A CATEQUESE NOS DIAS ATUAIS

Trabalho sobre: A Catequese hoje

Introdução


Segundo João Paulo II, A Catequese foi sempre considerada pela Igreja como uma das suas tarefas primordiais, porque Cristo ressuscitado, antes de voltar para junto do Pai, deu aos Apóstolos uma última ordem: fazerem discípulos de todas as nações e ensinarem-lhes a observar tudo aquilo que eles lhes havia mandado. Desde modo, Cristo confiava-lhes a missão e o poder de anunciarem aos homens aquilo que eles próprios tinham ouvido, visto com os seus olhos, contemplado e tocado com as suas mãos, do Verbo da vida.


Nós temos um único Mestre, Jesus Cristo (9 – 14).

O objetivo primordial da catequese é acentuar todas as atenções na Pessoa de Cristo, ou seja, no ensino catequético Jesus de Nazaré, “Filho único do Pai, cheio de graça e de verdade”, que sofreu e morreu por nós, e que agora ressuscitado vive conosco para sempre, é o centro de toda catequese. Catequizar = é levar alguém, a perscrutar o “Mistério de Cristo”.

O cristocentrismo presente na catequese significa que se deseja transmitir, não cada um sua própria doutrina ou então a de um mestre qualquer, mas os ensinamentos de Jesus Cristo, a Verdade que ele comunica, ou, mais precisamente a Verdade que ele é.

Toda a vida de Cristo foi um contínuo ensinar: seus silêncios, seus milagres, seus gestos, sua oração, seu amor pelo homem, sua predileção pelos pequeninos e pelos pobres, a aceitação do sacrifício total na cruz pela redenção do mundo e sua ressurreição são o atuar-se de sua palavra e o realizar-se de sua revelação. 



Uma experiência tão antiga quanto a Igreja (15 – 23)

A imagem de Cristo tinha-se impresso no espírito dos Doze e dos primeiros discípulos; sua ordem era: “Ide, portanto, e fazei com que todas as nações se tornem discípulos, batizando-as em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo”. Os adversários tentaram inibir a ação dos apóstolos, dando ordens de não ensinar em nome de Jesus, mas estes consideraram melhor obedecer a Deus do que aos homens.

Os Apóstolos transmitiram aos seus sucessores o múnus de ensinar. Não cessaram em fazer com que outros participassem na evangelização compartilhando para com estes o ministério apostólico. Temos como exemplo o Diácono Estevão que “cheio de graça e de fortaleza” não cessou de ensinar. Também São Paulo com suas cartas prolongam e aprofundam tal ensino.

A Igreja, por sua vez, continua esta missão de magistério dos Apóstolos e dos seus primeiros colaboradores. Desde São Clemente de Roma até Orígenes, época esta pós-apostólica. Lembramos também os séc. III e IV período este que surgiram grandes padres da Igreja como: São Cirilo de Jerusalém, João Crisóstomo, Santo Ambrósio e Santo Agostinho que nos deixaram obras catequéticas que continuam como modelos até os dias de hoje.

É manifesto afirmar que a catequese foi sempre para a Igreja um dever sagrado. Todos os batizados possuem o direito de receber da Igreja um ensino e uma formação que lhes permitam chegar a ter uma verdadeira vida cristã.

A Igreja, neste século XX, é convidada por Deus e pelos acontecimentos, a renovar a sua tarefa a sua confiança na atividade catequética, como uma tarefa verdadeiramente primordial da sua missão consagrando os seus melhores recursos de pessoal, sem poupar esforços, trabalhos e meios materiais a fim de organizar melhor e de formar para a mesma, pessoas qualificadas.

Todos os membros da Igreja, deve sentir-se responsável, com responsabilidades distintas, que dimanam da missão de cada um deles. O Papa, os Bispos, os sacerdotes, os religiosos e as religiosas, os pais, os professores, os diversos ministros da Igreja os catequistas.


A Catequese na atividade pastoral e missionária da Igreja (24 – 32)

A catequese anda ligada com certo número de elementos da missão pastoral da Igreja que a preparam e a desenvolvem; o primeiro anúncio do evangelho, a pregação missionária para suscitar a fé, a apologética, a busca da razão de crer, a experiência da vida cristã, a celebração dos sacramentos, a integração na comunidade eclesial, e o testemunho apostólico e missionário.

A catequese visa um duplo objetivo de fazer amadurecer a fé inicial e de educar o verdadeiro discípulo de Cristo, mediante um conhecimento mais aprofundado e mais sistemático da Pessoa e da mensagem de Jesus Cristo.

A catequese não deixa de continuar a ser a de desenvolver, com a ajuda de Deus, uma fé ainda inicial, e de promover em plenitude e de alimentar quotidiana a vida cristã dos fiéis de todas as idades. Trata-se de fazer crescer, o gérmen de fé semeado pelo Espírito Santo, com o primeiro anúncio do Evangelho, e transmitido eficazmente depois do Batismo.

O esforço por educar os fiéis para viverem nos dias de hoje como discípulos de Cristo reclama e facilita uma descoberta aprofundada do Mistério de Cristo na história da salvação. “ninguém pode alcançar a verdade integral mediante uma simples experiência privada, quer dizer, sem uma explicação adequada da mensagem de Cristo, que é “Caminho, Verdade e Vida (Jo 14,6)”.

Graças à catequese, o “Kerigma” – aquele primeiro anúncio cheio de ardor que um dia transformou o homem e o levou à decisão de se entregar a Jesus Cristo pela fé, será explicado fazendo apelo à razão e orientando para a prática cristã na Igreja e no mundo.

toda a boa nova colhida na fonte (33 – 43)

O seu conteúdo não poderia ser outro se não o da mesma evangelização tomada globalmente: a mesma mensagem – a Boa Nova da Salvação.

A catequese há de haurir = (beber) sempre o seu conteúdo na fonte viva da Palavra de Deus, transmitida na Tradição e na Escritura, porque “a Sagrada Tradição e a Sagrada Escritura constituem um só depósito inviolável da Palavra de Deus, confiado à Igreja”.

Fazer com que as crianças, os adolescentes e àqueles que progridem na fé possam compreender melhor “o que de Deus se pode conhecer”; expor-lhes em poucas palavras o mistério de Deus do Verbo de Deus Encarnado que realizou a salvação do homem pela sua Páscoa.

A catequese terá uma dimensão ecumênica, pois, se ela, sem renunciar a ensinar que a plenitude das verdades reveladas e dos meios de salvação instituídos por Cristo permanece na Igreja, fizer tal ensino com sincero respeito, em palavras e em obras, para com as comunidades eclesiais que não estão em perfeita comunhão com esta mesma Igreja.

Nas situações de pluralidade religiosa, os Bispos poderão julgar oportunas ou mesmo necessárias certas experiências de colaboração no domínio da catequese entre católicas e outros cristãos, como complemento de catequese normal, que, de toda a maneira, os católicos devem receber.

As escolas do Estado põem à disposição dos alunos livros em que são apresentadas, por motivações culturais, históricas, morais, literárias as diversas religiões, incluindo a religião católica. Mas esses manuais não poderiam evidentemente ser considerados como obras catequéticas; para isto falta-lhes o testemunho daqueles que crêem no expor a fé a outros que crêem, e uma compreensão dos mistérios cristãos e da especificidade católica colhidas do interior da fé.



todos precisam ser catequizados (44 – 52)

A ascensão dos jovens é sem dúvida o fato mais rico de esperanças e ao mesmo tempo de ansiedade para boa parte do mundo de hoje. Por isso, se faz necessário apresentar a estes Jesus Cristo mediante um conhecimento cada dia mais aprofundado e mais luminoso da sua Pessoa, da sua mensagem, do desígnio de Deus que ele quis revelar, do chamado que ele dirige a cada um, do Reino que ele quer inaugurar.

A catequese também é destinada a introduzir as crianças de modo especial na vida da Igreja, e que compreende também uma preparação imediata para a celebração dos Sacramentos; catequese inicial, sim, mas não fragmentária, uma vez que ela deverá apresentar, embora de maneira elementar, todos os mistérios principais da fé. 

É a fase da descoberta de si mesmo e do próprio mundo interior, o tempo dos planos generosos, o tempo do desabrochar do sentimento do amor, com os impulsos biológicos da sexualidade, o tempo do desejo de estar junto com os outros, o tempo de uma alegria particularmente intensa, ligada a uma inebriante descoberta da vida.

Com a idade da juventude chega o momento das primeiras grandes decisões. A catequese assume então uma importância considerável, porque é o momento em que o Evangelho poderá ser apresentado, compreendido e acolhido como algo capaz de dar sentido à vida, inspirando atitudes como: renúncia, desapego, mansidão, justiça, fidelidade aos compromissos, reconciliação, etç.

Neste sentido, o Sínodo foi muito benéfico para toda a Igreja, enquanto se esforçou por refletir com a maior exatidão possível a face complexa da juventude dos dias de hoje; depois, enquanto ele mostrou que esta juventude se serve de uma linguagem, para a qual importa saber traduzir, com paciência e sabedoria, a mensagem de Jesus, sem a trair.

O meu pensamento dirige-se seguidamente para as crianças e para os jovens, cada dia mais numerosos, nascidos e educados num lar não-cristão ou pelo menos não-praticante, os quais estão desejosos de conhecer a fé cristã.

Esta é a principal forma da catequese, porque se dirige a pessoas que têm as maiores responsabilidades e a capacidade para viverem a mensagem cristã na sua forma plenamente desenvolvida.


ALGUNS CAMINHOS E MEIOS PARA A CATEQUESE (53 – 58)

Desde o ensino oral dos Apóstolos e das Cartas que circulavam entre as Igrejas, a catequese nunca deixou de procurar as vias e os meios adaptados para se desempenhar a missão. Hoje se deve continuar tal esforço com os meios de comunicação social e os meios de comunicação de grupos. Os esforços que já se realizaram neste campo nos dão as melhores esperanças.

As peregrinações diocesanas, regionais ou nacionais, que lucrarão certamente se forem centradas num tema criteriosamente escolhido, a partir da vida de Jesus Cristo, de Nossa Senhora e dos Santos; depois, as missões tradicionais, abandonadas muitas vezes precocemente e que são insubstituíveis para uma renovação e vigorosa vida cristã.  

A pregação, centrada nos textos bíblicos, deverá então, à sua maneira, dar ocasião a que os fiéis se familiarizem com o conjunto dos mistérios da fé e das normas da vida cristã. Deve-se dispensar uma grande atenção à homilia, que não deve ser muito longa, nem demasiadamente breve.

Entre este conjunto de vias e de meios – toda a atividade da Igreja, aliás, tem uma dimensão catequética. Um dos aspectos mais salientes da renovação da catequese nos dias de hoje consiste na remodelação e na multiplicação dos livros catequéticos, mais ou menos por toda parte da Igreja.

A tal propósito, não posso deixar de dirigir um vivo encorajamento às Conferências Episcopais que elas tomem a iniciativa, com paciência, mas ao mesmo tempo com firme resolução, daquele grande trabalho a ser realizado de acordo com a Sé Apostólica, qual é de preparar verdadeiros catecismos, fiéis aos conteúdos essenciais da Revelação.


COMO FAZER CATEQUESE (59 – 64)

A idade e o desenvolvimento intelectual dos cristãos, bem como o seu grau de maturidade eclesial e espiritual e muitas outras circunstâncias pessoais exigem que a catequese adote métodos muito diversos, para poder alcançar, a própria finalidade específica: a educação a fé.

O primeiro problema que se apresenta no ensino catequético diz respeito ao risco e à tentação de misturar indevidamente perspectivas ideológicas, sobretudo de natureza político- social, ou então opções políticas pessoais. É pela Revelação que a catequese procurará reger-se; esta Revelação é a de um Deus Criador e Redentor que entra na história humana mudando radicalmente o homem e o seu universo sob a influência de Jesus Cristo.

Nós podemos dizer da catequese, como da evangelização em geral, que ela é chamada a levar a força do Evangelho ao coração da cultura e das culturas. A catequese tem de procurar conhecer essas culturas e as suas componentes essenciais; ela deve aprender as suas expressões mais significativas; e deve também saber respeitar os seus valores e riquezas.

Um outro problema de método diz respeito à valorização, pelo ensino catequético, dos elementos válidos da piedade popular como as devoções que são praticadas em algumas regiões pelo povo fiel com um fervor e com uma pureza de intenção comovedores, se bem que a fé que está na sua base deva ser purificada, ou até mesmo retificada, sob muitos aspectos.

a alegria da fé num mundo difícil (65 – 71)

Nós vivemos num mundo difícil em que a angústia de ver as melhores criações do homem escaparem-lhe e voltarem-se contra ele, porém é neste mundo assim que a catequese tem de ajudar os cristãos a serem, pela sua alegria e pelo serviço de todos, “luz” e “sal”.

Falava-se muito, há alguns anos atrás, de mundo secularizado e de era pós-cristã. Os cristãos de hoje devem ser formados para viver num mundo que em vasta escala ignora Deus. Nós precisamos de uma catequese que ensine aos jovens e aos adultos das nossas comunidades a permanecerem lúcidos e coerentes na sua fé e a afirmarem serenamente a própria identidade cristã e católica.

Quando se fala de pedagogia da fé, não se trata simplesmente de transmitir um saber humano, mesmo o mais elevado que se queira pensar; trata-se, sim, de comunicar na sua integridade a Revelação de Deus. E ao longo de toda história sagrada, e sobretudo no Evangelho, o próprio Deus serviu-se de uma pedagogia que deve continuar a ser modelo para a pedagogia da fé.

Certamente a vantagem de nos recordar que a fé diz respeito a coisas que ainda não são possuídas, uma vez que se esperam, que não se vêem ainda senão como que “num espelho, de maneira confusa”, e que Deus habita sempre numa luz inacessível.

É importante que se compreenda bem a ligação entre a catequese e a teologia. Esta ligação é com toda a evidência algo de profundo e vital para quem compreende a missão insubstituível da teologia a serviço da fé. Os catequistas deverão colher no campo da investigação teológica aquilo que possa esclarecer a sua própria reflexão e o seu ensino, indo beber, assim como os teólogos, nas verdadeiras fontes, à luz do Magistério.

a tarefa diz respeito a todos nós (72 – 83)

Desejaria semear abundantemente nos corações de todos os numerosos responsáveis pelo ensino religioso e pela preparação para a vida conforme ao Evangelho, a coragem, a esperança e o entusiasmo.

Todos os Bispos têm uma missão particular nas suas igrejas, são os primeiros responsáveis pela catequese, os catequetas por excelência. Juntamente com o Papa, no espírito da colegialidade episcopal, incumbe a responsabilidade pela catequese na Igreja inteira. Pois bem: que a preocupação de promover uma catequese ativa e eficaz não ceda nada frente a qualquer outra preocupação seja ela qual for.

Quer estejais encarregados de uma paróquia, quer sejais assistentes espirituais numa escola, num liceu ou numa universidade, ou então animadores de pequenas ou grandes comunidades, mas, sobretudo de grupos de jovens, a Igreja espera de vós que nada havereis de descurar em vista de uma atividade catequética bem estruturada e bem orientada.

Há muitas Famílias religiosas, masculinas e femininas, que nasceram para a educação cristã das crianças e dos jovens, sobretudo dos mais abandonados. E que as comunidades consagrem o máximo das suas capacidades e das suas possibilidades à obra específica da catequese.


Conclusão:
A catequese, que é crescimento na fé e maturação da vida cristã em vista da plenitude, por conseqüência, é uma obra do Espírito Santo, obra que só ele pode suscitar e manter na Igreja.

Referência: Documento da Igreja – A Catequese Hoje – Exortação Apostólica, CATECHESI TRADENDAE, JOÃO PAULO II, Paulinas, 93

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