sabem por que. A riqueza e a importância do batismo na vida do cristão, e conseqüentemente na vida da igreja, não podem contemporizar com esse estado de coisas. E hoje mais que nunca o homem exige consciência e participação nos atos sociais da comunidade em que vive. E por isso ele se informa e se prepara adequadamente para a vida, em todos os seus setores. Eis porque a Igreja deseja que seus filhos estejam bem preparados para assumir sua vida cristã.

REFLEXÃO

O batismo é o caminho de volta do homem para uma reconciliação com Deus e com o próximo. Jesus Cristo deixou-nos o batismo como o primeiro passo que leva o homem a compreender que ele deve morrer para o pecado: para o egoísmo, para o fechamento de si mesmo e ressuscitar para uma vida nova com Cristo, vivendo de amor, de doação, de abertura e de amizade.
O batismo é um nascimento para o indivíduo, um renascer no Espírito Santo. Não se batiza porque é costume ou porque evita doenças, mas porque se quer proporcionar à criança a alegria de ser filha de Deus, renascida para uma vida de união com Deus e com os homens. Nas águas do   batismo, o homem se purifica, renova-se, libertando-se        da mancha do pecado original.
Pelo batismo o homem faz a sua primeira opção: viver no amor e renunciar a todo o mal. Isto significa que ele aderiu, aceitou em sua vida a pessoa de Jesus Cristo, como Caminho, Verdade e Vida. Pelo batismo fica o homem unido ao Mistério da Vida morte e ressurreição de Jesus Cristo. Sua vida é a vida de Cristo. É vida para a ressurreição e não para a morte. Vida que tem sentido no amor que dedica aos irmãos, na comunhão que vive com o Pai. Vida que significa participar das alegrias da vitória de Cristo na ressurreição, quando a morte com sua fatalidade e tragicidade foi vencida.

            Os cristãos ao serem batizados assumem uma missão no mundo: ser testemunhas de Cristo. Testemunho de viver com o fermento no mundo, e de ser como o sal da terra e a luz do mundo. Mas o seu grande testemunho será a sua vida de unidade na Igreja. A vida de comunidade, no amor mútuo, na comunhão da palavra e da Eucaristia, será sempre o grande sinal e sacramento da Igreja. O batismo implica imediatamente em vida e em testemunho. Implica na Eucaristia o grande sacramento da vida da Igreja.
Todos os batizados formam, pois, essa comunidade de filhos de Deus e irmãos dos outros, à qual chamamos de Igreja. Não existe cristão sem igreja. Agindo como Cristo, os cristãos fazem da Igreja uma comunidade que seja fermento, sal e luz para o mundo.

 Mostram assim em suas vidas e em suas comunidades, que vale a pena ter seguido a Cristo e que do encontro com ele valeu-lhe um sentido novo para a existência humana. Será ainda vivendo em Igreja, isto é, em comunidade de fé e de amor, que os cristãos encontrarão a Palavra de Deus, Que orienta e dá vida, e os sacramentos, gestos de Cristo, que nos ajudam a ter uma vida feliz, de comunhão com Deus e com todos os homens, em Jesus Cristo.
Se a vida do Cristão é vida em comunhão, podemos dizer agora, com muito mais razão, que a família é a primeira comunidade de amor que encontramos na vida. Toda criança deve nascer do amor de seus pais e encontrar um ambiente de proteção e de segurança. Há sempre a esperança de um futuro bonito para o recém-nascido. E o maior bem, que se pode garantir para o seu filho, oferecem os pais quando desejam que em vida e em seu mundo esteja Deus presente. E por isso batizam os seus filhos ainda crianças, para que os envolvam com o amor e a bondade de Deus.
Pais que batizam seus filhos porque é a tradição ou para que, de maneira mágica, seus filhos se transformem em homens de bem, estão desconhecendo toda a realidade da vida cristã.
Certos dessas verdades, nem precisaríamos aqui realçar a importância da presença dos pais e toda a família como presença do amor cristão para o recém nascido. Seria uma contradição muito grande: pais pedirem o batismo para os seus filhos e eles mesmos descuidarem de sua vida cristã. A presença dos pais e dos familiares é bastante significativa na educação da fé. A vivência do amor a Deus, como Pai e a convivência com os outros, como fraternidade, dependem, em grande parte, da experiência do amor, da compreensão e ajuda mútua vividos em família.
Semelhante responsabilidade, no testemunho da fé, têm os padrinhos. Os pais não devem fazer da escolha dos padrinhos uma maneira interesseira ou honrosa simplesmente de prestigia algum amigo ou parente. Devem antes cuidar de escolher pessoa cristãs, de vida coerente com a sua fé e que possam de fato ser uma presença cristã educativa. Pais e padrinhos devem saber, que juntos têm um compromisso frente a alguém. Serão eles também que, paulatinamente, irão entrosar seu filho e afilhado na grande comunidade eclesial, seja na paróquia ou a sua pequena comunidade. E dessa maneira poderá a criança ser encaminhada mais tarde para os outros sacramentos da Igreja.

OS SÍMBOLOS E RITOS DO BATISMO


A celebração do batismo apresenta-nos uma riqueza muito grande de gesto e símbolos, que nos prestam o serviço de uma melhor compreensão do sacramento.
O principal gesto humano do batismo é a água derramada sobre a cabeça (ou imersão também) da criança, significando a sua purificação e santificação em Jesus Cristo.
Um Destaque especial, porém, merece a proclamação da palavra de Deus. Antes da ação do mistério que está sendo celebrado a Palavra visa despertar a fé dos pais, padrinhos e pessoas presentes, a fim de que todos possam participar ativa e conscientemente da celebração comunitária do batismo.

O esquema do Novo Ritual do Batismo apresenta-se dessa maneira:

Acolhimento com diálogo inicial entre celebrante e os pais e padrinhos. O celebrante e os pais traçam o sinal da cruz na fronte do batizando, para que nos lembremos que foi pela cruz que Jesus Cristo nos salvou.
Liturgia da Palavra: leituras bíblicas, homilia, oração dos fiéis com oração do exorcismo e unção com o óleo dos catecúmenos.
Liturgia sacramental: bênção da água, exortação, renuncia, profissão de fé, o batismo, unção com o óleo do crisma, veste branca, vela acesa.
Oração do Senhor, benção do ministro, benção dos pais e despedida.

Unção pré-batismal: o óleo é um símbolo da realeza e meio de defesa dos atletas nos combates. No batismo, nós nos tornamos ungidos como o Cristo. A palavra Cristo quer dizer “ungido”, o escolhido por Deus para ser sua testemunha, aquele que vai travar o combate do bem. E os cristãos participam desta missão da mesma luta de Jesus Cristo.

A água: é um símbolo universal. Ela purifica e limpa. É fonte de vida. Os desertos e os sertões não possuem vida por falta de água. Na bíblia, a água é sinal de vida. O batismo será pois uma nova vida para quem o recebe.

A renovação das promessas do batismo: é feita para os pais e padrinhos, para lembrar-lhes o compromisso que, um dia, assumiram. A profissão de fé deve ser feita com toda a convicção por parte dos pais e padrinhos, refletindo com seriedade nas verdades de nossa fé.
A unção com o crisma: recorda o óleo que ungiu o Cristo depois de sua morte e antes de sua ressurreição. Significa que o batizado participa do mistério da morte e ressurreição do Senhor Jesus.

A veste branca: é símbolo de integridade e de beleza. O batizado deve ser todo inteiro possuído pelo Cristo. Neste momento, todos rezam para que o neo-batizado seja fiel ao seu novo estado de vida em Cristo.

A vela acesa: lembra o símbolo da luz. Cada cristão deve ser luz nas trevas. Cristo é a luz do Mundo. Em toda a sua vida o cristão deve ser uma vela acesa, portadora de luz e de esperança para os irmãos.

O Pai-Nosso: é a oração dos cristãos. É sobretudo a oração daqueles que têm a Deus como Pai e os outros como seus irmãos.    
 
FALAR DO BATISMO A PARTIR DA PRÓPRIA CELEBRAÇÃO BATISMAL

            Catequistas e bispos dos primeiros séculos nos deixaram anotações de suas catequeses mistagógicas, exatamente essa tentativa de falar do batismo a partir da própria celebração. A intenção era aprofundar o sentido do batismo, a ação de Deus e suas conseqüências na vida.
            As equipes de pastoral poderiam fazer o mesmo: tentar uma preparação pré-batismal baseada nos ritos batismais. Cabe lembrar que a preparação para ao batismo deve ser sempre uma catequese litúrgica. Ele quer levar as famílias a uma participação no batismo ativa, externa, interior, consciente, plena, inclusive frutuosa, tão desejada pelo Concílio Vaticano II.

RITOS DA CELEBRAÇÃO DO BATISMO

RITOS INICIAIS

            Chegada: O acolhimento – Muito importante é a acolhida que o celebrante faz aos pais, padrinhos e convidados logo à porta da Igreja. Como primeiro ato, o celebrante, os pais e padrinhos traçam o sinal da cruz sobre a fronte de cada criança. Recebendo as crianças na porta da Igreja, já se dá a entender que é pelo batismo que se entra a fazer parte da comunidade eclesial. É a partir do batismo que se podem receber os demais sacramentos.

            Saudação: O cumprimento que o celebrante faz à família de Deus presente é uma saudação em nome do Pai que nos criou e nos predestinou a sermos “conformes à imagem de seu Filho, para que ele seja o primogênito entre muitos irmãos”.

            Presença da comunidade: A presença da comunidade tem um significado muito teológico, porque quer dizer que o batizando que vai ser recebido na Igreja vai crescer participando da mesma vida do Povo de Deus. Também ele será membro ativo na vida desta comunidade que agora o recebe como irmão.

            Diálogo: Começa agora um diálogo muito rico de significado se se compreendem o valor e o alcance do nome na Bíblia. O nome exprime uma identidade pessoal, a ser reconhecida pelos outros, chamada também a colocar-se a serviço de toda a comunidade.
            Na Sagrada Escritura o nome indica a existência (Ef 3,13), a natureza de cada ser e dos mesmos animais (Gn 2,19). O nome, aliás, se identifica com a mesma pessoa (At 1,15: no texto original temos, em vez de pessoas, a expressão “número de nomes”. Conhecer o nome  é não só identificar a pessoa, mas no sentido bíblico é também amar (Jo 10,14). Não ter um nome é sinônimo de ser desprezível (Jo 30,8). Receber um nome, na Bíblia, é também receber uma missão, principalmente quando o nome é trocado por um novo (Mt 16,18 ; Mc 3, 16-17 ; At 4,36). Jesus significa Salvador ou Javé Salva (Mt1,21). Desta forma, o nome vem a significar a missão que se recebe na história da salvação.

            Pedido do batismo: Este pedido é feito pelos pais, pois a criança ainda não é capaz deste ato. Ela vive na dependência dos adultos. As crianças que não estão em grau de ter nem de professar pessoalmente a fé... São batizadas na fé da Igreja, professada pelos pais, pelos padrinhos e pelos presentes ao rito.

            O sinal da cruz: Concluem-se os ritos iniciais marcando a fronte de cada criança com o sinal da cruz. Que significa isso? O sinal próprio do cristão é a cruz: este é o sinal de sua pertença a Cristo e à sua Igreja. Isto lhe recorda que não será escravo de nenhum ídolo, paixão ou pecado. Portanto, os interesses de Deus, da Igreja, da sua consciência iluminada pela fé, estão acima de tudo, como fizeram os mártires de todos os tempos, antigos e modernos que viveram um testemunho de fé selado pelo sangue.

            Procissão de entrada: Muito oportunamente é este o momento para se atender ao apelo do salmista quando diz: “Eu me alegrei, porque me disseram: iremos à casa do Senhor” (Sl 121,1). Com estas ou outras palavras entoa-se ou reza-se um canto de entrada apropriado.

LITURGIA DA PALAVRA

            Leituras bíblicas e homilia: Como se trata de apresentar leituras do Antigo e Novo Testamento, julgamos que o ideal é estabelecer certa unidade de conteúdo entre as várias passagens bíblicas.

1º exemplo: A leitura de Êxodo 17,3-7 é bem apropriada para o tema do batismo, pois aí se fala da água que, após a oração de Moisés e o toque prodigioso do bastão, Deus intervém no Êxodo que é um tipo de batismo. Como Salmo de meditação pode-se cantar o Salmo 22 tão expressivo e imagem da bondade de Deus que, Bom Pastor, não deixa faltar ás suas ovelhas a água que brota prodigiosamente do rochedo que é Cristo, como nos ensina São Paulo em Cor 10,1s.4 aplicando a Cristo o que o texto do Êxodo se diz de Javé.
            Pode-se escolher como Evangelho Mateus 28,18-21: Jesus quer agora que todos sejam agregados ao seu Reino e entrem a fazer parte da sua Igreja (Mt 16,18) administrando o batismo em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo. Vê-se aqui a oportunidade da leitura de 1Cor 12, 12-13 para se compreender o caráter universal da Igreja sem barreiras entre todos os povos de línguas e cores diversas, pois todos somos, em força do batismo, um só em Cristo.

2º exemplo: Ezequiel 36,24-28 é um trecho do profeta Ezequiel onde se fala de um banho purificador com uma água pura e da doação de um coração novo e um espírito novo que Deus concederá para a preparação do novo Êxodo do Exílio. Em sintonia com esta leitura do Antigo Testamento se acorda perfeitamente o Evangelho de São João 3,1-6 em que Jesus fala de um novo nascimento do alto. Condição necessária para entrar no Reino que Cristo veio inaugurar. E como comentário, deste Evangelho temos o trecho da carta de São Paulo aos Romanos 6,3-5 a nos ensinar que é justamente com a imersão nas águas lustrais do batismo que se realiza a participação no mistério salvífico da morte de Cristo para uma nova ressurreição nascendo verdadeiramente para uma vida nova em união com Cristo Ressuscitado.

Outras leituras:
Gn 17,1-8= Estabelecerei minha aliança entre mim e te e teus descendentes para sempre; uma aliança eterna.
Is 44,1-3= Infundirei meu espírito em tua descendência.
Gl 3,26-28= Vós todos que fostes batizados em Cristo, vos revestistes de Cristo.
Ef 4,1-6= Há um só Senhor. Uma só fé, um só batismo.
1Pd 2,4-5.9-10= Mas vós sois a raça escolhida, o sacerdócio do Reino.
Tt 3,4-7= Ele nos salvou pelo batismo e pelo Espírito Santo.
Sl 41,2-3; Sl 42,3.4; Sl 125 (126)
Mc 1,9-11= Foi batizado por João no rio Jordão.
Mc 10 13-16= Deixai vir a mim as crianças.
Jo 4,5-14= Uma fonte de água que jorra para a vida eterna.
Jo 7,37b-39ª= Rios de água viva jorrarão do seu interior.
Lc. 10,17-24= Ficai alegres porque vossos nomes estão escritos no céu.

Oração dos fiéis

            Invocação dos santos: Este é o momento em que se vive a comunhão dos cristãos da terra com os cristãos já glorificados da Igreja triunfante, quando à invocação à Santíssima Trindade se acrescenta a intercessão dos santos. A Igreja vê em todos os santos não só os nossos intercessores, mas também modelos de vida evangélica, de perfeita caridade e de um testemunho de vida cristã até o heroísmo.

            Oração: Esta oração dirigida ao Pai de quem nos tornamos filhos adotivos graças à redenção do Filho Jesus Cristo operada pela morte e ressurreição, da qual nos apropriamos mediante a fé  e pelo  batismo, participamos na morte e ressurreição que se realiza no Espírito.

            Unção pré-batismal: A vida cristã se assemelha aos exercícios agnósticos dos lutadores, segundo muitas passagens das escrituras, principalmente em São Paulo. É assim que se compreende o alcance desta Unção pré-batismal. Então o batizando poderá dizer na realidade: “tudo posso naquele que me torna forte” (Fl 4,15). A vida cristã é uma “corrida, é uma luta” (1Cor 9,24-27). Daí o simbolismo desta unção: o óleo enrobustecia os músculos e tornava o lutador menos atingível. Por isso o celebrante pede a Deus: “O Cristo Salvador te dê sua força. Que ela penetre em tua vida como este óleo em teu peito”. Amém

A LITURGIA SACRAMENTAL

            Esta parte, que culmina na cerimônia central do Batismo, é precedida de alguns ritos preparatórios e seguida de ritos pós-batismais.

            Oração sobre a água: Junto à fonte batismal louva-se a Deus relembrando o simbolismo da água na história da salvação. É oportuno dizer que na Bíblia bendizer a Deus ou louva-lo significa também agradecer. Pelo simbolismo que carrega em si o termo água no plano da salvação, ela foi o elemento material que Deus escolheu para unir à palavra, chamada forma, do sacramento do Batismo.
Da Escritura vamos ressaltar os seguintes fatos: o dilúvio foi um merecido castigo pelos pecados da humanidade; mas se transformou nos desígnios de Deus em tipo ou figura do Batismo, como nos ensina a primeira carta de São Pedro 3,21, pois as mesmas águas do dilúvio sustentaram a Arca de Noé, para que não soçobrasse e nela encontraram oito pessoas, Gn 7,7.13. Eis porque são tipo do batismo.
No grande êxodo, que foi a libertação do cativeiro do Egito, as águas do Mar Vermelho se retiram prodigiosamente (Ex 14,15.21-22). Esta travessia foi considerada pelo apóstolo São Paulo (1Cor 10, 3-5) como uma figura do batismo. Não nos esqueçamos também que o batismo de Jesus se deu nas águas do rio Jordão que foram por ele santificadas para o futuro batismo cristão (Mt 3,13-17). Depois devemos nos lembrar das profecias de Ezequiel, quando vê uma fonte jorrar debaixo do templo de Jerusalém para anunciar os novos tempos da volta do Exílio (Ez 47). Este texto é para colocar em paralelo com João 2,19. E sua compreensão mais profunda vem mais adiante com João 7,37 que encontra o seu cumprimento completo em João 9,33-37.
Como anúncio do Novo Êxodo, da Nova Aliança, dos tempos novos, em que Deus dará ao povo um coração e um espírito novo, estão as águas a simbolizar esta transformação radical: Ezequiel 36,25. Tudo isto se tornará realidade com o advento do messias, o Cristo, Filho de Deus. A água por fim vai ser o símbolo do Espírito Santo: Apocalipse 22,1.

            Promessas do Batismo: Os adultos que as (crianças) apresentam para o batismo, ao renovarem as promessas do seu Batismo, assumem o compromisso de educá-las na fé, a fim de que a vida nova do batismo possa desenvolver-se e, um dia, ser consciente e livremente assumida pelos próprios batizados.
As promessas do batismo compreendem, além de uma advertência aos pais e padrinhos que é conveniente que seja lida pelo orientador do encontro de preparação, consta de uma fórmula para as renúncias que pode ser escolhida e também adaptada pelas Conferências Episcopais, principalmente quando “pais e padrinhos” devem renunciar a práticas supersticiosas. Parece que em certos ambientes do Brasil seria recomendável uma declaração explicita contra práticas e doutrina do espiritismo que invade sub-repticiamente vários setores do catolicismo deturpando a pureza da nossa fé. 

            Batismo: O batismo etimologicamente é um banho, se pode fazer por imersão, infusão ou aspersão. Parece ser a melhor forma que obedece ao simbolismo que supõe São Paulo em Romanos 6,3-4: imersão símbolo da morte e sepultamento, como participação na morte de Cristo; emersão, símbolo da participação na ressurreição para a vida nova em Cristo.
Sobre o modo de administrar o batismo no fim do século primeiro há um testemunho de grande valor: “quando ao batismo, batizai assim: depois de ter ensinado tudo o que precede, batizai em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo, em água corrente. Se não existe água corrente, que se batize em outra água. Se não puder ser em água fria, faze-o em água quente. Se não tens bastante, nem uma nem outra, derrame água três vezes sobre a cabeça, em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo” (Didaqué).

RITOS COMPLEMENTARES

            Unção com o Crisma: Sendo o batizado membro de Cristo, que quer dizer Ungido com o Crisma a relembrar-lhe a tríplice missão que Cristo confia aos batizados: a missão sacerdotal, profética e real-pastoral. Uma vez recebido o batismo, o fiel entra a fazer parte do Povo de Deus com a tríplice missão sacerdotal, profética e real-pastoral.
            Os leigos participando, em força do batismo, do tríplice poder de Cristo, sacerdotal, profético e real-pastoral, são, portanto, obrigados a darem testemunho de Cristo, como membros de um povo de sacerdotes e reis. Biblicamente, só depois do Exílio eram ungidos os sacerdotes, sendo inicialmente a unção reservada ao Sumo Sacerdote. No caso dos profetas a unção é entendida no sentido metafórico de investidura, já os reis eram sagrados no templo e ungidos por um sacerdote.

            Veste branca: O significado desta cerimônia deve ser procurado nas epístolas de São Paulo aos Gálatas 3,27 e aos Efésios 4,24, porque o cristão, nascendo em Cristo como nova criatura (2Cor 5,17), se revestiu de Cristo. O simbolismo da cor branca, de muitas passagens bíblicas, resulta como sinônimo de inocência, de alegria, de nobreza, de pureza da veste de Cristo glorificado (Mt 17,2; Ap 3,4).

            A vela acesa: A entrega da vela acesa relembra todo o simbolismo do Círio Pascal na liturgia da Vigília Pascal quando o sacerdote abençoa o fogo: “Ó Deus, que pelo vosso Filho trouxestes àqueles que crêem o clarão da vossa luz, santificai (+) este novo fogo. Concedei que a festa da páscoa acenda em nós tal desejo do céu, que possamos chegar purificados à festa da páscoa acenda em nós tal desejo do céu, que possamos chegar purificados à festa da luz da eterna”. É por isso que “os pais ou na ausência, os padrinhos, acendem no Círio Pascal à vela de cada criança”. Na bíblia, Cristo é chamado “luz para iluminar os povos” (Lc 2,32). O próprio Cristo diz de si mesmo: “Eu sou a luz do mundo” (Jo 8,12). E todo discípulo de Cristo, como os recém-batizados, se deve recordar das palavras de Jesus em Mt 5,14-16: “Vós sois a luz do mundo... brilhe a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras”.
            “Éfeta”: Esta palavra está relacionada com o milagre que Jesus fez ao curar o surdo-mudo (Mc 7,34): “Levantando os olhos para o céu, gemeu e disse ‘Ephphtha’, que quer dizer: ‘abre-te!’”. É por isto que a oração que acompanha o gesto do celebrante ao tocar os ouvidos e a boca de cada criança, se for oportuno, diz: “O Senhor Jesus que fez os surdos ouvir e os mudos falar, te conceda que possas logo ouvir a sua palavra e professar a fé para louvor e glória de Deus Pai”. No original aramaico pronuncia-se effatá.
            RITOS FINAIS: Se o batismo se realiza longe do presbitério, faz-se uma procissão até o altar levando-se acesas as velas dos neobatizados e, se possível, com um cântico batismal.
            Oração do Senhor: Com uma motivação teológica, por exemplo, com o batismo nos tornamos filhos de Deus Pai, irmão de Cristo, templo do Espírito Santo - da nova situação em que se encontram os neobatizados, antes da Bênção final, se diz muito oportunamente à oração própria dos filhos de Deus: o Pai Nosso.
            Benção: Essencialmente se nomeiam as pessoas da Santíssima Trindade como fontes de bênçãos para os neobatizados, pois, a partir do batismo, há uma consagração particular á Trindade Santíssima.
            Consagração a Nossa Senhora: A verdadeira consagração a Deus e a Cristo é o Batismo; une se uma fórmula apropriada, em que Maria aparece com o modelo de perfeita consagrada a Deus; seja ela feita depois de toda a cerimônia do batismo e não logo depois do Pai Nosso; respeitar os costumes da piedade popular, deixando, por exemplo, que levem a criança batizada até o altar de Nossa Senhora, ou, antes da despedida rezando juntos a Ave Maria.

FIQUEM NA PAZ DE DEUS!
SEMINARISTA SEVERINO DA SILVA.

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