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A NATUREZA DE JESUS CRISTO

A ciência da natureza de Cristo


            Abordar o tema sobre “A Ciência da Natureza de Jesus Cristo” não é nada fácil. É um tema bastante difícil de estudar e conseqüentemente de comentar. Sabemos que o Cristianismo se originou como um movimento messiânico no seio do Judaísmo e no mundo Greco-romano. Esse movimento foi inspirado por Jesus de Nazaré e centrado em sua pessoa. O Cristianismo reconhece e proclama que Jesus de Nazaré é o Cristo.
            Jesus é o Messias anunciado no Antigo Testamento pelos profetas; é a Segunda Pessoa da Santíssima Trindade que veio ao mundo para redimir o gênero humano e se fez homem no seio da Virgem Maria pela ação do Espírito Santo. Ora, é isto mesmo que a Igreja Apostólica proclama e afirma durante todos estes séculos. Realmente quis Deus que seu Filho (a segunda pessoa da Santíssima trindade) nascesse de uma virgem e vivesse no meio da humanidade como homem sem deixar de ser Deus, para garantir aos homens a salvação eterna redimindo-os de todo pecado através de um sacrifício definitivo sendo este na cruz. 
            Segundo a tradição da Igreja Apostólica a pessoa de Jesus possui duas naturezas: a humana e a divina nenhuma delas está sobreposto a outra, estão intrinsecamente unidas a tal ponto de afirmar que: “a natureza humana se uniu de tal modo ao Verbo que todas as suas ações puramente humanas são ações do Verbo”. Vejamos o que diz W. Kasper:


A afirmação da humanidade de Jesus e, por conseqüência, o ato de unificação máxima, constitui essa natureza em sua autonomia criatural. Em forma humana, ou seja, de modo a garantir a liberdade humana e a autoconsciência humana, a humanidade de Jesus está, assim, unida hipostaticamente ao logos. Justamente porque ele não é senão o logos é também no logos e por meio dele uma pessoa humana. E vale também a afirmação inversa: a pessoa do logos é a pessoa humana (Gesu Il Cristo, Queriniana, Brescia, 1975, p. 348).


            Mediante o pensamento de Kasper, podemos dizer que em Jesus não há duas linhas com ações paralelas separadas. Ele é uma única pessoa, possuidor de duas naturezas. Cada uma delas não possui vontade própria, elas não agem diferentemente uma da outra. Porque como vimos na citação acima “a pessoa do logos é a pessoa humana e todas as ações da natureza humana são ações do Verbo”, logo as ações praticadas (os gestos humanos) de Jesus Cristo filho de José e Maria são ações também do Filho de Deus (Verbo encarnado) porque é uma só pessoa que age. É certo afirmar que as duas naturezas estão unidas intrinsecamente (numa unidade orgânica) em comunhão e em subordinação.
            Desse modo constatamos que a Cristologia acerca das duas naturezas (humana e divina) de Jesus Cristo estão de tamanho acordo na pessoa do Verbo. A condição divina de Jesus estaria por assim dizer vista como sempre a Igreja Apostólica afirmou que ela não está além da sua existência humana, mas dentro dela, o mais intimamente possível. Ora, é aqui que entra a nossa abordagem acerca da ciência natural de Jesus Cristo (conhecimento experimental). O problema, de que agora nos ocupamos é um dos mais difíceis da Cristologia, mesmo porque o Magistério da Igreja pouco abordou sobre a ciência de Cristo. Jesus não nasceu com um saber já adquirido de todas as coisas, mesmo tendo uma natureza humana unida totalmente ao Verbo, ou seja, mesmo tendo uma fonte de conhecimento sobrenatural, o modo de manifestação do Homem-Deus permanece humano, apresentando características próprias do homem.
            Tudo o que lhe foi apresentado, Ele foi assimilando com o passar do tempo na sua vida terrena. Ele precisou de pessoas que lhe ensinasse a andar, a falar, a comer, por exemplo. Muito aprendeu por intermédio das pessoas mais próximas, aqui citamos seus pais José e Maria. Assim Ele descobriu que possuía uma mãe, um pai adotivo, que se chamavam Maria e José e que lhe chamavam de Jesus. Vejamos o que diz a citação abaixo a respeito do desenvolvimento do conhecimento experimental de Jesus:
             

Seus pais iam todos os anos a Jerusalém para a festa da Páscoa. Tendo ele atingido doze anos, subiram a Jerusalém, segundo o costume da festa. Acabados os dias da festa, quando voltavam, ficou o menino Jesus em Jerusalém, sem que os seus pais o percebessem. Pensando que ele estivesse com os seus companheiros de comitiva, andaram caminho de um dia e o buscaram entre os parentes e conhecidos. Mas não o encontrando, voltaram a Jerusalém, à procura dele. Três dias depois o acharam no templo, sentado no meio dos doutores, ouvindo-os e interrogando-os. Todos os que o ouviam estavam maravilhados da sabedoria de suas respostas. Quando eles o viram, ficaram admirados. E sua mãe disse-lhe: Meu filho, que nos fizeste?! Eis que teu pai e eu andávamos à tua procura, cheios de aflição. Respondeu-lhes ele: Por que me procuráveis? Não sabíeis que devo ocupar-me das coisas de meu Pai? Eles, porém, não compreenderam o que ele lhes dissera. Em seguida, desceu com eles a Nazaré e lhes era submisso. Sua mãe guardava todas estas coisas no seu coração. E Jesus crescia em estatura, em sabedoria e graça, diante de Deus e dos homens (Evangelho de Lucas 2, 41- 52).


            É possível constatar neste Evangelho como Jesus Cristo ia adquirindo o saber dia após dia através do conhecimento experimental, quando entrava em contato com o mundo que estava ao seu redor. Aprendia de forma experimental e as impressões adquiridas perceptivelmente das realidades sensíveis Ele ia absorvendo tamanho saber e acumulando tudo na sua alma e o seu conhecimento natural das coisas crescia cada vez mais.
            Como vimos na citação acima na medida em que Cristo ia crescendo Ele também adquiria conhecimento, logo Jesus não sabia que iria passar pela Paixão, enfrentar a morte numa cruz e depois ressuscitar, mas Ele foi assimilando tamanha missão gradativamente através dos acontecimentos com o contato com o povo sofrido e excluído, segundo Jacques Dupuis: Ele “assim atingiu a maturidade humana, aprendendo, passo a passo, a consumir sua vida humana numa total ‘pro-existência’ para os outros”.
            Ora, é certo afirmar que: Jesus, desde o início, desde que a sua consciência humana se despertara e lhe dera a certeza experimental de ser Filho de Deus como vimos na citação acima, Ele foi assimilando sua vocação ao sofrimento gradativamente. Mas esse sofrimento segundo Kasper: “apresentava-se à sua consciência só como uma sombra escura Ele só conheceu as particularidades de sua Paixão por sua progressiva experiência pessoal, em contato com a situação que, dia a dia, se complicava mais e mais”.
            No Evangelho de são João (2, 1- 12) que apresenta a perícope das “Bodas de Caná na Galiléia” vemos um fato importante de como Jesus foi descobrindo sua missão pelo processo do descobrimento da ciência experimental progressiva. É importante lembrar que: ao mesmo tempo em que, Ele possui um conhecimento experimental que procede de seu mundo interior e do exterior, mas também um conhecimento sobrenatural que procede da visão imediata de Deus (expressa a vontade do Pai).
            Jesus e Maria sua mãe estavam numa festa de casamento em Caná na Galiléia, o casamento é o símbolo da união de Deus com a humanidade, realizada de maneira definitiva na pessoa de Jesus, (Deus e homem – homem e Deus). Sem Jesus, a humanidade vive uma festa de casamento sem vinho (não tem motivo para se alegrar, pois sem Jesus não há libertação, remissão dos pecados, salvação).
            De repente faltou o vinho na festa e Maria tentando aliviar a situação constrangedora, ela que aqui simboliza a comunidade que nasce da fé em Jesus, e as últimas palavras que ela diz neste evangelho acreditando, sobretudo no seu filho Jesus Cristo são um convite para que os outros assim como ela também acreditem: “Façam o que Jesus mandar”. No entanto Jesus diz: “minha hora ainda não chegou”. Vejamos o que diz Kasper em relação à resposta de Jesus para com sua Mãe:


Jesus Cristo quis dizer que naquele momento ainda não era claro à sua consciência humana se devia começar, imediatamente, a sua obra de salvação, atendendo à vontade do Pai. Mas no mesmo instante em que Maria lhe dirigiu o pedido, recolhido em si mesmo, informou-se da vontade do Pai e, em razão da relação existente entre a sua consciência humana e o Logos, obteve o conhecimento claro que chegara então a hora esperada. Por isso, “fez o seu primeiro milagre em Caná” e “manifestou a sua glória”.   


            Jesus utilizou a água que os judeus usavam para as purificações. Os judeus estavam cegos pela preocupação de não se mancharem, e sua religião multiplicava os ritos de purificação. Mas Jesus transforma a água em vinho! É que a religião verdadeira não se baseia no medo do pecado. O importante é receber o Espírito. Este como vinho generoso, faz a gente romper com as normas que aprisionam e com a mesquinhez da nossa própria sabedoria.
            O episódio de Caná é uma espécie de resumo daquilo que vai acontecer durante toda a ação salvífica da vida de Jesus no meio da humanidade, através da sua palavra e ação, crescendo em maturidade, graça e sabedoria. A sua consciência foi se abrindo cada vez mais à Luz vinda de Deus.
            Jesus adquiriu todo o conhecimento necessário, conheceu de forma experimental a missão que Deus lhe confiara (projeto de Deus) para a salvação do mundo. “Pai, chegou a hora. Glorifica o teu Filho, para que o Filho glorifique a te, pois lhe deste poder sobre todos os homens, para que ele dê a vida eterna a todos aqueles que lhe deste” (Jo 17, 1- 2). Tornou conhecido para Si também sua relação (como segunda pessoa da Santíssima Trindade) com o Pai e o Espírito Santo, como encontramos no Evangelho de João (15, 26): “O Advogado, que eu mandarei para vocês de junto do Pai, é o Espírito da Verdade que procede do Pai. Quando ele vier, dará testemunho de mim”.
            Ele aprendeu a ser Mestre nas suas relações com as pessoas. “Então um doutor da Lei se aproximou e disse: Mestre eu te seguirei a onde quer que fores” (Mt 8, 19).  “Um jovem se aproximou, e disse a Jesus: Mestre, que devo fazer de bom para possuir a vida eterna” (Mt 19, 16). Na medida em que tinha contato com as pessoas Ele transformava as relações dos homens com Deus e dos homens entre si. Aprendeu a ensinar em forma de parábolas (Lc 15, 1-32; Lc 16, 19- 31; Mt 13, 1- 33) “Jesus falava em parábolas às multidões. Nada lhes falava sem usar parábolas” (Mt 13, 34) e se tornou um mestre nato.
            Por fim, mesmo quanto à sua humanidade, tornou-se o mestre do pensamento, mestre da palavra, pois contrapunha sempre os escribas e doutores da Lei e o povo cada vez mais se admirava da doutrina que lhes ensinava, pois a sua ciência não teve limitações de espécie alguma; ao contrário, esgotou todas as possibilidades de conhecimento em matéria de salvação para toda a humanidade.


Referências:


Bíblia de Jerusalém, Editora Paulus – São Paulo – Brasil – 2002.
Bíblia Sagrada, Edição Pastoral, Editora Paulus – São Paulo – Brasil – 1990.
Jacques Dupuis – Introdução à Cristologia – Editora Loyola – São Paulo – SP – Brasil – 1999.
Karl Adam – O Cristo da fé – São Paulo: Herder – 1962 – Trad. do Padre José de Assis Carvalho. 2ª Edição.
Seitas e Novos Movimentos Religiosos – coleção quinta – conferência realidade social – Conselho Episcopal Latino-Americano – Editoras Paulinas e Paulus – São Paulo – Brasil.

FIQUEM NA PAZ DE DEUS!
SEMINARISTA SEVERINO DA SILVA. 

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