A PÁSCOA NO ANTIGO TESTAMENTO

A Páscoa NO ANTIGO TESTAMENTO

Apresentaremos nas linhas que se sucedem o sentido da Páscoa Judaica. Poderíamos utilizar diversas metodologias para almejar a compreensão. Escolhemos nesse trabalho fazer uma leitura bíblica e sua reflexão a partir dos comentários que se encontram na bíblia de Jerusalém e do Peregrino. Adotamos esse método para suscitar questões que a própria Palavra de Deus nos incita. A limitação de nosso estudo é que não nos deteremos na epistemologia da palavra, nem no contexto histórico em que o texto se refere e em que ele foi provavelmente escrito, e nem utilizaremos recursos da arqueologia e dos diversos comentários que se encontram escritos. Diante das limitações não buscamos fechar o sentido da Páscoa, ao invés, buscaremos várias formas de interpelar o mesmo texto a fim de enriquecer a nossa compreensão sobre esse evento que até os dias atuais é festejado.
Organizamos nosso trabalho da seguinte maneira: primeiro apresentamos o encontro de Moisés e Aarão com o Faraó, em seguida evidenciamos a Páscoa narrada pelo livro do Êxodo, após apresentamos a relação da Páscoa narrada no Êxodo com os demais textos encontrados no Pentateuco, e por fim teceremos algumas considerações.

1.     Moisés e Aarão diante do Faraó (Ex 5,1-5)

Esta perícope é originada da tradição Javista e sofreu influência da tradição sacerdotal. A mesma narra o primeiro encontro de Moisés e Aarão com o Faraó que é um inicio de uma história pela qual se confrontam Deus e o Faraó, e tem seu fim no cântico da vitória (Ex 15), o mais antigo texto bíblico. Os primeiro versículos apresentam Deus como uma autoridade suprema que chamou Moisés (Ex 3) e deu-lhe Aarão como profeta (Ex 4, 14) para anunciar que Ele quer que o Faraó, maior autoridade política do Egito, deixa o seu povo, que se encontra escravizado, sair para celebrar uma festa.
A escravidão do povo Hebreu é uma ofensa pessoal ao Senhor. O texto expressa claramente a exigência da libertação que Deus pede ao Faraó. O interesse de Deus não é a vingança. Deus vem para convidar o Faraó a discernir. Entretanto, o último não atende ao pedido. O Faraó não atende porque não quer perder sua mão de obra gratuita, submissa, explorada e escravizada. Ao invés disso ele aumenta o trabalho do povo (Ex 1, 14) a fim de dividir o povo e desmoralizar os seus mediadores.
O Senhor vem para reivindicar o seu direito já que o povo é seu.  Ele vem para libertar o povo da opressão que vivia, por meio de seus mediadores Moisés e Aarão. Para concretizar essa libertação Deus está disposto a enfrentar e vencer todos os obstáculos. É evidente que o Faraó não reconhece a autoridade de Deus sobre ele, como também, não nega a existência do Senhor como o Deus dos hebreus. Entretanto deixa bem claro que o Senhor não é o Deus do Faraó, nem do seu povo, e não o reconhece, pois os deuses do Egito nunca se preocupariam com um povo escravo e nem se intitulariam como o Deus de um povo escravo.

2.     Páscoa (Êxodo)

A perícope é um texto tanto narrativo, de tradição Javista, como legislativo, de tradição sacerdotal. Para melhor compreender o capitulo subdividimos ele em tópicos.

2.1                      A instrução do Senhor (Ex 12, 1-14)
Esse texto esta estruturado da seguinte forma: o versículo primeiro ao onze é um rito cerimonial que se devem observar para celebrar a páscoa; nele se encontra o que deve comer, como preparar a comida e como come-la, a data e o horário que deve ser consumido. Os versículos doze e treze explicam a história e a motivação para celebrar o rito. E o versículo quatorze sanciona a festa da páscoa como celebração anual e que deve ser perpetuada por ordem de Deus.
A Páscoa deve ser assim celebrada: por toda a comunidade, mas em família e todos no mesmo horário e data. Todos os membros familiares participam. E devem expressar o comprimento da celebração aspergindo a frente de sua casa. Esse é o sinal que distinguirá os hebreus dos demais habitantes. Este sinal é um sinal protetor contra o exterminador. O cordeiro ou cabrito imolado não poderá ser profanado e por isso ordena-se que não se quebrem os seus ossos.
O texto parece que tem a função de apresentar que a festa da páscoa e a dos pães ázimos nasceram com a saída do Egito. Sabemos que cada festa é originalmente distinta. Os ázimos é uma festa agrícola que começou a ser celebrada em Canaã e só pode ter sido unida a Páscoa depois do reinado de Josias (604 a.C). Já a páscoa é de origem pré-israelita. É a festa anual dos pastores nômades, para o bem do rebanho. Essa celebração concebe o exterminador como o demônio que é a personificação dos perigos que ameaça o rebanho e a família. Colabora com essa ideia que o exterminado ferio o primogênito das famílias e dos animais (Ex 12, 29). É para se proteger contra os seus ataques tinha-se o costume de colocar o sangue sobre as portas das tendas.
O próprio texto não apresenta muitas explicações e desse modo pode-se supor que já era uma festa conhecida entre os hebreus que viviam no Egito. É importante frisar que indiscutivelmente é a festa do Senhor que Moisés pediu ao Faraó a autorização para celebrar, como vimos na primeira parte do nosso trabalho. E que provavelmente o Faraó reluta-se em não deixar que os hebreus não a festejassem para que o povo não se congregasse. O Faraó sabia que a Festa não é somente uma comemoração religiosa e cultural. É momento de encontro, de partilha, de união, de somar as forças e lutar pelos direitos da comunidade.
É bem provável que a saída do Egito ocorreu como extensão da Festa da Páscoa e no futuro como o memorial dessa mesma saída. Nesse caso por mais que as origens dessas festas, páscoa e dos pães ázimos, sejam anterior a saída do Egito é indiscutível que esse mesma festa adquiriu uma nova significação religiosa. Agora a Páscoa exprime a salvação trazida ao povo de Deus, colabora com essa ideia: Ex (12, 26-27) “E quando vosso filhos perguntarem o que significa esse rito, respondereis: é o sacrifício da Páscoa do Senhor. Ele passou no Egito junto a casa dos israelitas, ferindo os egípcios e protegendo nossas casas; e, Ex (13,8): E explicareis esse dia ao teu filho: “Isso é o que o Senhor fez em meu favor, quando saí do Egito.”
A data se refere ao mês da primavera que corresponde a março e abril, que se chamava Abib. É apresentado no livro do Deuteronômio (16,1): “Respeita o mês de abril, celebrando a Páscoa do Senhor teu Deus, porque no mês de abril o Senhor teu Deus te tirou do Egito.” O horário é entre as duas tardes, ou seja, entre o pôr do sol e a noite completa ou pode-se pensar entre o cair e o pôr do sol. E a roupa utilizada na Páscoa é roupa de viagem o que colabora com a ideia que a saída do Egito fez parte da Festa, ou pelo menos, o autor do texto quer nos apresentar essa ideia de junção entre a ultima praga, a festa da páscoa, a festa dos pães ázimos e a passagem do mar vermelho. Unido desse modo a tradição advinda da cultura agraria e dos pastores. Que correspondem a divisão do reinado de Israel entre o reino do norte e do sul e que só se unem no exilio. E neste período que bem provável que esse texto tenha sido organizado da maneira que nos é apresentada nos dias atuais.

2.2                      A festa dos Ázimos (Ex 12, 15-20)

Como já apresentamos no terceiro paragrafo do tópico anterior a origem e o significado da festa dos ázimos. Nos deteremos aqui em expressar como o texto se organiza. Os dois primeiro versículos apresentam um calendário litúrgico, o seguinte apresenta a motivação para a celebração e nos demais apresenta normas que devem ser seguidas durante a preparação e a realização deste rito e suas respectivas penas para quem não a cumprirem. É de origem sacerdotal e pode ser resumido no versículo quinze do capitulo vinte e três do mesmo livro: “Guardaras a festa dos Ázimos. Durante sete dias comerás ázimo, como te ordenei, no tempo marcado do mês de Abib, porque foi nesse mês que saíste do Egito. Ninguém comparecerá diante de mim de mãos vazias.” Gostaríamos somente de reafirmamos que como a festa da páscoa e a dos pães ázimos, ou pães sem fermentos, eram celebras na mesma época colaborou para a relação desta com a saída do Egito.

2.3                      Prescrição cultural (Ex 23, 14-19)

É um texto legislativo e desse modo de tradição sacerdotal. A sua estrutura pode ser mais fácil entendida se visualizamos como um calendário da festa dos pães ázimos ligado há um calendário agrícola. Vale salientar que não menciona a tradição dos pastores, o cordeiro, entretanto apresenta a mesma motivação: celebres “porque foste migrante no Egito” (Ex 23, 9b). o texto colabora com a ideia já mencionada anteriormente que a festa dos pães ázimos já existam porem foi dado novo significado após a libertação do povo do Egito.

3.     Páscoa do Senhor (Nm 28, 16-25) e Festa do Senhor (Dt 16, 1-8)

A estrutura do texto é parecida como um calendário e não há alteração do inicio ao fim. O texto colabora com a ideia da junção das duas festas dos pães ázimos e da páscoa após a saída do Egito. Destaca-se no contexto que a Páscoa no calendário litúrgico apresentado ganha o titulo de festa, chama a atenção a quantidade solicitada de animais, e não é deixado claro o caráter familiar da festa. Dar-se a entender que a festa se centraliza na tenda do Senhor e finaliza na tenda familiar. A narração do livro do Deuteronômio apresenta mesma estrutura, ou seja, assemelha se ao um calendário litúrgico, e acrescenta a importância do não trabalhar nesses dias de festa.
 Como fora apresentado sabemos que a festa da Páscoa é uma junção de duas festas: a primeira de origem agrícola, a festa dos pães ázimos; e a segunda a festa da páscoa, de origem pecuária. Também explicamos que a origem da festa da Páscoa é anterior à saída do Egito. Esclarecemos que a Festa da Páscoa ganha novo significado na saída do povo do Egito. Essa festa agora é celebrada como memorial desta saída e para que o povo não esqueça que o Senhor o libertou da escravidão do Egito. No deserto essa festa se inseri no calendário da festa do povo e ganha destaque. No tempo dos Juízes a mesma festa continua sendo celebrada e permanece o seu forte caráter familiar. No tempo da monarquia com a construção do templo a festa passa a ser mais comunitária, já que a oferta é realizada no templo. Entretanto o consumo da oferta é feito em família. No tempo da divisão do povo de Israel a questão da oferta ser realizada no templo torna-se uma discussão. No tempo do exílio o povo hebreu é pressionado para deixar seus costumes e aderirem a outras culturas. No pós exílio volta-se a celebrar a festa da Páscoa num caráter mais comunitário e de maneira livre. Na época de Jesus mantinha-se o costume de celebrar a Páscoa como ensina o livro do Êxodo. Ate os dias atuais os Judeus permanecem celebrando a Páscoa como memorial da saída do Egito. Entretanto, vale salientar que para os cristãos a Páscoa ganha novo significado mesmo conservando os sinais: Cristo, o cordeiro de Deus (Jo 1, 29) é imolado na cruz (Lc 23, 33) e comido na última ceia (Mc 14, 12-16), no mesmo tempo da páscoa judaica. Para os Cristão Jesus traz assim a salvação ao mundo e a renovação mística deste ano de redenção torna-se o centro da liturgia cristã que se organiza ao redor da Missa (sacrifício e refeição).

Referências Bibliográficas

BÍBLIA DE JERUSALÉM. Paulus. São Paulo: 2002
BÍBLIA DO PEREGRINO. Paulus. 2.ed. São Paulo: 2006

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