O QUE É UM SACRIFÍCIO DE COMUNHÃO?


O QUE É UM SACRIFÍCIO DE COMUNHÃO?

O apóstolo Paulo na primeira carta aos coríntios nos transmite a fé da Igreja no ministério eucarístico e relaciona esta fé com a vida concreta da comunidade de Corinto. Mostra-nos como a fé e a celebração eucarística devem transformar de maneira profunda o pensamento, os valores e o agir de cada fiel e da comunidade como um todo. São dois os textos principais nos quais São Paulo faz explícita referência à Eucaristia: (1 Cor 11,23-25) “Porque eu recebi do Senhor o que também vos ensinei: que o Senhor Jesus, na noite em que foi traído, tomou o pão; e, tendo dado graças, o partiu e disse: Tomai, comei; isto é o meu corpo que é entregue por vós; fazei isto em memória de mim. Semelhantemente também, depois de cear, tomou o cálice, dizendo: Este cálice é a nova aliança no meu sangue; fazei isto, todas as vezes que beberdes, em memória de mim.” A expressão “fazei isto,… em memória de mim” significa que a cerimônia celebrada por Jesus naquele momento era a introdução junto aos seus discípulos, de uma celebração que substituiria a Páscoa de Israel, que estava prestes a tornar-se obsoleta naquele mesmo dia na cruz no Calvário, quando Ele daria a sua própria vida. Paulo afirma claramente o propósito e a função do novo memorial do Senhor: (1 Cor 11,26) “Porque todas as vezes que comerdes este pão e beberdes este cálice anunciais a morte do Senhor, até que venha.” Anteriormente, em sua primeira carta aos Coríntios, o apóstolo Paulo escreveu: (1 Cor 10,16-17)  “Porventura o cálice de bênção, que abençoamos, não é a comunhão do sangue de Cristo? O pão que partimos não é porventura a comunhão do corpo de Cristo? Porque nós, sendo muitos, somos um só pão e um só corpo, porque todos participamos do mesmo pão.” Aqui, a questão da parceria, e da participação nos sofrimentos de Cristo, é introduzida pela palavra “comunhão” que é uma derivação da expressão “comunidade”. O corpo de Cristo é composto de muitos membros, e é caracterizado como um “pão”.
Tudo isso para falar da nossa identidade com o cálice-vinho, com o sangue de Cristo, bem como do pão com o corpo de Cristo. “Isto é o meu corpo. Este cálice é a nova aliança no meu sangue” (1 Cor 11, 24-25). “Corpo” e “carne” indicam, antes, a pessoa toda, da maneira como ela se expressa e se abre para o relacionamento interpessoal. Manifestam também a pessoa em sua fragilidade humana. Portanto, ao nos prometer o dom de seu próprio corpo, Jesus não nos promete dar apenas parte de si mesmo, mas se entrega todo inteiro a nós, num relacionamento pessoal e vital, pelo qual sua própria vida, que ele vive em comunhão de amor com o Pai, passa a ser também nossa vida. “Quem come minha carne, permanece em mim e eu nele” (Jo 6, 56-57). Entregando-nos seu corpo e sangue, Jesus assume nossa fragilidade humana até o extremo de abraçar a própria morte de cruz, para nos comunicar o dom da vida eterna que brota de sua ressurreição: “Quem come a minha carne e bebe o meu sangue, tem a vida eterna” (Jo 6, 54). Se entrega  por nós, isto é, por nossa salvação. Estamos contemplando aqui a perfeita comunhão do Filho com a vontade do Pai, que se consuma no mistério da cruz, mas cuja realidade já se faz plenamente presente na última ceia, quando Jesus entrega aos seus discípulos o sacramento de seu corpo e sangue.
Paulo recorda aos coríntios a fé eucarística que lhes transmitiu, a fim de exortá-los a viver em comunhão – Koinonia. Em primeiro lugar, sem dúvida, comunhão pessoal com o próprio Senhor, que se faz presente na Eucaristia. Viver em Cristo, permanecer unido a Jesus Cristo, eis os primeiros frutos de nossa participação no corpo e sangue do Senhor. Como o próprio Paulo afirma de maneira tão enfática: “É assim que eu conheço Cristo, a força de sua ressurreição e a comunhão com seus sofrimentos, tornando-me semelhante a ele na sua morte, para ver se chego até a ressurreição dentre os mortos” (Fl 3, 10-11). A Eucaristia, ao nos fazer participar do mistério pascal de Jesus Cristo, configura-nos sempre mais a ele, até que morra por completo em nós o homem velho, para refletirmos sempre mais a imagem do homem novo, o Senhor Ressuscitado. De fato, “como em Adão todos morrem, assim em Cristo todos serão vivificados. Qual foi o homem terrestre, tais são os terrestres; e qual é o homem celeste, tais serão os celestes. E como já trouxemos a imagem do terrestre, traremos também a imagem do celeste” (1Cor 15,22; 48-49; Rm 5, 12-21). Este é o único e definitivo sacrifício de Cristo, que historicamente se desdobra em dois momentos sucessivos na última ceia e na cruz, mas que essencialmente é um só e mesmo dom de amor por parte do Pai e de obediência por parte do Filho. Para São Paulo, a instituição da Eucaristia, “na noite em que ia ser entregue” (1Cor 11, 23), remete-nos imediatamente à imolação do Cordeiro pascal, que se consuma na cruz. Em suas palavras, “nosso Cordeiro pascal, Cristo, foi imolado. Assim, celebremos a festa, não com o velho fermento nem com o fermento da maldade ou da iniquidade, mas com os pães ázimos da sinceridade e da verdade” (1Cor 5, 7-8). Para o apóstolo, tanto a morte do Senhor quanto a instituição da Eucaristia, anunciadas em figuras ao povo de Israel (Ex12, 1-14; 21, 1-11; 1Cor 10, 1-6), são agora plenamente estabelecidas como a verdadeira páscoa e a definitiva aliança, para a salvação de todos os que creem em Jesus Cristo. Portanto, uma vez que Jesus é o verdadeiro Cordeiro Pascal, em seu sangue realiza-se “uma nova aliança” (1Cor 11, 25). Este mistério da paixão e morte do Senhor já presente na instituição da Eucaristia torna-se claro pela referência ao corpo que é entregue e ao sangue da aliança que é derramado (Lc 22, 19-20; 1Cor 11, 24-25). A Eucaristia, portanto, não realiza apenas a presença estática do Senhor, mas sim a antecipação na última ceia, bem como a perpetuação na assembleia cristã, do ministério pascal (morte-ressurreição) livremente aceito por Cristo, em obediência ao Pai, para o cumprimento do eterno desígnio de amor em favor de toda a humanidade. Neste sentido, Paulo interpreta a celebração eucarística como sendo o “anúncio da morte do Senhor, até que ele venha” (1Cor 11,26). Palavras que ainda ecoam em nossas assembleias eucarísticas, após a consagração do pão e do vinho: “Anunciamos, Senhor a vossa morte e proclamamos a vossa ressurreição. Vinde, Senhor Jesus. Todos os aspectos desta rica teologia eucarística são poeticamente sintetizados nesta bela antífona composta por Santo Tomás de Aquino: “Ó banquete tão sagrado, em que Cristo é alimento, a memória é celebrada de seu santo sofrimento; nossa mente se enriquece com a graça em seu fulgor; e da futura glória eterna nos é dado o penhor. Aleluia, aleluia!”.
Nas palavras do Beato papa João Paulo II em Ecclesia de Eucharistia: “A Igreja vive continuamente do sacrifício redentor, tem acesso a ele não só mediante uma lembrança cheia de fé, mas também com um contato atual, porque este sacrifício volta a estar presente, perpetuando-se sacramentalmente em cada comunidade que o oferece pela mão do ministro consagrado”. Deste modo, a Eucaristia aplica aos homens de hoje a reconciliação obtida de uma vez para sempre por Cristo para a humanidade de todos os tempos. Com efeito, o sacrifício de Cristo e o sacrifício da Eucaristia são um único sacrifício. Já o afirmava em palavras expressivas São João Crisóstomo: 
Nós oferecemos sempre o mesmo Cordeiro, e não um hoje e amanhã outro, mas sempre o mesmo. Por este motivo, o sacrifício é sempre um só. Também agora oferecemos a mesma vítima que então foi oferecida e que jamais se exaurirá (EE 12). Portanto, A Eucaristia é o verdadeiro sacrifício, enquanto perpetua sacramentalmente o ministério pascal da morte e ressurreição de Jesus Cristo.

BIBLIOGRAFIA:

Bíblia de Jerusalém – São Paulo – Editora: Paulus, 2002.  

Bíblia do Peregrino – São Paulo: Editora Paulus – 2ª ediação – 2002.

Bíblia Sagrada – Edição Pastoral, São Paulo – Editora: Paulus, 1990.  

FIQUEM NA PAZ DE DEUS!
SEMINARISTA SEVERINO DA SILVA.

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