O CRISTO E A IGREJA

3. O CRISTO E A IGREJA

O encontro com o ressuscitado marca o novo início do movimento cristãos na história: a Igreja, presente no desejo e na obra do Jesus histórico vem realizar-se plenamente na força e na luz da reconciliação pascal. Ela se torna protagonista da missão que o Senhor lhe confiou de ser na história o Povo de Deus escatológico no qual o Espírito conduz a pleno cumprimento as promessas. Em continuidade com Jesus histórico a comunidade nascente se reconhece como o Israel do cumprimento, sem renunciar a chamar a si o Israel que negou (At 2,14-40) e também através da mesma reconstituição do número Doze (At 1,15-26). A originária escolha de Jesus não será esquecida como ensina Paulo em Rom 9-11. Também a eclesiologia do NT se move na tensão entre continuidade com o povo da Aliança e a novidade do pacto celebrado na Páscoa de Cristo. Emergem assim os traços da comunidade escatológica que em sua unidade e articulação oferece-se como alternativa ao mundo embora seja enviada a servi-lo: a imagem paulina de Corpo de Cristo resume muito bem estes traços.

a.                 A Igreja, comunidade escatológica
Se em Jesus (1) apareceu o Messias esperado e se (2) ele procurou reunir o povo escatológico, a comunidade reunida pelo anúncio do ressuscitado na Ceia não pode não ter em si uma consciência fundamentalmente escatológica: sabe que é a Igreja de Deus (1 Cor 15,9; Gal 1,13) que se reúne não na Galiléia, mas em Jerusalém porque aqui se realizaram as promessas. Assim a Igreja não nasce do atraso do reino (como dizem os liberais), mas nasce, em conformidade à vontade de Jesus, como povo escatológico mostrando assim com a sua presença que o Reino já chegou e age embora somente nos sinais humildes do início.

Sinal disto são também as curas. Já no Jesus histórico existem curas, sinal do advento do Reino (Lc 9,1s) e agora acontecem todos os dias, como se pode ver nos sumários (At 2,43; 5,12-16). Fazem milagres Pedro, João, Estevão, Filipe, Barnabé, Paulo, Ananias como se pode ver nos Atos. Somente um pretensioso racionalismo eliminou este poder do início. Assim Paulo fala do dom da cura ao mesmo nível da presidência (1 Cor 12,28) e vê o milagre elemento constitutivo da Boa Notícia (1 Cor 2,4s; 1 Ts 1,5). Portanto, a Boa Notícia é anunciada com palavras e curas.

No horizonte de continuidade e novidade podemos ver as diferentes acentuações dadas ao cumprimento escatológico. Assim Lucas fala do templo da Igreja porque vê a necessidade de dilatar a todos os povos este início escatológico. Paulo dá importância à relação com o Cristo para salientar que Cristo é o cumprimento escatológico. João, parece,  fala de uma escatologia já realizada porque ele acentua o caráter messiânico-escatológico daquilo que aconteceu em Cristo. Assim embora a carta aos hebreus fale do povo peregrino não esquece que este povo é já sinal (Hb 6,4s). Portanto, mais do que espera iminente é bom falar de espera permanente (o tema da vigilância: Mc 13,34-37; 1 Ts 5,6; 1 Cor 16,13; Ap 16,15) confortada e alimentada pela experiência do dom recebido e atualizado pela Palavra da fé e pela celebração da Ceia do Senhor.

A Igreja se manifesta também na comunidade alternativa em continuidade com a prática de Jesus: os preconceitos raciais, sexuais do tempo e de cada tempo caem. E nesta mudança Paulo vê um sinal escatológico (Gal 3,26-29; Col 3,10s). Eis porque Paulo se bate tanto para que não se retorne à escravidão da lei e das observâncias legais que criariam uma discriminação entre hebreus e pagãos (At 15,1s; Gal 2,11-21) embora seja disposto ajudar os pobres de Jerusalém como sinal de unidade (Gal 2,9; 2 Cor 8-9).

Este caráter alternativo da Igreja do NT se manifesta especialmente ma primazia da caridade.. A Igreja sabe que deve viver este mandamento iniciando por si mesma (Jo 13,35: assim todos conhecerão a Deus). Daí a importância da reciprocidade de relacionamentos (Rom 12,10.16; 15,7.14.16; 1 Cor 11,33) e atenção dada à correção fraterna (Mt 18,15-17; 1 Ts 3,12; 5,14; Rom 15,14; Gal 6,1; Tg 5,19s). É uma comunidade onde ninguém se deve fazer grande, só existe um só Rabi (Mt 23,8). O fundamento disto está na experiência dos filhos do Espírito (Gal 4,5-7; Rom 8,14-16). A sua expressão histórica torna visível a comunidade escatológica como centro de irradiação e alternativo à prática social normal (At 2,42-47; 4,32-35; 5,12-16). Esta alternativa não orgulho e menosprezo, mas fruto da consciência escatológica pela qual o povo de Deus deve resplandecer como Israel messiânico para atrair a si a peregrinação dos povos.

b.                 A Igreja em missão
A comunidade escatológica deve por-se como sinal para os povos, verdadeira Israel dos últimos tempos onde os pagãos se tornaram concidadãos dos santos, edificados sobre os apóstolos (Ef 2,19s) cuja pedra angular é o mesmo Cristo a pedra angular que fez dos dois um só povo (Ef 2,14). A missão dos santos será fazer resplandecer o mistério escondido em Deus (Ef 3,9-11). Daí o acento à santidade. Como o antigo Israel devia ser santo, isto é separado por Deus, assim o Israel escatológico é um povo consagrado, enviado ao mundo (Jo 17,14-19). Santificado no Batismo (Ef 5,26), formado por os convocados à santidade (1 Ts 4,3), o  povo escatológico é o Templo santo de deus (1 Cor 3,17) construído sobre a raiz santa de Israel (Rom 11,16s). A Igreja é o povo santo (1 Pd 2,9) e assim se torna um sinal no mundo (At 15,13-18), a comunidade de discípulos que faz discípulos os outros (Mt 28,19).

A tensão a resplandecer como sinal entre os povos se reflete também internamente à Igreja pela articulação de carismas e ministérios caracterizados pela caridade e serviço. A Igreja não é uma comunidade invisível, mas visível e por isto temos a presença de certa autoridade. Assim a escolha dos doze, o papel de Pedro evidenciados seja antes que depois do ressuscitado explicam bem esta realidade. Assim o título apóstolo (79 vezes) especialmente em Paulo e Lucas quem representa Jesus em sentido forte (Mt 10,40). Paulo tem a consciência de ser apóstolo (Rom 1,1; Gal 1,1s): ele viu o ressuscitado (1 Cor 9,1) e recebeu dele a faculdade de ser testemunha (Rom1,5; Gal 1,16) embora seja o último dos apóstolos (1 Cor 15,9) se declara igual a eles (1 Cor 9,5; Gal 2,6-9) e guia com autoridade a comunidade, mas de modo serviçal e amoroso (2 Cor 1,24; 8,8).

Assim a autoridade se apresenta na Igreja nascente como serviço de comunhão em continuidade com Jesus (Mc 10,42-45). O primado da caridade exige que quem tem autoridade se faça servo dos outros, assim a autoridade está sob a urgência da missão: servindo no amor a comunidade o apóstolo sabe de tornar visível nela a cidade santa; privilegiando o serviço ele anuncia concretamente a alternativa oferecida à história do advento do reino de Deus em Cristo. Assim os carismas e os ministérios na Igreja do NT tendem à unidade (1 Cor 12,4-7.11).

c.                  A Igreja “Corpo de Cristo”.
A comunidade dos discípulos, que junto a Jesus, constituía uma comunidade alternativa, representando o novo Israel e aquela formada pelos mesmos discípulos transformados pelo encontro com o Cristo ressuscitado, reunidos e enviados por ele como povo escatológico se caracterizam pelo relacionamento com Ele que fez a congregação de Israel, o profeta da galiléia constituído Senhor e Cristo: por isto que em Antioquia são chamados de cristãos (At 11,26). Esta relação fundante é bem expressa coma idéia da Igreja ser Corpo de Cristo. Esta idéia surge em 1 Cor (6,15-17; 10,17; 12,12-27) refletida também em Rom 12, 4s e bem elaborada em Efésios e Colossenses.

No início a idéia de Corpo expressava a relação dos membros da Igreja: são eles a constituir o Corpo, como um organismo social (Rom 12,4s). O que é sublinhado que entre os membros existe uma complementariedade tal que cada um está aberto ao outro para o bem comum (1 Cor 12,26s). E por isto a idéia de corpo está bem ligada com a Caridade visto que fazemos parte do mesmo corpo e cada um deve ajudar o outro para o bem comum (1 Cor 12,28-13,13; Rom 12m9s).

Pode ser que esta imagem reflita a personalidade corporativa presente no AT onde se relacionam o elemento individual  com o coletivo, mas aqui o que é fundamental é a relação com o Cristo. E esta compenetração entre a comunidade dos discípulos e o corpo de Cristo se realiza na Ceia (1 Cor 10,16s) e é o advento batismal que faz dos muitos o único corpo no Espírito (1 Cor 12,13). Assim atrás de 1 Cor 10,17 há a idéia que a comunidade é Corpo de Cristo. O que já existe com o Batismo, numa nova maneira vem fundada e realizada por meio da eucaristia, especialmente por quanto se refere à unidade: um único Corpo de Cristo. Neste Corpo exercerão um papel peculiar de unidade aqueles que fazem a vez de chefe-de-família em lugar dos doze aos quais é confiado o memorial. Assim podemos ver que a Igreja tem a consciência de ser a comunidade escatológica reunida por Jesus e nele por meio dos eventos sacramentais por ele confiados ao povo seu.

O desenvolvimento em Ef e Col vai na direção de um maior relacionamento entre Cristo e o seu Corpo eclesial: como para a Bíblia o corpo de um homem é o homem no seu corpo assim a Igreja é Cristo nela. E como o homem está em relação ao seu corpo pondo-se num certo sentido como superior a ele assim Cristo é Cabeça da Igreja que é e resta a ele subordinada (Ef 1,22s; Col 1,18.24). Mas esta supremacia não é entendida como um domínio, mas como cabeça do Corpo é também aquele do qual e em vista do qual o corpo “cresce”. Ele é o fundamento e o fim da Igreja (Ef 4,15s). Este crescimento, portanto, se dá no amor fraterno: a união o Senhor Jesus comporta a união aos outros discípulos, vivida na plena concretude dos relacionamentos eclesiais.

Esta idéia de “corpo” implica necessariamente uma relação originária e constitutiva entre Cristo e os seus: é aquilo que é expresso na imagem de Esposa e Esposo (Ef 5,25-27.32). A Igreja é a amada, objeto de curas do esposo. É a relação de amor entre Jesus e os seus que fundamenta a Igreja como seu Corpo e se alimenta das relações concretas pessoais de fé e de caridade dos discípulos com, o Senhor Jesus e entre eles.

Enfim em Ef e Col temos também a manifestação exterior na história desta relação de amor entre Cristo e seus discípulos. Enquanto Corpo a Igreja torna presente Cristo no mundo, é a plenitude que é destinada a encher tudo (Ef 1,23). O caráter cósmico se liga à idéia de convocação escatológica de Israel e por isto da função que esta comunidade de discípulos tem de espalhar a luz de Cristo a todas as gentes para convocá-las ao banquete do Reino (Ef 1,9-12). Assim o Corpo de Cristo deverá abraçar Israel e os gentios, visto que Cristo é nossa PAZ ((Ef 2,14.16). No Corpo, que é a Igreja, se oferece desde o início o penhor do Corpo de Cristo escatológico.

E depois a Igreja relativiza a grandeza deste mundo. Todas as realizações estão abaixo da provisioriedade. A Igreja se põe como sacramento da unidade da humanidade e denuncia tudo o que não é Deus e quer fazer-se Deus. Surge a necessidade da Igreja estar presente na história: não fuga do mundo, mas pôr a eternidade no templo. Eis o específico da Fé em Cristo. Enfim a memória do escatom faz da Igreja a comunidade da esperança e da alegria visto que se conhece o sentido da história.

Alguns questionamentos:
     I.Todas as religiões salvam? Mas então porque a Igreja?
  II.Como podemos caracterizar uma comunidade cristã? Quais os elementos que devem estar presentes? Por quê?
III.Como “educar” um grupo jovem para que seja realmente eclesial? Quais poderiam ser as grandes etapas?
IV.Como a Igreja responde às grandes interrogações dos jovens do mundo de hoje?
  V.Levantar questionamentos ou pedidos de esclarecimento.

FIQUEM NA PAZ DE DEUS!
SEMINARISTA SEVERINO DA SILVA.

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