SEGUNDA CARTA A TIMÓTEO (2, 1 - 26)

MEDITAÇÃO DA SEGUNDA CARTA A TIMÓTEO (2, 1-26).

Amados irmãos, louvado seja Nosso Senhor Jesus Cristo.
Para sempre seja louvado.


Caríssimos irmãos, nesta segunda carta de Paulo enviada a Timóteo encontramos uma tríplice seqüência de exortação apostólica. Como vimos na meditação da noite anterior, ele inicia dando ênfase a sua exortação alertando a Timóteo para que este possa “reavivar o carisma recebido de Deus” (2 Tm 1, 6). Acerca da nossa meditação lembremos as frases de Paulo “fortifiquem-se sempre na graça que está em Jesus Cristo” (2 Tm 2, 1) e aprendam a “testemunhar diante de Deus que é preciso evitar as discussões inúteis” (2 Tm 2, 14). 

Se num primeiro instante nós vimos Paulo convidando o seu amigo Timóteo a reavivar o dom de Deus recebido pela graça da imposição de suas mãos, neste, temos a satisfação de lembrar que ele pede ao mesmo a força de fortificar-se na graça que só existe em JESUS CRISTO e a testemunhar a fé n’Ele. Aqui neste capítulo, fica fácil de identificar o presente processo de difusão e tradição do dever apostólico, sendo aqui representado, sobre tudo na pessoa de Paulo, que se encontra numa prisão na cidade de Roma, em condições de abandono, incompreensão e tortura.

Ao exortar Timóteo, Paulo de forma consistente ilustra a figura de pastor, lhe apresentando três metáforas: a do soldado, a do atleta e a do agricultor. A Primeira – a do soldado salienta a opção do agente de pastoral. Que por sua vez ao se escrever no exército o soldado deve se ocupar somente com as questões referentes ao seu ofício, para corresponder à vontade de quem o alistou. A Segunda – mostra a coerência ou fidelidade à opção assumida; assim como o atleta para ser vencedor, precisa respeitar as regras do jogo, da mesma forma, o pastor deve nada mais nada menos seguir o “modo de ser e de agir” de Nosso Senhor Jesus Cristo. A Terceira – refere-se ao prêmio ou a recompensa por ter sido fiel à opção. Assim como o agricultor tem o direito de ser o primeiro a participar daquilo que plantou, assim o agente de pastoral tem o direito de participar da ressurreição de Jesus.

De fato, nós não devemos esquecer que ao mesmo tempo em que Paulo exorta Timóteo, ele também enfrenta os sofrimentos causados pelo anúncio do Evangelho. Se uma vez Cristo, foi considerado malfeitor como podemos ver no evangelho de (João 18, 30), Paulo por sua vez também o foi, por causa das palavras de Nosso Senhor Jesus Cristo anunciadas por ele. O apóstolo que em meio a sofrimentos tinha a convicção forte de que a palavra de Jesus não deveria nunca cair no esquecimento, mesmo estando ele encarcerado numa prisão. 
Será que em nossos dias atuais esta palavra é difundida com ânimo e desassombro? Será que estamos suportando os conflitos que o anúncio desta palavra nos proporciona? Estamos suportando como Paulo, ou estamos deixando que as nossas fraquezas se sobressaiam perante a vontade de Deus? Mesmo que nos encontremos acorrentados em nossas preguiças e prepotências, ou aprisionados como malfeitores nas mãos dos homens como Paulo o foi, a palavra de Deus deve ser pregada de forma corajosa, sem temor algum, para que também aos que estão em Jesus Cristo, aqueles que possuem a fé, possam um dia alcançar a salvação. Lembremo-nos então das palavras de Paulo a Timóteo: 

“Se com ele morremos, com ele viveremos; Se com ele sofremos, com ele reinaremos. Se nós o renegamos, também ele nos renegará. Se lhe formos infiéis, ele permanece fiel, porque não pode renegar a si mesmo” (Segunda carta a Timóteo 2, 11-13).

Mediante isto, podemos perceber que Paulo mesmo prisioneiro dos homens e das suas fraquezas, ele não se deixou aprisionar pelas forças contrárias ao Evangelho de Deus. Disto nós temos uma certeza, a palavra de Deus não ficou retida nas mãos algemadas de Paulo, onde o mesmo lembrara a Timóteo que era preciso “apresentar-se a Deus como homem digno de aprovação, como trabalhador que não tem do que se envergonhar e que distribui com retidão a palavra da verdade” (2 Tm 2, 15). 
Infelizmente muitos de nós nos sentimos assim hoje, algemados, verdadeiramente impotentes porque só olhamos para nossos problemas e nos esquecemos do mais precioso, que devemos fazer nossa parte para que o Senhor possa executar a Dele. Quantas pessoas estão decepcionadas, envergonhadas, sem esperança, pessoas que estão dentro da Igreja que trabalha na missão de evangelizar, mas que às vezes parece não mais acreditar no poder do Evangelho que é a própria palavra de nosso Deus. Palavra esta que pode nos libertar de tudo aquilo que possivelmente venha a nos aprisionar.

Paulo tinha a preocupação especial com o amigo Timóteo sobre tudo em relação ao seu comportamento que se mostrava às vezes uma pessoa indecisa e sem coragem perante os conflitos internos da comunidade. Às vezes parecia que seus escritos eram bem dirigidos de forma particular ao amigo, mas ele também se preocupava com aqueles que o mesmo pastoreava. O santo Apóstolo de Deus exortou que era preciso que se evitasse “as discussões inúteis, que não serve para nada, a não ser para a perdição dos que as ouvem... Evitando o palavreado inútil dessa gente que vai tornando-se cada vez mais ímpia”(2 Tm 2, 14-16); referindo-se assim a Himeneu e Fileto, que por sua vez desviaram-se da verdade, dizendo que a ressurreição já acontecera pervertendo assim a fé entre várias pessoas. 
Não tenhamos dúvidas que as discussões inúteis com palavras vazias devem ser evitadas, por que não servem para nada. Paulo se referia assim, ao conflito teológico de Himeneu e Fileto que se deixaram envolver por pensamento pagão. Os gregos tinham bastante dificuldade em admitir a ressurreição dos mortos, por isso, alguns cristãos evitavam o problema, dizendo que a ressurreição já acontecera no Batismo, e aqui lembramos que o Batismo nos remete apenas a uma ressurreição espiritual.

Mediante isto, podemos observar claramente que na comunidade dirigida por Timóteo havia problemas internos. Analisando as palavras de Paulo fica evidente para nós que segundo ele, o agente de pastoral sendo aqui representado na pessoa de Timóteo deve agir com retidão no seu serviço evangelizador, respeito e acolhimento para com todos, deve ser firme na perseguição, ter seriedade na palavra e fugir de conversas ociosas. 

Enfim, na nossa comunidade assim como na de Timóteo, também existem erros, no entanto, somos convidados a nos purificarmos. É verdade que um vaso de barro jamais se tornará de ouro, mas somos convidados a acolher diante de Deus e das pessoas a verdade que se revelou para nós em Cristo Jesus, por isso deixemo-nos ser envolvidos pela sua palavra que vem do alto, para que possamos nos tornar vasos cheios da graça de Deus, santificados para toda boa obra. Amém.

Referências: 

Bíblia do Peregrino, Novo Testamento, Paulus, tradução: Luís Alonso Schokel, 2ª edição, 1996.

FIQUEM NA PAZ DE DEUS!
SEMINARISTA SEVERINO DA SILVA.

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