DECRETO UNITATIS REDINTEGRATIO - SOBRE O ECUMENISMO


TRABALHO DE ECUMENISMO

DECRETO UNITATIS REDINTEGRATIO
(SOBRE O ECUMENISMO)

   1. Um Princípio Católico do Ecumenismo: Para que todos sejam um. Assim como tu, Pai, estás em mim e eu em ti, sejam também eles um, em nós, a fim de que o mundo creia que tu me enviaste” (Jo 17, 21).

Deus não tinha se revelado ainda de forma plena antes da vinda de Jesus Cristo. É na encarnação e, sobretudo na pessoa de seu Filho que Deus demonstra seu amor para com a humanidade. Jesus vem renovar o homem (todo gênero humano) que, por sua vez necessitava de redenção. Mas, é seu desejo também que todos os homens, ou seja, os filhos de Deus sejam um, como bem vimos na Perícope acima. O mesmo Jesus diz em João 10, 16: “Tenho também outras ovelhas que não são deste redil. Também a elas eu devo conduzir; elas ouvirão a minha voz, e haverá um só rebanho e um só pastor”. É vontade mesmo de Jesus Cristo que todos os povos se tornem um só povo, que seja conferido e aperfeiçoado na comunhão e na unidade. Para isto, chamou os doze (apóstolos) e disse: “Portanto, vão e façam com que todos os povos se tornem meus discípulos, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo” (Mateus 28, 19). Dessa forma, a Igreja vai caminhando como rebanho único de Deus na autoridade dos Apóstolos garantindo a pregação fiel do Evangelho obedecendo ao mandato de Jesus “ensinando-os a observar tudo o que eu ordenei a vocês” (Mt 28, 19-20) na esperança de poder chagar um dia a pátria celestial.


   2. Os irmãos separados e a Igreja Católica: As discrepâncias doutrinárias, disciplinares ou relativas à estrutura da Igreja, que existem em relação aos católicos, criam sérios impedimentos à plena comunhão eclesial, que o movimento ecumênico procura justamente superar.

A Igreja é santa porque é conduzida por Deus por Pai, tendo como cabeça o Cristo na unidade com o Espírito Santo, mas também é pecadora porque é feita de homens (pecadores), onde os mesmos trazem consigo diferenças, fraquezas, limites e opiniões. Desde o começo e precisamente na Igreja primitiva já se tinha o conhecimento de algumas fissuras entre os cristãos. Paulo diz em 1 Cor 1, 11-16 “com efeito, pessoas da família de Cloé informaram-me a vosso respeito, meus irmãos, que está havendo contendas entre vós”. Depois de um longo período a Igreja se viu diante de maiores dissensões (divisões) onde muitos se afastaram da plena comunhão com a Igreja Católica, mas vale salientar que houve culpa de pessoas de ambos os lados. Hoje, por conta dessas divisões nossos irmãos separados aqueles que creem em Cristo e foram devidamente batizados mantêm comunhão sim com a Igreja Católica, embora imperfeita.  Estes nossos irmãos separados participam ativamente da vida da graça e podem ser considerados aptos a abrir as portas da salvação, uma vez que realize em suas igrejas e comunidades o batismo que Cristo nos deixou: Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo (Mt 28, 19. Mas, é certo afirmar que o Nosso Senhor Jesus Cristo confiou a totalidade dos bens da Nova Aliança ao Colégio dos Apóstolos, ou seja, a plenitude dos meios de salvação existem somente na Igreja Católica. Acreditamos que o sucessor de Pedro, preside tal colegiado com o intuito de guiar aqui na terra o Corpo de Cristo que é a Igreja, reunindo todo o povo de Deus e todo aquele que é chamado a fazer parte deste rebanho, já que de certo modo também pertence a ele.


   3. A união deve interessar a todos: A preocupação de restaurar a unidade cocerne a toda a Igreja, tanto aos fiéis quanto aos pastores, de acordo com a posição de cada um...

É bem notório o empenho de muitos cristãos hoje para tentar viver o ecumenismo. Por ser um grande desejo de Jesus Cristo, “Para que todos sejam um. Assim como tu, Pai, estás em mim e eu em ti” (Jo 17, 21) este deve ser um projeto que interesse a todos os cristãos de boa vontade. Desde que os cristãos se preocupem com tal condição esta por si só já os leva a uma fraternal unidade. Ora, é justamente a partir do final do século XVIII, que movimentos renovadores começaram a influenciar a vida da Igreja, “brisas leves sopravam em favor da unidade dos cristãos”. Aos poucos alguns cristãos começaram a tomar consciência da necessidade de dar uma nova tônica às atividades missionárias cristãs que aconteciam bastante neste período. É particularmente neste período que o Ecumenismo torna-se que quase inseparável das missões por causa dos escândalos de divisões que as Igrejas produziam no mundo europeu sendo multiplicados ainda mais nas terras de missão. Os nãos cristãos sentiam um choque muito forte ao perceber que a mensagem de unidade do cristianismo contrastava com a competição que reinava entre as Igrejas Cristãs existentes na época. É neste contexto que o desejo dos pregadores do Evangelho de fazer um Ecumenismo se torna peça chave nas suas atividades missionárias, para tentar amenizar tamanho escândalo entre cristãos. É claro que hoje também existem vários movimentos de renovação como: os movimentos bíblicos, litúrgicos, de catequese, de apostolado dos leigos e de vida religiosa, a renovação de doutrina, novas espiritualidades e várias atividades de vida social presentes na Igreja, onde todos os cristãos exercem e participam de forma ativa com a posição de cada um. Tais movimentos certamente são o penhor e a esperança de grandes progressos no ecumenismo como o das missões que houve no passado. Por fim, também devemos superar as divisões existentes entre nós não deixando que o propósito de Jesus seja suprimido por causa de nossos caprichos, como o egoísmo, fechamento ao diálogo, divisões.


    4. As condições em que se encontram: Embora o movimento ecumênico e o desejo de paz com a Igreja Católica não se tenha ainda generalizado, esperamos que cresçam aos poucos, entre todos, a estima recíproca e o senso ecumênico.


Embora a Igreja tenha sido fundada por Cristo como única, diversas comunhões cristãs se propõem hoje como a verdadeira herança de Jesus Cristo. As discrepâncias doutrinárias, disciplinares ou relativas à estrutura da Igreja, que existem em relação aos católicos, criam sérios impedimentos à plena comunhão eclesial, que o movimento ecumênico procura justamente superar. Os que são justificados pela fé e se tornam, no batismo, membros de Cristo merecem o nome de cristãos e são reconhecidos como irmãos no Senhor, pelos filhos da Igreja Católica. Promover a reintegração de todos os cristãos na unidade é um dos principais objetivos do Concílio Ecumênico Vaticano II. O Concílio exorta os fiéis católicos a reconhecerem os sinais dos tempos e a participarem ativamente do trabalho ecumênico. Nas reuniões entre cristãos de diferentes Igrejas ou denominações, estabeleça-se um diálogo entre os especialistas realmente separados, em que cada um procure manifestar de maneira mais profunda a doutrina de sua confissão, apresentando-a com toda a clareza possível. Ao examinar melhor sua fidelidade em relação à vontade de Cristo sobre a Igreja, todos se dispõem a prosseguir com maior afinco no trabalho de reforma ou de renovação de si mesmos. Na ação Ecumênica, os fiéis católicos devem se preocupar com os irmãos separados, orando por eles, falando com eles das coisas da Igreja, despertando-os para os primeiros passos. Mas, sobretudo, devem estar sobremaneira atentos ao que se deve ser feito e renovado na família católica, para sua vida de testemunho mais fiel e mais transparente da doutrina e das instituições herdadas de Cristo por intermédio dos apóstolos. Por fim, conserve-se a unidade no que é necessário. Mas é indispensável que se conserve também a liberdade, de acordo com a função de cada um, nas várias formas de vida espiritual, de disciplina e até de elaborar teologicamente a verdade revelada. Mas, sobretudo, cultive-se a caridade, pois só assim se manifestará plenamente, em nossos dias, a catolicidade e a apostolicidade da Igreja.

5. O Estudo da Sagrada Escritura: Os irmãos separados, entretanto, ao afirmarem a autoridade dos Livros Sagrados, têm uma concepção diversa da nossa, no tocante às relações entre as Escrituras e a Igreja.

A Palavra de Deus continua sendo uma riqueza inestimável, para todo crente, porque ela é “força de Deus para a salvação de todo aquele que crê, seja judeu, seja grego” (Rm 1, 16). Como sabemos os nossos irmãos separados cultuam e veneram as Sagradas Escrituras com grande aplicação no estudo constante dos Livros Sagrados. No entanto, há algo que também é primordial para a nossa alegria (todo aquele que acolhe com a inteligência a Sagrada Tradição – bem como o depósito da fé recebido dos primeiros cristãos e precisamente dos Apóstolos). A fé católica reconhece a especial autoridade do Magistério autêntico na interpretação da Palavra de Deus escrita. Os irmãos separados, entretanto, ao afirmarem a autoridade dos Livros Sagrados, têm uma concepção diversa da nossa, no tocante às relações entre as Escrituras e a Igreja. A vida desses irmãos separados se alimenta da fé em Cristo que é sustentada apenas pela graça do batismo e pelo acolhimento da Palavra de Deus ouvida. Meditam a palavra de Deus com grande afinco, utilizando-se de meios de oração como o culto comunitário para promover sempre louvores a Deus conservando importantes elementos da antiga liturgia comum. O concílio deseja ardentemente que as iniciativas dos filhos da Igreja Católica progridam em conjunto com as iniciativas dos irmãos separados, mas lembra que sua ação ecumênica precisa ser plena e sinceramente católica, fiel à verdade que recebemos dos apóstolos e os santos padres. Por fim, o concílio declara ainda estar consciente de que o santo projeto de Jesus de reconciliar todos os cristãos na unidade de uma só Igreja ultrapassa todas as nossas forças, como as diferenças e limitações humanas.

REFERÊNCIA:
Decreto Unitatis Redintegratio – Sobre o Ecumenismo – Editora Paulinas – 3ª edição – 2005 – São Paulo – Brasil.

FIQUEM NA PAZ DE DEUS!
SEMINARISTA SEVERINO DA SILVA.

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