QUEM FOI O PROFETA DANIEL?

Profeta Daniel


O profeta e o seu contexto histórico

Durante séculos pensou-se que o autor do livro era o mesmo protagonista Daniel, exilado para a Babilônia nos tempos do rei Joaquim, ou seja, em fins do século VII. O argumento que sustentava está hipótese esta o emprego da primeira pessoa em determinados momentos da obra (7,2;8,1;9,1;10,2). A atividade literária de Daniel dá-se por suposta ou ela é afirmada.
O nome Daniel é sem dúvida um pseudônomio inspirado no lendário Daniel citado por Ezequiel 14, 14.20, ao lado de Noé e Jô. Daniel significa “Deus é Julga”, e Daniel quer dizer “Deus é meu Juiz”. O nome, portanto, teria base lendária, mas vem a calhar para um apocalipse que pretende apresentar o julgamento de Deus contra o imperialismo.
            Contudo o problema é mais complexo quando a figura do autor difere de uma tradição para outra. Em certos casos, é apresentado como adivinho e chefe dos magos (4,5;5,10 – 12). Em outros, como político e administrador régio (2,48; 6,3s; 8,27). Inclusive na tradição grega, ele aparece uma vez como personagem importante da corte babilônica (14,2) e, por fim como sacerdote (14,2 LXX), pois não se pode afirmar nem negar a existência de outros personagens famosos pela sua sabedoria e pelo seu amor pela justiça. Mas alguns pontos são indiscutíveis, como o caso de ele ter sido um a personagem histórica que adquiriu traços lendários e até contraditórios; de ter se tornado uma personagem mais popular do período pós-exílico, com diferentes tradições para falar dele além de relatos extra-bíblicos, e o livro atual não pode ser oriundo do período do exílio como parece ser, uma vez que reflete , em grande parte, a situação do século II a. C. pois para a intenção do autor é insignificante a exatidão histórica, que não vai interferir em nada no conteúdo da mensagem que ele vai transmitir.
Portanto podemos assim esboçar o processo da formação do livro da seguinte maneira. No período pós-exílico torna-se cada vez mais famosa uma personagem chamada Daniel. A sua capacidade que Deus lhe deu para interpretar sonhos e visões chama a atenção. A respeito dele circulam, relatos orais em língua hebraica entre os judeus da dispesão, os quis não sabem se foram recolhidos e copiados nesta língua antes de estarem neste livro. Este era ideal para captar e expor os mistérios da história. E é o que ocorre durante o século II a.C., quando a perseguição religiosa de Ântico Epifanes IV.
A pós o domínio Egípcio (323 – 198), pós Ptolomeu I apoderou-se de Jerusalém e exilou para o Egito grande parte de Judeus. Portanto cinco séculos de domínio estrangeiro haviam deixado marcas no povo judeu. Só circunstância bem dura haveriam de leva-los a rebelar-se ou a protestar. E estas não ocorrem ate alcançar no século II a.C., quando a Palestina era dominada pelos Seleucidas e subia ao trono da Síria Ântico Epífanes IV ( ano 175), um grande entusiasta da cultura helênica em seu reino esbargardo com os tesouros, para subvencionar as suas guerras farão com que os judeus os enfrente. Já no ano 169, voltando de uma campanha contra o Egito, saqueou o templo de Jerusalém, apoderando-se dos utensílios e vasos sagrados. Mas a grande crise começou em 167, quando decide levara a cabo a helenização de Jerusalém.
Como primeiro passo, o general dele, Apolônio, atacou o povo, degolando a muitos e escravizando a outros. A cidade foi saqueada e parcialmente destruída, da mesma forma que as muralhas. Vendo que a resistência dos judeus se baseava sobretudo nas convicções religiosas. Proibiu à prática da religião, os sacrifícios, a circunsição, as festas, o sábado etc. E ergueu uma cidade de pagãos e judeus renegados, além de santuários pagãos e obrigava os judeus a praticarem atos de idolatria. E como coroamento de tudo, em dezembro de 167 foi introduzido dentro do templo o culto a Zeus Olímpico.
Os Judeus piedosos não agüentaram esta situação e negaram-se a obedecer estas normas. E então que estourou a rebelião dos Macabeus, lideradas pelo ancião Matatias, que terminaria reconquistando a liberdade e a independência para os judeus. Outros grupos mantiveram uma posição menos comprometida, digamos mais espiritualista.
E em meio a estas perseguições religiosas de Ântico Epifanes IV, as rivalidades internas e as guerras constantes deram motivos a que muitas pessoas se perguntem como tudo isso acabará, que sentido tem estes eventos, qual a atitude a adotar perante eles. E Daniel neste contexto torna-se porta voz da revelação divina necessária para entender a história.
O resultado atual do livro é fruto de compilação de várias tradições respeitadas pelo compilador, por isso existe as contradições, o contraste entre narrações e visões,a  diferença de línguas etc. Tudo isso torna improvável, quase impossível, ter uma só pessoa escrito de início ao fim o livro de Daniel. Pode ter-lo feito materialmente, mas agindo como compilador e organizador de umas matérias preexitentes, além da obra ter ainda sofreu acrecímos transmitidos somente em grego.



O livro Estrutura literária e temas fundamentais

            O livro de Daniel, é obra complexa, escrita em três línguas diferentes: hebraico (1,1 – 2, 4ª e cap. 8 – 12), aramaico ( 2, 4b – 7, 28) e grego ( 3, 24 – 90 e cap. 13 – 14 são deutrocanônicos e não fazem parte da Bíblia hebraica e nem protestante).  Esse fenômeno curioso único dentro do Antigo Testamento, que no faz entrever complicado processo de formação do livro. É muito fácil separar os fragmentos gregos como adições posteriores, escritas nessa língua ou traduzidas do original semítico. Porém, a mistura de hebraico e do aramaico torna-s difícil de explicar. Propuseram-se numerosas teorias, porém todos os estudiosos acabaram por reconhecer que nenhuma solução é, até hoje, plenamente satisfatória.
            Mas importante é o problema da estrutura e do conteúdo. É muito freqüente traçar uma linha que divide o livro em dois blocos perfeitamente delimitados: caps. 1 – 6 , narrações sobre Daniel e os seus companheiros; cap. 7 – 12, visões de Daniel. Muitos críticos não se sentiam, há anos, plenamente satisfeitos com tal divisão, já que o cap. 7 apresenta numerosos pontos de contato com o capítulo 2. Contudo, eles continuavam admitindo esta estrutura tradicional. De conformidade com isto, podemos dividir o livro em introdução ( cap. 1) e três partes: narrações ( 2 – 7), visões (8 – 12), narrações ( 13 – 14).

Primeira parte caps. 2 – 7, os relatos estão emoldurados por dois sonhos acerca do sentido da história.

Os jovens hebreus na corte de Nabucodonosor ( 1, 1 – 21)
            Escolha de Daniel e seus companheiros: Ananias, Misael e Azarias ( Sidrac, Misac e Abdênago), para servirem na corte do rei. Eles recusam-se a comer alimentos impuros, mas, no entanto, são mais robustos e belos do que seus companheiros, que comem o alimento preparado ela cozinha do rei. Esse fato devia encorajar os hebreus da época macabaica quando os decretos de Antíoco proibiram a observância das leis da pureza.

O sonho de Nabucodonos: a estátua compésita ( 2, 1 – 49)
            O sonho de Nabucodonosor. Em sonho, Nabucodonosor viu uma estátua com a cabeça de ouro e o peito e os braço de prata, o ventre e as coxas de bronze, as pernas de ferro e os pés parte de fero e parte de argila. Uma pedra destacando-se da montanha sem qualquer intervenção de mão humana, atingiu a estátua e a fez em pedaços. Os sábios da Babilônia não conseguiam interpretar o sonho. Daniel, porém, o interpretou segundo os quatro reinos simbolizadores pelas várias partes da estatua. O reino de Nabucodonosor é representado pela cabeça. A pedra que se destaca é o reino messiânico de Deus que vem para destruir os reinos humanos. Os outros reinos não são explicados por Daniel. Os intérpretes geralmente vêem na prata o reino dos medos, no bronze o império Persa, no ferro o reino de Alexandre e no conjunto de ferro, argila os sucessores reinos das dinastias, selêucida e ptolomaica.
Adoração da estátua de ouro ( 3, 1 – 30)
            Nabucodonosor constrói uma grande estátua de ouro e ordena que todos os seus súditos a adorem quando soarem os instrumentos musicais, a um sinal dado. Os três companheiros de Daniel que não figura neste episódio recusam-se a obedecer e são lançados na fornalha ardente. Mas não são atingidos pelas chamas. Impressionado por esse milagre, o rei manda jogar na fornalha aqueles que os haviam acusado. O episódio encoraja os hebreus da época macabaica a não adorarem os deuses gregos, garantindo-lhes que Deus os protegerá. O “Cântico dos três jovens na fornalha ardente” (3, 24 – 90) se é considerado em grego, não se encontra na Bíblia hebraica e protestante.

O Sonho premonitório e a loucura de Nabucodonosor (4, 1 – 34)
            Nabucodonosor sonhou com uma árvore que foi derrubada. Embora com o cepo e as raízes presos com cadeias, de pois de sete anos a árvore cresceu de morrer. Daniel interpretou o sonho como revelação do fato de que durante sete anos Nabucodonosor sofreria uma espécie de demência, em virtude da qual ficaria como um animal selvagem (hoje: boantropia). E, com efeito, Nabucodonosor viveu durante sete anos como um boi, mas depois adquiriu saúde e confessou que o Deus de Daniel era o verdadeiro Deus. A narração visa demonstrar que Deus pode humilhar até mesmo os maiores poderosos da terra que se erguem ao confessar a sua divindade.

O festin de Baltazar ( 5, 1 – 30)
            Baltazar, o último rei de Babilônia segundo Daniel, organizou em grande banquete, durante o qual ele e seus hóspedes profanaram as taças sagradas do templo. Apareceu então uma mão que escreveu três palavras – Daniel as interpretou como “ mane, tecel, parsin” (aramaico : “ medido” , “pesado”, ‘dividido”) e as atribuiu ao reino de Baltazar. Naquela mesma noite, o reino foi conquistado pelos persas e Baltazar foi morto. A história demonstra que Deus prevê a queda dos poderosos hostis ao seu povo.

Daniel na cova dos leões (6, 1 – 29)
            Sob o domínio de Dario, o medo, Daniel violou uma lei dos medos e persas que proibia a todos, êxito ao rei, de fazerem preces durante trinta dias. Em virtude disso, foi lançado em uma cova de leões. As feras, porém, não lhe fizeram nenhum mal. Reconhecendo o milagre, Dario mandou que os acusadores de Daniel fossem jogados à cova. Está história também demonstra que Deus protege os seus fiéis em tempos de perseguição como o de Antíoco Epifanes, época na qual a prece a Iahweh estava proibida.

Sonho de Daniel: as quatro feras ( 7, 1 – 28)
Daniel viu quatro animais que vinham do mar, representando o Império Babilônico, o reino dos medos, o império Persa e o império de Alexandre. Os dez chifres do quarto animal representavam Antíoco Epífanes. Em Daniel, o Filho do Homem provavelmente não significa o Messias como pessoa individualmente: representa muito mais os santos de Deus, o povo de Israel enquanto tal, que descerá do céu (símbolo de sua eleição) e assumirá o domínio dos reinos do mundo.

A segunda parte ( 8 – 12 ) é formada por três visões narradas na primeira pessoa.

Visão de Daniel: O carneiro e o Bode ( 8, 1 – 27)
            A visão é representada pelo anjo Gabriel. O carneiro com dois chifres representa o reino dos medos e persas. O bode representava o reino dos gregos, sendo Alexandre o grande chifre. Os outros quatro chifres representam os quatro reinos que sucederam ao de Alexandre, significando o último chifre a dinastia selêucida, provavelmente o próprio Antíoco Epífanes.

A profecia das setenta semanas ( 9, 1 – 27)
            Essa visão nasce da estupefação de Daniel a respeito dos setenta anos de domínio babilônico preditos por Jeremias (Jr 25, 12). Em resposta à sua oração, Daniel sabe pelo anjo Gabriel que setenta anos significam setenta semanas de anos (quatrocentos e noventa anos) e que o próprio Daniel encontrava-se no momento na última semana, a mais crucial: o tempo o fim se aproxima. Refere-e ao fim do império Babilônico mais não de uma forma que quer expressar um período exato.

O tempo da cólera ( 10, 1 – 11, 45)
            Depois de uma longa introdução, incluindo um debate entre os anjos que presidem os destinos dos povos, é narrada com alguns detalhes a história do período que vai da conquista da Pérsia por parte de Alexandre ( 331 ªC.) até o reinado de Antíco Epifanes, antes de sua corte ( 163 ª C.. ; Dn 11, 2 – 45). Conhecendo-se a história daquele período, é fácil identificar as figuras e os fatos aos quais o trecho se refere,muito embora o autor não os identifique. Trata-se de uma profecia ex -eventu, um gênero literário que não se encontra em outros partes do Antigo Testamento; faz parte da técnica da literatura apocalíptica narrar eventos contemporâneos sob a forma de uma revelação que tria sido feito  um herói da antiguidade.

O tempo do fim ( 12, 1 – 13)
            No fim, depois de um período de grandes tribulações, os mortos ressuscitarão, alguns para a vida eterna e outros para o horror eterno. Está é a mais antiga expressão de fé na ressurreição, tanto dos justos como dois impérios. O tempo do fim parece próximo, mas, quando Daniel pergunta quando será o fim, recebe a resposta de que o livro está selado. O tempo da não-consagração do lugar santo é estabelecido ainda uma vez em 1290 dias. Bem-aventurado é aquele que espera o fim depois de 1335 dias, não sendo possível determinar que coisa o autor esperava para o fim desse período.

A terceira parte ( 13 – 14); deuterocanônica, é formada por tr~es relatos muitos populares que foram transmitidos na língua grega.

A história de Susana ( 13, 1 – 64)
            Uma mulher hebréia de Babilônia, chamada Susana, acusada de adultério por dois anciões tomados de luxúria, é libertada por Daniel, que colhe os anciões em evidente contradição. O diálogo com os ancião contém jogos de palavras em torno dos nomes gregos de duas árvores ( 13, 54 – 55. 58 – 59). A narração constitui um exemplo um da sabedoria de Daniel.

Bel e o dragão ( 14, 1 – 42)
            Sob o reinado de Ciro. Daniel demonstra que os alimentos e as bebidas colocadas diante da imagem de Bel são comidos e tomados ás escondida pelos seus sacerdotes. Um dragão adorador em Babilônia é morto por Daniel. Então, Daniel é lançado na cova dos leões ( cópia do capitulo 6), onde é alimentado pelo profeta Habacuc, transportado da Palestina pela mão de um anjo. Daniel escapa dos leões, razão pela qual Ciro confessa que o Deus de Israel é o verdadeiro Deus.

 Comentário Exegético de uma perícope de um texto à escolha

Texto Daniel 2,

O Sonho de Nabucodonosor: a estátua Compósita

Este é o anúncio da primeira das alegorias de Daniel, que descrevem misteriosamente a sucessão dos grandes impérios históricos (neo-babilônicos: medos, persas e gregos, herdeiros dos impérios asiático de Alexandre), aqui representados por metais de valor decrescente, segundo as antigas especulações sobre a idade do mundo. Em último lugar aparece o reino messiânico. Todos os impérios terrestres desmoronarão para dar lugar a um reino novo, eterno, porque estabelecido em Deus: é reino dos céus, do qual fala Mt 4, 17. Jesus designará a si como o Filho do Homem (Dn 7, 13 e Mt 8, 20), aplicava a si a imagem de pedra basilar de Is 28, 16, com clara alusão á pedra destacada da rocha, a qual esmaga aquele sobre quem ela cair. (v.v. 34 e 44 – 45).
Daniel é o primeiro autor sagrado que considera a história mundial como preparação direta para o reino de Deus e liga com este futuro esplêndido as esperanças messiânicas de Israel. Mas Javé não pode instaurar o seu reino na terra sem entrar em guerra com aqueles que, embora de modo abusivo, detêm de fato o governo do mundo.
            Enquanto subsistirem os reinos de Nabucodonosor, Dario, Baltazar e dos seus sucessores próximos ou distantes, não se poderá falar da instauração do reino de Deus, pois ele não se deixará vencer por nenhum adversário, irá contra todas as potências deste mundo e eliminará todos os impérios pagãos, um por um, incluindo o de Antíoco, e sob as suas ruínas haverá de estabelecer o seu domínio definitivo.
Em suas visões, Daniel contenta-se em confirmar o juízo de Deus contra as nações pagãs que dificultam a obra dos últimos tempos. Pois todas as visões anunciam de forma unânime o fim dos reinos e sobretudo do último que se ergue contra o plano divino.
O autor recorreu a um estila e a uma forma poética, mas a única verdadeira profecia que se encontra no livro é o anúncio do reino de Deus e do juízo que deverá abri-lo e acompanha-lo. Nas múltiplas sínteses que oferece da história antiga, ele procura descobrir o fio condutor, a meta para a qual tudo se move. Quem observa de fora, tem a impressão de que Nabucodonosor, Alexandre ou Antíoco Epífanes estão dominando, e que o curso dos fatos se processa em seu favor. Mas na realidade, quem domina é somente Javé, e os acontecimentos não se desenrolam senão em sua vantagem, isto é, para a realização dos seus planos: o seu designo da salvação.
As potências da história continuam, em suas mãos, como que peças de jogo que ele move ou retira a seu bel-prazer, a fim de abrir caminho para o seu reino. Se a dominação de Nabucodonosor é tão extensa, é porque Javé, nos seus desígnios misteriosos temporariamente lhe delegou a reconstrução de Jerusalém e do templo. Tudo se desenrola segundo um plano previsto por Ele: O que está decretado haverá de cumprir-se (11,36). A história é dirigida por um determinismo implacável. Reis e impérios, cumprindo a sua missão, desaparecem: não há senão um Rei e um Reino, destinados a permanecer e a concentrar em suas atenções de todas as potências que surgem, no cenário da história.
Em 2, 27 – 44 está o anúncio mais explicito relativo ao reino. Nabucodonosor que contempla em sonho o choque entre uma gigantesca estátua e uma pedra, despencada misteriosamente de um alto. Ambas, a estátua e a pedra são símbolos, isto é, representam duas potências ímpares que disputam à dominação mundial. A estátua vista pelo rei representa os vários reinos da terra. Os diversos metais de que e composta simbolizam as diversas dominações que se sucederam no Oriente próximo após Nabucodonosor. A cabeça toda de ouro prefigura o império babilônico; o peito e os braços de prata, o império medo; o ventre e as pernas de bronze, o império persa-arquemênida; enfim, os pés de ferro e de argila, o império macedônico, resistente mais também frágil, por não ter podido afirmar-se. Os dois elementos simbolizam os sucessores de Alexandre, sobretudo aqueles que se revezam na dominação da Palestina.: Os Selêucidas e os Lágidas.
            No Sonho de Nabucodonosos, todos os reinos humanos são reconduzidos à unidade de um só império simbólico; uno no espaço, porque encobre o mundo, e uno no tempo, porque as diferentes dinastias não formam senão uma só estátua.
O autor Daniel, esta fazendo teologia, a estátua descrita por ele é a síntese dos reinos idolátricos, que aparentemente dominam a terra. Apesar de ser uma e composta, ela revela vulnerabilidade, pois os vários elementos de que é composta traem estabilidade, heterogeneidade e fragilidade, revelam uma insegurança interna na própria estrutura. E a seqüência decrescente dos elementos ( do ouro à argila) pode  insinuar a idéia de um processo de degeneração da história humana.
            A pedra, que rola contra a estátua, anuncia um novo reino que deverá substituir os precedentes. Ela se desprende sem intervenção humana para acentuar assim a origem do último reino, radicalmente diferente daqueles que o precedem. A montanha da qual a pedra provém pode lembrar uma conhecida altura nos acontecimentos da salvação; mas corresponde mais provavelmente, à suposição habitual de que Deus mora no alto e serve para confirmar a proveniência superior, transcendente, do reino anunciado.
            A primeira tarefa reservada à pequena pedra é a de medir-se com a grande estátua: a sua ação é fulminante e inesperável. Derruba e destrói a estátua, pagãos desaparecem sem deixar traços do seu poderio passado. A queda da estátua recorda em termos metafóricos o julgamento de Javé contra as nações ao enceter-se a era escatológica. Depois deste ato de purificação e de condenação inicia-se a era messiânica. A pequena pedra começa a expandir-se até superar as próprias dimensões da estátua e tornar-se ou destrosá-la; por isso ninguém poderá arrancar e, muito menos, danificar ou destruir o reino de Deus. A conclusão é óbvia. A estátua era frágil por sua própria constituição; a montanha, pelo contrário, é irremovível por sua própria natureza.
            O novo reino simbolizado na montanha não é senão o reino de Deus, ou, o que significa a mesma coisa,o reino messiânico. A pedra é símbolo ou base do reino messiânico.
            A montanha que substitui a estátua pode, enfim, ser a idealização do monte Sinai ( O monte de Deus, por excelência) ou da colina de Sião que, no final dos tempo, está destinada a elevar-se acima de todos os montes.
A parte final tranqüiliza e é otimista, alarga amplamente as perspectivas e as esperanças do pequeno grupo judeu, que sai das perseguições. O gesto de Davi contra Golias, filisteus e incircuncisos (1S, 17), repete-se agora que se aproxima o fim dos tempos. Como o pequeno pastor com uma pedra, abate o gigante pagão provocador das fileiras do exército de Deus, assim a pedra misteriosa destrói a estátua recapituladora dos reinos e dos reinos idolátricos. É  este o fim de todos os inimigos de Deus e dos seus planos.

A atualidade do Profeta

O que pretendia o autor?
            Tomar posição diante dos acontecimentos de perseguição de Antíoco Epifanes IV, que ameaçava a extinção do povo Judeu. Diante disso ele produz um livro em linguagem cifrada, compreensível para o seu povo, a fim de estimular a resistência e incitar à luta.
            O livro de Daniel é uma leitura profunda da história, onde tem o objetivo de julgar e condenar radicalmente o imperialismo e estabelecer uma alternativa político-econômica que é o reino de Deus que dá ao povo chance de liberdade e de vida.
            Tem um objetivo de submeter o imperialismo e a desigualdade para dar lugar a fraternidade em nível político e a partilha em nível econômico. Utópico mas  não impossível. O reino de Deus vai se realizando a cada dia, na medida em que as relações desumanas vão dando lugar ao espírito de solidariedade e de dignidade humana.

O Apocalipse de Daniel é atual?
O espírito de dominação desumana sobre o povo continua a dar sinais na nossa realidade, ou seja, muitos querem se colocar no lugar de Deus e controlar, escravizar, retirar a dignidade do outro. É preciso uma atitude ética diante dos impérios que são construídos para destruir as pessoas, ir em busca a destruição destes impérios de morte. A vitória é presente em cada simples gesto que se opõem ao imperialismo.
É claro que a mensagem do profeta Daniel é atual para a nossa realidade, e é a força do Espírito que faz atual a palavra de Deus, que permanece viva, eficaz e atual em nossa realidade.
            São muitos os sinais de impérios humanos que se erguem como sendo “deuses” ou se achando tão poderosos quanto Deus, ou seja, impérios terrestres, homens que acreditam ser “deuses” e por isso agem de forma desumana querendo manipular até a vida humana, além de impor sua forma de governo como julgo pesado para as pessoas, em nome de seus interesses pessoais. E através de sua linguagem apocalíptica o profeta nos mostra que Deus pode humilhar até os maiores poderes terrestres, pois ele é o verdadeiro rei, é que ao destruir todo imperialismo humano estabelece o seu reino definitivo. No caminho rumo, ao estabelecimento do reino definitivo de Deus, aonde não mais exista outro reinado.
Mas enquanto isto está mensagem de Daniel nos dá esperança, nos ajudando a compreender a ação de Deus através dos sinais que vão surgindo no palco da história, ou seja, os sinais do estabelecimento deste reino, que vai se dando. Além de nos animar mesmo em meio aos sinais da presença de dominações humanas que oprimem e parecem ser mais forte do que a força de Deus. Mas que são necessários acontecerem para a vitória de Deus, Rei da nossa história.
Portanto quem é fiel a Deus e está seguro nele, verá realmente na história os sinais e atributos de Deus apresentados por Daniel, o profeta vai descrevendo a história e o triunfo de Deus. Parece que a técnica, a ciência, o dinheiro são mais forte; quando a fé em Deus parece trazer nenhuma vantagem para a vida. Apesar de todas as aparências contraditórias, o profeta não desiste, ele nos anima a fé, e é força para aqueles que ameaçam deixar por causa do cansaço da caminhada, por mais ameaças que passaremos Deus é o Senhor da história, e o profeta Daniel nos chama a ser profetas sem medo de anunciar esta mensagem e ver os sinais da vitória do Reino de Deus.

ReferÊncia

BÍBLIA DE JERUSALÉM. São Paulo: Paulus, 2002.
 SCHOLKEL. L. Alonso; DIAZ, J.L. Sicre. Profetas. São Paulo: Paulinas, 1991 p. 259 – 1348;
MCKENZIE, John L. Dicionário Bíblico. 7 ed. São Paulo: Paulus, 1983 p. 211 – 214;
Comentário Bíblico. 2ed. São Paulo: Loyola, 1999. p. 293 – 302;
STORNIOLO, Ivo. Como ler o Livro de Daniel. 3ed. São Paulo: Paulus, 203;
Os Doze profetas Daniel. Petrópolis: Vozes 1978. p. 225-271.

FIQUEM NA PAZ DE DEUS!
SEMINARISTA SEVERINO DA SILVA.

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