A CRISMA

A CRISMA
INTRODUção


Desde os primórdios do cristianismo, a Igreja tem consciência que ela é convidada a desempenhar o seu papel que é evangelizar, ser missionária por excelência já que sua origem está relacionada com a prática de Jesus Cristo em anunciar a boa nova e com a sua Pessoa. Ela deve ir de encontro ás necessidades do homem e transmitir ao mundo o evangelho da Salvação. Foi Ele mesmo Jesus Cristo que “chamou os Doze e começou a enviá-los, dois a dois; e deu-lhes poder sobre os espíritos imundos” (Lc. 6, 7). Jesus Cristo quis se multiplicar na tarefa da evangelização. Por isso convocou aqueles que escolhera, os preparou e forneceu a cada um deles pistas para desenvolver um trabalho que num futuro próximo pudessem colher os frutos. “em qualquer casa em que entrardes, ficai nela, até vos retirardes dali. Se não vos receberem nem vos escutarem, saí dali e sacudi o pó dos vossos pés em testemunho contra eles” (Lucas 6, 10-11).


Ora, esta é a dinâmica de Jesus o discípulo não pode receber sua mensagem e de forma errônea guardá-la pra si egoisticamente. Todo cristão é convidado por vontade explícita de Jesus a fazer parte de seu corpo místico tornando-se membro e ao mesmo evangelizador. “Ide por todo mundo e pregai o evangelho a toda criatura” (Marcos 16, 15). A mística dessa realidade (sendo a Igreja) que é fundada por Jesus “e eu te declaro: tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja” (Mateus 16, 18) chama-se fé. A fé é um dom, uma graça, um presente concedido por Deus a todo homem de boa vontade bem como a todos os cristãos que como batizados são responsáveis de possuí-la de forma consciente, aceitando-a com alegria, buscando-a fortificá-la de forma mais perfeitamente na sua vida cristã alimentando-se sempre da escuta da Palavra de Deus e da Eucaristia (corpo e sangue de Jesus Cristo.


É possuindo a fé em Jesus Cristo Nosso Senhor que somos inseridos na Igreja (Corpo Místico de Cristo). Ele é a cabeça e nós somos os seus membros. É ele que guia com o auxilio do espírito e o amor do Pai cada membro onde cada um exerce funções diferentes, tendo a devida responsabilidade de dinamizar sempre em harmonia gerando cada vez mais frutos (cristãos batizados) como células que se multiplicam para gerar cada vez mais “cem por um”. Não tenhamos dúvida que esse é o grande projeto de Deus confiado a cada cristão batizado é um compromisso com Ele mesmo passando por nossos irmãos, é um compromisso com a humanidade. Todos os cristão presentes ao redor do mundo, isto é, que fazem parte desta Igreja de Cristo são operários e responsáveis desse projeto, com a devida tarefa de anunciar uma nova esperança chamada Jesus Cristo.


Mediante isto, é com estes devidos fins e propósito que este projeto quer oferecer uma formação autentica. Sobretudo fundamentada na doutrina desta mesma Igreja e na Palavra de Deus, oferecendo aos jovens bem como os animadores e crismandos a realidade e o que significa na íntegra o recebimento do Sacramento da Confirmação com o intuito de renovar, reforçar a renovação do batismo, assumindo um compromisso e passando pela Igreja como forma de renovação, conversão e adesão a Pessoa de Jesus Cristo Nosso Senhor.


Marco Teórico


A teologia como outra qualquer ciência busca o saber. O seu discurso será sempre em torno da relação Deus - homem. No centro de sua investigação estará sempre a pessoa de Deus, este por sua vez sempre será o seu objeto de estudo. Qualquer reflexão dentro do âmbito da teologia sempre se referirá de alguma maneira a Deus. A teologia é a ciência que aborda, discursa e procura, à luz da fé, aprofundar o conhecimento acerca da relação homem – Deus na história. Quando o crente assimila a teologia conscientemente, este logo sentirá um impulso a agir de alguma forma na pastoral. Não podemos negar que existe uma forte relação entre teologia e pastoral. Vejamos o que Karl Hahner disse: “toda boa teologia é pastoral, e toda pastoral consciente é teologia”. Neste binômio compreende-se que todo crente consciente é chamado a realizar na sua vida cristã uma ação, no que se refere a dimensão pastoral. Compreende-se pastoral como o conjunto de ações realizadas pela comunidade eclesial no seguimento de Jesus Cristo, na força do Espírito Santo, na busca do Reino de Deus e tendo como fonte a Santíssima Trindade. Portanto, “todos os batizados, seguidores de Jesus evangelizador, são chamados a tornarem-se, por sua vez evangelizadores” (CNBB, Doc 61: n° 293).

A pastoral é a concretude da teologia assimilada na própria vida. Por isso, a pastoral só terá sentido, em todas as suas ações para o cristão, se o mesmo procurar sempre a atualização de sua missão na pessoa de Jesus Cristo, porque Ele enquanto Imagem perfeita do Pai tornou-se o ícone perfeito da revelação e do projeto salvador para a humanidade. Através da pastoral, e com a graça de Nosso Senhor Jesus Cristo, somos remetidos, assim como Ele, ao serviço da evangelização. Com a pastoral somos como que levados a realizar as mesmas obras que Jesus realizou e com todos os seus méritos. Evangelizar implica também administrar toda e qualquer ação sobre a realidade em que o próprio agente está inserido, ela indica a compreensão dos serviços e as práticas que o evangelizador deverá realizar. No entanto, na ação pastoral existem tarefas diferenciadas na comunidade, tanto para os agentes de pastoral (leigos) como para um ministro ordenado. Há na Igreja diversas atividades de pastoral e os que representam o Senhor por um múnus em sua Igreja são homens libertados para estar de prontidão, na plena medida do possível. Vejamos na citação abaixo:

“Assim como Jesus era, no meio de seus apóstolos, como aquele que serve e, simultaneamente, como o Bom Pastor sendo Ele o centro de autoridade no pequeno rebanho, assim também deu aos seus apóstolos a missão de, na qualidade de servos de povo de Deus, serem os seus representantes plenipotenciários” (SOUZA, 2008: 4).

A tarefa que lhes confiou está descrita com estas palavras: “Em verdade, vos digo: o que ligardes sobre a terra será ligado também no céu; o que desligardes sobre a terra será também desligado no céu” (Mt 18, 18). Dirigir, ensinar, administrar os sinais do Senhor: eis em que consistia o pleno poder dos Apóstolos. As comunidades eram governadas por um grupo de Presbíteros ou Bispos, assistidos por Diáconos, enquanto os apóstolos mantinham a autoridade suprema. Vejamos o que diz o Apóstolo Paulo a Tito: “eu te deixei em Creta para que acabasses de organizar tudo e estabelecesses presbíteros em cada cidade, conforme minhas instruções” (Ti. 1, 5). Bispos, sacerdotes e os diáconos são portadores desta autoridade que faz com que Cristo esteja conosco. Hoje os sucessores legais dos apóstolos são os Bispos da Igreja Católica: eles são chamados a compartilhar a consciência messiânica de Jesus. Trata-se de uma missão, acompanhada de uma plenipotência que é imensamente maior que o homem. No entanto, o poder pastoral é dado, em sua plenitude maior, aos bispos. São eles “os” sacerdotes na Igreja:

“O governo do Bispo não é, obviamente, um dado político, mas um pastorear espiritual. Como tal, realmente normativo e de autoridade. O serviço do Bispo à Igreja é, com efeito: governar. Já que se trata de governo que se caracteriza particularmente pela diaconia, o pastorear significará não somente a prontidão para servir e ajudar, mas também abertura e atenção para qualquer voz cristã” (SOUZA, 2008: 6).
           
A tarefa no caso dos sacerdotes algumas dimensões no âmbito da pastoral estão intrinsecamente relacionadas com o mesmo, porque ele, ao receber o Sacramento da Ordem pela imposição das mãos do Bispo, recebeu também a responsabilidade de In Persona Cristi exercer o seu ministério. Este por sua vez, tornar-se o maior responsável em administrar não só a paróquia da qual o mesmo vai ser designado como a distribuição dos Sacramentos na mesma. No caso dos Diáconos estes também receberam pela imposição das mãos do Bispo o Sacramento da Ordem. Esta função é antiqüíssima na Igreja, em Atos 6, 1-6, vemos a escolha de sete homens dirigida pelos apóstolos para a distribuição de “auxílios”, “diaconia”. Já em Atos, 6, 8 e 8, 26-40, fica claro que os diáconos dediquem-se plenamente ao serviço da palavra. Séculos mais tarde o Concílio Vaticano II restabeleceu o oficio de diácono como função de vida. Ora, a consagração episcopal, sacerdotal e diaconal constituem um só sacramento em três degraus. Logo, todos os Sacramentos só podem ser administrados pela pessoa do Bispo e do Sacerdote. Aos Diáconos competem a eles as funções de auxiliar, batizar e pregar.


Os Sacramentos são sete: o Batismo, a Eucaristia, a Confirmação (Crisma), Penitência, a Unção dos Enfermos, a Ordem e o Matrimônio. Segundo o Catecismo da Igreja Católica eles “atingem todas as etapas e todos os momentos importantes da vida do cristão: dão à vida de fé dos cristãos origem e crescimento, cura e missão” (CIC. § nº 1210). É verdade afirmar que a finalidade dos Sacramentos é para nos tornar um sinal do testemunho vivo de Cristo no mundo. Portanto, agora é de nosso interesse compreender bem o conceito real de sacramentos, de onde vem e para que serve, para mais adiante abordarmos o sacramento que iremos analisar no nosso trabalho de pesquisa pastoral. Ora, começamos com um simples conceito do que são é em si os sacramentos, isto já nos dará a possibilidade de não cairmos em qualquer erro. Portanto, a nossa análise procurará expor com concisão a verdade acerca do que é um sacramento. Segundo o Catecismo da Igreja Católica, os Sacramentos são “sinais eficazes da graça de Deus, instituídos por Cristo e confiados à Igreja, por meio dos quais nos é dispensada a vida divina”.  (CIC. § nº 1131).  Podemos dizer de fato que os Sacramentos são meios, isto é, são canais que servem para nos transmitir a graça divina bem como os merecimentos de Nosso Senhor Jesus Cristo. Partindo destes pressupostos, o Catecismo da Igreja Católica afirma que:

a)    Os sacramentos destinam-se à santificação dos homens, à edificação do Corpo de Cristo e ainda ao culto a ser prestado a Deus. Sendo sinais, destinam-se também à instrução. Não só supõem a fé, mas por palavras e coisas também a alimentam, a fortalecem e a exprimem. Por esta razão são chamados sacramentos da fé (CIC. § nº 1118). Os sacramentos são “da Igreja” no duplo sentido de que existem “por meio dela” e “para ela”. São “por meio da Igreja”, pois esta é o sacramento da ação de Cristo operando em seu seio graças à missão do Espírito Santo. E são “para a Igreja”, pois são esses “sacramentos que fazem a Igreja”; com efeito, manifestam e comunicam aos homens, sobretudo na Eucaristia, o mistério da comunhão com Deus amor, Uno em três pessoas (CIC. § nº 1118). Os sacramentos são “forças que saem” do corpo de Cristo sempre vivo e vivificante; são ações do Espírito Santo operante no Corpo de Cristo, que é a Igreja; são “as obras-primas de Deus” na Nova e Eterna Aliança (CIC. § nº 1117). Os sacramentos opera sob a ação do Espírito Santo a força que santifica os crentes aqueles que estão inseridos na Igreja. Os sacramentos são necessários à salvação do homem, já que por causa do pecado original o mesmo se distanciou; uma vez que Deus o criou para a felicidade e não cessa de ir ao seu encontro para mostrar seu amor. O Criador Receoso de perder para sempre a criatura enviou seu Filho Nosso Senhor Jesus Cristo para salva-lo de uma vez por todas. Mediante isto, a igreja não cessa de afirmar que para os crentes os sacramentos da Nova Aliança são necessários à salvação, porque esta “graça sacramental é a graça do Espírito Santo dada por Cristo e peculiar a cada sacramento” (CIC. § nº 1129). Esta graça que a teologia define como um dom sobrenatural de Deus, por causa dos méritos de Nosso Senhor Jesus Cristo, como meio para salvação dos homens é tudo na Igreja Católica, é sua seiva, o seu sopro e a sua alavanca. 


Juntamente com o Batismo e o da Eucaristia, o sacramento da Confirmação constitui o conjunto dos sacramentos da iniciação cristã cuja unidade deve ser salvaguardada. Faz-se necessário explicar a eficácia da Confirmação, sobretudo aos fiéis cristãos, tendo em vista que com a recepção deste sacramento os mesmos são vinculados com a força do Espírito Santo de uma forma mais perfeita a Igreja. Ora, pela Crisma, o Espírito Santo nos confirma, com sua força, na vocação cristã e nos ilumina e fortalece para as lutas, para o testemunho da fé. Geralmente o ministro da Crisma é o Bispo. Na falta do mesmo um sacerdote delegado por ele poderá crismar os crismandos. Desde o início do cristianismo o gesto da imposição das mãos significa a tomada de posse de um ser pela potência de Deus e plenitude do Espírito, a fim de investi-lo de um poder espiritual, em vista de uma missão. Os apóstolos obedientes a Cristo e para cumprir sua vontade comunicaram aos fiéis, pela imposição das mãos os dons do Espírito Santo. A Igreja Católica acredita que foi através deste agir que deu a origem do Sacramento da Confirmação (At. 8, 15-17; 19, 5-6). Na liturgia que se celebra o Sacramento da Confirmação usa-se também o óleo, este por sua vez simboliza revestir-se de uma força tal para a luta. Significa que o cristão é ungido pelo Espírito Santo para as lutas da vida cristã. O ato de ungir o crismando com o óleo sagrado confere a força do Espírito onde o mesmo é ungido para a defesa e testemunho da fé cristã. 


Por fim, como todos os outros sacramentos este nos remetem para a missão, sobretudo na comunidade. Um sacramento nunca deve ser visto, ou melhor, recepcionado como uma devoção privada, ou seja, particular pessoal, mas o seu fim último na realidade tende para a dimensão comunitária, de Igreja, de comunidade. O Sacramento da Confirmação deve ser sempre nos cristãos um sinal para o mundo. Vale ressaltar que do Batismo até a Unção dos Enfermos, todos os sacramentos têm dimensão comunitária e que são na verdade sinais do Sacramento Universal de Salvação que é a Igreja.

FIQUEM NA PAZ DE DEUS!
SEMINARISTA SEVERINO DA SILVA.

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