EXPERIÊNCIA PASCAL: O QUE FOI O QUE É?

ATOS 22, 6-11

Depois da conversão Paulo aparece em Atos dos Apóstolos 13. É a partir daqui que inicia suas viagens missionárias e também seus sofrimentos. No primeiro momento ele identifica sua missão aos judeus. O ponto de partida de sua missão foi a ação do Espírito Santo (13,2) dado com a imposição das mãos. Assim ele inicia com sua missão aos judeus como se vê em 13,5. 14; 17, 1-10. E ao mesmo tempo também inicia a oposição a ele: 13, 45. 50; 14, 2-5. 19; 17,13; 18,6aa. 21s.

É esta oposição que obriga Paulo a ir aos gentios. E este é um claro processo apresentado nos Atos:

·        Em Atos 13, 46: O evangelho deve ser pregado primeiramente aos judeus. Esta é também a teologia de Paulo (Rm 1, 16; 9-11; 11,26). Com a resistência dos judeus a conversão dos gentios é uma exigência sempre maior (13, 47s).
·        Em Coríntio, visto a resistência presente a ele, afirma de anunciar o evangelho aos gentios (18,6). Percebe-se, portanto, que Paulo sempre inicia sua pregação aos hebreus e vai aos gentios somente depois (21, 19); e tudo isto deve ser visto no contexto universal de salvação (At 17, 30). Então Paulo é apostolo dos gentios só pela auto-exclusão dos judeus. E quando iniciou esta consciência? Paulo trabalhou tranquilamente 14 anos em Antioquia sem ter tido nenhuma preocupação. Mas, por causa do decreto de Jerusalém e pela contenda em Antioquia com Barnabé iniciou por própria conta o trabalho aos gentios (Gal 2, 9; Rom 11, 13). Neste grande contexto temos a narração de sua conversão no capítulo 22.


Em 21, 27-38 Paulo é preso e acusado de fazer propaganda contra a nação, contra o templo e contra a Lei e de trazer gentios no Templo (21, 28). Paulo falando em hebraico (21, 40; 22, 2) se defende dizendo que é devoto da Lei e que foi educado em Jerusalém. E depois ele mesmo narra a “visão”. Só que agora, depois de sua experiência de vida, soube melhor o que foi aquela experiência a visão tida em Damasco e por isto a visão de Ananias não serve mais e é tirada.
·        A primeira visão fica mais ou menos inalterada: aqui é reconhecido como o Nazareno;
·        Não há a imposição das mãos;
·        Ananias age por sua própria vontade e lhe diz o que deve fazer (22,14);
·        Paulo é o mais ativo: O que farei? (22,10);
·        Aqui a visão, portanto, tem um papel diferente: o ministério apostólico de Paulo é visto como um dom e não como algo que ele mesmo auto-assumiu. Aqui Damasco se torna a divina e graciosa legitimação do mesmo apostolado de Paulo a todos os povos. Daí entender porque Ananias usa o termo típico de eleição apostólica de Lucas: “Deus o predestinou” (22,14);
·        Enfim termina com o Batismo. E isto é importante. De fato, o tema da LUZ aí é reforçado (22,6: luz de meio dia);
·        Os companheiros não escutam a voz, mas vêem a luz (22, 9);
·        Paulo não fica cego três dias, mas se diz que não podia ver por causa da luz (22,11). Portanto, o significado espiritual da cegueira (de Atos 9) se torna cegueira física; enquanto o significado espiritual da LUZ é aprofundado: Jesus é visto como LUZ das nações. Então Paulo viu que a LEI foi substituída por Jesus Cristo com referência a Is. 49, 6 (Lc 2, 32; Atos 13,47; Jo 1,9; 3, 19-21; 8,12; Mt 4,14ss).

ATOS 26, 1-18

Antes de apresentar esta terceira narração Lucas nos apresenta uma dupla aparição de Jesus a Paulo:

·        22,17s: Lucas nos diz assim que a decisão de ir aos gentios tem a sua legitimação em Deus;

·        23,11: Paulo, que podia libertar-se, apela a Roma (25,11b; 26,32). Assim Lucas quer enfatizar o fato que esta decisão é ainda divina.

Neste contexto temos Atos 26, Paulo é preso e conduzido frente ao rei Agripa e ao Governador Festo (realiza-se assim a visão de Ananias de 9,15). Esta terceira narração é feita por Paulo ao rei Agripa e este no fim de sua missão (13-26). O tema de conversão é posta em segundo plano e por isso nem temos o Batismo. Falando de conversão temos dois versículos (26, 14-15); desaparece também Ananias. Mas em lugar do Batismo temos a intensificação da luz que envolve desta vez, também seus companheiros (26,13) os quais também se prostram (26,14) (Será que a LUZ significa aqui o Batismo?). Mas somente Paulo escuta a voz (26,1-24) que fala em hebraico e temos aqui explicitam a missão aos gentios.

Neste contexto é que temos a nossa famosa palavra “ofte”. Aqui não se diz que ficou cego. Jesus aparece a Paulo para constituí-lo servo e testemunha desta aparição (26,16) e das outras (narradas em 22 e 23). Percebe-se assim que este jeito de narrar não é mais uma visão-conversão, mas uma visão-missão. Assim 26,16b expressa a idéia central de Lucas sobre o apostolado: em virtude da eleição do mesmo Jesus Cristo Ressuscitado Paulo se torna apóstolo (Lucas 24,48; Atos 1,78.22; 2,32; 3,15; 5,32; 10, 39.41; 13,31; 22,15; 26,16).

A amizade com Jesus e tê-lo conhecido do Batismo até à ascensão não é suficiente para justificar o autêntico apostolado, mas é necessária uma especial eleição pela mesma Ressurreição (uma visão onde o chamado e a missão são dados). Assim Paulo tem o que é essencial por um apóstolo sem pertencer ao grupo dos doze.

Segundo esta terceira narração Paulo é enviado a abrir os olhos aos gentios e não mais abrir os próprios:

·        São os gentios que devem passar da escuridão à luz (pregação – fé);
·        Que devem receber o perdão (o Batismo – 17a): todos estes são termos típicos para apresentar a conversão. E agora são os gentios que devem se converter.

Assim está claro que Jesus é luz das nações (26,23) e o Batismo é uma mudança ética fruto de uma visão-luz que se tem pelo “conhecimento” de Deus em Jesus Cristo e que incorpora na Igreja seja judeus que pagãos. Podemos então concluir que se Atos 9 afirmava que Paulo foi escolhido para sofrer muitas coisas, aqui em 26, 23 temos uma visão clara que quem sofreu foi alguém que foi mergulhado totalmente na morte de Jesus Cristo e com a sua vida ele anunciou que Jesus é a LUZ das nações.

Tendo presente que na sua vida Paulo procura iniciar com os judeus, ele se endereça aos gentios (13,44 -48; 18,5-7; 28, 23-28) formando assim a Igreja dos gentios. Por isso, que também em Atos 26, 12-18 é construído de modo diferente do capítulo 9 e 22. De fato, enquanto o capítulo 9 é uma simples visão, aqui em 26 é uma aparição pascal (lembrar-se quanto foi visto sobre uma aparição e seus elementos) teologicamente enraizada e legitimada pela missão de Paulo como o Apóstolo dos gentios. É uma visão eclesial de chamado semelhante àquela de Pedro e dos onze (veja em 1 Cor. 15, 3-5).

Olhando agora as três narrações podemos concluir o seguinte:

·        Em toda a vida de Paulo experimenta a graça de Deus (Gal. 1, 15s). Ele sentiu o chamado ao apostolado como um ato gracioso e uma revelação de Deus. A aparição de Jesus não é um objeto de observação neutral, mas uma experiência motivada pela fé em resposta a uma abertura escatológica, expressa numa afirmação escatológica de Jesus como o Ressuscitado.
·        Assim, o VER Jesus é um VER criptológico: uma compreensão de Jesus feita possível somente pela graça, uma compreensão como Cristo, uma experiência pessoal que serve para orientar a vida inteira. Mas esta experiência não é uma manifestação oficial de Cristo até que ele não constitui uma missão apostólica.
·        Percebe-se assim que nos Atos 26 a visão missionária é apresentada de modo diferente da visão-conversão de 9 e 22 embora que se saiba que iniciar a ver Jesus principalmente no ato de CONVERTER-SE (9) e ILUMINAR-SE (22).

Será que também as aparições aos onze e a Pedro podem ser entendidas de modo semelhante ao processo visto de Paulo? De fato, Paulo vê (9, 22), mas de fato ele não vê. Ele escuta a voz... Mas no fim esta experiência é vista como uma aparição. Mas então o que é mesmo a experiência pascal?

TAREFA

Para isto procurem ver o modelo de conversão no mundo judaico (analisar Is 42 e 49; 50, 10; 51, 4-6;). Este modelo continua no Novo Testamento? Ver 1 Tes 5, 1-6; 1 Pd 2, 9-12; Gal 1, 14; 3,2ss e outros. Qual é a experiência fundamental de Pedro? E dos Onze? Por que se reúnem ao redor de Pedro? O que preparou as “aparições”, visto que a Ressurreição de Jesus ninguém “viu”, o sepulcro vazio não foi prova da Ressurreição e nem as aparições visto que no Marcos original faltam. Procurem uma solução e no próximo encontro vamos aparofundar.
 
 FIQUEM NA PAZ DE DEUS! SEMINARISTA SEVERINO DA SILVA SOUZA.


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