MISSÃO EDUCADORA DOS CATEQUISTAS

MISSÃO EDUCADORA DOS CATEQUISTAS


Fernanda Maria Andrade[1]

“Ao receber a fé e o batismo, os cristãos acolhem a ação do Espírito Santo que leva a confessar Jesus como Filho de Deus e a chamar Deus “Abba”. Todos os batizados e batizadas da América Latina e do Caribe, ‘através do sacerdócio comum do povo de Deus’, somos chamados à participação da comunhão trinitária”[2].
     
      O catequista está a serviço da fé e diante da dinâmica da sociedade, faz-se necessário que o catequista esteja à frente de seu tempo buscando inovar os métodos utilizados na catequese bem como organizar os conteúdos de acordo com a idade de cada grupo de catequizandos.
      Ao longo da história da humanidade, entre Deus vem confiando ao povo a sua “Palavra e as instruções de catequese”[3]. Cabe ao catequista aproximar a relação Deus e o catequizando, a fim de que ele realize essa experiência de amor com Deus assumindo a sua fé.
“As funções agora expostas ensinam que a experiência assumida pela fé torna-se, de certo modo, âmbito de manifestação e de realização da salvação, onde Deus, coerentemente com a pedagogia da encarnação, alcança o homem com a sua graça e o salva. O catequista deve ajudar a pessoa a ler nesta ótica a própria vivência, para descobrir o convite do Espírito Santo à conversão, ao compromisso, à esperança, e assim descobrir sempre mais o projeto de Deus na própria vida”[4].
      A pedagogia da encarnação faz com que Deus fique mais próximo de seu povo, sentindo suas angústias, dúvidas, aflições, alegrias, em fim suas necessidades. O catequista precisa ajudar o indivíduo a perceber este processo da aproximação de Deus com o ser humano e fortificar esse laço da pedagogia amorosa de Deus.
                  Através da pedagogia da encarnação Deus entrega ao mundo o seu primogênito, Jesus que nos olha com compaixão e pelo Dom da salvação realiza a missão de redentor dando continuidade a sua pedagogia amorosa.

      Jesus nos ensina que o mistério de catequizar é bem mais amplo. Anunciar a Boa Nova é ter consciência de que o Reino de Deus é para todos e é “Universal”. Assim como Jesus somos também catequistas do Reino de Deus[5] . A mensagem salvífica de Jesus nos acolhe como filhos e filhas e em especial aqueles que mais necessitam de sua misericórdia, desta maneira Deus transforma a vida de cada indivíduo.
       Na sociedade contemporânea, a catequese não possui um habitat fixo, o lugar da catequese é diversificado, portanto ela vai além das paredes das Igrejas. Não podemos impor limites para a catequese, ela é realizada nas casas, feiras, praças, na mídia, pois seguir a Jesus não é apenas uma questão de fé, é converter-se a Ele e entregar-se por inteiro, para dar testemunho do Reino de Deus na formação permanente do cristão. Catequistas são todos que trabalham nas pastorais da Igreja, pois como afirma Villepelet, “a responsabilidade catequética não depende somente da subjetividade crente do catequista e de sua capacidade de testemunhar e de tomar posição na fé, depende da Igreja e do conjunto dos cristãos, os quais dizemos que é o corpo de Cristo, o único e verdadeiro pastor”[6].
                  A Igreja é a comunidade do amor, por tanto é “chamada a refletir a glória do amor de Deus, que é comunhão, e assim atrair as pessoas e os povos para Deus”[7] por isso ela é responsável pela formação permanente do catequista e solidificação de seu carisma, pois o catequista é o mediador que permite a comunicação entre a comunidade, o ser humano e Deus[8].
                  Jesus, primeiro catequista do Reino de Deus, convoca todos a serem proclamadores da Palavra “portanto, vão e façam com que todos os povos se tornem meus discípulos, batizando-os em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo e ensinando-o a observar tudo o que eu ensinei a vocês [...]” (Mt.: 28, 19 a 20).  Essa é a tarefa que os catequistas vêm realizando durante muitos anos e os catequistas da contemporaneidade não podem esquecer de cumprir a missão que Jesus nos designou. O Reino de Deus é para todos, ricos e pobres, assim também é a catequese.
                  A missão educadora dos catequistas se apóia na ação educadora de Maria. Deus envia seu divino recado através do anjo Gabriel, Maria medita e guarda no coração depois responde: “Faça-se em mim segundo a sua palavra” (Lc.: 1,38). O sim de Maria transformou a sociedade de seu tempo devolvendo ao povo a esperança. Os contemporâneos esperam que os catequistas digam “sim” com intensidade.
                  Maria educa através da ação e do gesto, nas bodas de Canã Maria  dar seu recado materno a humanidade: “ Faça o que ele mandar” ( Jo.: 2, 5). Deus encontra graça em Maria que é bendita entre as mulheres. E os catequista têm a missão de focar o olhar na sapiência de Maria e assim como Maria beber o vinho da esperança e da alegria, oferecido por Jesus e durante o processo de evangelização partilhar e saborear este vinho com os seus catequizandos. Desta forma favorecendo o conhecimento da fé através da comunhão com Jesus Cristo que nos leva a “celebrar a sua presença salvífica nos sacramentos e em particular na Eucaristia”[9].
                  É missão do catequista “transmitir aos discípulos as atitudes próprias do mestre”[10], assim os discípulos/catequizandos poderão fazer a experiência do mistério Pascal do Senhor, realizando a transformação interior passando do “velho para o novo homem aperfeiçoado em Cristo”[11], desta maneira o indivíduo vai construindo a identidade dando testemunho da moral cristã tão necessária a formação do cristão.
                  Por último o catequista tem a missão de ensinar a contemplar e a orar. A postura contemplativa e orante de Jesus fez Nele um novo jeito de ser profeta. Jesus muitas vezes afastava-se da multidão para orar sozinho. Se retirar significar ir para dentro de si afastar-se do barulho, dos atrativos oferecidos na contemporaneidade e no silêncio interior entrar em sintonia com Deus, permitir ser tocado por Ele.
                  Neste tempo de imprevisões onde o ser humano pisa em terreno arenoso e não tem como se segurar faz-se necessário que o catequista deixe acesa a chama do fogo de Pentecostes a fim de que ela seja mais um instrumento de Deus para fortalecer a comunicação entre Deus e a humanidade.

Referências.
BÍBLIA PASTORAL. Ed. Paulinas
CNBB. Diretório Nacional de Catequese, n.84. São Paulo; Ed. Paulinas, 2006. 277p.
CNBB. Documento Aparecida: texto conclusivo da V conferencia do episcopado Latino-Americano. São Paulo; Ed. CNBB, Paulus e Paulinas, 311p.
DIRETÓRIO GERAL PARA A CATEQUESE. São Paulo; Ed. Paulinas, 2009. 294p.
VILLEPELET, Denis. O Futuro da catequese. São Paulo: Paulinas, 2007. 167p.


[1] Fernanda Maria Andrade é graduada em Ciências Sociais (FAFIRE), Especialista em Metodologia do Ensino Religioso (UNICAPE e AEC) E Mestra em Ciências da Religião (UNICAP).
[2] CNBB. Documento Aparecida: texto conclusivo da V conferencia do episcopado Latino-Americano. São Paulo; Ed. CNBB, Paulus e Paulinas. n.157.
[3] DIRETÓRIO GERAL para CATEQUESE, n.156.
[4] Ibid., n.152c.
[5] CNBB.Diretório Nacional de Catequese, São Paulo; Paulinas, 2006. n.164.
[6] VILLEPELET, Denis. O Futuro da catequese. São Paulo: Paulinas, 2007. p. 119.
[7] CNBB. Documento Aparecida. n.159.
[8] CNBB.Diretório Nacional de Catequese.  n.172.
[9] DIRETÓRIO GERAL para a CATEQUESE. n.85
[10] Ibd., n.85
[11] AG 13, apud , Diretório Geral para a Catequese. n.85

TEXTO OFERECIDO PELA PALESTRANTE
FERNANDA MARIA ANDRADE

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