JESUS É A "CONVOCAÇÃO" DE ISRAEL

2. JESUS É A “CONVOCAÇÃO” DE ISRAEL

a.                 Jesus e Israel
Temos uma “eclesiologia implícita” em Jesus de Nazaré. De fato não se pode entender a pregação de Jesus de modo individualístico (protestantismo liberal), mas no contexto da fé e esperança do povo eleito. Como o Batista, também Jesus se endereça a Israel. E assim como para o Batista também para Jesus sua pregação é um chamado de graça e por isto sinal de contradição (Lc 2). O não aceitar evidenciará a necessidade de constituir uma comunidade cujo pacto da promessa se realça junto ao antigo povo para todos os gentios. Assim embora se faça apelo à conversão toda a sua atividade é convocar o povo.

·                   Um sinal significativo disto é a Instituição dos Doze (Mc 3,13-16): no lugar da revelação, a montanha, constitui os doze para estar com ele e enviá-los. O número doze é já profético. O sistema tribal já tinha terminado e por isto este ato parece lembrar  Ez 37; 39,23-39; 40-48 para dizer que com ele as promessa chegam ao fim. Com a própria existência os doze se tornam um apelo para todo o Israel para que se converta e se deixe reunir. O fato de ter confiado na Ceia a tarefa de celebrar o memorial, mostra como Jesus queria transferir à inteira comunidade na pessoa de seus chefes o mandado de ser sinal e instrumento na história da reunião escatológica por ele iniciada e assim se entende o poder dado de reter os pecados (Jo 20,21). 

No interior dos doze temos o papel de Pedro que embora suas fraquezas é sempre apresentado como porta-voz dos outros (Mt 15,15; 17,4.24s; 19,27; 2640). É o primeiro a ser chamado e nomeado na lista dos doze, ele conhece que Jesus é o Messias e é chamado por Jesus de bem-aventurado e definido “pedra” sobre a qual o Nazareno pode construir a sua Igreja (Mt 16,17-19 – unidade). Com o poder de ligar ou não Pedro recebe o poder de confirmar na fé os irmãos (Lc 22,31ss – confirmar) e por isto a ele que Cristo ressuscitado confia a tarefa, fundada no amor, de alimentar e governar o rebanho (Jo 21,15-19 – apascentar). Próprio este papel de Pedro mostra como a ação profético-simbólica da instituição dos doze tivesse não somente a finalidade de sinal da reunião de Israel, mas também o caráter de antecipação da comunidade da Nova Aliança que se seria constituída na história. Se a reunião se realiza na Páscoa de Jesus esta deve atuar-se plenamente na história sob a guia daqueles que assumirão o lugar dos doze no ministério da presidência e de quem, sucedendo a Pedro, será chamado a atualizar no tempo o serviço de unidade. Esta realidade é testemunhada bem desde o início da comunidade cristã e chega até a Paulo (1 Cor 15,5).

·                   Além deste sinal temos um conjunto de milagres ligados ao Reino: “Eis, coragem o vosso Deus vem salvá-los” (Is 35,4-6; 26,19; 29,18; 42,7.16; 61,1). “Ides a dizer a João o que estão vendo” (Lc 7,22): nestes sinais temos a ação de Deus para reconstruir o seu povo.

·                   Neste contexto de plena dedicação ao reino que podemos ver as afirmações onde se limita a sua ação a Israel (Mt 15,24) e que os doze devem continuar (Mt 10,5s). Jesus é o pastor prometido (Ez 34,22-25) que reúne as ovelhas perdidas da casa de Israel e vai atrás delas porque as conhece e as ama (Lc 15,4-7; Jo 10,1-10) e através desta reunião é o Reino de Deus que se anuncia para todos os povos (Ez 39,21). Assim os doze, participando à sua missão, cooperam com o pastor dos últimos tempos indo também eles primeiramente às ovelhas perdidas de Israel, cuja restauração é o sinal escatológico de salvação para todos os povos. Assim o inicial limite a Israel de sua missão e dos Doze se torna o sinal profético simbólico mais eficaz.

b.                 Jesus e os povos
A missão aos pagãos se configura explicitamente com o não de Israel. Existe um antes que o profeta de Nazaré quer respeitar (Mc 7,27) e depois se pode ir aos gentios (Mt 8,11s; Lc 13,28s) conforme o profeta Is 25,6-8; Is 2,1-3; 60,11-14. A realização deste desígnio se concretiza na oferta a Israel realizada por meio da pregação do Reino unida à ameaça da obstinação do povo infiel, tendente a provocar a conversão como se pode ver em Rom 9,11 e Mt 12,41. E frente aos “não” que Jesus pronuncia palavras terríveis: Ai de ti Corazim, Betsaida (Mt 11,21s). Vista a negação do povoa paz é oferecida aos gentios (Lc 14,16-24). Mas embora os “não”, Israel continua sendo o povo eleito (Is 60,2-4).

Assim se entende porque Jesus opere em Israel, porque somente quando brilha no povo de Deus a luz de seu senhorio os pagãos podem encaminhar-se em peregrinação todos povos para Sião até o fim dos séculos. Assim também os Doze serão juízes das doze tribos de Israel (Mt 19,28). Assim os Doze representam o verdadeiro Israel que acolhendo a boa notícia entra no tempo escatológico e exerce a função de recolhimento para todos os povos: como testemunhou a Igreja nascente são eles os alicerces da nova Jerusalém (Ao 22,10.12). E assim se entende como os Doze têm o poder de convocar em nome de Jesus a comunidade de salvação, exercendo nela o poder de ligar ou desligar (Mt 18,18), de ensinar com autoridade e exercer o julgamento de significado escatológico.

Então não se pode opor a missão universal e a missão em Israel, porque tudo deve ser visto à luz do anúncio do Reino. O endurecimento do coração do povo não anuncia a unidade do desígnio divino: a promessa se realiza no povo que abraça os crentes provenientes de Israel e dos gentios. Mas não será uma massa heterogênea, mas realmente um povo (Mt 21,43). Esta negação de Israel questionará o mesmo Paulo como podemos ver em Romanos (11).

À luz de quanto visto se vê também como é falso opor a pregação do Reino e o advento da Igreja, como se esta fosse devida ao fracasso da pregação do reino. Na realidade é próprio a pregação do Reino que convoca o Israel escatológico, no início na forma de convocação de povo eleito e depois, por causa da negação, na convocação tanto do povo de Israel quanto dos outros povos. O senhorio de Deus se manifesta nem somente no (1) fechado da consciência, nem (2) numa unidade genérica de espíritos com abertura ao transcendente, mas (3) num povo concreto, numa comunidade visível quanto o Israel da Antiga Aliança. Portanto, quem nega a vontade de Jesus de congregar a sua comunidade, contradiz próprio o que está ao centro de sua mensagem.

c.                  Jesus e os discípulos
Dentro do contexto da congregação do povo de Deus que se situa a relação entre Jesus e os discípulos. Entre os que escolhem a mensagem os discípulos seguem o mestre (Mc 5,19; 2,23s). Mas não são os discípulos a procurar o mestre, mas é Jesus a escolhê-los (Mc 1,16-20) ensinando não a Torah, mas a mensagem do Reino ligada à sua pessoa. As exigências do seguimento são radicais (Lc 14,26s, se deve participar da sorte dolorosa do mestre. Entre o discípulos ele escolhe doz 3,13s). Entre os discípulos conhecemos alguns nomes como Cleofas, Josés Narnabé, Matias e mulheres.

Esta comunidade de discípulos constitui ao redor de Jesus a família escatológica de Deus. Nesta família Deus é o Pai (Mt 23,9), todos são irmãos, mãe (Mc 3,34): seguem Jesus no meio do povo e não separados, se expressa na alegria, no convívio comum 9Mc 2,15-17; 6,34-42; 8,1-10; 14,22-25) e deve renunciar a toda a violência (Mt 5,39-42) para ser abertura acolhedora dos pobres, coxos , cegos (Lc 14,13) prefigurando assim o povo escatológico de todos os povos. Somos somente no início (as parábolas do Reino de Mt 13) e é a imagem da Igreja. Por isto a magna carta desta comunidade é o discurso da Montanha (Mt 5-7) endereçado aos discípulos (Mt 5,1) e às multidões em vista das quais e das quais são sinal (Mt 7,28).

Neste horizonte se entende que o discurso sobre a missão dos discípulos (Mt 10) que na realidade a partir do versículo 17 é um discurso sobre o destino do discípulo, mantenha unidas a limitação a Israel (v.5s) e a abertura aos pagãos (v. 18). Assim Mt 18,1-20 nos mostra a estruturação interna desta comunidade em referência às autoridades e as exigências de uma vida comum (onde dois ou três... temos a shekinha de Deus, de Jesus) que é a função antecipadora da comunidade escatológica que o ressuscitado constituirá com os seus (Mt 28,20).

A continuidade e a novidade frente a Israel se encontram também nas leis fundamentais da vida dos discípulos e da comunidade: o mandamento do amor (Mc 12,28-34). A Lei e os Profetas se reduz à lei de ouro de Mt 7,12 e Jesus exige ter o amor de Deus (Lc 6,36) aberto a todos, até aos inimigos. É o advento do Reino a motivar esta radicalidade. A lei não é abolida mas cumprida (Mt 5,17). O discípulo entra na nova justiça.

Assim a congregação dos discípulos tem um caráter de antecipação e de profecia da comunidade da Nova Aliança que nasce na Páscoa de Jesus em relação também ao endurecimento de Israel. Eles são a luz (Mt 5,14). Mas nesta luz, nesta cidade no monte é o apelo escatológico que soa tanto para os pagãos quanto para os da casa de Jacó (Is 2,2.5). Mas antes que alcance os pagãos precisa que o Servo de Deus derrame o próprio sangue para os “muitos”.

FIQUEM NA PAZ DE DEUS!
SEMINARISTA SEVERINO DA SILVA.

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