A LUZ E O FOGO NA LITURGIA

A luz e o fogo na liturgia

            Na liturgia, os símbolos “luz-chama” e “iluminar-arder” quase sempre são encontrados juntos. Luzes, luminárias, lâmpadas e candelabros, usados na liturgia hebraica, passam com facilidade para a liturgia cristã pelas mesmas razões prática e com mesmo significado.
            Os círios ou velas são levados para honrar a proclamação do evangelho e para enriquecer o simbolismo do altar; precedem o ministro que preside em nome de Cristo; são acesas diante dos ícones e é sinal de alegria e de festa durante a celebração. Praticamente, usa-se acender as velas todas as vezes que a comunidade se reúne para celebrar, independentemente de qualquer exigência funcional. Entrega-se a vela acesa ao neófito (ou aos pais) no rito do batismo, depois de havê-la aceso no círio pascal (ver mais adiante). A lâmpada, que arde e se consome diante da reserva eucarística, é sinal de adoração e de oração. As velas acesas durante as vigílias fúnebres (velórios) ou no cemitério, além de estarem ligadas aos temas relativos a círio pascal, são sinal de veneração pela urna do defunto. As procissões de velas acrescentam ao simbolismo da peregrinação o da fé e da vigilância. Na festa da apresentação do Senhor no templo, as candeias evidenciam que Cristo é “luz para iluminar as nações” (Lc 2, 32; vejam-se no MR os formulários desta festa). Mas os significados são múltiplos e se entrelaçam e entrecruzam.
            Em meio a todos os simbolismos decorrentes da luz e do fogo, o círio pascal é a expressão mais forte por causa da riqueza de significados. O Círio pascal representa Cristo ressuscitado, vencedor das trevas da morte, sol que não tem ocaso. É acesso com o fogo novo, produzido em completa escuridão, para significar que a páscoa tudo renova, portanto, pelo círio e partindo dele se chegará a acender todas as outras luzes.

 Celebrar o Natal

           A solenidade do Natal, mais que uma comemoração do nascimento  ou do aniversário de Jesus – na verdade, ninguém sabe o dia em que ele nasceu - , é a celebração da manifestação de Deus em nossa humanidade, do “nascimento de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo a carne”. Nela, festejamos a salvação que entra definitivamente na história da gente, e que contemplamos no menino que nasceu em Belém, na visita dos pastores e dos magos ao presépio, no batismo de Jesus no Jordão!
            Profundamente enraizada na piedade da Igreja e na religiosidade popular, festejamos expressivamente pela cultura ocidental, apesar dos abusos do consumismo, a festa do Natal, se não é a primeira ou a mais importante festa cristã – esta primazia cabe, sem sombra de dúvida, á festa da Páscoa - , encerra um denso simbolismo de vida e luz.
            Sua origem remonta ao ano 300 d.C., quando a Igreja de Roma, vivendo numa cultura pagã que comemorava em 25 de dezembro a festa do Sol vencedor ou do novo sol, festa da data – inicio do alongamento dos dias, tempo de luz nova na natureza e novo ano solar – a celebração da vinda de Cristo, verdadeiro sol da justiça, que apareceu ao mundo depois de uma longa noite. Na mesma época, a Igreja do Oriente celebrava, em 6 de Janeiro, uma festa semelhante, a Epifania, dando a ela um forte conteúdo batismal. Assim, já no século IV, as Igrejas do Ocidente celebravam as duas datas, Natal e Epifania, como duas grandes festas que marcam as etapas da vinda de Deus na humanidade. No Natal, o acento cai no nascimento do Senhor e sua presença humilde no meio dos pobres. Na Epifania, lembramos a manifestação do Senhor ao mundo, este último simbolizado pelos magos. Profundamente relacionadas, a Epifania para o Natal o que Pentecostes é para a Páscoa: seu desenvolvimento e proclamação ao mundo.
            A festa do Natal era celebrada com uma vigília, tal como na Páscoa – e em muitos lugares usavam-se os mesmos textos da vigília pascal. Nas comunidades da Gália, onde hoje é a França, era costume celebrar nesta data o batismo, tal como na noite pascal. Assim, as primeiras comunidades cristãs compreendiam á luz da Páscoa, o sentido do Natal como início da salvação, Diziam eles: o Verbo salvou o que assumiu. Nesta unidade indissolúvel do mistério da nossa redenção, a festa do Natal passou a ser entendida como um sinal pascal: o sacramento do nascimento do Senhor. É a Páscoa do Natal! Nela, alegramo-nos com a nova luz da glória de Deus que brilha para nós, e acolhemos o Ressuscitado que se revela a nós como companheiro de nossas vidas, o Emanuel, o Deus conosco, aquele que assumiu plenamente a nossa condição humana e a transformou!

Nova luz da glória de Deus

           Os pais e mães da Igreja chamavam o Natal de festa das luzes, talvez pela proximidade com a festa judaica da Hanucá, festa luminosa do povo de Israel. Inspirada pela leitura de Isaias – “o povo que andava nas trevas viu uma grande luz”(Is 9,2) - , a liturgia da noite de Natal se apresenta como uma ocasião na qual Deus faz “resplandecer a claridade da verdadeira luz”e as comunidades do mundo inteiro podem proclamar: “No mistério da encarnação do teu Filho, nova luz de tua glória brilhou para nós”( primeiro prefácio da festa).
            Iluminados por esta nova luz,tornamo-nos filhos e filhas de Deus: “filhos no filho!”Somo conduzidos para o encontro entre o humano e o divino, a maravilhosa partilha, o Deus humano, a humanidade divina, a participação na divindade daquele que assumiu a nossa humanidade! No fulgor da noite de Natal se anunciam as luzes da noite pascal. E os batizados e batizadas são convidados a viver como iluminados, conforme já nos exortava, no século V, o papa Leão: “Reconhece, cristão, tua dignidade!”.

FIQUEM NA PAZ DE DEUS!
SEMINARISTA SEVERINO DA SILVA. 

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