COMO REALIZAR UM PROJETO DE GRUPO DE VIDA?

SEMINÁRIO ARQUIDIOCESANO DA PARAÍBA
IMACULADA CONCEIÇÃO


PROJETO DE GRUPO DE VIDA 

JOÃO PESSOA – PB


APRESENTAÇÃO

O Grupo de Vida João Paulo I, vivendo junto com o Seminário Arquidiocesano da Paraíba Imaculada Conceição o ano da caridade de Cristo (caritas Christi), apresentará neste livreto a experiência vivida sobre o aspecto cristão de ser Bom Samaritano seguindo a proposta formativa que está no Evangelho segundo Lucas 10,25-37.
O que aqui será relatado consta de elementos que se tornaram presentes e marcantes durante a caminhada existencial deste grupo de vida, desde sua tenra iniciação, passando pelos diversos encontros que teve até desembocar naquela prática samaritana vivendo a alegria cristã de colocar “óleo e vinho” nos irmãos da casa de apoio às pessoas com câncer Missão Atalaia de Jesus.
Destarte, o fulcro de toda ação, dentro desta perspectiva formativa, será a caridade que, partindo do gesto daquele homem que ultrapassa os limites da lei do culto, servirá de base única como empenho para uma verdadeira fé cristã, que ademais, ela, a caridade de Cristo, faz com que amemos o próximo como nós mesmos.


TEXTO  INSPIRADOR


A parábola do Bom Samaritano
(Lc 10, 25-37)

25. E eis que um legista se levantou, e disse para embaraça-lo: “Mestre, que farei para herdar a vida eterna?
26. Ele disse: “Que está escrito na Lei? Como lês?
27. Ele, então, respondeu: “Amarás o senhor teu Deus, de todo o coração, de toda a alma, com toda a tua força e de todo o entendimento; e a teu próximo como a ti mesmo”.
28. Jesus disse: “Respondeste corretamente; faz isto e viverás”.
29. Ele, porém, querendo se justificar, disse a Jesus; “E quem é o meu próximo?
30. Jesus retomou: “Um homem descia de Jerusalém a Jericó, e caiu no meio de assaltantes que, após havê-lo despojado e espancado, foram-se, deixando-o semimorto.
31. Casualmente, descia por este caminho um sacerdote; viu-o e passou adiante.
32. Igualmente um levita, atravessando este lugar, viu-o e prosseguiu.
33. Certo samaritano em viagem, porém, chegou junto dele, viu-o e moveu-se de compaixão.
34. Aproximou-se, cuidou de suas chagas, derramando óleo e vinho, depois colocou-o em seu próprio animal, conduziu-o à hospedaria e dispensou-lhe cuidados.
35. No dia seguinte, tirou dois denários e deu-os ao hospedeiro, dizendo: ‘Cuida dele, e o que gastares a mais, em meu regresso te pagarei.’
36. Qual dos três, em tua opinião, foi o próximo do homem que caiu nas mãos dos assaltantes?
37. Ele respondeu: “Aquele que usou de misericórdia para com ele.” Jesus então lhe disse: “Vai, e também tu faze o mesmo.”

INTERPRETAÇÃO  DA  PARÁBOLA


Estamos diante de uma parábola que Jesus contou em resposta a um especialista em leis. Para entendê-la, devemos refleti-la em dois momentos: primeiro, os vv. 25-28, que trata do duplo sentido do amor a Deus e ao próximo; o segundo, vv. 29-37, que é apenas um exemplo concreto da prática do amor.
Na primeira parte, depois do especialista dizer em que consiste a lei, ou seja, o amor, Jesus dirige a ele o imperativo consolador: “Faça isso, e viverá.” Jesus mostra àquele homem que a verdadeira preparação para a vida eterna é a vivência total, sem reservas do amor a Deus e ao próximo. Somente a prática do amor é garantia de vida eterna; amar é construir o “depois”, aquele depois que vem após a morte: a vida eterna.
A segunda parte é justamente uma definição concreta do que é realmente amar. Não é apenas pertença a uma religião, nem muito menos um conhecimento teórico da lei, mas atitude bem concreta como o “aproximar-se”, porque só é capaz de ver, nitidamente, quem está próximo. Outras atitudes são o “ver”, o “mover-se de compaixão” e o “cuidar”.
Chama muito à atenção, nesta segunda parte, o fato de Jesus insistir para que o próprio especialista em leis tire suas conclusões sobre o que é praticar a caridade. Jesus dá o exemplo, explica o que é viver o amor, mas deixa que a última palavra seja do especialista, para depois convidá-lo a fazer o mesmo. É importante perceber que sempre, em ambas as partes, a mensagem final é um convite a imitar o Bom Samaritano.
Partindo do exemplo do samaritano da parábola e do convite do Bom Samaritano por excelência, que é Jesus, nós do Grupo de Vida João Paulo I, sentimo-nos impelidos à prática da caridade para com todos aqueles que encontrarmos caídos à beira do caminho. Esperamos ter atendido à ordem do Mestre e tornado realidade as atitudes presentes na parábola.


HISTÓRIA  DO  PADROEIRO


João Paulo I, 1912-1978
papa de 26 de agosto a 28 de setembro de 1978.

Primeiro papa a adotar nome duplo, João Paulo I deixou sua marca na história como o primeiro papa em mais de um milênio a recusar-se a ser coroado com a tríplice tiara. Embora tenha sido papa por apenas 33 dias, o seu pontificado não foi o mais breve da história.
            Nascido Albino Luciani, de pais pobres da classe operária, foi ordenado em 1935, fez doutoramento na Universidade Gregoriana em Roma e foi cura em sua paróquia natal, em um lugarejo perto de Belluno. Em 1937, foi nomeado vice-reitor e membro do corpo docente de seu seminário diocesano e serviu também como vigário-geral da diocese. Em 1958, foi nomeado bispo de Vittorio Veneto e ordenado por João XXIII em pessoa, na Basílica de São Pedro.
Onze anos mais tarde, Paulo VI nomeou-o patriarca de Veneza. Participou do Segundo Concílio Vaticano (1962-1965), embora sem desempenhar papel de liderança. Em 1973, foi criado cardeal no título de San Marco (a quem é dedicada a catedral de Veneza). Durante os nove anos que passou em Veneza, foi anfitrião de cinco conferências ecumênicas, publicou uma série de cartas intituladas Illustrissimi, dirigidas a diversos personagens reais e fictícios, para ressaltar vários pontos catequéticos. De 1972 a 1975, foi vice-presidente da Conferência dos Bispos Italianos. Em teologia era em geral conservador, mas era sensível aos pobres e às questões sociais.
            Com a morte de Paulo VI em 6 de agosto de 1978 e depois do período tradicional de nove dias de luto, 111 cardeais iniciaram o conclave para eleger um sucessor. O conclave começaria – e terminaria – no sábado, 26 de agosto. No primeiro escrutínio, o cardeal Luciani e o cardeal Siri, de Gênova, importante ultraconservador e eterno candidato, receberam praticamente o mesmo número de votos (+ 25 votos). No quarto e último escrutínio, Luciani recebeu 90 votos. Os cardeais queriam um cardeal pastoral, alguém não ligado à Cúria Romana e diferente em estilo do papa anterior.
            O novo papa escolheu um nome duplo, João Paulo, para homenagear o Papa João XXIII, que o ordenara bispo e precedera como patriarca de Veneza, e o Papa Paulo VI, que o nomeara cardeal. No dia seguinte afirmou: “Estejam certos disto, não tenho a sensatez do papa João. Não tenho a preparação e a cultura do papa Paulo”. No discurso aos cardeais naquela manhã havia enfatizado duas vezes que “a Igreja existe não para o bem dela mesma, mas a serviço do mundo. Por outro lado, às vezes a Igreja precisa levantar-se contra o mundo em protesto profético”. Comprometeu-se em continuar a executar o Concílio Vaticano II, a revisar o Código de Direito Canônico para as Igrejas latina e oriental e a promover a evangelização, o ecumenismo, o diálogo com todos os povos e a paz.
            Em 3 de setembro, foi investido com o pálio e em 23 de setembro tomou posse de sua Catedral, a Basílica de São João de Latrão. Essa seria sua última aparição pública fora do Vaticano. Tarde da noite de 28 de setembro, João Paulo I morreu de um ataque cardíaco, enquanto lia na cama. A luz ainda estava acesa quando seu corpo foi encontrado na manhã seguinte. A verdade mais provável sobre sua morte é de que ele morreu prematuramente, pouco antes de completar 66 anos, porque precisava de tratamento para alguns problemas graves de saúde e não o procurou nem recebeu. Em todo caso, os romanos haviam desenvolvido tal apreço por este papa humilde e sorridente que reagiram com mais emoção à sua morte do que à de Paulo VI, apenas dois meses antes. Ele foi enterrado na cripta da Basílica de São Pedro.

ATIVIDADES  DO  GRUPO  DE  VIDA


O Grupo de Vida João Paulo I, foi formado no início deste ano. Durante o primeiro semestre, foram realizados quatorze encontros oficiais e um momento de lazer e confraternização. A primeira coisa que feita foi escolher o padroeiro, o coordenador e o secretário do grupo.
            Depois foi decidido que em cada reunião deveria haver uma oração de abertura e outra de encerramento. Também uma leitura bíblica, ou outra de cunho espiritual, com reflexões e aprofundamentos, com tudo cuidadosamente registrado.
            Na seqüência das reuniões, realizou-se o estudo dos “Elementos essenciais do programa dos grupos de vida”, e as orientações para a “Revisão de vida” e para a “Lectio divina”, todas contidas no livreto da formação “Como passar do trigo ao pão”. Estudou-se a história de vida do padroeiro e o livreto “A caridade de Cristo nos impulsiona”.
            Uma das reuniões teve a presença do Pe. Cláudio Sartori, que falou sobre o sacramento da Confissão. Em várias oportunidades partilhou-se sobre as vidas de cada um dos membros, os familiares, anseios para o futuro, pastorais, medos e incertezas. Cada encontro era ocasião para que cada um se conhecesse melhor.
            Sempre que na missa da quinta-feira o grupo fosse fazer a partilha da Liturgia da Palavra, na reunião, se fazia a preparação por meio da leitura e interpretação dos textos bíblicos. Em algumas vezes decidiu-se estudar os conteúdos da disciplina de Grego Bíblico. Ao se aproximar o final do semestre, em diversos encontros, foi elaborado e corrigido o projeto de aplicação da parábola. No mês de junho foi realizado um jantar fora, e uma avaliação de toda a caminhada até aquele momento.
            Na reunião que iniciou as atividades no segundo semestre, houve uma partilha de como foi o período de férias para cada um. Em outra oportunidade, foi feito o planejamento de um momento de confraternização e lazer. Estudou-se novamente a biografia do Papa João Paulo I, escrita por outro autor, e um texto do filósofo Aristóteles intitulado “A perfeição infinita de Deus”.
            Nos encontros que se seguiram, tratou-se quase que exclusivamente da vivência da parábola inspiradora deste ano formativo. O projeto tinha por meta prestar algum tipo de assistência ao Lar Missão Atalaia de Jesus, uma instituição situada no Bairro Rangel, da cidade de João Pessoa, que serve de amparo às pessoas do interior do estado que não têm residência na capital e precisam fazer tratamento contra o câncer.
            Começou-se a desenvolver o projeto por meio de várias visitas a fim de conhecer os que são assistidos e também como é que a instituição se mantém e está organizada estruturalmente. Essas visitas aconteceram durante os meses de agosto a outubro, constando de conversas e alguns momentos de oração.
            Durante o mês de novembro foi feito um encontro para avaliar a caminha do grupo de vida e para efetivar o gesto concreto do projeto, que agora está dependendo de terceiros que podem ajudar materialmente.

DESCRIÇÃO  DA  VIVÊNCIA  DA  PARÁBOLA


Após um encontro formativo que teve como objetivo buscar um local, a partir da parábola do Bom Samaritano, para a vivência deste texto Bíblico, nós, enquanto comunidade de vida, decidimos realizar a prática desta parábola no Lar Missão Atalaia de Jesus, uma casa que acolhe pessoas do interior do estado da Paraíba que aqui fazem tratamento de câncer.
Enquanto comunidade de vida, neste ambiente de pessoas enfermas, buscamos ser um outro Cristo Bom Samaritano que busca se aproximar para cuidar do que esta caído à beira do caminho. Portanto, através da escuta dos que lá estão, da oração, da atenção, da partilha da vida, procuramos aplicar este texto que orientou a nossa ação de visitas.
Nessa casa que acolhe pessoas que fazem tratamento contra o câncer, tivemos as seguintes impressões: este local nos ajudou a estar perto dos que estão caídos, pois uma doença como a que eles enfrentam causa muita exclusão da parte de pessoas preconceituosas; foi-nos importante para percebermos a dimensão do sofrimento presente na vida do outro, o renovar das esperanças e a alegria da cura e do retorno para casa.
Também foi percebido que os que estão ali como samaritanos, cuidando de cada doente, são verdadeiros sinais de amor que nos leva a refletir sobre a nossa atitude samaritana no dia a dia, mostrando-nos que no mundo existem pessoas que, impulsionados pelo amor de Cristo, agem como outro Cristo no meio da humanidade, gastando todo seu tempo com amor. Também nos foi notório que esta instituição sobrevive com muitas dificuldades, porque depende da ajuda de doações e, às vezes, nem sempre elas são suficientes para suprir as necessidades básicas. Frente a esta realidade fizemos o propósito de realizar um gesto de ajuda material neste local.
No entanto, percebemos que somos apenas servos inúteis e fizemos apenas o que nos competia e o que é de nossa essência: “AMAR”. Foi isto que buscamos fazer naquela casa, não com ações mirabolantes e extraordinárias, mas simples e humildes como já foram citadas.
Ao final do trabalho, percebemos as nossas limitações, no que diz respeito ao tempo de visitas e ao propósito de fazer uma doação material para a casa, que não foi possível realizar. Mas, mesmo assim, foi uma experiência muito positiva para todos nós, porque nos levou a perceber a urgência da Igreja nestas realidades, não com o sentimentalismo, mas com a simples caridade cristã.

CONSIDERAÇÕES  FINAIS


A exemplo do Cristo servo, Bom Pastor e Samaritano, que cura “as feridas” da humanidade, o Grupo de Vida João Paulo I procurou pautar toda sua atividade formativa sobre este aspecto de viver a caridade.
A experiência deste ano de dois mil e sete partiu, verdadeiramente, do chamado incondicional que o Cristo fez a cada um de nós para participar de sua Igreja, formando assim, a comunidade que gera a vida, e dentro desta mesma comunidade nos impulsionou, com sua caridade a vivermos a humildade na ajuda mútua e no compromisso com todos os outros irmãos que se encontram caídos por causa de suas enfermidades.
Este grupo de vida aprendeu, com sua vivência interna e externa, que a caridade é força que move o mundo, que lhe sustenta e lhe dá sentido, pois é o próprio Cristo que se compadece de nossa fraqueza e vem em nosso auxílio para nos dá hospedagem em seu regaço acolhedor e redentor, sendo aquela realidade sempre possível e sempre nova: o amor.


LIVRETO DO GRUPO DE VIDA
JOÃO PAULO I

SAPIC - 2007

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