O QUE É PERMITIDO FAZER NO DOMINGO?

O que é permitido fazer no Domingo?

Para os cristãos o Domingo é O Dia, pois nele celebramos a Páscoa do Senhor, a nova criação inaugurada em Cristo, a prefiguração do último dia quando Cristo renovar plenamente todas as coisas[1]. O que fazer, então, neste dia? Como celebra-lo? Será que devemos passar todo o dia dentro da capela do Santíssimo, pois só lá encontramos Deus presente neste dia? Será que devemos “inventar” reuniões, encontros e celebrações da Palavra o suficiente para ocupar todo o dia do Domingo não dando brecha para mais nada? Será que uma “prainha” é pecado no Domingo?...
O “Dia do Senhor”, que dá sentido a todo o tempo de nossa vida, é celebrado no culto a Deus, no serviço da caridade e no desfrute do repouso e do lazer [2].
Celebramos o Domingo prestando a Deus o culto que lhe é devido. É a celebração do louvor e gratidão por sua bondade que realiza por nós maravilhas. Na Eucaristia, fonte e ápice da vida cristã, somos mergulhados no Mistério Pascal de Cristo que dá ao Domingo seu sentido pleno de Dia do Senhor[3]. Por isso, a participação na Celebração Eucarística é indispensável neste dia (salvo nos lugares onde não seja possível celebrá-la, então a comunidade reúne-se ao redor da Palavra).
Celebramos o Domingo por meio da prática da caridade. Neste dia, mais do que em qualquer outro, o exercício da misericórdia é o meio de celebrar o Mistério Pascal, pois por meio dele manifesta-se no mundo a bondade e o cuidado de Deus que Jesus encarnou e testemunhou e que, agindo pelo Espírito no coração dos fiéis, os move a fazer o mesmo. O culto litúrgico esquecido da caridade perde seu sentido, como nos deixa perceber a parábola do Bom Samaritano[4].
Celebramos o Domingo quando não nos deixamos arrastar pelo ativismo da vida, ou seja, quando somos capazes de parar, de entrar no descanso que nos permite contemplar a beleza da criação. Celebramos o Domingo quando desfrutamos do prazer de viver, de estar com os outros e, assim, cultivar a vida familiar, cultural, social e religiosa[5]. O descanso e o lazer são necessários a vida do ser humano para sua saúde física e espiritual[6] e são espaço para uma verdadeira ação profética”...defendendo não só o primado de Deus, mas também o primado e a dignidade da pessoa sobre as exigências da vida social e econômica, e antecipando de certo modo os ‘novos céus’ e a ‘nova terra’, onde a libertação da escravidão das necessidades será definitiva e total... o dia do Senhor, na sua forma mais autêntica, torna-se também o dia do homem[7]Portanto, para deixar claro o que é permitido fazer no domingo, basta compreendermos que este dia deve ser dia de CELEBRAÇÃO em todas as dimensões citadas, pois Deus está presente em todas elas e deve ser glorificado, anunciado e testemunhado em tudo o que fazemos, já que nele existimos, nos movemos e somos... Estas dimensões não podem, nem devem ser separados, sob sério risco de desfigurarmos a celebração do Dia do Senhor.
O culto litúrgico, o exercício da caridade e o desfrutar do descanso e do lazer se relacionam mutuamente (pericoreticamente) e nos dão os meios mais salutares de guardar o Domingo como Dia do Senhor. Então: VAMOS À MISSA! VAMOS À PASTORAL! VAMOS À “PRAIA”!

Pe Augusto Lívio – Diocese de Mossoró


[1] Cf. Dies Domini n. 1 e n. 8.
[2] Cf. Catecismo da Igreja Católica. 2185.
[3] Ibidem 1166-1167; Lúmen Gentium 29.
[4] Lc 10,29-37; Dies Domini n. 69-73.
[5] Cf. Dies Domini n. n. 65 e n. 67; Catecismo da Igreja Católica, 2184.
[6] Cf. Dies Domini n. n. 67; Catecismo da Igreja Católica, 2185.
[7] Dies Domini n. 68.

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