COMO DEVE-SE CANTAR O GLÓRIA NA MISSA?

O sentido de um hino chamado “Glória”

O tema deste encontro reflete sobre o hino do Glória, que cantamos nos Ritos iniciais da celebração Eucarística. O objetivo da reflexão é fazer compreender a mensagem do hino e qual sua particularidade.

Celebração inicial

Uma vez que setembro é considerado o mês da Bíblia, a celebração inicial é um louvor à Trindade Santa que permanecem entre nós como Palavra viva e, por isso, constantemente transformadora.

Espaço Celebrativo

Uma vez que o tema da celebração evoca a Palavra de Deus presente na Bíblia, esta ocupará o centro da sala, de tal modo que todos os participantes sintam-se tocados pela sua presença. Um exemplo de arranjo, que propomos inclusive para o 1a Domingo de setembro, é como o da foto.

Celebração

Vamos adotar o roteiro celebrativo do Ofício das Comunidades. Por isso, sugerimos que a celebração seja feita dentro dos mesmos critérios que o Ofício inspira, como por exemplo, os responsórios cantados, a recordação da vida, etc...


Abertura – hino cantado
Estes lábios meus, vinde abrir, Senhor (bis)
Cante esta minha boca o vosso louvor (bis)

Vinde adoremos a Nosso Senhor (Bis)
Pra construir seu Reino e nos chamou.

Toda terra aclame, cante ao Senhor (bis)
Sirva com alegria, venha com fervor.

Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo (bis)
Glória á Trindade Santa, glória ao Deus bendito.

Recordação da vida

Dentro do contexto proposto, pode-se recordar o valor da Bíblia em nossas comunidades: como a Palavra de Deus foi motivo para surgirem grupos de reflexão nas ruas, para criar a rede de comunidades, para favorecer a aproximação entre evangélicos e católicos em muitas comunidades.

Três questões para ajudar a recordar
   Como tratamos a Palavra de Deus em nossas celebrações?
   Usamos folhetos ou livro litúrgico (Lecionário) para as leituras?
   O Evangeliário é respeitado como símbolo de Cristo que fala na celebração?
Hino – canção de homenagem a Bíblia
Durante a canção, pode-se criar um rito e algum participante introduz a Bíblia, colocando-a no local preparado.
Outro modo, é passar a Bíblia de tal modo que todos a toquem com a mão ou encostando-a na fronte, enquanto se canta.

Bíblia é a Palavra de Deus,
semeada no meio do povo.
Que cresceu, cresceu, e nos transformou,
ensinando-nos viver num mundo novo.

Deus é bom, nos ensina a viver,
nos revela o caminho a seguir
no amor partilhando seus dons
sua presença iremos sentir.

Somos povo, o Povo de Deus
e formamos um Reino de irmãos.
E a Palavra que é vida nos guia
e alimenta a nossa união.


Salmodia – Sl 19,8-11
A Palavra de Deus é perfeita,
  Um descanso para a alma.
O testemunho de Deus é firme,
  Instrução para o ignorante.

Os preceitos de Deus são retos,
  Alegria para o coração.
O mandamento de Deus é transparente
  É luz para os olhos.

O temor de Deus é puro
  E estável para sempre.
As decisões de Deus são verdadeiras
  E justas igualmente.

São mais desejáveis que o ouro,
  Mais do que o ouro refinado.
São mais doces que o mel,
  Que vai escorrendo dos favos.

Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo!
Como era no princípio, agora e sempre, Amém!


Leitura Bíblica – Tg 1,22-23
Sejam praticantes da Palavra, e não apenas ouvintes, iludindo a si mesmos. Quem ouve a Palavra de Deus e não a pratica, é como alguém que observa no espelho o rosto que tem desde o nascimento; observa a si mesmo depois vai embora, esquecendo a própria aparência. Mas quem se concentra numa lei perfeita, a lei da liberdade, e nela continua firme, não como ouvinte distraído, mas praticando o que ela manda, esse encontrará  a felicidade no que faz.


Aclamação à Palavra
Aleluia! Aleluia! Aleluia!
Quem ama a Deus, guarda a sua Palavra!


Partilha da Palavra
Depois de um breve momento de silêncio, quem preside a celebração convida os participantes a partilhar a Palavra que ouviram. Algumas idéias que podem ajudar na reflexão.

·        Ouvir a Palavra de Deus e não pratica-la é ser um iludido.
·        Diante da Palavra de Deus não podemos ser distraídos.
·        A Palavra de Deus nos conduz à liberdade.
·        Quem pratica a Palavra é livre e feliz.

Cântico do Novo Testamento
(Rm 8,31-39)
Quem nos separará,
Quem vai nos separar.
Do amor de Cristo,
Quem nos separará?
Se ele é por nós,
Quem será quem será contra nós?
Quem vai nos separar
Do amor de Cristo, quem será?

Nem angústia, nem a fome,
Nem nudez ou tribulação,
Perigo ou espada, toda perseguição!

Nem morte, nem a vida,
Nem os anjos, dominações,
Presente nem futuro, poderes e nem pressões!

Nem as forças das alturas
Nem as forças das profundezas,
Nenhuma das criaturas, nem toda a natureza!

Preces
Irmãos, Jesus intercede agora por todo o seu povo, junto do Pai.
Vamos unir à prece dele, dizendo:


T - Ouvi-nos, Senhor!
Ouvi, Senhor, o clamor de milhões de filhos vossos que sofrem debaixo da opressão e da miséria.
Abrandai o coração dos poderosos, aumentai a força dos pobres, para que venha o vosso Reino.

Guardai-nos unidos na comunhão dos santos, com todos os nossos irmãos os santos e os pecadores, os vivos e os mortos.

Tempo para preces espontâneas...

Pai nosso
Unidos no amor de Cristo e reconhecendo que sua Palavra é luz para nossos caminhos, rezemos com amor e confiança, a oração que o Senhor nos ensinou:

Pai nosso...
Oração
Senhor, vós nos dais cada dia como sinal do vosso amor. Vinde fazer com que sejamos testemunhas e instrumentos do vosso Reino neste mundo. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.
T – Amém!
Louvação final – “Elogio à Palavra”
É bom cantar um bendito,
Um canto novo, um louvor!

Ao Pai, criador do universo
Por Cristo, verbo de amor!

Ao Deus que faz o que diz
E o mundo inteiro criou.

Por sua santa Palavra
Mulher e homem plasmou.

Por seus profetas falando
Seu povo sempre alertou.

Por santas mãos escrevendo
Dois testamentos deixou.

A Boa-Nova é o Verbo
Que entre nós acampou.

Das Escrituras bebendo
Contente o povo em louvor!


O SENTIDO DE UM HINO CHAMADO "GLÓRIA"

Frei José Ariovaldo da Silva, OFM

Nos domingos e outras solenidades, bem como em dias festivos, cantamos no início da missa um antiqüíssimo e venerável hino chamado “Glória”. Seu conteúdo e verdadeiro sentido não tem sido bem compreendido entre nós. O músico e liturgista Frei Joaquim Fonseca, no seu livrinho “Cantando a missa e o ofício divino” (Paulus 2004) nos traz uma explicação que, a meu ver, é das melhores. Faço questão de transcrevê-la e divulgá-la em nosso “mutirão” de formação litúrgica. Olhem o que ele escreve:
“O ‘Glória’ é um hino que remonta aos primeiros séculos da era cristã. Na Instrução Geral do Missal Romano, lemos que o ‘Glória’ é um ‘hino antiqüíssimo e venerável, pelo qual a Igreja congregada no Espírito Santo glorifica e suplica a Deus Pai e ao Cordeiro... (n. 53).
Esta definição nos deixa claro que o ‘Glória’ é um hino doxológico (de louvor/glorificação) que canta a glória de Deus e do Filho. Porém, o Filho se mantém no centro do louvor, da aclamação e da súplica. Movida pela ação do Espírito Santo, a assembléia entoa esse hino, que tem sua origem naquele canto dos anjos que ressoou pela primeira vez nos ouvidos dos pastores de Belém, na noite do nascimento de Jesus (cf. Lc 2,4).
Na sua origem, o ‘Glória’ era entoado durante o ofício da manhã. Só bem mais tarde – por volta do século IV – é que aparece prescrito na liturgia eucarística do Natal podendo ser entoado apenas pelo bispo. Esse costume se prolongou por muito tempo. Porém, no final do século XI já há notícias do uso do ‘Glória’ em todas as festas e domingos, exceto na Quaresma. Então os presbíteros já podiam entoá-lo.
O ‘Glória’ pode ser dividido em três partes:
a) O canto dos anjos na noite do nascimento de Cristo: ‘Glória a Deus nas alturas e paz na terra aos homens por ele amados’;
b) Os louvores a Deus Pai: ‘Senhor Deus, rei dos céus, Deus Pai todo-poderoso: nós vos louvamos, nós vos bendizemos, nós vos adoramos, nós vos glorificamos, nós vos damos graças pro vossa imensa glória’;
c) Os louvores seguidos de súplicas e aclamações a Cristo: ‘Senhor Jesus Cristo, Filho Unigênito, Senhor Deus, Cordeiro de Deus, Filho de Deus Pai. Vós que tirais o pecado do mundo, tende piedade de nós. Vós que tirais o pecado do mundo, acolhei a nossa súplica. Vós que estais à direita do Pai, tende piedade de nós. Só vós sois o Santo, só vós o Senhor, só vós o Altíssimo Jesus Cristo’.
O ‘Glória’ termina com um final majestoso, incluindo o Espírito Santo.
É importante lembrar que esta inclusão não constitui, em primeira instância, um louvor explícito à terceira pessoa da Santíssima Trindade. O Espírito Santo aparece relacionado com o Filho, pois é neste que se concentram os louvores e as súplicas. Em outras palavras: o Cristo se mantém no centro de todo o hino. Ele é o
Kyrios, o Senhor que desde todos os tempos habita no seio da Trindade. 
Estas dicas certamente nos ajudarão a discernir na escolha do ‘hino de louvor’ mais adequado para as celebrações eucarísticas. Sabemos que em muitas de nossas igrejas há o costume de executar, no lugar do verdadeiro ‘Glória’ pequenas aclamações trinitárias, ou seja, simples aclamações dirigidas ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo. Pudemos ver que o ‘Glória’ é bem mais do que isso: nele está contido o louvor, a aclamação e a súplica. “E mais: a pessoa de Jesus Cristo aparece no centro desta grande doxologia” (p. 19-29). Obrigado ao Frei Joaquim Fonseca por este esclarecimento que, com certeza, vai contribuir para o aperfeiçoamento e a autenticidade de nossas celebrações litúrgicas em nossas comunidades.

            Perguntas para reflexão pessoal e em grupos:

1)   Quando (em que dias do ano litúrgico) é cantado o hino do “Glória” em nossas comunidades?
2)   A quem este hino glorifica, e como era usado na antiguidade cristã?
3)   Qual é a sua estrutura interna?
4)   Por que o hino do “Glória” é muito mais do que aquelas simples aclamações trinitárias que se costuma executar em muitas de nossas igrejas?
5)   Quem está no centro de todo o hino? Por quê?

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