ORAÇÃO SOBRE A ÁGUA BATISMAL

Comentário teológico da Oração
sobre a água batismal

A fórmula da oração sobre a água batismal inicia-se com a proclamação da fé sobre a qual não se pode ver, por se tratar de um contexto invisível da graça de Deus, que necessariamente necessita dos sinais visíveis, onde o próprio Deus se serve de tais sinais para poder manifestar o seu poder criador e mostrá-lo visivelmente aos seus por meio da graça do Batismo. A oração é dividida em oito partes, que estão intrinsecamente interligados para dar todo o sentido anamnético contido em sua estrutura, inicia-se com o prólogo (cf. 1.1-4); a anamnese da água da criação e a anamnese da água do dilúvio (cf. 5. 5-9); a anamense da água do mar Vermelho (cf. 10. 10-16); a anamnese da água do Jordão (cf. 15. 17-18); anamnese da água do lado de Cristo transpassado na cruz (cf 15. 19-20); a anamnese da água do batismo (cf. 20. 20-23); e a Epiclese (cf. 20. 24-36).  
A oração anamnética inicia-se fazendo uma alusão a seis importantes momentos, sobre a clarividência do criacionismo e obra de Deus, apontado pelo autor, onde desde o princípio já demonstra a importância e graça do sinal da água, purificada e santificada na graça e força do Seu Espírito Santificador que pairava sobre a mesma. A Criação inteira dependente dessa água para poder sobreviver santamente, saciados e embebidos do primordial para a vida eterna. A água tem um significado profundo desempenhando um papel relevante na liturgia. O tratado sobre as águas do dilúvio faz parte da anamnese da água do dilúvio, como uma prefiguração do desejo de Deus de conceder ao mundo uma nova roupagem, lavando e afogando tudo aquilo que outrora era contrária a vontade do Criador, que pela força seu Espírito e simbolizado pela água, os banha e santifica suas almas, o que de fato mais importa para Deus, ou seja, este mundo não faz parte do que se espera alcançar, mais se depende dele para se chegar ao que se espera. Prefigura o nascimento de novos homens, que faz morrer sobre si todo o pecado, único meio para se chegar a santidade. Pelo batismo, acontece o banho de água acompanhado da palavra da vida, que limpa, purifica e santifica os homens de toda a mancha de culpa, tanto original como pessoal, e torna-os participantes da natureza divina e filhos adotivos do Pai, como se vê no nº10. Com efeito, o batismo, como se proclama nas orações da bênção da água, é o banho de regeneração dos filhos de Deus e do seu nascimento do alto. Por meio dos sinais sacramentais, Deus manifesta seu poder sobre todos os povos.
A anamnese da água do mar vermelho (cf. Ex 14, 5-31) também faz parte da imagem do batismo, as águas que parecem em cena é sinal de vida e de morte, é uma prefiguração do batismo como um êxodo novo, que os faz libertos de toda mancha do pecado, e assumindo um compromisso verdadeiro de pertença a Deus, abraçando a fé quem lhes é apresentada, a priori com os nossos pais. A imagem que aparece do povo de Israel significa a Igreja, a comunidade do povo eleito e batizado que se coloca a serviço do Pai adorando-o verdadeiramente, pela assiduidade no compromisso com a mesma na participação do culto ao Senhor. Dar-se aqui por encerado a cessão anamnética que faz alusão ao Antigo Testamento.
O Novo Testamento inaugura um novo batismo com a anamnese da água do Jordão. O mesmo Espírito que pairarava sobre as águas no Testamento com a criação, desce sobre o início da nova criação em Jesus Cristo o Senhor, que manifestado o poder do Altíssimo é santificado e habilitado a prosseguir o caminho do anuncio do seu reino, mostrando o tempo da salvação, o messianismo salvífico pela água do batismo, sacramento eterno.
A ananmese da água do lado de Cristo transpassado na cruz, imerge os eleitos no batismo, agora na paixão e morte de Jesus. Rios de água viva jorrarão do seu lado aberto, para todo aquele que nele crer, este terá a vida eterna. Temos aqui o símbolo do batismo e da pessoa do Espírito Santo. A água aparece como um dom gratuito de Deus sobre aqueles que foram mergulhados mistério glorificador por sua morte e ressurreição. É importante entender que o batismo é uma gratuidade de Deus, pela força dos dons derramados e concedidos conforme a sua necessidade. Cada batizando depois que recebe o Espírito Santo torna-se templo, ou seja, portador da divindade, templo vivo do Senhor.
Esta ultima anamnese da água do batismo procede ao ápice do cumprimento a vontade do Deus, seguindo as ordens do nosso mestre e Senhor, no anuncio da boa nova e aceitação da fé cristã, tendo em vista o conhecimento na orientação e formação das comunidades de vida que aderiram a escuta e vivencia do anuncio transmitido e que são chamados a dar continuidade aos ensinamentos de Jesus e na prática batismal.
Cada batizando recebe o convite a uma vida de totalidade e completude na Trindade, e assumindo uma identidade trinitária. A proposta de vida e radicalização mediante os esforços no trabalho cristão.
O texto encerra as sessões anamnéticas, passando para as invocações (epicleses) que estão intimamente ligadas. Deus é o autor da grande maravilha da água, pôs sobre ela sua benção, concede-lhe o poder da purificação e vida nova que ela nos trás pelo batismo. Deus atualiza o momento perante a igreja reunida para celebrar a sua maternidade, através da súplica sobre as fontes batismais para que assim seja aberto esta unidade maternal.
Uma vez purificados, surge um novo homem e junto a ele os seus frutos. No homem constitui uma verdadeira significância como parte da criação de Deus, sendo ele criado a sua imagem e semelhança, que outrora era escravo do pecado, e uma vez salvos da morte, ressurgem a para uma vida eterna. A súplica epiclética tem uma conotação de invocação para que os filhos de Deus participem do mistério pascal mergulhando e passando pelas águas possam sepultar sua velha vida e ressurgir uma nova criatura.
Portanto, uma participação nos sinais da salvação, sobre um novo tempo de graça, pela graça e ação do Espírito de Deus na nova criação que surge, livres do pecado e do demônio, para dedicar-se totalmente ao serviço de Deus.

FIQUEM NA PAZ DE DEUS!
SEMINARISTA SEVERINO DA SILVA.

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