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CATEQUESE DE PREPARAÇÃO PARA O BATISMO - 2


FALAR DO BATISMO A PARTIR DA PRÓPRIA
CELEBRAÇÃO BATISMAL

            Catequistas e bispos dos primeiros séculos nos deixaram anotações de suas catequeses mistagógicas, exatamente essa tentativa de falar do batismo a partir da própria celebração. A intenção era aprofundar o sentido do batismo, a ação de Deus e suas conseqüências na vida.
            As equipes de pastoral poderiam fazer o mesmo: tentar uma preparação pré-batismal baseada nos ritos batismais. Cabe lembrar que a preparação para ao batismo deve ser sempre uma catequese litúrgica. Ele quer levar as famílias a uma participação no batismo ativa, externa, interior, consciente, plena, inclusive frutuosa, tão desejada pelo Concílio Vaticano II.

RITOS DA CELEBRAÇÃO DO BATISMO

RITOS INICIAIS

            Chegada: O acolhimento – Muito importante é a acolhida que o celebrante faz aos pais, padrinhos e convidados logo à porta da Igreja. Como primeiro ato, o celebrante, os pais e padrinhos traçam o sinal da cruz sobre a fronte de cada criança. Recebendo as crianças na porta da Igreja, já se dá a entender que é pelo batismo que se entra a fazer parte da comunidade eclesial. É a partir do batismo que se podem receber os demais sacramentos.

            Saudação: O cumprimento que o celebrante faz à família de Deus presente é uma saudação em nome do Pai que nos criou e nos predestinou a sermos “conformes à imagem de seu Filho, para que ele seja o primogênito entre muitos irmãos”.

            Presença da comunidade: A presença da comunidade tem um significado muito teológico, porque quer dizer que o batizando que vai ser recebido na Igreja vai crescer participando da mesma vida do Povo de Deus. Também ele será membro ativo na vida desta comunidade que agora o recebe como irmão.

            Diálogo: Começa agora um diálogo muito rico de significado se se compreendem o valor e o alcance do nome na Bíblia. O nome exprime uma identidade pessoal, a ser reconhecida pelos outros, chamada também a colocar-se a serviço de toda a comunidade.
            Na Sagrada Escritura o nome indica a existência (Ef 3,13), a natureza de cada ser e dos mesmos animais (Gn 2,19). O nome, aliás, se identifica com a mesma pessoa (At 1,15: no texto original temos, em vez de pessoas, a expressão “número de nomes”. Conhecer o nome  é não só identificar a pessoa, mas no sentido bíblico é também amar (Jo 10,14). Não ter um nome é sinônimo de ser desprezível (Jo 30,8). Receber um nome, na Bíblia, é também receber uma missão, principalmente quando o nome é trocado por um novo (Mt 16,18 ; Mc 3, 16-17 ; At 4,36). Jesus significa Salvador ou Javé Salva (Mt1,21). Desta forma, o nome vem a significar a missão que se recebe na história da salvação.

            Pedido do batismo: Este pedido é feito pelos pais, pois a criança ainda não é capaz deste ato. Ela vive na dependência dos adultos. As crianças que não estão em grau de ter nem de professar pessoalmente a fé... São batizadas na fé da Igreja, professada pelos pais, pelos padrinhos e pelos presentes ao rito.

            O sinal da cruz: Concluem-se os ritos iniciais marcando a fronte de cada criança com o sinal da cruz. Que significa isso? O sinal próprio do cristão é a cruz: este é o sinal de sua pertença a Cristo e à sua Igreja. Isto lhe recorda que não será escravo de nenhum ídolo, paixão ou pecado. Portanto, os interesses de Deus, da Igreja, da sua consciência iluminada pela fé, estão acima de tudo, como fizeram os mártires de todos os tempos, antigos e modernos que viveram um testemunho de fé selado pelo sangue.

            Procissão de entrada: Muito oportunamente é este o momento para se atender ao apelo do salmista quando diz: “Eu me alegrei, porque me disseram: iremos à casa do Senhor” (Sl 121,1). Com estas ou outras palavras entoa-se ou reza-se um canto de entrada apropriado.

LITURGIA DA PALAVRA

            Leituras bíblicas e homilia: Como se trata de apresentar leituras do Antigo e Novo Testamento, julgamos que o ideal é estabelecer certa unidade de conteúdo entre as várias passagens bíblicas.

1º exemplo: A leitura de Êxodo 17,3-7 é bem apropriada para o tema do batismo, pois aí se fala da água que, após a oração de Moisés e o toque prodigioso do bastão, Deus intervém no Êxodo que é um tipo de batismo. Como Salmo de meditação pode-se cantar o Salmo 22 tão expressivo e imagem da bondade de Deus que, Bom Pastor, não deixa faltar ás suas ovelhas a água que brota prodigiosamente do rochedo que é Cristo, como nos ensina São Paulo em Cor 10,1s.4 aplicando a Cristo o que o texto do Êxodo se diz de Javé.
            Pode-se escolher como Evangelho Mateus 28,18-21: Jesus quer agora que todos sejam agregados ao seu Reino e entrem a fazer parte da sua Igreja (Mt 16,18) administrando o batismo em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo. Vê-se aqui a oportunidade da leitura de 1Cor 12, 12-13 para se compreender o caráter universal da Igreja sem barreiras entre todos os povos de línguas e cores diversas, pois todos somos, em força do batismo, um só em Cristo.

2º exemplo: Ezequiel 36,24-28 é um trecho do profeta Ezequiel onde se fala de um banho purificador com uma água pura e da doação de um coração novo e um espírito novo que Deus concederá para a preparação do novo Êxodo do Exílio. Em sintonia com esta leitura do Antigo Testamento se acorda perfeitamente o Evangelho de São João 3,1-6 em que Jesus fala de um novo nascimento do alto. Condição necessária para entrar no Reino que Cristo veio inaugurar. E como comentário, deste Evangelho temos o trecho da carta de São Paulo aos Romanos 6,3-5 a nos ensinar que é justamente com a imersão nas águas lustrais do batismo que se realiza a participação no mistério salvífico da morte de Cristo para uma nova ressurreição nascendo verdadeiramente para uma vida nova em união com Cristo Ressuscitado.

Outras leituras:
Gn 17,1-8= Estabelecerei minha aliança entre mim e te e teus descendentes para sempre; uma aliança eterna.
Is 44,1-3= Infundirei meu espírito em tua descendência.
Gl 3,26-28= Vós todos que fostes batizados em Cristo, vos revestistes de Cristo.
Ef 4,1-6= Há um só Senhor. Uma só fé, um só batismo.
1Pd 2,4-5.9-10= Mas vós sois a raça escolhida, o sacerdócio do Reino.
Tt 3,4-7= Ele nos salvou pelo batismo e pelo Espírito Santo.
Sl 41,2-3; Sl 42,3.4; Sl 125 (126)
Mc 1,9-11= Foi batizado por João no rio Jordão.
Mc 10 13-16= Deixai vir a mim as crianças.
Jo 4,5-14= Uma fonte de água que jorra para a vida eterna.
Jo 7,37b-39ª= Rios de água viva jorrarão do seu interior.
Lc. 10,17-24= Ficai alegres porque vossos nomes estão escritos no céu.

Oração dos fiéis

            Invocação dos santos: Este é o momento em que se vive a comunhão dos cristãos da terra com os cristãos já glorificados da Igreja triunfante, quando à invocação à Santíssima Trindade se acrescenta a intercessão dos santos. A Igreja vê em todos os santos não só os nossos intercessores, mas também modelos de vida evangélica, de perfeita caridade e de um testemunho de vida cristã até o heroísmo.

            Oração: Esta oração dirigida ao Pai de quem nos tornamos filhos adotivos graças à redenção do Filho Jesus Cristo operada pela morte e ressurreição, da qual nos apropriamos mediante a fé  e pelo  batismo, participamos na morte e ressurreição que se realiza no Espírito.

            Unção pré-batismal: A vida cristã se assemelha aos exercícios agnósticos dos lutadores, segundo muitas passagens das escrituras, principalmente em São Paulo. É assim que se compreende o alcance desta Unção pré-batismal. Então o batizando poderá dizer na realidade: “tudo posso naquele que me torna forte” (Fl 4,15). A vida cristã é uma “corrida, é uma luta” (1Cor 9,24-27). Daí o simbolismo desta unção: o óleo enrobustecia os músculos e tornava o lutador menos atingível. Por isso o celebrante pede a Deus: “O Cristo Salvador te dê sua força. Que ela penetre em tua vida como este óleo em teu peito”. Amém

A LITURGIA SACRAMENTAL

            Esta parte, que culmina na cerimônia central do Batismo, é precedida de alguns ritos preparatórios e seguida de ritos pós-batismais.

            Oração sobre a água: Junto à fonte batismal louva-se a Deus relembrando o simbolismo da água na história da salvação. É oportuno dizer que na Bíblia bendizer a Deus ou louva-lo significa também agradecer. Pelo simbolismo que carrega em si o termo água no plano da salvação, ela foi o elemento material que Deus escolheu para unir à palavra, chamada forma, do sacramento do Batismo.
Da Escritura vamos ressaltar os seguintes fatos: o dilúvio foi um merecido castigo pelos pecados da humanidade; mas se transformou nos desígnios de Deus em tipo ou figura do Batismo, como nos ensina a primeira carta de São Pedro 3,21, pois as mesmas águas do dilúvio sustentaram a Arca de Noé, e nela encontraram oito pessoas, Gn 7,7. 13.
No grande êxodo, que foi a libertação do cativeiro do Egito, as águas do Mar Vermelho se retiram prodigiosamente (Ex 14,15.21-22). Esta travessia foi considerada pelo apóstolo São Paulo (1Cor 10, 3-5) como uma figura do batismo. Não nos esqueçamos também que o batismo de Jesus se deu nas águas do rio Jordão que foram por ele santificadas para o futuro batismo cristão (Mt 3,13-17). Depois devemos nos lembrar das profecias de Ezequiel, quando vê uma fonte jorrar debaixo do templo de Jerusalém para anunciar os novos tempos da volta do Exílio (Ez 47). Este texto é para colocar em paralelo com João 2,19. E sua compreensão mais profunda vem mais adiante com João 7,37 que encontra o seu cumprimento completo em João 9,33-37.
Como anúncio do Novo Êxodo, da Nova Aliança, dos tempos novos, em que Deus dará ao povo um coração e um espírito novo, estão as águas a simbolizar esta transformação radical: Ezequiel 36,25. Tudo isto se tornará realidade com o advento do messias, o Cristo, Filho de Deus. A água por fim vai ser o símbolo do Espírito Santo: Apocalipse 22,1.

            Promessas do Batismo: Os adultos que as (crianças) apresentam para o batismo, ao renovarem as promessas do seu Batismo, assumem o compromisso de educá-las na fé, a fim de que a vida nova do batismo possa desenvolver-se e, um dia, ser consciente e livremente assumida pelos próprios batizados.
As promessas do batismo compreendem, além de uma advertência aos pais e padrinhos que é conveniente que seja lida pelo orientador do encontro de preparação, consta de uma fórmula para as renúncias que pode ser escolhida e também adaptada pelas Conferências Episcopais, principalmente quando “pais e padrinhos” devem renunciar a práticas supersticiosas. Parece que em certos ambientes do Brasil seria recomendável uma declaração explicita contra práticas e doutrina do espiritismo que invade sub-repticiamente vários setores do catolicismo deturpando a pureza da nossa fé. 

            Batismo: O batismo etimologicamente é um banho, se pode fazer por imersão, infusão ou aspersão. Parece ser a melhor forma que obedece ao simbolismo que supõe São Paulo em Romanos 6,3-4: imersão símbolo da morte e sepultamento, como participação na morte de Cristo; emersão, símbolo da participação na ressurreição para a vida nova em Cristo.
Sobre o modo de administrar o batismo no fim do século primeiro há um testemunho de grande valor: “quando ao batismo, batizai assim: depois de ter ensinado tudo o que precede, batizai em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo, em água corrente. Se não existe água corrente, que se batize em outra água. Se não puder ser em água fria, faze-o em água quente. Se não tens bastante, nem uma nem outra, derrame água três vezes sobre a cabeça, em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo” (Didaqué).

RITOS COMPLEMENTARES

            Unção com o Crisma: Sendo o batizado membro de Cristo, que quer dizer Ungido com o Crisma a relembrar-lhe a tríplice missão que Cristo confia aos batizados: a missão sacerdotal, profética e real-pastoral. Uma vez recebido o batismo, o fiel entra a fazer parte do Povo de Deus com a tríplice missão sacerdotal, profética e real-pastoral.
            Os leigos participando, em força do batismo, do tríplice poder de Cristo, sacerdotal, profético e real-pastoral, são, portanto, obrigados a darem testemunho de Cristo, como membros de um povo de sacerdotes e reis. Biblicamente, só depois do Exílio eram ungidos os sacerdotes, sendo inicialmente a unção reservada ao Sumo Sacerdote. No caso dos profetas a unção é entendida no sentido metafórico de investidura, já os reis eram sagrados no templo e ungidos por um sacerdote.

            Veste branca: O significado desta cerimônia deve ser procurado nas epístolas de São Paulo aos Gálatas 3,27 e aos Efésios 4,24, porque o cristão, nascendo em Cristo como nova criatura (2Cor 5,17), se revestiu de Cristo. O simbolismo da cor branca, de muitas passagens bíblicas, resulta como sinônimo de inocência, de alegria, de nobreza, de pureza da veste de Cristo glorificado (Mt 17,2; Ap 3,4).

            A vela acesa: A entrega da vela acesa relembra todo o simbolismo do Círio Pascal na liturgia da Vigília Pascal quando o sacerdote abençoa o fogo: “Ó Deus, que pelo vosso Filho trouxestes àqueles que crêem o clarão da vossa luz, santificai (+) este novo fogo. Concedei que a festa da páscoa acenda em nós tal desejo do céu, que possamos chegar purificados à festa da páscoa acenda em nós tal desejo do céu, que possamos chegar purificados à festa da luz da eterna”. É por isso que “os pais ou na ausência, os padrinhos, acendem no Círio Pascal à vela de cada criança”. Na bíblia, Cristo é chamado “luz para iluminar os povos” (Lc 2,32). O próprio Cristo diz de si mesmo: “Eu sou a luz do mundo” (Jo 8,12). E todo discípulo de Cristo, como os recém-batizados, se deve recordar das palavras de Jesus em Mt 5,14-16: “Vós sois a luz do mundo... brilhe a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras”.

            “Éfeta”: Esta palavra está relacionada com o milagre que Jesus fez ao curar o surdo-mudo (Mc 7,34): “Levantando os olhos para o céu, gemeu e disse ‘Ephphtha’, que quer dizer: ‘abre-te!’”. É por isto que a oração que acompanha o gesto do celebrante ao tocar os ouvidos e a boca de cada criança, se for oportuno, diz: “O Senhor Jesus que fez os surdos ouvir e os mudos falar, te conceda que possas logo ouvir a sua palavra e professar a fé para louvor e glória de Deus Pai”. No original aramaico pronuncia-se effatá.
            RITOS FINAIS: Se o batismo se realiza longe do presbitério, faz-se uma procissão até o altar levando-se acesas as velas dos neobatizados e, se possível, com um cântico batismal.
            Oração do Senhor: Com uma motivação teológica, por exemplo, com o batismo nos tornamos filhos de Deus Pai, irmão de Cristo, templo do Espírito Santo - da nova situação em que se encontram os neobatizados, antes da Bênção final, se diz muito oportunamente à oração própria dos filhos de Deus: o Pai Nosso.
            Benção: Essencialmente se nomeiam as pessoas da Santíssima Trindade como fontes de bênçãos para os neobatizados, pois, a partir do batismo, há uma consagração particular á Trindade Santíssima.
            Consagração a Nossa Senhora: A verdadeira consagração a Deus e a Cristo é o Batismo; une se uma fórmula apropriada, em que Maria aparece com o modelo de perfeita consagrada a Deus; seja ela feita depois de toda a cerimônia do batismo e não logo depois do Pai Nosso; respeitar os costumes da piedade popular, deixando, por exemplo, que levem a criança batizada até o altar de Nossa Senhora, ou, antes da despedida rezando juntos a Ave Maria.

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