DIVISÕES E PROPOSTAS DE UNIDADE ENTRE OS CRISTÃOS


Questionário – Ecumenismo

Capítulo II
Divisões e propostas de Unidade entre os Cristãos

    1)  O que significa colocar como marca da Igreja em primeiro lugar a unidade? Como compreender isto historicamente? Colocar como marca da Igreja uma unidade entre os cristãos é, sobretudo em primeiro lugar aceitar a vontade de Deus. Tendo em vista que sua proposta de unidade foi manifestada desde o começo da Igreja. A vontade de Deus de libertar e salvar o homem através de Jesus Cristo se estende para todas as nações e não para um povo exclusivamente. Todos são convocados a ser “um só rebanho, com um só pastor” (Jo 10, 16). Desde o princípio na vida da Igreja ouve diferenças de opinião e de pontos de vista através do diálogo de como firmar o pensamento cristão, isto explica o esforço permanente de busca pela unidade. O apóstolo Paulo já mencionava que na Igreja de Corinto (1 Cor 1, 13) existiam partidos, ou seja, divisões. Historicamente a unidade da Igreja surge como necessária, em virtude de posições contrárias por parte de alguns membros que dela fazem parte. É por isso que o caminho para a unidade é uma preocupação permanente na vida das comunidades cristãs. E isto sempre se manifesta com tensões, porque o esforço pela unidade surge como resposta à diversidade, às polêmicas e às divisões. 

2)   Quais foram os principais pensadores que contribuíram para o surgimento do ecumenismo? Leibnis, Philipp Jakob Spener, August Hermann Franke e Nicolau Von Zinzendorf.

3) Situar historicamente o movimento missionário e sua importância para o Ecumenismo. A partir do final século XVIII, movimentos renovadores começaram a influenciar a vida da Igreja, “brisas leves sopravam em favor da unidade dos cristãos”. Aos poucos alguns cristãos começaram a tomar consciência da necessidade de dar uma nova tônica às atividades missionárias cristãs. É particularmente neste período que o Ecumenismo torna-se inseparável das missões por causa dos escândalos de divisões que as Igrejas produziam no mundo europeu sendo multiplicados ainda mais nas terras de missão. Os não cristãos sentiam um choque muito forte ao perceber que a mensagem de unidade do cristianismo contrastava com a competição que reinava entre as Igrejas Cristãs existentes na época. Por fim, é neste contexto que o desejo dos pregadores do Evangelho de fazer um Ecumenismo se torna peça chave nas suas atividades missionárias, para tentar amenizar tamanho escândalo entre cristãos.

4)   Quais os fatores mais relevantes da Revolução Industrial que contribuíram para o Ecumenismo? Com a Revolução Industrial surge a progressividade na região urbana com isto muitos movimentos migraram do campo para a cidade. As estruturas que as Igrejas tinham na época não estavam preparadas para tantas mudanças, isto é, os desafios que a nova situação impunha. Principalmente em relação aos jovens que migravam, estes tinham bastantes dificuldades em manter sua fé e celebrá-la com assiduidade. A dúvida era: como fazer para viver a fé cristã de maneira apropriada no contexto da nova situação urbana. Os jovens começaram a reunir-se e criaram Associações Cristãs de jovens e femininas como também diversos grupos universitários como expressão do Movimento Estudantil Cristãos. Nesses grupos havia cristãos de diversas denominações, com um olhar especial para o Ecumenismo. Eles não se preocupavam em saber, a qual Igreja cada um pertencia e sim como dar testemunho de Jesus Cristo no meio daquela nova situação social que surgira.

5)   Quais os organismos que mais contribuíram para a criação do CMI (Conselho Mundial de Igrejas)? Liga Cristã para a defesa da Paz – Celebração da Conferência Missionária de Edimburgo e o Conselho Missionário Internacional.

6)   Quais os personagens eclesiásticos mais importantes para o ecumenismo e por quê? Padre Ignatius Spencer, porque foi ele o primeiro eclesiástico que pensou numa proposta para criar uma entidade que promovesse a oração pela unidade dos cristãos ele antes fora um ex-anglicano que agora tinha aderido ao catolicismo. O outro eclesiástico foi o Rev. Spencer Jones (que pertencia à ala pró-papado no anglicanismo) pregou um sermão no contexto de uma série de apresentações organizadas pela APUC, que teve grande impacto sobre o público. Watson clérigo da Igreja Protestante Episcopal dos EUA entrou para a Igreja Católica Romana depois de um diálogo com Jones sobre a sua publicação de um livro baseado na pregação organizada pela APUC.

7)   O que a Igreja Católica Romana propõe para o Ecumenismo? Embora a Igreja tenha sido fundada por Cristo como única, diversas comunhões cristãs se propõem hoje como a verdadeira herança de Jesus Cristo. As discrepâncias doutrinárias, disciplinares ou relativas à estrutura da Igreja, que existem em relação aos católicos, criam sérios impedimentos à plena comunhão eclesial, que o movimento ecumênico procura justamente superar. Os que são justificados pela fé e se tornam, no batismo, membros de Cristo merecem o nome de cristãos e são reconhecidos como irmãos no Senhor, pelos filhos da Igreja Católica. Promover a reintegração de todos os cristãos na unidade é um dos principais objetivos do Concílio Ecumênico Vaticano II. O Concílio exorta os fiéis católicos a reconhecerem os sinais dos tempos e a participarem ativamente do trabalho ecumênico. Nas reuniões entre cristãos de diferentes Igrejas ou denominações, estabeleça-se um diálogo entre os especialistas realmente separados, em que cada um procure manifestar de maneira mais profunda a doutrina de sua confissão, apresentando-a com toda a clareza possível. Ao examinar melhor sua fidelidade em relação à vontade de Cristo sobre a Igreja, todos se dispõem a prosseguir com maior afinco no trabalho de reforma ou de renovação de si mesmos. Na ação Ecumênica, os fiéis católicos devem se preocupar com os irmãos separados, orando por eles, falando com eles das coisas da Igreja, despertando-os para os primeiros passos. Mas, sobretudo, devem estar sobremaneira atentos ao que se deve ser feito e renovado na família católica, para sua vida de testemunho mais fiel e mais transparente da doutrina e das instituições herdadas de Cristo por intermédio dos apóstolos. Conserve-se a unidade no que é necessário. Mas é indispensável que se conserve também a liberdade, de acordo com a função de cada um, nas várias formas de vida espiritual, de disciplina e até de elaborar teologicamente a verdade revelada. Mas, sobretudo e em tudo, cultive-se a caridade, pois só assim se manifestaram plenamente, em nossos dias, a catolicidade e a apostolicidade da Igreja. Enfim, como vimos o Concílio Ecumênico Vaticano II, se alegra com a crescente participação de fiéis católicos no movimento ecumênico e recomenda aos Bispos do mundo inteiro que a estimule e oriente. 

8)   Em que consiste o projeto da Federação Luterana Mundial? O Projeto da Federação Luterana Mundial, que as famílias confessionais mundiais também fizeram seu, é no fundo uma expressão de aproximação fraterna de caráter interconfessional. Mais do que uma reconciliação das massas que compõem as igrejas, trata-se de um diálogo entre corpos eclesiásticos que até há pouco não tinham relação entre si. Deve-se reconhecer o grande valor que isto tem. É claro que está longe de nossa intenção desmerecer esta proposta. A crítica que se faz a ela radica na necessidade de completá-la. A questão não é uma alternativa: confessionalismo versus conciliarismo que permita a expressão da identidade cultural e local das Igrejas. A proposta ecumênica é sempre a mais inclusiva. A questão não é isto ou aquilo, mas isto e o outro.
            
Pelo fato de não ser assim, a nível da vida das Igrejas, o projeto ecumênico das famílias confessionais mundiais praticamente logo se esgota como projeto ecumênico. A “diversidade reconciliada” se concretiza quando se alcança um nível de diálogo respeitoso, cortês, fraterno, entre católicos romanos, ortodoxos, luteranos, reformados, anglicanos, batistas, metodistas, pentecostais, “evangelicals”, fundamentalistas. Embora seja verdade que a maioria das famílias confessionais citadas já participam desse tipo de relação, ela ainda não é uma realidade para todos. Cedo ou tarde se alcançará isso, graças a Deus. Mas apesar disso, não se terá chegado à unidade. Com o máximo de cuidado nos atrevemos a dizer que não parece ser essa a unidade pela qual Cristo orou para sua comunidade e para aqueles que crêem em seu nome.
            
A unidade que se expressa mediante o projeto da Federação Luterana Mundial, e que de um ou de outro modo as famílias confessionais mundiais aceitam, mantém o status quo na vida das Igrejas. Portanto, a unidade que se projeta é insuficiente para dar lugar à possibilidade de os povos encontrarem não só a paz, mas também a justiça e a libertação. É um projeto de unidade que não abrange todas as esperanças e expectativas de todos os povos da terra.

9)   Quais os aspectos centrais da proposta do CMI? Uma expressão de máxima importância do movimento ecumênico de nosso século é o Conselho Mundial de Igrejas. O CMI aparece como um instrumento ao serviço das Igrejas, abrindo um espaço para que elas se encontrem, para que dialoguem entre si, procurando formas de cooperação prática e assim dar juntas um testemunho ao mundo.

10)  Em que consiste o projeto ecumênico popular e qual a sua aplicação prática? Este projeto ecumênico popular diferentemente de outros vai tomando forma gradualmente a partir da prática de pessoas, de homens e mulheres em cada lugar do mundo em que os cristãos de diferentes igrejas se unem entre si, e com homens e mulheres de outras convicções religiosas e de outras ideologias, para construir uma realidade social nova, que de alguma maneira seja como um sinal do Reino que esperam. Portanto, não é através de documentos que é preciso tentar compreender este projeto, mas a partir da ação, da militância e da celebração cotidiana da fé dos cristãos em situações de luta. A sua aplicação prática consiste na evidência da força que tem este projeto, que está sendo formulado a partir da prática de unidade que o povo experimenta a partir de suas lutas e esperanças, surge da grande aproximação que houve entre cristãos de diferentes Igrejas com os que não confessam a Jesus Cristo. (judeus, livre-pensadores, maçãos, marxistas, etc) nos movimentos de defesa e promoção dos direitos humanos.

REFERÊNCIA: SANTA ANA, Júlio – Ecumenismo e Libertação (Reflexão sobre a relação entre a unidade cristã e o Reino de Deus) – Série IV: a Igreja, Sacramento de Libertação – Editora Vozes – 2ª edição – São Paulo – Brasil – 1991.

FIQUEM NA PAZ DE DEUS!
SEMINARISTA SEVERINO DA SILVA.

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